14.07.09

Cadê as namorada?

Encontros em família têm a capacidade cintilante de te fazer repensar todas as decisões da sua vida, seja o seu emprego de jornalista que, na cabeça deles, está completamente ameaçado com as decisões recentes, seja porque sua vida amorosa anda mais intocada que atos secretos do Senado.

No meu caso, que moro longe de casa há 10 anos, isso sempre vai ganhando contornos mais macabros, já que as escolhas que fiz passam longe do combo direito+medicina e a minha trajetória de futuro promissor é encoberta por aquele bafo de cerveja do dia seguinte.
Daí que esse foi mais um belo fim de semana em família, aproveitando as férias do tio rico que visita a plebe na cidade do interior.

De cara, aquele nariz torto para a tatuagem na perna, com o bom conselho direcionado: “Fique só com uma mesmo, meu filho”. O tempo que você leva para explicar que aquela é a terceira só faz com que se crie um maior faniquito moralista e você acha melhor manter um sorriso amarelo como arma, pensando que a discórdia familiar por conta de pinturas em seu corpo é desnecessária.Mas, claro, quando muita parentada se reúne, a coisa sempre pode piorar.

Se esses parágrafos introdutórios não foram suficientes [ou você é daqueles que vive num pote de margarina para ter uma família perfeita], o almoço continuou e, entre uma garfada e outra, surge aquela pergunta famigerada, que transforma fogo em gelo e faz com que sua cueca entre na bunda de tanta audácia contida: “E as namorada?”.

Não sei você, mas eu não faço idéia de como responder à isso. Tendo ou não tendo alguém, não conheço muita gente que fica discutindo isso com os tios. Ainda mais quando você sabe que o combo direito-medicina é importante e, ao ter deixado o teu brilhante futuro para trás fazendo jornalismo, pelo menos um bom partido você tem que arranjar.

Parece frescura [e no fundo é, mas quem se importa?] ficar nervoso com as perguntinhas sinuosas dos parentes, porém sempre dá um certo receio de encarar aquele parte da família que tem mais grana que você. No fundo, no fundo, a caretice não permite que a grana deixe de parecer o item mais importante e, somado à falta do combo direito-medicina, isso ainda fica mais longe e ganha ainda mais importância quando seu primo está pensando em casar porque já tem seu próprio escritório.

Na verdade, eu nem sei bem o porquê disso me incomodar. Vai ver são aqueles traumas de infâncias que a gente sempre cria pra ter justificativas no mundo adulto, mas ainda me é uma experiência traumática ouvir “E as namorada?” sem tremer um pouco no que tudo isso contém. No fim, respondi: “Tão em Teresina” e tasquei uma dentada no pernil que teimava em esfriar enquanto eu pensava no que dizer.

@rafaelcampos
luisrafaelc@gmail.com

Categorias: Comportamento, Cotidiano, Relacionamentos @ 12:18:10 - 6 Comentários - #Link


07.07.09

A véia vencerá?

Por Rafael Campos

Não quero chorar sobre o defunto derramado, mas desde que o MJ resolveu usar o pó de pirlimpimpim para ir além de Neverland não consigo pensar em outra coisa a não ser no quão grande vai ser a briga entre ele e a Madonna pelo funeral mais babado.

MJXMD

Não que depois de morto ele tenha pensado em todo esse mise en scène midiático, mesmo que a bizarrice pós-brancura tenha deixado a alucinação bem anos-luz da normal. E, claro, um artista tão grande em todos os sentidos, em parte, merece todo essa produção post morten.

Entretanto, pensar em toda a potência bagaceira da Madonna, que usa qualquer aspecto bizarro para conseguir ganhar mais milhões de fãs, me faz imaginar que ela vai ser uma perda ainda mais difícil de superar.

Tudo bem que é provável que, com aquele corpo, a cabala e, por nosso senhor, com Jesus (NOT), ela não vá ter uma morte trágica, envolta em barbitúricos. Acho que a cena será mesmo ela bem mais véia que já véia está, com pelaquinhas discretas, esperando Lourdes Maria da sua nova incursão no show bussines, relembrando que “times goes by so slowly”.

Mas, morte chega, nem que seja vestida de garota gótica, e a véia vai ter que brigar, mesmo lá de cima [porque Deus pode ser justo, mas não é bobo de deixá-la ir pro lado de baixo], com o que será feito para bater o velório do MJ.

