14.09.09
A sombra que eu vou seguir: Adriane Salomão lança novo livro nesta terça-feira
Adriane Salomão é jornalista, daquelas de primeiro time. Domina a área de economia a tal ponto que volta e meia está prestando consultoria ou serviços de assessoria a alguma dessas teles poderosas que estão na vida de todos nós.
Mas de vez em quando Adriane - que é gente finíssima toda vida - também quer falar de outras coisas que estão na vida de todos nós e que são menos palpáveis que um N78 ou um Blackberry.
Nesta terça-feira ela lança A SOMBRA QUE ME SEGUIA, pela Editora Sete Letras, uma reunião de seus melhores contos. A marca de Adriane é o humor - quem a conhece sabe que ela tem um humor deliciosamente irônico, no melhor estilo Jerry Seinfeld ou David Sedaris.
Este é um evento que eu não quero perder.
20.11.08
Imperial e a história da cenourinha
A minha próxima ida à livraria (que deve ser hoje) já tem missão definida: adquirir o livro "Dez! Nota Dez! Eu sou Carlos Imperial", de Denilson Monteiro, resenhado de forma excepcional pelo grande Silvio Essinger no cada vez melhor Raios Triplos (Raios Triplos). Aliás, a lista de 80 blogs da revista Época acertou em incluir muitos blogs 100% impossíveis de excluir, como o Pensar Enlouquece. Mas vacilou ao não colocar o ótimo Raios Triplos. Mas, enfim, cada um tem sua lista - e o Eclipse, que não está em lista nenhuma, não é o blog mais tarimbado para estas discussões, com certeza!
Fiz um comentário lá no Raios Triplos sobre o post do Essinger, e o autor do livro, o próprio Denilson Monteiro, viu, gostou e me respondeu. Dali em diante, troquei emails e fiz a entrevista.
Seguem ilustrações do livro e um link por onde você consegue comprar "Dez, nota dez!"
ECLIPSE - Por que catzo logo o Imperial?
DENILSON MONTEIRO - É interessante que em 1971, ele fez essa mesma pergunta ao André José Adler, assistente de direção do Pedro Rovai, quando este o convidou para fazer o Coronel Alexandrão no filme "A viúva vrigem" - obviamente sem fazer essa alusão ao orgão sexual masculino no idioma do Paolo Conte. Bem, porque ele é o personagem mais interessante que já vi, um sujeito capaz de realizar coisas inacreditáveis, desde mandar um cartão de natal onde aparecia sentado numa privada, até carregar uma cruz em pleno centro do Rio de Janeiro.
E- No caminho para reconstituir os passos do Imperial na Terra, o que te surpreendeu mais?
DENILSON - Pensei que muita gente iria bater o telefone na minha cara e que os filhos dele não iriam querer revelados detalhes da vida ítima dele. Claro que uma ou duas pessoas bateram o telefone na minha cara, mas a maioria das pessoas colaborou muito e com grande prazer, revelavam muita gratidão pelo que Imperial havia feito por elas. Quanto aos filhos dele, nunca houve problema algum, sempre me disseram que queriam vê-lo como realmente era e que tinham orgulho disso. Maria Luiza me dizia uma frase dele: "Curtir ou é fácil, ou é impossível".
E- Imperial era machista daquele jeito mesmo ou era só pose?
DENILSON - Ele era daquele jeito em vários momentos e em outros era apenas um personagem. Os amigos comentam que ele sempre tratou muito bem as mulheres com quem vive. Ele se apaixonava, sofria, essas coisas todas. Também tinha seu lado sátiro, chegou a morar com 12 lebre em seu apartamento na Avenida Atlãntica. Ele estimulava muito a independência da mulher, nunca foi um sujeito que recorreu ao recurso do "dá ou desce". A atriz Myrian Pérsia, de quem ele foi namorado e posteriormente se tornou grande amigo, certa vez o abordou:
- Gordo, você é um cara legal, ajuda as pessoas, é bom pai, bom filho, até à missa você vai! Por que você não deixa as pessoas saberem disso?
- Myrian, você não entende nada, se eu me mostrar como sou, não vende.
