O GORDINHO ATENTO
Aos doze anos, eu já gostava de bolar umas estorinhas. Sendo assim, nada mais natural que eu me incubisse da tarefa de fazer o roteiro daquele trabalho de educação artística. Simples, bastaria inventar um enredo qualquer pra um teatro de marionetes. A meu ver, o mais difícil seria comprar os bonecos. Ah, mas isso ficaria com o resto do pessoal do meu grupo. Pros não-criativos. No entanto, dias depois, haviam os atores em forma de pano, mas não um enredo pra eles. Sim, eu me revelei um fiasco como roteirista de marionetes, zero de idéias. Como eu tinha um nome a zelar, resolvi recorrer a uma fonte certa: antigos gibis da Turma da Mônica. A minha estorinha estaria ali. Dito e feito.
Logo depois dos aplausos na apresentação na escola, um gordinho loiro e com jeito de nerd veio falar comigo, me dando os parabéns. Mas pelo plágio, muito mal disfarçado, segundo ele. Assim, fui desmascarado, com direito a um inesquecível sorriso irônico por parte do meu acusador. Eu, uma farsa. Criativo? Uma ova! Putz.
Desde então, a imagem do gordinho me acompanha toda vez que me disponho a criar algo. Como se ele ficasse em cima dos meus ombros, feito o grilo da consciência, lendo cada palavra que digito aqui, por exemplo. E, de alguma forma, é bom sentir essa espécie de paranóia, pois me mantém longe de reproduzir algo que alguém já criou. Ajuda a manter o que sou, sem a tentação de aditivar o meu ego através de frases ou idéias que não são minhas. Do que aparece aqui, bom ou ruim, não importa, é coisa minha e assino embaixo. E isso me faz bem, ao saber que não dou motivos pro gordinho esboçar aquele mesmo sorriso irônico de "arrá, te peguei!".
Logicamente que muito dos temas que aparecem por aqui já foram abordados mídia afora, nos jornais, revistas, blogs, etc. É raro desenvolvermos algo que tenha uma essência totalmente original. Eu ainda acho que a idéia do Miojo Coreano foi a única coisa realmente original que desenvolvi desde quando percebi que poderia brincar de cronista. Seja lá como for, tenho a consciência de que não inventei a roda, mas posso tentar girá-la de formas diferentes. Se não costumo ser Einstein na idéia em si, que pelo menos eu possa ser um bom funcionário no desenvolvimento dessa. Nem que eu tenha que apelar pra analogias medonhas, como as que eu acabei de fazer. Mas tem quem goste, ainda bem. Como você, desconfio eu, que acabou de chegar ao fim do quarto parágrafo desse texto. Parabéns.
Enfim, o que eu quero dizer é que às vezes dá um trabalho danado bolar algo que seja 100% nosso. Mas vale a pena, pois no fim, as pessoas reagiram a mim, pai daquelas frases. Não para aquela citação que pouca gente conhece, vinda de outro autor. Por isso que eu não entendo o prazer que muita gente sente ao plagiar textos por aí, no todo ou parcialmente, assinando-os como se fossem seus. Que graça essas pessoas vêem ao receber os parabéns por algo que não fizeram? Isso, pra mim, é mais ou menos como alguém deixar que a mulher transe algumas noites de olhos vendados com um garanhão qualquer, pensando que é o marido. No fim, pra agradecer os orgasmos múltiplos, ela cobre de beijos o corno, que fica todo orgulhoso ao receber os créditos daquilo que não fez. Eu, hein? Tô fora.
Pros crescidinhos que ainda brincam de xerox ambulante pelo mundão da internet, colocando seus nomes no lugar do autor original, resta lamentar. Talvez tenha faltado um gordinho atencioso em algum ponto da infância desse pessoal, enquanto recebiam, injustamente, mais uma salva de palmas. Agora, já é tarde demais. Afinal, ao que parece, vergonha é coisa de criança.
