FOTOGRAFIA DE UM FRIO SEM NEVE E PINGÜINS
Um texto pode ser uma foto expressa em palavras. Muitas vezes, funciona até melhor do que uma fotografia, dependendo de como certas sensações são descritas. Portanto, nem sempre uma imagem vale mais do que mil palavras. Decerto que palavras, quando bem empregadas, podem valer mais do que mil imagens. No momento em que escrevo este texto, por exemplo. O frio é grande, desses de cutucar a medula dos ossos, dando a sensação de que a qualquer momento encontrarei pingüins atravessando os faróis daqui. Não há imagens convincentes que revelem o gelo desse momento. Não está nevando, tampouco um iceberg surgiu no meio de uma avenida. Dessa maneira, resta tentar provar pelas palavras o quão chato deu pra esse inverno ser, perto do seu fim.
Como a sensação é recente, desconfio que não causará muita comoção a leitura desse texto, logo após a sua publicação. Muita gente, ao conferir essas palavras, simplesmente dirá: "E daí? Eu também estou com frio… Grande novidade! Ô falta de assunto!" Como fotos tiradas no dia anterior, no máximo isso aqui merecerá uma olhada pra ver se tudo está de acordo com o esperado. Se os verbos continuam sendo conjugados como devem ser, se as crases foram bem colocadas, essas coisas. No entanto, tempo passando, calor voltando, texto largado por aqui, sem atualização automática conforme o clima, a leitura disso aqui pode provocar outras sensações. Aí sim, se torna recordação, pose em palavras lembrando que na primeira semana de setembro de 2006 fez um frio de desvirginar termômetros aqui em São Paulo.
No momento em que você lê essas palavras, talvez a sua testa esteja cheia de suor, tamanho o calor que vem fazendo aí do outro lado do monitor. Se for assim, das duas, uma. Ou você está numa região que não é o sul e sudeste do Brasil, ou então, encontrou este post bem depois dele ter sido publicado. Talvez estas linhas possam servir de consolo pra você, que pode estar reclamando do forno daí. Sendo assim, saiba que o coitado aqui está nesse momento tentando usar seus dedos gelados pra finalizar este texto, desconfiado de que ainda tropeçará em alguns pingüins lá na calçada.
Fui convincente na fotografia?
Ps: link para a Central da Esperança.
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Comentários:
Que isso cara… Ai ainda tá calor…
"desvirginar termômetros" Isso foi tocante…
Bjo.
dez chibatadas por eu estar acessando este blog todos os dias… orra, tuca, ótimo nível a coisa aqui. agora que estou finalmente aprendendo a mexer no bloglines não perderei mais. abraços.
Posso fazer duas sugestões: 1 - que o texto seja 'justificado' sem desequilibrio das margens, 2 - a fonte seja a mesma dos comentários, é que eu tenho uns problemas de relacionamento com 'times new roman'
abraços.
Aqui no noroeste do Paraná a coisa tá feia também… Acho que nessa semana, só ontem fez calor (e como fez!). Hoje o frio já voltou. Mas eu curto frio. É mais fácil e gostoso se aquecer no frio do que se refrescar no calor.
[]'s
Apesar de meu animal preferido ser o pingüim, eu detesto o frio. Estou sofrendo demais com essa temperatura porque, mesmo colocando um milhão de roupas, não adianta. O negócio é ir morar no Nordeste. Alguém mais se habilita?
Eu não sei de onde vc é mas o frio está bem forte este ano.Exatamente do jeito que vc falou.
Não pude resistir a esse nome… fiapo de jaca é muito bom!!!!!
rs….
Adorei a foto! tirada sob um ângulo repleto de verdade!
Bjinhos
Puaf! Gostei mais de "tocando a medula". Requintes de crueldade…
Bem, uma vez minha avó foi aí e resumiu muito bem:
"E aí vô? Como tava o clima em Sampa?"
"Meu filho, tu abri a boca e era como se tivesse chupado um Halls. Só gelo!"
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PING:
TITLE: FIAPO DE JACA » ENQUANTO AS FLORES NÃO VEM E AS FOLHAS NÃO CAEM
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[...] Não gosto do verão. Tampouco do inverno. Prefiro as estações intermediárias, outono e primavera. No entanto, as duas primeiras sempre ganharam mais destaque. Quem sabe por coincidirem com o período de férias escolares, só pode ser isso. Ao meu ver, é mais agradável podermos sair pela rua sem grandes preocupações com extremos de temperatura, sem riscos de atrair uma gripe ou um câncer de pele. No mais, desconfio que toda essa badalação em torno das estações mais queridinhas foi inventada pelo comércio. Nesse verão? Que tal uma cervejinha refrescante pra curtir junto aos amigos, hein? Nesse inverno? Que tal uma bela jaqueta de cinco salários mínimos pra suportar esse friozinho gostoso, hein? E, nesse outono? Nessa primavera? Sei lá. Vai ver se estou colhendo flores ou varrendo folhas secas, vai. [...]
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