E- O livro traz o tal episódio envolvendo um ator, um diretor da Globo e uma cenoura? Dizem que foi o Imperial que espalhou o tal boato sobre o ator a pedido de um diretor enciumado....
DENILSON - Claro que traz! Ora, uma biografia do Imperial sem a história da cenoura não teria credibilidade. Eu conto tudo, com riqueza de detalhes, revelações bombásticas (com voz de Nelson Rubens e tudo!). Mas vão ter que ler o livro!
Agradecimentos ao Denilson! Para quem quer detalhes de como adquirir o livro, o link está também aqui.
16.11.08
A surpresa de Saramago

Imagine-se um locutor de rádio com um cotidiano comum. A diferença é que você tem que se imaginar um locutor do Rádio Clube Português. Um belo dia, ou melhor em novembro de 2008, sua rádio anuncia uma programação especial para o lançamento de um filme estrangeiro que retrata um dos maiores romances do maior escritor da língua em que você fala.
Você até se veste a caráter (leia aqui para entender).
De repente, você está lá numa boa narrando o programa, quando eis que de repente entra no estúdio, acompanhado da mulher, o maior escritor vivo em sua língua.
São surpresas - como deliciosamente define José Saramago - que fazem a vida valer muito, muito a pena. Sensacional o locutor reconhecer que "não estava preparado para falar com Saramago".
Mas foi isso mesmo: Saramago e Pilar saíram de casa para fazer uma visita surpresa à rádio, como forma de agradecimento. Deram de cara com os locutores de olhos vendados falando do filme. E adoraram. Saramago então abre o coração e fala de doença, recuperação, de morte, de perseverança e, claro, de Pilar. Imperdível.
5.02.08
A arte de perder cartas
Alguns dos leitores já leram isso por aqui, mas vou repetir a história: Gustavo e eu nos conhecemos pela internet. Mais especificamente, através de nossos antigos blogs. Eu escrevi um post, ele me enviou um e-mail comentando, começamos uma correspondência eletrônica longa e o resto é a velha história: namoro, noivado e casório.

A parte oculta de tudo é que toda nossa correspondência, com mais ou menos trocentas cartas longas, foram perdidas. Eu gravava no meu computador, ele gravava no computador dele, tentamos fazer backup algumas vezes e até imprimimos alguns dos textos, mas conseguimos realizar a proeza de perder tudo. Absolutamente tudo. Pelo menos, era isso o que eu pensava (e lamentava) até ontem, quando comecei a arrumar nossa estante de livros.
Nossa estante de livros fica na sala e estava completamente abarrotada. E, mesmo abarrotada, ainda não guardava nem metade dos livros que Gustavo e eu temos. Em bagunça, a estante de livros só perde para a nossa estante de DVDs (porque os CDs estão devidamente organizados em uma ordem obscura que o Gustavo inventou, e ele sabe exatamente onde cada álbum está – é assustador). Resolvemos pegar alguns dos livros que não consultamos sempre ou que prezamos menos para guardá-los no armário. Mas antes de alimentarmos o monstro que vive dentro de nosso guarda-roupa, tratamos de examinar os papéis que tínhamos colocado entre as folhas, para não corrermos o risco de perder nenhum documento importante (minha carteira de motorista está dentro de um livro do José Eduardo Agualusa – ou do Dennis Lehane, eu não lembro – que emprestei para uma amiga; ainda bem que emprestei, porque acreditei em tal ponto que nunca mais a encontraria que já tinha tirado a segunda via).
Foi no meio de algum desses livro que encontrei uma parte ínfima da correspondência em que Gustavo e eu nos conhecemos. As folhas estavam amassadas, a tinta de impressão já estava se apagando, mas lá estavam cinco e-mails históricos: quatro eram dele, um era meu. Pelo menos vai ser algo que poderemos mostrar aos nossos filhos. Eu já estava há algum tempo tentando me convencer de que perder cartas -- ainda que eletrônicas -- de amor não era nada demais ou algo grave. Na verdade, na verdade, eu venho tentando me acostumar a perder pequenas coisas, tempo, continentes e até mesmo pessoas. Não tenho tido muito sucesso, por mais do que eu tente me convencer do contrário. E se alguém achou que eu estava plagiando alguém com essa história de "perder continentes", provavelmente esse alguém já leu a poesia "One art", da Elizabeth Bishop:
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.
