Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









15.07.09

Au, my god!

Pela primeira vez, o Eclipse vai falar de sexo. Oh! E sexo animal! Sexo animal SELVAGEM! Não, nada disso: sexo animal doméstico. Sexo Pet. E não é do Petkovic que estou falando. Sim, vamos falar sobre a nova revolução, se não em sexo para cachorro, pelo menos em releases para divulgar um produto.
Recebemos um release sobre a DoggieLoverDoll. Em tese, a solução para os cachorrinhos que têm a mania de subir na perna das visitas e, er, bem, você sabe: fuque-fuque de mentirinha. A gente sabe que não acontece nada - ou pelo menos eu passei a saber depois de ler o release abaixo.
Como?
Sim, o release abaixo informa que o cachorrinho não ejacula na sua perna quando isso acontece porque não dá tempo. E faz comentários do tipo "Os humanos possuem as mãos para praticarem a masturbação".
A tese que eu defendo é que este release funciona. Sim, funciona. Milhares de bobos como eu vão publicá-lo em blogs, todos vão ler até o fim em voz alta com outras pessoas em volta, mas o danado vai cumprir sua função, que é a de divulgar o produto.

Tudo bem: os caras poderiam ter poupado a gente de saber que a cadelinha inflável tem "um reservatório de fácil higienização". Não queria terminar meu dia pensando em alguém limpando sêmen canino na pia da cozinha.

Vamos ao release. Negritei os meus trechos favoritos, se me dão licença.

doguinho


Você deve conhecer ou já deve ter ouvido falar sobre essas bonecas para homens que são populares em Sex Shops de todo o mundo
. Existem aquelas infláveis, inteiras de silicone, entre outros modelos. Pois é, agora está sendo lançada no Brasil a primeira boneca para cães do mundo. É isso mesmo, uma boneca para cães praticarem sexo. A maioria dos cães não castrados vive atrás de alguma coisa para ter relações sexuais. Eles tentam cruzar com almofadas, bichos de pelúcia, pernas alheias e até mesmo com outros animais.

Para acabar com isso, e melhorar a vida dos cãezinhos, a empresa PetSmiling, com sede em Miami, nos Estados Unidos, e sede em São Paulo, no Brasil, está trazendo ao mercado a DoggieLoverDoll: uma cadela fabricada em borracha macia com canal vaginal de silicone e um reservatório de fácil higienização. O produto acompanha também um tubo de lubrificante íntimo, à base de água, para aumentar a vida útil do produto.

A boneca é fabricada nos tamanhos: pequeno, médio e grande, para poder atingir todas as raças existentes. “Tive a idéia de fabricar a boneca, quando meu maltês começou a querer pegar a perna de todo mundo. Fui pesquisar sobre o produto para comprar e não encontrei em lugar nenhum do mundo. Resolvi fabricá-lo!”, revela Marco Giroto, proprietário da empresa PetSmiling, responsável pela novidade mundial. O produto é exclusivo e já foi patenteado nos principais países do mundo onde ele será comercializado. A novidade mal foi lançada e já recebeu pedidos de vários países, inclusive, dos Estados Unidos, Alemanha e Japão.

Durante a fase de testes do produto, com alguns cães, inclusive com o maltês Flock (responsável pelo surgimento da idéia), os animais mostraram uma melhor qualidade de vida que foi medida pela diminuição da ansiedade, menos latidos, menos demarcações de território. Ou seja, os cães vivem melhor, pois colocam para fora toda sua sexualidade reprimida, durante anos, em alguns casos.

Quando o cão tenta cruzar com pernas, bichos de pelúcia e outros objetos, ele não consegue chegar à ejaculação; já com a DoggieLoverDoll, ele consegue. Os humanos possuem as mãos para praticarem a masturbação, agora os animais domésticos, que têm pouco ou nenhum contato com fêmeas no cio, agora podem se aliviar com o brinquedo desenhado especialmente para eles. Os cães possuem um grande apetite sexual e essa novidade, com certeza, irá melhorar a vida deles.

