OITO COISAS AO REDOR DO MEU UMBIGO – parte 2 de 2

5 - Estômago ET
Sobretudo pelas manhãs, desconfio que o meu estômago é na verdade um alienígena que habita o meu corpo. Uma das provas disso é a mania dele de só acordar horas depois que saio da cama. Preguiçoso, ele nunca me acompanha, fazendo com que eu jamais tenha aquela fome matinal tão comum aos cerumanos. Breakfast majestoso de um belo hotel? Saio de lá apenas com um cafezinho e algumas bolachas magrinhas, enjoado ao encarar tudo aquilo que o alienígena não quis. Por mais que os olhos se animem pela perspectiva de um desjejum em grande estilo, mesa colorida, não adianta, o bicho só teima em acordar mesmo lá pela hora do almoço. Se tiver feijoada na mesa, melhor ainda. Tanto que, anos atrás, ele já traçou um prato disso lá pelas sete da manhã, com farofa e couve. Só faltou a caipirinha pra completar. Vai entender…

6 - Seletividade no amor
Muitos confundem seletividade com medo de amar. Alegam que quem escolhe muito, na verdade, tem pavor de compartilhar a vida com uma outra pessoa. Cagaço brabo. Por isso, complica tanto as coisas, deixando qualquer relacionamento naturalmente inviável. Ao meu ver, tudo isso não passa de um raciocínio manco de quem tenta aliviar a decepção por ter sido rejeitado, funcionando feito um analgésico na auto-estima em frangalhos. Em um relacionamento, não creio que a pessoa tenha que se adaptar tanto assim a outra. É preciso que haja um encaixe evidente, com uma ou outra aresta a ser tolerada, já que nada é perfeito nesse departamento. Casais que vivem brigando, mas que se dão bem na cama, fossem sinceros, tornariam-se apenas grandes amantes, nada mais. Casais que possuem afinidade intelectual imensa, mas que não se dão bem na cama, fossem sinceros, tornariam-se apenas grandes amigos, nada mais. Sorte daqueles que, como eu, tem o melhor dos dois mundos em uma só pessoa. Um brinde à minha seletividade. Sem ela, talvez eu estivesse casado com alguém por caridade. Sem ela, eu não teria a minha Patrícia.

7 - Parabéns pra você, nessa data querida.
Não me levem a mal, mas eu não gosto dessa música. Não tenho razões traumáticas pra alegar essa antipatia. Enjoei dela apenas. Quando criança, adorava ouvir e cantá-la, da mesma forma que aceitava sorridente outras tantas canções de infância. Mas, pra mim, tudo tem seu tempo. Se até alguns clássicos dos Beatles cansaram meus ouvidos, porque não essa canção, que ouço desde o tempo das fraldas? Sabe aquela musiquinha chata da novela das oito que somos obrigados a ouvir durante meses? Isso pra mim é o "Parabéns pra Você", com a desvantagem de nunca sair de moda, uma vez que não depende de jabá da Globo pra ser veiculada. Nem as inserções engraçadinhas - como o "É pica! É pica! É rola! É rola!" - funcionam mais. Piada velha, fonte de sorrisos amarelos. Se bem que no meu último aniversário, os meus sobrinhos - pivetada de 2 a 7 anos - resolveram inovar, cantando no fim: "ARRÁ! URRÚ!!! Ô Tio, eu vou comer o seu bolo!!!". E que continuem assim, sem noção alguma de rima.

8 – Médico Veterinário
A principal razão de eu ter escolhido e concluído o curso de medicina veterinária foi a possibilidade de morar e trabalhar no interior. Hoje em dia, não cogito mais sair de São Paulo, capital. Só saio daqui se for rumo à outro país. Não pretendo abrir clínica alguma, destino mais do que comum dos veterinários que ficam na cidade grande. Gosto de animais, não tecnicamente, mas sim afetivamente. Trabalhei durante cinco anos com avestruzes, período no qual simpatizei bastante com esses bichos, feito um paizão. Pena que os criadores, pra gerenciarem seus negócios, revelavam-se ora picaretas, ora incompetentes. Desmotivado por isso, caí fora. Ainda posso dizer que sou veterinário, uma vez que presto serviços pra uma editora que publica guias de produtos para animais. Opção bem alternativa para o que se espera de um profissional da minha área. Garante um dinheirinho aqui e acolá, vez ou outra. No mais, quem me acompanha por aqui, percebe que o que eu gosto mesmo de fazer é escrever. Venho tentando inaugurar um novo tipo de profissão, a do redator veterinário. No que isso vai dar? Veremos… No mais, alguém com alguma outra sugestão aí?


Permalink19.09.06, 12:08:55, by Tuca Hernandes Email , Meu Umbigo 5 comentários



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Comentários:


Comentário de: Nata. · http://garotadascavernas.zip.net

Sabe, acho que amor (Aquele, de verdade), não escolhe, nem "dá" pra qualquer um… Acho que acontece… Como você disse, tem que haver o encaixe…
(Liga não. Estou num periodo "ultra-romantica-brega")
Bjo.


PermalinkPermalink 19.09.06 @ 22:06



Comentário de: Sandra · http://www.sandrapontes.com


Feijoada às 7 da manhã???? eeeccccaaaaa


PermalinkPermalink 19.09.06 @ 22:36



Comentário de: Kandy · http://ideiasnajanela.blogspot.com

Muito legal o final da sua biografia em oito lições. Mas o que mais gostei foi a declaração de amor à sua namorada, que parece ser muito gente boa, a julgar pelo comentário que ela deixou no meu blog (por favor, agradeça a ela por mim). Concordo plenamente com o que você colocou sobre a seletividade no amor, porque também sou assim e sei bem o quanto as pessoas confundem isso com "mania de ser solteiro", "quem muito escolhe acaba escolhido" e coisas afins.
E, se o mundo está mesmo sendo constantemente renovado pela criatividade e originalidade, por que não inaugurar uma profissão nova, como a de redator veterinário? ;-) Então, Jedi Tuca, acho que você tem futuro: não sei se pela parte de veterinário, que eu não conheço, mas indubitavelmente pela de redator!
(Ah, obrigada por ter escrito no meu blog também)


PermalinkPermalink 19.09.06 @ 23:57




Sabe que eu também detesto Parabéns a Você?
Musiquinha horrorosa…


PermalinkPermalink 20.09.06 @ 11:06



Comentário de: Nathana


Na verdade… é complicado conciliar tantos talentos em áreas diferentes né?! sei como é isso… kkkkkkkkkkkkkkkk … e com relação a ser seletivo… está certo… a maturidade está em não levar relacionamentos nocivos para frente…. linda declaração … ;-)



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TITLE: Rodrigo Ghedin » Eu e meu umbigo (multiplicado por oito)
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[...] Recebi do Tuca a difícil tarefa de, num texto, escrever oito coisas sobre mim. Para alguns pode ser algo fácil, instigante até, mas, desculpa Tuca, para mim será um trabalho herculano. Esse lance de se auto-analisar não funciona direito nunca, eu sempre terei uma visão deturpada do meu verdadeiro eu, e acho essa coisa toda excessivamente "umbigocêntrica". Mas, vindo do grande Tuca, farei um esforço e escreverei as tais oito coisas sobre mim. [...]


PermalinkPermalink 26.09.06 @ 21:49



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