13.12.07
Meias vermelhas: uma resenha inteira de alguém que não é nem um quinto de crítico literário

Não conheço pessoalmente o escritor Marcos Donizetti, mas pelo que li em Meias Vermelhas e Histórias Inteiras, posso fazer a citação: o coração dele não bate, só apanha (Antunes, Arnaldo in “Socorro”). Depois de um tempo razoável para entrega interestadual(uns quatro ou cinco dias, tempo normal de Saraiva ou Submarino), o meu exemplar chegou, e eu levei três dias para ler, um tempo realmente péssimo – talvez mais do que Britney Spears levaria para ler uma obra de Shakespeare (claro, sem dormir). Mas explica-se, o fato de eu demorar tanto tempo para ler um livro de contos curtos: primeiro, porque realmente chego em casa e, nos 40 minutos em que fico acordado na cama, leio um pedaço de duas revistas e dois livros. Uma salada de leitura. Enquanto isso, a Marcele vê algo na TV para poder dormir. Quando ela vem pro meu colo eu sou obrigado a largar a leitura, mas quando fica direto dormindo na frente da TV, ainda consigo ler alguma coisa.
Depois, o livro de Donizetti é fácil de ler mas, vou te contar: tem algumas porradas fortes, emocionalmente falando. Tem, sim, aquele conto que te deixa tão angustiado que você larga o livro. “Meias vermelhas e histórias inteiras” é perigoso porque é simples.
Comentei com o autor (esta é outra das vantagens de ler “Meias..”, poder reclamar direto com o autor) que iria fazer uma "resenha" musical. Aviso que é "resenha" entre aspas, porque não sou crítico literário, não me formei em Literatura e tudo o que posso dizer de um conto é se gostei ou não gostei. Ou seja, têm mais a ver comigo do que com quem escreve.
Todos os contos de Donizetti, se não têm uma música citada literalmente (como “The Diamond Sea”, do Sonic Youth, que acabo de conhecer), pelo menos demandam alguma música. É claro que não gostei de todos os contos, e deixei claro ao autor que iria registrar isto na resenha.
Adianto um macete para tornar a leitura do livro mais dolorosa ainda: ler o primeiro e o último contos depois de ler todos os outros. E aí ler primeiro o último conto e por último o primeiro. Sei que minha explicação teve a complexidade das explicações do Silvio Santos para os jogos do Domingo no Parque, mas acho que dá para entender. Vamos à resenha, conto por conto com uma das três avaliações sempre em negrito: ACHEI ESPETACULAR / GOSTEI/ NÃO GOSTEI:
JULIA – GOSTEI – Meias Vermelhas já começa com um coração partido. E traz um conceito “terrível”, o de termos saudades de nós mesmos durante uma época de nossas vidas. Já tive esta sensação – evidentemente não agora, que vivo em paz, assistindo ao maremoto emocional destes livros como se estivesse no alto de uma montanha. Montanha? Ain’t no mountain high enough. Para este conto, eu usaria como trilha sonora, logo depois do primeiro parágrafo, óbvio, “It ain’t me, babe”, do Bob Dylan. Apesar da evidente citação da música do White Álbum.
PRIMAVERA – NÃO GOSTEI – Este conto para mim tem aquele problema do email: quando mandamos uma mensagem menos “feliz” para algumamigo, corremos o risco do cara não saber interpretar pontuação e achar que a gente está mais puto do que realmente estamos. “Primavera” é um conto bem escrito, de diálogo, mas me deixou a impressão de ser só um cara 171 tentando arrumar alguém para comer. Não tem a cara dos outros contos, que falam de algo mais visceral. Este eu gostaria de ler ouvindo “Grease” do Frankie Valli, pelo tom “lolly-pop” do conteúdo.