A novidade, em breve, poderá ser encontrada nos melhores pet shops do mundo. Estará disponível para venda, a partir do dia 22 de julho, ao cliente final no site http://www.doggieloverdoll.com. Os pet shops que quiserem revender a novidade, que promete sacudir o mercado PET (em pleno crescimento), poderá entrar em contato com a empresa no telefone (11) XXXX-XXXX ou pelo e-mail contato@petsmiling.com.

Depois de ler isso, impossível continuar achando que todos os cães merecem o céu...
por Gustavo de Almeida as 23:29:03

12.06.09

A nossa fazenda é melhor do que a deles

Gustavo e eu estamos viciados na Fazenda. Mas não se trata do Reality Show da Record (que, segundo já vi no YouTube, tem cenas impagáveis). A Fazenda que está tomando o tempo dos moradores do solar Fernandes-Almeida é outra, muito mais parecida com uma fazenda tradicional: a FarmTown, localizada no FaceBook.

Mousepad da FarmTown

Para quem não conhece o Facebook, ele é parecido com o Orkut, mas com milhares de aplicativos. Lá você pode fazer testes esdrúxulos (e, claro, muito divertidos e úteis) como "Qual país europeu você é?", "Qual é o seu QI?" e "Quão pervertida é sua mente?". Mas até agora eu não tinha achado nada tão viciante quanto a Farm Town, onde você pode passar horas e mais horas plantando, colhendo, visitando os vizinhos e cuidando dos animais, sem sair da frente do computador.

Exemplo de Fazenda da Farm Town

Como eu disse para uma amiga outro dia, o FarmTown é um vício típico de criança crescida na cidade que nunca teve a oportunidade de fazer essas coisas pessoalmente. Se algum leitor resolver aderir ao vício, por favor procure a Fazenda Agridoce, da senhora Sarah Gould, que eu estou precisando de vizinhos!

por Marcele Fernandes as 10:09:42

14.09.08

Copos de leite, beija-flor e outras coisas

Hoje Gustavo e eu resolvemos passar a tarde no cinema, em uma sessão dupla. Entre os filmes existia um intervalo de uma hora e resolvemos esperar na livraria que fica dentro do Arteplex. Eu não me sentia muito bem. Sentei em um cadeira e vi o Gustavo se afastar para buscar algum livro pra eu me distrair. Pensei até em pedir algum específico, mas desisti. E fiquei pensando: "Se o Gustavo trouxer o 'Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite' eu vou ser a mulher mais feliz do mundo. Se eu ainda não tivesse me casado com ele, casaria amanhã mesmo". Ele voltou uns três minutos depois e adivinhem só qual livro ele tinha na mão?





***

Hoje um beija-flor ficou preso em nossa área de serviço. Ele entrou por um basculante aberto e não conseguiu mais sair. Abri as janelas, mas ele ficou tão agitado voando pra lá e pra cá que não conseguiu ver a saída. Fiquei com uma dó danada, um aperto no coração. Foram vários minutos até o beija-flor ir embora e eu conseguir respirar normalmente de novo (na verdade nem tão normalmente assim, por causa de uma gripe chata que não me larga). Acho que em algumas situações eu sou bem parecida com o pobre coitado do passarinho: fico tão preocupada com o básico -- no caso dele, bater as asas, continuar voando e se libertar -- que não consigo encontrar uma solução, ainda que ela esteja na minha frente.

***

Na noite de hoje sonhei que tinha um gato cinza escuro. E o nome dele era Cristiano Ronaldo. Durante todo o sonho eu não fazia idéia que o nome do bichano era esse. Foi só no fim, quando eu chamei o pobre coitado, é que me dei conta. E comecei a rir até acordar. Cristiano Ronaldo! E ele nem tinha uma patinha quebrada.

***

Um dos filmes que vimos hoje foi "Linha de Passe", da Daniela Thomas e do Walter Salles. Gostei muito, muito, muito mesmo. Em determinado momento, cheguei a cruzar os dedos para torcer para um dos personagens, que participava de uma partida de futebol. Depois de alguns segundos me dei conta do absurdo e descruzei os dedos, para me sentir uma idiota por achar um absurdo e cruzar novamente. Sabem desde quando eu não cruzava os dedos? Desde os pênaltis da final da Copa de 1994. Me sentir uma idiota é habitual.