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E que tal:
- Ler "Quando a brincadeira fica séria demais", texto de Rafael Galvão? Vale a pena conferir a discussão nos comentários também…
- Ouvir o groove contagiante de "Recognize", música da banda "Breakestra"?
- Ver a participação especial do guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, no filme "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo"?
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Comentários:
Como eu não concorro, vou dar meu voto: a Carol Costa fez a melhor das promoções!
Re: Será?
Curioso você abordar o assunto plágio justo na semana em que descobri ter sido plagiada. Ou melhor, eu não descobri, um anônimo me avisou. A anônima da plagiadora ainda encheu meu blog de desaforos em comentários hostil e mal-educados, como se eu a tivesse ofendido. Que o mundo está do avesso, Tuca, isso lá é certo. Mas quando a gente sente isso assim, tão de perto, fica pasma. O plágio em si não me aborreceu tanto quanto a atitude cara-de-pau da plagiadora em me humilhar daquele jeito. Isso me entristeceu de forma tal que tirou momentaneamente meu tesão de escrever. Fiquei literalmente muda…
Re: Kandy, ao que parece, você deve ser marinheira de primeira viagem nesse tipo de situação que, infelizmente, vai acontecer sempre. Infelizmente. A escrotidão de certas pessoas, ainda mais protegidas pelo anonimato, não tem limites. Tomara que o baque passe pra vc, afinal, não é justo que um serzinho desses faça vc se sentir desestimulada a escrever. Nessas horas, leve em consideração a imensa maioria do bem que te lê. Seus leitores não merecem isso.
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Eu sempre me inspiro em N coisas que eu vejo por aí pelo mundo, mas em geral eu cito a fonte, e não faço uma cópia mal lavada. Apenas comento e tals… Bom, mas acho que se você não vai escrever nem falar nada de original, então pra que ter blogue, né? Digo… que coisa mais sem graça ficar copiando e colando texto, né! Agora… sabe o que é chato, tb? Um texto seu cair na net com o nome de outra pessoa, digamos… famosa! Sabe. Seu texto é bom, mas seria melhor ainda se fosse de um autor famoso. Isso é foda. Sei lá!
Ainda não vi qual é a melhor promoção, vamos ver se vai dar tempo de ver todas! E adendo, eu assisti Piratas do Caribe 3, eu vi o cara, mas não VI o cara, se é que vc me entende! hauhauhauhauhuahuahuahuahuahuahuahuahuaa!
Fiquei boba quando descobri que era o Keith Richards.
Re: Chegará o momento que circulará por aí um texto bem meloso, "assinado" pelo Veríssimo, em PPS, sobre as maravilhas de se acreditar em Deus. E muita gente nem vai se tocar do absurdo da coisa, uma vez que o Veríssimo é ateu… Incruzão digitau é fogo, viu?
Nossa, pelo jeito vc não conhece muito bem o Keith "Maracujá" Richards que, por sua vez, foi a inspiração do Johnny Depp pra compor o personagem dele nessa trilogia. Ok, tudo bem, vou acreditar que vc estava sem óculos…
Aliás, confira aqui o figura dando uma entrevista sobre esse filme. Impagável!
E pela internet é o que vemos mais acontecer. Recebemos mails com textos onde alguém também atribui falsa autoria ou autoria errada, ou até mesmo deixando de registrar os devidos créditos … enfim, ao mesmo tempo que divulga, comete erros e omite autores … uma pena.
E como vc disse tem os larápios de textos alheios … lamentável!
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Re: fonte confiável, mesmo, somente através dos livros. O bom, velho, e insubstituível livro. Do que aparece na internet, fica por nossa conta e risco.
Bom, já que ninguém (NINGUÉM!) comentou aqui a fim de pleitear o ingresso, você pode cedê-lo à sua namorada?
Diz que sim, vai! Não custa nada, diz que sim, diz que sim, siiiiiiiim??
Êê, brigada! rs ![]()
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