LURDINHA – ACHEI ESPETACULAR – Leria ouvindo “Still crazy after all these years”, da dupla Simon & Garfunkel. Tem o tom certo dos que passaram dos 30. Simples, discurso direto e com pequenas rugas nos cantos dos olhos e entradas nos cabelos. “Lurdinha” termina com uma frase que só gente de livro, não gente real, poderia dizer. Mas não digo a frase para não estragar.
MEIAS VERMELHAS – GOSTEI - O conto-fetiche que dá nome ao livro lembra uma anedota ou uma crônica dos bons cronistas de antanho. Cita PJ Harvey, mas eu leria ouvindo “Fever”, ao ritmo das letras do Donizetti. Seja com que intérprete for.
CORRENDO OU FICANDO – GOSTEI – Um apanhado rápido sobre a frivolidade, sobre a parte banal da feminilidade, a estranha vaidade de Eva. Um conto para compreender o não entender masculino diante das mulheres. Ouviria “Girl just wanna have fun”, da Cindy Lauper.
FERNANDA – ACHEI ESPETACULAR – Concordo com o autor, neste: é para ouvir “That´s the way”. A foto usada para ilustrar o conto parece “chamar” a música. O clima bucólico da música, a sensação que os violões de Page e Jones nos dão, que é a de estar a milhas e milhas de qualquer engarrafamento, dão a “FERNANDA” a atmosfera ideal para aquele impasse que temos no coração, um impasse simples: megalópole alucinada com mercado de trabalho ou casa de campo? A profissão ou o coração? Parecem ser a mesma escolha, no conto de Donizetti.
THE DIAMOND SEA – ACHEI ESPETACULAR – Mas com ressalvas: você precisa ouvir “The Diamond Sea” antes, senão o conto perde o sentido. Ali me parece que Donizetti simplesmente sentou diante da tela, colocou a música e escreveu de olhos fechados.
UM SINGELO CONTO DE AMOR – GOSTEI – É um conto sobre a briga da apatia cotidiana com o amor, a paixão. Uma briga de Apolo com Dionísio. A dificuldade que é ter que viver no mundo real, ir trabalhar, se neutralizar. Um conto curto mas de alto poder de reflexão e que, como sempre, tem um fetichezinho embutido. Leria este ouvindo “No Surprises”, uma das minhas favoritas do Radiohead, música para a qual um dia vou dedicar um post inteiro.
DÉBORA – GOSTEI – Belo papo de botequim, que vira uma anedota no final. Aliás, o autor tem boas sacadas em diálogos e parece entender o que é ser apenas um macho que coça saco e berra “filho da puta” pro bandeirinha que marca impedimento errado. Ouviria ao som de “Evidências”, de Chitãozinho e Xororó (o Chitão é com CH mesmo? O Xororó também é com X mesmo?).
A MENINA – ACHEI ESPETACULAR – Um livro que fala de amor também tem de falar em morte. Este conto fala de algo que já fiz em cemitérios. Calma. Falo do tipo de contemplação do narrador. Não, eu não ouviria Pet Semetery dos Ramones de jeito nenhum. Nesse eu iria de “You don’t know me”, do Ray Charles.
VINGANÇA QUENTE – NÃO GOSTEI – Achei o enredo frio. Sem trocadilhos. O enredo é clássico, você vê em Alta Fidelidade, quando John Cusack fica olhando a janela tomando chuva (atenção, não estou dizendo que é igual, apenas que é uma sensação parecida). Mas de qualquer maneira eu leria de novo, ouvindo “Dead flowers” dos Stones.
ABANDONO – GOSTEI –Se passa em um tempo estranho, uma atmosfera estranha, e no fim o autor abre uma pequena janela para a gente ver aonde se passa a história. É uma história de sexo sem amor. Ouviria “Pale blue eyes”, do Velvet Underground.
ESPELHO - NÃO GOSTEI – Aqui vai um “Não gostei” sem entusiasmo. Seria melhor ter criado um critério “Passou batido”. Espelho é mais uma reflexão do que um conto. Coisas que a gente pensa depois de, bom, você sabe. O clássico cigarrinho depois, substituído por um pensamento diante da mulher amada que se penteia. Ouviria “Canção para Gabriela” do Tom Jobim.