Das pessoas questionadas [aqueles amigos beeshas que você sabe que vão partilhar da sua opinião], todas foram unânimes que o fato de MJ ser freak atrapalha a comoção, já que a dor fica misturada à pena.

Ou seja, o lance é ficar relembrando Thriller e esquecer Macaulay Culkin. Já com a véia, você dança Like a Virgin, rebola com Music e ainda sobre tempo de aguentar 4 minutes to save the world sem sentir vontade de parar.

Não é querer comparar talento musical. É mais por revoluções produzidas. Madonna parece não sofrer daquele mal que diz que o auge criativo é entre os 20 e os 30 anos. MJ comprimiu tudo isso em uma voz estupenda e um gingando mais ainda, mas que foi altamente bombardeado por toda a historinha de infância sofrida que todos nós conhecemos.

Ele é freak por consequencia. Ela é diva por sabedoria. Ele é o Rei do Pop por capacidade. Ela é a Rainha do Pop por esperteza. Os dois tem todos os defeitos e qualidades que a gente deve amar em um ícone, mas MJ parece ter deixado de lado o que, realmente, faz das estrelas o que elas são: talento.

Não que ele o tenha perdido e é capaz de os shows de Londres calarem muita gente. Mas agora, só consigo imaginar uma queira de drags espalhadas por todo mundo chorando a morte da véia e um feriado mundial em luto por sua partida.
No caso de MJ, ficam as belas homenagens. Mas também fica o [suspeito] monte de analgésicos da noite anterior. E, correndo o risco de ser injusto, acho que esse é também um dos motivos que vão fazer eu deixar minhas lágrimas guardadas pra Madonna.

@rafaelcampos
luisrafaelc@gmail.com

Categorias: Comportamento, Cotidiano, Música, Televisão @ 18:18:33 - 1 Comentário - #Link


20.09.08

O bom humor não é meu forte e ganhei o apelido (da Suphia Loren, eu não sei como se escreve esse nome dos infernos!) de Aracy de Almeida Fashion. Uó. Mas olha como minha vida não é fácil. Depois do trabalho oficial (fazendo o quê não é da sua conta) vou para o segundo turno por pura obrigação de dar pinta. Entro, aceno, finjo que conheço e não conheço um monte de gente (faz parte do teatro) e me sento linda e de cabelo chanel na primeira fila do Fast Fashion. Agora digam se eu mereço:

-- Amiga, eu tava aqui quando ele passou.
-- Sééééééério?
-- SÉRIO.
-- E aí?
-- Amiga, eu tenho certeza de que ele olhou pra mim. Parou ali no meio e me fitou. (Juro que a diaba disse FITOU |-|).

Zulu with lasers

-- Sééééééério?
-- SÉRIO.
-- E aí?
-- E aí nada, né? Eu ia fazer o quê? Me jogar lá no meio? Tá doida? Ia dar bafo. O cara é casado.
-- Grandes merdas. A mulher dele nem tá aqui. Perdeu a chance de ir lá atrás.
-- E como é que eu ia chegar lá, amiga?
-- Ah, sei lá.
-- Mas... foi um momento só meu. Foi mágico. Posso até ter vacilado... Mas foi um momento só meu.

============

Aprendam com ela: ADOWRO GENTE COM EXCESSO DE AUTO-ESTIMA!

Paulo Zulu te despreza

Paulo Zulu te despreza. Eu acho eh poco!

Categorias: Cotidiano, Sexo @ 01:24:01 - 3 Comentários - #Link


18.08.07

Terapia com nicks de MSN

Tô eu com a corda no pescoço, procurando o fulano (porque no meu MSN além de amigos, criaturas que só falei uma vez na vida, ex e futuros namorados, também têm 200 assessores de imprensa que resolvem minha vida em questão de segundos), doida para fechar uma matéria antes das 18h. O lance é que trabalho em uma empresa de comunicação que não gosta de conversadores online, aí tenho que passar a perna no bicho da tecnologia com uma tela de bate-papo que às vezes mais confunde do que ajuda.

Terapia via MSN

O lance é que procurando pelo fulano (Luciano, como é que eu iria adivinhar que o senhor estava disfarçado de Lampião do Feromônio? Agora me diga o que diabos é isso!), topei com o maravilhoso mundo dos nicks de MSN. E a tal matéria que seria para a sexta-feira às 18h, ficou para segunda até o meio-dia porque eu fiquei ali lendo e anotando as pérolas da minha trupe MSNística. Mas sem muitos detalhes, por favor.

