Segunda, 12 de Março de 2007
Zen e realidades alternativas
Eu devo estar estressado, ou pelo menos preciso repetir isso vezes o suficiente para me enganar. Diante do turbilhão de pensamentos um se destaca: 'você precisa ouvir algo bem pesado.
Coloco "Still Cyco After All These Years" do "Suicidal Tendencies" no Winamp, os fones ainda estão no ouvido desde a hora que falei com minha irmã no Skype, aumento o volume, escolhi esse CD especificamente pela música "Don't Give Me Your Nothin'" e escolhi essa música por causa da frase "What's perfect for you is like a hell for me", deixo tocando desde o início porque sei que as primeiras músicas são carregadas de guitarras e palavrões, se eu não posso gritar da boca pra fora pelo menos vou gritar por dentro.
Depois de uma sucessão de escolhas aparentemente racionais o cérebro começa a voltar ao normal, o coração desacelera enquanto no meu ouvido uma sucessão de "fucks" forma uma espécie de mantra, fuck you, fuck you, fuck you...
Quando Institutionalized começa eu já estou calmo, o monstro dentro de mim exige um ritual:
- Fale sobre as realidades alternativas.
- Mas novamente?
- Sim, aquela vez você ainda estava confuso com a descoberta, tente ser mais claro agora.
- Eu vou tentar.
- Você vai conseguir.
Começa "War Inside My Head", não confunda com os conflitos em minha cabeça, estou falando da música. Estou numa realidade alternativa nesse momento, uma realidade que só existe na minha cabeça, não faço idéia do que acontece além de 30 centímetros de mim, estou num casulo de proteção, onde só o que eu penso e acredito faz sentido.
Finalmente "Don't Give Me Yout Nothin'" começa a tocar, eu não quero saber no que você acredita, o que você pensa ou como você se sente, a não ser que eu concorde contigo, você precisa se esforçar para encontrar as coincidências, é assim que nossos mundos colidem numa intersecção, minha bolha com a sua, pontos em comum, de repente viramos amigos, não quero o seu nada, quero a parte de você que se parece comigo.
Pra quê moldar as demais realidades? Pra quê mudar o que as pessoas pensam, por quê fazê-las se sentirem diferentes? Para o seu prazer ou para o delas? Você se sente feliz com um mundo padronizado onde todos falam a mesma língua? Sentencie a criatividade e individualidade à morte, liberdade é deixar que escolham, mesmo que escolham errado, amar é aceitar esses erros. Quem você ama além de si mesmo?
As realidades colidem, mas colidem passivamente, é natural que ocorra essa colisão e a interferência aconteça, não precisa viver sozinho, não precisa destruir as realidades que te tocam, deixe que elas te transformem e elas permitirão serem transformadas por você. Ao invés de uma pequeno círculo de segurança você possui agora uma ilha, mas não é uma ilha desabitada, outros habitam essa mesma realidade que você, em harmonia, tranquilidade no mar da confusão, uma hora você chega ao seu porto seguro.
Os acordes de "A Little Each Day" me trazem de volta do transe, "I died a little today", releio o que eu escrevi, "I Want More" termina junto com minha revisão, acho que não consegui explicar porcaria nenhuma mas mesmo assim sinto que cumpri meu dever. "Suicidal Failure" me lembra que mesmo para as coisas mais fúteis eu preciso de ajuda, imagine então para algo que eu ainda não entendi direito, depois eu peço ajuda, agora que passou toda essa frescura eu estou cansado.
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Nos relaciomentos mais próximos é sempre isso que um quer do outro, embora nem sempre admitam
Klein, eu sou culpado da primeira comunidade sobre Suicidal Tendencies no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=16537 e ainda hoje as pessoas falam de ST, bons músicos não saem de cena assim tão fácil.
os orientadores escolhem orientados que façam mestrados/doutorados sobre aquilo que interessa a eles, e sobre o quê eles concordem.
A gente se apaixona pelo espelho. Pelo que vemos de nós nos outros. Da mesma forma que detestamos no outro, aqui que não conseguimos corrigir em nós mesmos.
xiii, tô viajando. Deixa eu voltar a trabalhar.
Beijocas!
Meio difícil não viajar num bar, mesmo que virtual!
Quando fui "pesquisar" sobre você já tinha reparado que você era fã do Suicidal, logo, só poderia ser um cara fera. Depois desse post então... sem comentários.
Suicidal é simplesmente a banda que eu mais curti desde sempre, e o Still Cyco é lendário (apesar de que eu gosto mais do primeirão, tosco, rude, um monstro, mesmo apreciando a regravação).
Gosto de todas as músicas (e de todos os discos até o Lights), mas, Institutionalized, Sublimimal (essa é hino), War Inside my head, I Saw your Mommy e Suicidal Failure são muito fodas. Vou ouvir já...
E ainda mantenho o sonho de ter um boné (original) do Suicidal, e vou usar com a aba virada, claro (a bandana já tenho).
Stay Cyco!
Abraço.
Sabe que seu sonho não é tão difícil assim de realizar né? http://83.149.105.8/~suicidal/webstore_ww/merchstore_accessories.php
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