BELA VISTA – GOSTEI – Menos texto e viraria um hai-kai. Mas é uma piada sobre o nosso mundo. Não dá para ouvir nem meia música. Mas é uma verdade inteira.
LUXÚRIA SWING BAR – ACHEI ESPETACULAR – Intrigante, incômodo e no fim ainda faz o cachorro que há dentro de todos nós dar muitas gargalhadas. Para ler ouvindo “Hot legs” do Rod Stewart.
DEPOIMENTO – NÃO GOSTEI – O conto é legal, mas institucionalmente eu não posso gostar de nada que homenageie três cores (vermelho, preto e branco), e sim duas (vermelho e preto). Vai um “não gostei” no mesmo tom de voz que a Aracy de Almeida dava “dez mangos” para um calouro mais ou menos. Para ler ouvindo “Tu és o MDC da minha vida”, do Raul Seixas.
BEIJOS – GOSTEI – Parece o compêndio do final de Cinema Paradiso, uma escalada angustiante de lembranças, e você se sente diante do tal tempo inexorável como alguém tentando segurar um ônibus em movimento. Sozinho. Para ler ouvindo “Perfect day” do Lou Reed.
I LEFT MY HEART IN SAN FRANCISCO – GOSTEI – Apesar de achar que os diálogos têm falas excessivamente longas para o momento que é descrito, este conto tem uma dor absurta. Doni soube fazer uma nova metáfora, digna dos melhores poetas: a dor de só ter o LP e a agulha já ter ido embora, neste mundo moderno. E sua vida estar no LP. Não tem jeito, esse é para ler ouvindo mesmo “I left my heart in San Francisco” com a Brenda Lee. Apesar de “Will you still love me tomorrow?” e “Blue Velvet” também servirem.
MARACUJÁ DE GAVETA – NÃO GOSTEI – Meio nada-a-ver, ali, depois de um conto tão brutal quanto o anterior. O homem me pareceu ser o mesmo do conto “Primavera”. Para ler ouvindo “Stand by your man” com a Tina Turner.
ESTÁCIO, HOLLY ESTÁCIO – NÃO GOSTEI – Não me identifiquei com as metáforas carnavalescas. O conto é bem ficcional, pois não conheço ninguém que queira todos os anos vir ao Rio e ir parar justamente no Estácio, bairro completamente esquecido pelo poder público, apesar de imensa tradição histórica. Para ler ouvindo a música título, e com o Luiz Melodia cantando, que é da área.
Não me identifiquei nada com a metáfora baseada no Candomblé, apesar de ser bem sacada. É bom conto, mas eu não curti. Para ler ouvindo “Tatamirô”, com Toquinho e Vinícius.
ALVA ROTINA – GOSTEI – Revela nossos íntimos medos de ousar, de mudar. Usa como pano de fundo o símbolo da segurança econômica e ao mesmo tempo da rotina opressora: uma repartição pública. Para ler ouvindo “As rosas não falam” cantada pelo Cartola e ninguém mais (nem a Beth Carvalho, que tem uma interpretação magistral).
GABRIELA – ACHEI ESPETACULAR - De certa maneira, nos traz de novo o conflito interno e emocional contido em “Fernanda”. É uma fábula bonita e emotiva sobre os nossos amores difíceis e passageiros. Apesar da presença baiana e do candomblé, leria ouvindo Distant Lover, da Sue Foley, um blues acústico bem arrastado.
AVENIDA ANGÉLICA – ACHEI ESPETACULAR – Uma história de fantasmas interiores, um terror romântico psicológico. Para ler ouvindo “Hotel Califórnia”, claro. You can never leave.
A ESTRELA É MORTA – ACHEI ESPETACULAR – Principalmente depois que eu li o primeiro conto depois de ler este aqui. É uma história só. Com duas histórias dentro. Para ler ouvindo “Julia”, do Álbum Branco dos Beatles. Que eu não quis ouvir no conto “Julia”. Pense nisso.
Em tempo: tem conto para caramba, né? Mas é para ler rapidinho, os contos não são longos, e são fáceis de ler (tecnicamente falando, para os olhos, não para o coração, o fígado e o estômago).