***

Ontem vi The Blues Brothers pela primeira vez. Sim, é uma grande falha no meu caráter só ver The Blues Brothers aos 28 anos, eu sei. Mas o triste não é isso. O triste é se apaixonar por alguém que já morreu. E que já morreu há 26 anos. Meu Deus, quando John Belushi se foi ele só tinha 33 anos. E eu tinha dois anos de idade.


Dan Aykroid e Jonh Belushi. Também
conhecidos como Elwood e Joliet Jake.

por Marcele Fernandes as 01:52:30

9.03.08

Muitas coisas

Em alguns momentos, os meus desejos de consumo tomam proporções gigantescas e invadem até os meus sonhos. Com notebooks é assim. Já sonhei algumas vezes que tinha um. Aposto que na próxima vez vou sonhar com o Macbook Air:

E falando em Macbook Air, o Marlos Mendes contou no Digitais que pelo preço da pré-venda no Brasil, dá para viajar até Orlando, passear oito dias, comprar o Macbook Air, voltar para o Brasil, pagar o imposto e ainda sobrar dinheiro! E o melhor detalhe de todos: tanto o pacote para Orlando quanto o computador estão à venda no mesmo site. Confira o post aqui.

Ah, sim: eu também tenho um outro sonho (na verdade, pesadelo) recorrente em que nunca consigo terminar a oitava série, mas esse merece ser comentado em outro post, só para ele.

***

A gente percebe que está muito ocupado e com a vida ligeiramente sem graça quando passa boa parte do parco tempo vago assistindo aos mesmos vídeos no You Tube e, pior, morrendo de rir (como uma perfeita idiota) todas as vezes. Gustavo já estava se cansando de me ouvir cantarolar pela casa "I'm f*cking Matt Damon!":

Então eu passei a cantar "I'm f*cking Ben Affleck":

***

O banco em que trabalho está enviando para os clientes catálogos de uma loja eletrônica junto com as faturas do cartão de crédito. Foi assim que uma senhora chegou essa semana no atendimento -- a primeira do mês, com filas quilométricas -- esperou vários minutos e terminou na mesa de um colega, apontando para uma das ofertas no panfleto, dizendo:

-- Vim comprar esse forninho.

Deu até vontade de entrar na internet para fazer o pedido.

***

Mosquito da dengue

O mocinho

Tive dengue na semana passada. Quer dizer, eu acho que tive dengue -- no pronto-socorro onde fui atendida eles não faziam o exame que detectava a doença e tudo ficou por isso mesmo. Numa conversa de bar hoje, um amigo lembrou: "Cara, ainda bem que foi dengue. Lembre-se que o Aedes (o mosquito, para aqueles que não perceberam) está sendo gente boa, já que ele também transmite a Febre Amarela. A dengue pelo menos só mata na segunda vez em que você fica doente". O papo terminou com todos na mesa tendo certeza de que o mosquito é o mocinho da história, além de músicas de torcida com o nome Aedes Egypt no meio e gritos de "Aedes para prefeito!". Também tiveram algumas sugestões de fotos de um Oswaldo Cruz sorridente fazendo sinais de positivo com as duas mãos, logo acima do slogan. Eu acho que ia dar super certo.


Oswaldo Cruz

Aedes para prefeito!

***

Um mini-conto (que faz parte de uma história bem maior) para terminar:

Primeiro de dezembro

Ela me falou sobre o gosto amargo na boca durante a cremação. Eu me lembrei imediatamente do cheiro meio acre, meio doce das rosas, que começou durante o velório e me acompanhou até o enterro. Eu nunca esqueci o cheiro. Ela nunca esqueceu o gosto. Nós não estávamos chorando pela mesma pessoa. Alguns meses separavam o adeus, o funeral e todos os outros ritos que acompanham essas ocasiões. Comecei a pensar que, talvez, nossos sentidos fiquem mais apurados nessas horas. E que, talvez, os sentidos fiquem mais apurados porque todo o resto está adormecido, entorpecido, não sei definir bem. Sei que dói. E que não consigo me acostumar com a morte.

