A FAMÍLIA VAI BEM, OBRIGADO
O relacionamento que tenho com os vizinhos do meu prédio é tipicamente paulistano. Ou seja, perto do nulo. Por aqui, os contatos restringem-se as conversas de elevador. Mas isso não me impede de saber que a Dona Fulana é casada com o Seu Beltrano, tendo como filhos a Beltraninha e o Fulaninho. Pelo menos fica essa noção de saber quem é parente de quem, no mínimo. Normal em cinco anos de convivência. Considerando-se isso, a maioria do pessoal do meu prédio sabe, por exemplo, que eu sou filho dos meus pais. Já é uma coisa. Foi mais ou menos isso que pensei quando, no elevador, encontrei aquela vizinha bem simpática, mãe de duas adolescentes. O cumprimento dela tem um tom de quem vai te chamar pra tomar um chá, de tão amistoso que é. E, dessa vez, não foi diferente:
- Oi!!! Tudo bem? – o mesmo sorrisão de sempre.
- Tudo. E com você? – respondi, sem dar bola pra originalidade alguma, como sempre.
- Ah, tá tudo ótimo! – nesse momento, entrou no elevador mais duas pessoas. Um grandão, filho de um Fulano de bigodão branco, e uma mulher, casada com um gordinho. Mais cumprimentos, num festival de "oi, tudo bem?". A mulher simpática volta a falar comigo:
- E o seu pai? A sua mãe? Tudo bem com eles??? – Olha aí, não disse? Essa aí sabe que sou filho dos meus pais.
- Tudo ótimo com eles.
De súbito, ela se virou pro grandão, comentando com aquele mesmo sorriso de atendente do Mc Donald's:
- A mãe desse aí faltou na aula de ioga ontem, acredita? Preferiu fazer sopinha pra filha a ter a nossa companhia… Danada, viu? Aiai, essas mães corujas… Vou te contar, Nandinho – Nandinho? O cara tinha quase dois metros – Mas tudo bem, dessa vez passa, só porque a filhinha querida tá grávida, quase nove meses já. Aliás, a Vanessa tá liiiinda com aquele barrigão! – e, novamente, ela se dirige a mim, com o elevador já quase no térreo – E a Vanessa? Tá tudo bem ela?
- Ah, tudo ótimo com ela! - sim, como não poderia estar?
- Manda um beijão pra ela… E ó, fala pra sua irmã não roubar mais a sua mãe da gente, hein? Tô brincando querido… - oh, como se eu tivesse levado a sério!
- Hehehe… Pode deixar, o beijo será dado!!! Tchau!
- Tchau!!!
Assim, tomei o meu rumo, incomodado por uma pergunta que não saía da minha cabeça. Afinal, quem seria essa tal de Vanessa??? Será que, durante todo esse tempo, aquela mulher pensou que eu fosse irmão dessa moça, filho de outros pais? É capaz. Não quis desmenti-la na frente dos outros. Sabe como é, a coitada ficaria bem envergonhada ao ver pública a sua gafe. Mas, ao mesmo tempo, não terei coragem pra dizer, num próximo encontro, que ela fez papel de boba pra mim. Que eu fingi ser irmão da tal de Vanessa. Que o beijo não foi dado, essas coisas. Não tem jeito, terei que sustentar a farsa daqui por diante.
No mais, estou animadíssimo pra contar pra ela, nos próximos dias, sobre como a Vanessa se comportou durante o parto. Uma guerreira!
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E que tal:
- Ler "Porque o Linux Não Deslancha", texto de Adamastor da Silva, no blog "Jornalista de Merda"?
- Ouvir o jeito todo Beatles de ser de "It's Alright", da banda "The Redwalls"?
- Ver a explicação filosófica de Raul Seixas sobre a censura moral da música "Rock das Aranhas"?
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e a vanessa ein?
adiojaiodjoiasjdoias
q coisa cara, essa situação é ridícula mesmo.
eu to numa dessa também
mas a mulher é meio doida então qualquer coisa que eu digo ela acredita ![]()
Re: Tá numa dessas também? Legal, então use e abuse da sua criatividade!
E avisou a sua mãe para não faltar mais a yoga por causa da sua irmã Vanessa?…rs.
E Tuca, o post anterior da namorada blogueira bem que merecia um "e que tal" com esse vídeo aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=8X3kiKjjIIU
Re: Pois é, a minha mãe não pode faltar na ioga! Quando eu descobrir quem ela é, eu aviso…
E Bia, esse vídeo eu já havia recomendado no "Que tal…" desse post aqui, na semana passada. Lembra, não?
Ai, eu também já passei quase um ano sendo chamada de Jacqueline (????? meu nome é Virginia!) pelo ascensorista do prédio do trabalho sem coragem de corrigi-lo. Atendia por Jacqueline e tudo. Até que uma colega entrou, viu o teatro e falou "Seu Manoel, o nome dela é Virginia" e eu tive que revelar a falta de coragem que tive de corrigí-lo antes. Foi bem mais fácil de sustentar do que a tua "farsa", mas mesmo assim, é complicado - e engraçado.
Re: Ah, confessa aí. Vc não tinha corrigido o ascensorista por adorar ser chamada de Jacqueline. Duvido que vc deixaria de corrigiri-lo se ele te chamasse de "Dona Edicreusa". É isso, né?
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Caraca, essa história está hilária!!! Coitada da Sra. Simpatia…
Re: Coitado de mim, tendo que inventar estórias mirabolantes da minha nova família. Pra vc ter uma idéia, nem sei quem são os meus novos pais!!! Coisa de novela mexicana.
Oh que péssima leitora-comentadora eu sou…rs. Mas ainda acho que teria mais a ver com esse do que com as propinas… Mas enfim, vou ali fazer minha ioga ![]()
Re: Pensando bem, sua dica acabou sendo oportuna, uma vez que nem todos que lerão esse texto aqui irão conferir o post em que o vídeo está linkado também. E tem razão mesmo, esse texto aqui tem mais a ver.![]()
Geeeeeeeeeeeeeente!
Q horror!
Tadinha!
Mas de qualquer forma dá um beijo na Vanessa por mim tbm!
Re: Pode deixar, Jade! Quando ela sair do trabalho de parto eu faço isso!
Essa pequena farsa poderia ser um bom ponto de partida para um livro, onde o protagonista se enrolasse cada vez mais na sua mentira, levando a conseqüências catastróficas.
Re: Uau, uma coisa bem kafkaniana. Gostei.
Olha, eu tenho um problema sério:não guardo fisionomias. Portanto ao ser abordada por alguém que diz que me conhece eu acredito sempre. Como não tenho coragem de dizer para a pessoa que "não faço a mínima idéia de quem ela é" fico tentando no meio da conversa, descobrir coisas que me deem alguma pista sobre com quem esotu falando…
Péssimo…
Por isso nunca arriscaria ser uma Miss Simpatia…
Re: sou muito bom pra guardar fisionomias, mas péssimo pra lembrar nomes. Sem medo de ser feliz, eu sempre pergunto o nome da pessoa novamente, após uns três minutos dela ter sido apresentada a mim…
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