Eu não quero fazer concurso. Agora não! Nas bandas de cá qualquer cidadão alfabetizato já fez, quis fazer ou fará concurso público. Pode-se dizer que a molecada de Brasília dorme com um zunido chato que repete "jovem, se você completou 18 anos, aliste-se no cursinho para concursos mais próximo". É alistar-se mesmo. Terminado o ensino médio, o povo corre para a faculdade dos concursos. Acreditem, aqui tem uma que prepara técnicos, analistas ou qualquer outra coisa que recém saída do colégio pode faturar até R$ 5 mil em um mês. Vestibular pra quê, hein? 
Eu mesma já esquentei muito banco em sala de aula pra ser técnica do tesouro nacional. Isso aos 17 anos, idade em que nem se pode inscrever-se nessas provas. A desculpa era a tal da "preciso ganhar prática". Nem sei se o cargo ainda existe, mas foi um sonho de consumo que acabou-se em leis que nem me lembro mais, regimentos internos, direito não sei das quantas, doze até quatorze horas de estudo por dia e quase 400 candidatos para uma única vaga. Aos 20 acabei com a brincadeira de concurseira, virei jornalista-refém-de-empresa-privada, e ai de quem disser que eu nunca estudei na vida. Ai, mesmo. Tô falando disso porque no sábado os concursos voltaram a me assustar. Ou incomodar, ou chamar, sabe-se lá. Dois amigos na casa dos 30 e qualquer coisa, disputaram com metade do Brasil duas vagas na Câmara dos Deputados. DUAS VAGAS. O que eles vão fazer lá? Nem os próprios sabem, têm só uma vaga idéia do que faça um consultor da Casa. Ninguém falou como é o serviço prático no cursinho. O professor só lembrou de repetir que a lei de número tal é muito importante e que R$ 9 mil -- entrando às 8h e saindo às 17h -- compram a paz de qualquer assalariado. Quer saber? Está nas minhas metas (quando eu tiver tempo e disposição) descobrir o que faz um consultor da Câmara. E porque raios ele merece nove mil legais. Daqui a uns dias vou passear por lá e conto pra vocês. Quem sabe assim eu não me sujeito a ter feriados, dias santos, carnaval, ano-novo, Natal, páscoa, fim de semana igual aos meus vizinhos. |