por Marcele Fernandes as 03:28:24

11.02.08

Cães e filhos

Vou cometer um ato de indiscrição aqui e revelar um plano do casal: a gravidez marceleana ainda este ano, se as coi$a$ se encaixarem direito. Na verdade, já era para ter saído essa gravidez, mas vida de jornalista não é fácil – uma mudança de um emprego onde levei calote (e tive de sair sem que me pagassem uma dívida que fez seu primeiro aniversário ontem) fez com que tivéssemos de segurar a onda em vários pontos. Nosso último fim de semana, por exemplo, foi um primor de contenção de despesas: no sábado, saímos de casa para eu cortar o cabelo. Comprei dois DVDs, o director’s cut de Blade Runner (um dos melhores filmes superestimados de todos os tempos) e a comédia romântica (mas bem bacana) Letra e Música, com Hugh Grant e Drew Barrymore.
No domingo, fomos ver Meu nome não é Johnny (ótimo filme, diga-se) e na saída, em vez de irmos a um restaurante, comemos no McDonald’s. Me lembrei dos tempos de adolescente, onde a grana dava era pra isso mesmo: cinema e McDonald’s.
Tudo isto, de economia, é visando ao terceiro integrante do nosso time, que já tem mais ou menos nomes definidos. Joaquim, se for homem, Nelly, se for mulher. Ambos os nomes estão sujeitos a mudanças. Beatriz é um nome muito bonito de mulher, assim como Zico ou Rondinelli são nomes espetaculares para homem – mas quanto a estes, curiosamente, Marcele oferece certa resistência. Marcele acha que “Zico” não é um nome, e sim um apelido ou corruptela de “Arthur”. Eu tento explicar a ela que Deus também tem quatro letras e não é apelido, mas, enfim, vá entender as mulheres.
Pois em meio a todos estes planos – que vão inclusive paralisar o Eclipse por algum tempo, mas daqui a alguns meses, não por enquanto – me lembrei de que os planos de engravidar adiaram, na cabeça da Marcele, um outro plano: ter um bicho de estimação. Para muita gente, é algo que implica na dedicação e no amor que se daria a um filho. Não à toa há casais que se intitulam "pai" e "mãe" diante de um animal de estimação.
Os amores são diferentes, claro. O amor pelo filho é amor pela luz. Ter um filho é como usar um indulto que Deus nos dá para passar um tempo fora do gigantesco campo de concentração que é a mortalidade humana. Argh. Que frase terrível.


Marcele (direita) com um bicho feroz e ameaçador

Me lembro, no entanto, que Marcele quis mesmo um bicho. Aliás, ainda quer, mas depois dos filhos. E nada de peixes ou pássaros. Aliás, principalmente nada de peixes - e isto é por minha conta. Já tive aquário duas vezes e sei que é preciso ter paciência de Jó e estômago de avestruz. Paciência de Jó para encarar a troca de água, trabalho equivalente muitas vezes a construir um cômodo novo na casa, se formos comparar a quantidade de energia gasta. E estômago de avestruz para tirar peixes mortos da água, algo que sempre me desagradou. Não gosto de peixe. Nada contra observá-los, muito pelo contrário, é relaxante. Mas peixes mortos, sei lá porquê, tenho algum bloqueio psicológico que me faz ter repulsa até a esbarrar em suas peles. Se você algum dia limpar um peixe perto de mim, com as mãos, saiba que estará praticando uma atividade que, para mim, causa a mesma sensação que teria em você se eu, de uma hora para a outra, invertesse meu corpo todo, colocando para dentro a minha pele e para fora meus órgãos, vísceras e capilares.
Pássaro? Tive um canário belga no passado. Passado muito passado – em um tempo no qual Supra Sumo era novidade, e não expressão da língua portuguesa. Um dia, morreu o canário belga. Para mim, “morrer” passou a ser algo equivalente a parar de cantar e ficar deitado no chão de uma gaiola. Meus pais ou a empregada retiraram o corpo do pequeno canário antes que eu, criança, descobrisse que “morrer” também significa “feder e se decompor”. Pois bem. Não vi o enterro, mas soube que o canário foi jogado...no lixo.
Argh.
Depois dessa informação, decidi não ter mais pássaros, até porque me causa extrema agonia ver um pássaro engaiolado dando pulinhos em poleiros, em vez de estar batendo as asas vigorosamente e despejando fezes nas cabeças das pessoas sem sorte.