-- Alguém aí me empresta os cds dos Raimundos?
-- Carol Carol Carol Carol, meu nome é CAROLINA
-- Chocolate com as meninas hoje. Uhuuuuuuuuuuuuu!!!!!
-- De volta ao mundo real
-- É só ter alma de ouvir e coração de escutar e nunca me farto do uníssono da vida
-- Eliana, Fernando, Augusto & Lindz
-- Eu imito pombas
-- Eu sou de marte, eu não sou daqui
-- Eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir
-- Fefê & Tetê muito felizes
-- G: Destination Ibiza
-- Há coisas que a gente não confessa nem ao padre, nem a psicanalista e nem ao médium depois de morto
-- Justin Timberlake
-- Kamikaze bom é kamikaze morto
-- La le li lo LU Patinadora. Todo dia agora no parque.
-- Lampião do feromônio
-- Leozinho na contagem pro fim de semana
-- Mamãe não quer que eu case
-- Marquezani, um loirão de parar o trânsito
-- Marta sem dispersar
-- Me machuque com a pior verdade, mas não me iluda com a pior mentira
-- Muitas Saudades
-- O melhor da viagem é o viajar
-- Olá, amigos. Estou de volta e vendendo livros
-- Quem mandou não estudar?
-- Sir Garcia KBE
-- Sou A GLÓRIA. E não a glória.
-- Sponge Bob e o ataque ao Plano Piloto
-- Stranger in the night
-- Terceira pessoa jamais. Eu gosto é da segunda pessoa
-- Terezona de volta do Recife
-- Vendo FIAT MILLE 1.0 2003/2004 Ágio
-- Well, well, well Daniel
-- While you’re slepping, I’m fucking your world!
Um beijo pra vocês.

• Só tá aqui quem deixou eu publicar, certo?
• Quando meu status está ocupado, é ocupado mesmo.
• Não bloqueio ninguém neste mundo. Se não quero ou não posso falar, eu aviso. Com jeitinho, claro!
• Não tenho o hábito de fazer terapia via MSN, mas quem me procurar nos próximos dias vai topar com um Don’t let me DAL. :-D
• E vamos trabalhar!

Categorias: Cotidiano @ 02:23:25 - 16 Comentários - #Link


28.06.07

Texturizado, glamurizado e no caprichazado

Acorda, bonita!!!

Nem sempre fui repórter de moda. Já escrevi muito sobre buracos em pistas, invasão de área pública, marcha de sem-terra, CPIs e turismo em Goiânia. A turma da esquerda (o povo que senta à minha esquerda, tem pesadelos com o Renan Calheiros e não levanta da cadeira antes da uma da manhã) jura que minha vida é fácil. Só modelão, só gente fina, elegante e sincera. Eu não reclamo não. Mas a vida fashion não é lá uma Brastemp. Quer saber? Escrever 50cm, ou mais, quase toda a semana sobre tecidos, coleções, texturas e caimentos exige mais do que comprar a Vogue todo mês. Exige fluência no idioma embromation.

Enquanto eu estava relaxando e gozando na minha sala de embarque, fiz um pedaço e refiz outro de um incrível texto pronto para jornalistas de moda. É brincadeira, minha gente, mas... Putz! Por que eu tenho que avisar isso, hein? Ai-ai-ai!

Como fazer um texto de moda no capricho!

1. Comece com um substantivo composto que misture preservação da natureza e tecnologia ao mesmo tempo (ex. orgânico-tecnológico, enérgico-virtual).

2. Agora misture uma peça de roupa masculina com um adjetivo glamuroso. (ex. cachecol extravagante, cueca transluzente).

3. É a vez de um adjetivo que reflita rigidez de opinião. (ex. austero, rigoroso)

4. Sua cor predileta acompanhada de nome de plantas, frutas, o prato do dia do restaurante da esquina… Vale qualquer coisa: (ex. roxo-cranberry, fúccia-beterraba, amarelo-Xuxa, cinza-poluição)

