10.05.07

Tête-à-tête com o Bono

...que deixou de ser Vox faz tempo.

Foi assim: eu tava flanando na frente do Copacabana Palace quando um galalau branquelo e sem graça avisou, em inglês, que o Bono tinha ido ao aniversário do Romário na casa do Edmundo. What??? O cara foi curto e grosso: "comportem-se e façam fila. Bono falará com vocês". Graças a tia Monalisa, o ser humano que me empurrou no mundo da língua enrolada, eu tinha entendido tudo, tudinho o que o mal-humorado havia dito. Só que duvidei um bocado da minha tecla SAP. Fui tirar a dúvida com o colega do lado e pronto… o coração disparou e veio uma tremedeira infeliz que quem me conhece sabe que afeta até o dentes.

Deus salve Romário por fazer aniversário no mesmo dia que eu: 29 de janeiro. E Edmundo pela comemoração que me deixaria fucinho a fucinho com o Bono. A primeira visita do U2 ao Brasil tinha um jeitão de sonho-aventura. Dobrei o chefe do estágio, fui ao Rio e convenci a família de que o pacote shows (foram três!) mais viagens (era Rio de Janeiro + São Paulo) matariam qualquer outro presente durante o ano, incluído o dia das crianças e Natal.

Pois ali perto das 22h30, em 29 de janeiro de 1998, abracei o meio-metro do Bono entre uma crise de tremedeira e choro que celebrizaram um mico lembrado até hoje por primos e amigos. Segurando a mão do cantor, a única coisa que eu me lembrava de dizer era: it´s my bir-ir-ir-ir-thday! Pode ser coisa da minha imaginação, mas juro que ele se comoveu com a história. Disse algumas coisas que não processei e soltou um "enjoy it, don't´ cry!".

——

Tinha só 13 anos quando ouvi minha primeira música do U2. Foi Unforgetable fire — que nem hit é —, dentro do carro do irmão da amiga que levava a gente para escola. Lá pelos idos de 90 meu gosto musical era uma mistura de trilha sonora de novela com Cassino do Chacrinha mais Angela Maria, Silvio Caldas, Orlando Silva, Dalva de Oliveira e outras velharias que ouvia dentro de casa. Não que eu tenha me desapegado de tudo isso. Mas parece que Unforgetable fire ativou a veia da insanidade, de um culto que beira a chatice, admito. Mas, digamos, já tive fases piores. Eu gosto do Bono. Gosto e ponto final.

Sei que ele não se chama Vox desde o Achtung Baby! e desafio qualquer um a achar um só crédito oficial a partir de 1990 que conste o bendito apelido que ele deixou pra trás há bons 17 anos. O engraçado é que os amigos são bem cuidadosos quando falam de U2 ou Bono perto de mim. Essa semana recebi um link com um aviso de não leia. Era uma notícia dando conta que Elevation foi eleita por uma rádio inglesa com uma das piores letras de música de todos os tempos, mas sem especificar qual é esse todos os tempos. Talvez os caras não tenham ouvido Discothèque. Quer coisa mais ridícula do que

Oh you know there's something more
But tonight, tonight, tonight
Boom cha, boom cha, discothèque ?

Além dessa existem outras tantas que não agüento nem o primeiro acorde: Bullet the blue sky, Grace, Holy Joe, Last night on Earth, Pop musik só pra citar algumas. Também me dá um desespero danado a tal do Chupa toda , com Ivete Sangalo, coisa que deletei da memória RAM, mas a cache insiste em lembrar de vez em quando. Viram só? Não sou tão intransigente assim. U2 mete os pés pelas mãos e Bono idem. Acho até graça do vai tomar no cu (sem acento pelamordedeus), vídeo que entupiu minha caixa de e-mails nas últimas semanas, com a estampa do cantor logo nos primeiros acordes. Tudo bem, podem mandar o Bono tomar no cu. Mas sem acento, por favor. É que com acento dói.

* Ah, esse post era só pra desejar Feliz Aniversário ao Bono. Querido se você estiver lendo isso daqui, enjoy your day. :D

Categorias: Música @ 14:58:40 - 3 Comentários - #Link















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