Bom, depois deste trauma do pássaro, é normal eu nunca ter desejado cães ou gatos lá em casa. Eu confesso a vocês: não sei o que fazer diante de um cachorro morto, PRINCIPALMENTE se for meu. E provavelmente vou me apegar tanto ao bicho que sua morte será o equivalente para mim a uma queda para a segunda divisão do Rubro-Negro da Gávea. Não. Não tanto assim. Digamos que seja equivalente à morte de um parente.
Calma, Marcele, eu estou brincando.
Um cachorro morto pode ser, sim, equivalente ao mal maior, que é a morte de um parente. Um cão doente já causa extrema agonia. E descobri isto ao conversar com uma moça que trabalha no mesmo jornal que eu, uma conversa via google talk, que me fez entender um pouco mais sobre as histórias de amor que cães e gatos podem gerar. Vamos chamar a moça de Renata (ela me chamava de “chefe” só para encher o saco, eu estava de chefe interino):
- Chefe, se eu conseguir sair mais ou menos no meu horário, eu agradeço. Acabei de chamar a veterinária para ir ver minha cachorra que está em Petrópolis. A caseira disse que ela está mal e vou pegar a estrada, quando sair daqui, para vê-la.
- Pode deixar que eu estou de olho no seu horário canino.
- Tô triste. Amo meus cachorros. Falei para a veterinária que não se preocupasse com os gastos.
- Eu sei, eu sei. Não tenho nenhuma dúvida disso.
- Você não conhece minha história de loucura pelos meus cachorros.
- Não conheço mas percebo. É diferente de conhecer. A gente não sabe do que acontece, mas percebe o suficiente para entender a importância.
- Tem razão. Eram meus e do meu ex-noivo. Ficamos juntos sete anos e, quando terminamos, peguei a ‘guarda’ para mim. Aluguei uma casa em Piratininga, Niterói, só para ficar com eles. Eles estavam na casa dele, em Teresópolis. A casa em Piratininga acabou pesando no bolso e tive de entregá-la. Meu ex-noivo não quis recebê-los de novo até que eu conseguisse um lugar. Disse que agora era problema meu. E uma amiga-anjo acabou ficando com eles em seu sítio, em Petrópolis.
- É uma história forte – eu disse.
- História de amor. Forte como todas as outras – finalizou Renata.
Pelo que pude perceber em Renata, o lance é mesmo com os cachorros. Nada a ver, como eu poderia até supor, com o “preservar de um romance de sete anos por meio dos cachorros”. Nada mesmo. Renata já tem outro namorado e está feliz. Mas sua felicidade tem a ver com os cachorros.
Trabalhando em um jornal, é claro que ela não conseguiu sair, pois teve de acrescentar dados à pauta que eu passei para ela de manhã. Na manhã seguinte, ela chegou nervosíssima. Como é uma criatura muito calma, estava contida. O “áspero” de Renata equivale ao meu supercalmo, ouvindo Mozart e tomando sorvete no ar-condicionado, mas respondendo a uma pergunta sobre algum título perdido pelo Flamengo. Percebi que Renata não se concentrar no trabalho e ia se confundir demais. E dei a seguinte ordem:
- Sua pauta é telefonar para a veterinária e saber como estão seus cachorros. E apurar o máximo possível.
Ela ficou (olhei no relógio do computador) 45 minutos no telefone. Ligou para Deus e o mundo. Acho até que para parentes, falando da doença dos cães (acho que é “cinomose” ou algo assim). No fim, parecia um pouco aliviada.
Ainda não sei como estão os cachorros de Renata. Mas eles me ensinaram muito sobre essa relação de bichos e seres humanos. O amor é quase tão grande quanto o maternal.
Eu diria até que cachorros estão para filhos como o compacto com melhores momentos está para o videotape do jogo inteiro.

Tanto um como outro são enormes responsabilidades. Mas fico com o jogo inteiro, o compacto fica para depois. Que venha a Nelly (ou o Zico).

por Gustavo de Almeida as 12:42:30

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