SOU SIM, E DAÍ?
Foi preciso coragem pra escrever esse texto. Há tempos que eu vinha sentindo essa necessidade de compartilhar com o mundo esse meu segredo. E nada melhor do que revelá-lo aqui, nesse espaço onde pessoas esclarecidas procuram me ler todos os dias. Acho que vocês têm o direito de saber quem eu sou no que diz respeito à minha sexualidade. Se alguns de vocês deixarem de acompanhar esse blog depois de hoje, tudo bem, vou entender. Seria insensato de minha parte tentar mudar, do nada, as convicções alheias. Mas só peço uma coisa: respeito, nada mais. Mas vamos lá: minha gente, eu sou lésbico.
Isso mesmo, e com “L” maiúsculo. Desses que não têm mais dúvida de sua condição. Amo mulheres, mas não me encaixo no estereótipo do macho comum. Fazendo uma auto-análise a partir de meu histórico de até então, descobri várias características em mim que me fizeram descobrir como um típico lésbico. Na cama ou algo similar, sou apaixonado por preliminares, sendo capaz de ficar horas diante do corpo dela, contemplando e agindo, em comum acordo, é claro. Não conseguiria ser o Homem-Britadeira em 100% da transa, dormindo logo após a consumação do ato de poucos minutos. E, o mais importante: por mim basta apenas o orgasmo com ela, não precisando gozar a outra metade ao contar pros amigos. Pra nós, lésbicos, mulher não é algo pra se exibir ou consumir como um produto qualquer de prateleira. É algo mais. É inexplicável. Gostamos mesmo delas, não por vaidade, pra ser mais uma pecinha num quadro de virilidade, essas coisas, mas sim por uma misteriosa afinidade.
Nós, os lésbicos, adoramos ouvi-la ao telefone, pela noite inteira. Temos cuidado quando chega a TPM dela, sabendo que esses dias são um campo minado que, no fundo, ela não quis construir, malditos hormônios! Somos leais à ela, afinal pra quê ficar querendo confusão com outras usando a manjada tese de que todo homem precisa se livrar de seus milhões de espermatozóides? Quanto à isso, nós, os lésbicos, fazemos reserva de milhões pra ela. Só pra ela. Ela é nosso templo, não uma piadinha qualquer de roda de boteco.
Desabafei. Agora vocês sabem quem eu sou. Que minha família e meus amigos me aceitem com paz no coração e a mente aberta. Espero que esse meu depoimento ajude a sair do armário mais homens que, como eu, vinham caminhando confusos por aí, não entendo nada do porquê de gostar tanto assim de mulher, sempre sentindo-se pouco à vontade nos papos de macho com enfoque única e exclusivamente ginecológico-escatológico. Não tenham vergonha, assumam a sua condição. Ser lésbico não torna ninguém melhor ou pior que alguém, apenas diferente. E novamente, aos que ficaram horrorizados com esse texto, eu peço apenas uma coisa: respeito!
(Texto escrito em 15/02/2006)
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