Quarta, 7 de Novembro de 2007

O mercenário mirim

Eu tinha entre 11 e 13 anos, não lembro ao certo, numa tarde estava passeando calmamente de bicicleta pela rua e tinha de aguentar alguns vizinhos me perturbando para 'dar uma voltinha', bicicleta era artigo de luxo onde eu morava.

Em algum momento falei pra um deles que só deixava se me pagasse, e eu esperava sinceramente um não como resposta, mas ao invés disso eu ouvi "- Quanto?". Não me lembro quanto cobrei, tampouco se a moeda da época era cruzeiros ou cruzados, mas lembro que ele pagou e deu o equivalente a uma volta no quarteirão, na verdade foi até o fim da rua e voltou algumas vezes.

Ao ver que alguém diferente de mim estava na bicicleta vieram outros me pedir, informei que ele só andou porque pagou, e para o meu espanto outros vieram pagar.

A essa altura alguém deve ter dito pro meu pai algo do tipo: "- Seu filho tá roubando o dinheiro dos nossos filhos, tá cobrando pra eles andarem na bicicleta dele". Não sei o que rolou mas ele veio falar comigo MUITO bravo. Me passou um sermão, deu uma olhada na bicicleta e identificou vários raios quebrados, fomos juntos a bicicletaria. É impressionante que o conserto dos raios tenha custado exatamente o total arrecadado com os aluguéis, felizmente não tive prejuízo.

Quanto voltamos meu pai me perguntou se eu havia aprendido a lição, respondi que sim e pensei comigo "Devia ter cobrado mais caro, não sobrou nada..." foi uma das minhas primeiras lições de empreendedorismo


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12 comentarios

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Doufer · http://www.doufer.com.br

Primeira startup com o quê? 11 anos?

Depois disso comecei a vender bolinhas de gude, pipas e geladinho e na 8a série paguei minha viagem de formatura vendendo bolo e limonada na escola

PermalinkPermalink 07.11.07 @ 15:25



Comentário de: joelma

Tá ai gostei!

Acho justo ser cobrado tudo, pois o nosso bem ou patrimonio é pessoal, se alguém quer desfrutar tem que pagar por isso;idependente de ser adulto ou criança tem que se cobrar.

Pois é, eu implorei quase um ano pela bicicleta, não ia emprestar assim tão fácil! :D

PermalinkPermalink 07.11.07 @ 15:40



Comentário de: marcus · http://grandeabobora.com/

Isto explica muita coisa...

PermalinkPermalink 07.11.07 @ 15:59



Comentário de: Creuzinha · http://pererecasemchamas.blogs.sapo.pt/

Rs, seu pai deveria ter dado os parabéns e orientado a escolher melhor os seus clientes.

Gostei do blog!

PermalinkPermalink 07.11.07 @ 16:14



Comentário de: Ostrock · http://www.qualidadesonora.blog.br

Duvido, na certa você fez algum anúncio em classificado e utilizou técnicas para tornar a bicicleta mais vistosa

PermalinkPermalink 07.11.07 @ 16:59



Comentário de: danilo · http://blogpessoal.net

Então é verdade!

A pergunta que não quer calar é: Quem está por trás da campanha da Gossip Girl?
Muito bem bolado!

PermalinkPermalink 07.11.07 @ 18:15



Comentário de: Patrícia Köhler · http://www.interney.net/blogs/cintaliga

Hahahahaha, adorei!

Comigo era o contrário: eu emprestava tanto minhas coisas que geralmente ficava sem elas... ou, na melhor das hipóteses, voltavam quebradas. Devia ter tido umas aulas com você. :P

Pra emprestar alguma coisa eu quase fazia um daqules cartões de biblioteca pra ter dados suficiente para cobrar depois ;D

PermalinkPermalink 08.11.07 @ 01:03



Comentário de: Enio Luiz Vedovello · http://reflexoeseperdadetempo.blogspot.com

Eu não acho que você esteve errado em cobrar. Com certeza, se chegasse em casa com todos aqueles raios quebrados e o seu pai tendo de pagar o conserto, a bronca seria muito maior. Ou perderia a bicicleta.
Agora, com a sua confirmação, eu tenho de repetir o que comentei no post do Jonny Ken, a campanha viral foi muito bem bolada, e quem quer que fez realmente se deu o trabalho de pesquisar fatos para chamar a atenção dos blogueiros.

PermalinkPermalink 08.11.07 @ 09:09



Comentário de: Fanny Webber · http://www.faneinbox.blogspot.com

Bah, eu sempre tentei ganhar uma nas custas dos guris da rua.
Fora que no colégio, quando tinha aquelas aulas de fazer mapa, eu sempre fazia mais de um e vendia para os colegas. huauhahuahu

PermalinkPermalink 08.11.07 @ 23:57



Comentário de: Fabio Brito - PsychoPenguin · http://psychopenguin.org

Eu cheguei a montar uma "mini-locadora" de cartuchos de Atari.

Dizem também que eu vendia água na escola, em época de seca, para os colegas que esqueciam de trazer a sua de casa. Mas desse fato eu não lembro. :)

PS: será que o Inagaki vai se pronunciar sobre as declarações da Gossip Girl? ;)

PermalinkPermalink 09.11.07 @ 08:09



Comentário de: elis marchioni · http://mulheresdeantenas.wordpress.com/

Afe, eu fui uma criança muito boba mesmo. Ótimo texto, digno de revista corporativa. ;o)

PermalinkPermalink 21.11.07 @ 19:07



Comentário de: A Gata por um Fio · http://www.sandrasantos.com/blog.htm

Toda criança exerce seu lado mercenário naquela idade crítica em que ainda não tem independência financeira e ainda não aprendeu a disparar o gatilho da chantagem emocional contra os pais...rss...eu vvendia os abacates que caiam no chão com o temporal...Feliz Natal, Edney

PermalinkPermalink 21.12.07 @ 14:29



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