5. Mais um adjetivo. Qualquer um que lembre grandiosidade. Glamour sempre!

6. Fique à vontade e escolha uma das palavras: curta, média, largo, alto, baixo, comprido, leve, estreita.

7. Pergunte à sua mãe ou avó do que são feitas as cortinas da sala.

8. Agora vá para as almofadas do sofá. Coloque o nome do tecido no
plural.

9. Escolha um dos quatro: maxi, über, ultra e mini.

10. Idem

11. Qualquer coisa glamurosa que você aprendeu na aula de inglês ou com seu amigo gay. (ex. fresh, in, vip, shine)

12. Escolha um dos dois: sucesso ou infinito.

Veja um exemplo de texto completo

Como todo mundo sabe, a peça (1) ENÉRGICO-RENOVÁVEL da vez é (2) A GRAVATA LÚDICA. Uma profusão delas apareceu tanto nos looks masculinos como nos femininos nesta (3) RÍSPIDA coleção de Clovis Zaratrusta, também conhecido como Cezê. Os tons (4) AZUL CALCINHA dominaram as cartela de cores com calças (5) IMPONENTES e saias (6) LEVES confortáveis apesar da silhueta estruturada e dos detalhes texturizados. Os tecidos, como (7) POPELINE fizeram um combinação perfeita entre o opaco e o brilhante em tons sofisticados e impactantes. Lisos e estampados se alteraram com as novas (8) SEDAS JAVANESAS que fizeram incursões interessantes junto aos acessórios como as (9) MAXI pochetes e (10) MINI galochas prontas para qualquer ocasião: da festa formalíssima à linha mais esportiva. Para fechar, Cezê escolheu um casting (11) SHINE de guerreiros urbanos em referência aos índios Urubu-Kaapor, de onde vem toda a inspiração da coleção. A modelagem correta com decotes arquitetônicos, fizeram do styling a proporção perfeita para o (12) SUCESSO . Sem dúvidas, um bom desfile. Bem a cara da marca.

Peço licença aos meninas e meninas do Aurélia, a dicionária da língua afiada para reproduzir uns poucos verbetes encontrados sobre o mundo da moda. Gracias, pela diversão!

Acorreta - Adj.– Dessa maneira mesmo, falando tudo junto. Pode parecer um adjetivo positivo para alguma coleção ou desfile, mas não se engane, é xoxo, de correto só tem a simulação da verdadeira opinião. Ex: Aquele estilo fez acorreta (leia-se: ele errou).

Afetividade fashion – Exp. – Termo usado para designar o sentimento de super-hiper-extrema simpatia que se instala nos fashionistas durante a semana de moda. É muito comum você dar aquele abraço demorado em uma pessoa que você detesta ou perguntar sorrindo se está tudo bem para alguém que nunca mais irá ver. Aliás, irá ver sim, daqui seis meses, na próxima temporada.

Aloka – Interj. – Usada geralmente no final da frase absurda que acabou de falar. Ex: Fiquei tão feliz de poder ir embora mais cedo pra casa que se o Paulo e a Graça aparecerem agora eu beijo os dois na boca... aloka!!!

Arrasa, bi – Exp. – 1. Se joga, faça acontecer. 2. Expressão usada geralmente no final da frase para apoiar (com um pouco de xoxo, é claro) a amiga. Ref. A expressão ganhou força com a música homônima (ui!) do Supla cantada no final do desfile de Geová Rodrigues, que arrasou com muita bi, homenageando umas e tirando outras do armário.

Bonitinha – Adj. – Palavra prima-irmã de acorreta, que também é uma maneira delicada de dizer que não gostou nada de um desfile. Ex: Aquela coleção foi bonitinha (leia-se: em cinco minutos não vou mais lembrar de nada do que vi).

Bookada – Adv. – Diz-se de alguém, algo ou fashionista que está com compromisso marcado. Ex: Ela está bookada para um jantar hoje à noite.

Mapear – V. - Encontrar alguém, localizar algo ou uma fashionista. Ex: Espera um segundo que eu vou mapear aquele bofe e já volto.

Não-constanza – Adj. – Assim mesmo, com o “n”. 1. Diz-se da pessoa que é tão equivocada que até o nome da Costanza ela fala errado. Equívoco em forma de pessoa. 2. Celebridade que não entende nada do que está acontecendo na passarela e só veio ao desfile para tirar fotos pra revistas de fofoca. 3. Pessoa grosseira 4. O antônimo de Costanza Pascolato.

* A foto do post é da glamurizada Maria Sanz do ótimo No Provador.

Categorias: Comportamento, Cotidiano @ 17:24:26 - 4 Comentários - #Link















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