3.04.09
Presentinho sem spoilers para viciados em 24hs
Vocês podem até pensar que usar o vídeo acima para colocar um ringtone da CTU no celular é o degrau mais alto do meu vício. Estão enganados. O degrau mais alto eu subi em uma ligação para os EUA na tarde desta quinta-feira. Depois de algumas semanas, consegui encontrar a Public Relations do documentarista Michael Moore para fazer uma entrevista/reportagem. Está tudo acertado. Mas no diálogo inicial, teve um lance bizarro na hora em que fui dar o meu email para a mulher.
- Mrs Nicole, my name is Gustavo de Almeida, ok? But i'll spell my email adress, ok? Use the international aircraft code. Golf, Uniform, Sierra, Tango, Alfa, Viktor, Oscar, dot, Alfa, Lima, Mike, Echo, Indian, Delta, Alfa. Ok? Gmail dot com.
- Ok, i think i got it! - disse mrs Nicole.
- Gustavo dot Almeida, ok? Gustavo you got, but do you understand "Almeida"?
- I think so.
- It's "Almeida" like "Tony Almeida" from CTU, in Twenty-Four, the serie. Ok?
- Oh, yes, i think i REALLY got it now - disse ela, dando risada.
Acho que preciso voltar a ver Arquivo X e alguns filminhos para desintoxicar.
Bom, cliquem aí e entrem na descrição do vídeo para saberem como baixar o CTU Ringtone pro celular. The Following takes place...
30.03.09
Movimento Seinfeld toma conta da Internet
Há muito tempo não vejo uma idéia tão despretensiosa crescer tanto e ganhar tantos adeptos. O funcionamento do site consiste no seguinte: a cada semana os integrantes do grupo assistem a um episódio, seguindo a ordem cronológica, do primeirão até o derradeiro.
Nas quintas-feiras, o site será atualizado com informações e resenhas de um episódio e as pessoas debaterão por meio do sistema de comments.
Já no embalo desta novidade, segue aí o novíssimo SEINFELD REFERENCES, publicado primeiro no blog YouFail:
As respostas você vê neste link. Está tudo no FLICKR, portanto, pode clicar e procurar pelo tamanho maior.
21.01.09
A intrigante música de abertura da novela Caminho das Índias

Quem diria!Depois de anos de campanha contra o cigarro, a música de abertura da novela Caminho das índias é uma festança do tabaco, uma invocação ao ouvinte para que ele acenda seu Beedi, o fumo de rolo lá da Índia!
A dica é do jornalista Eduardo Pierre, de O DIA, e colunista do Meia Hora. Ele dá boas dicas em seu blog Alto e Bom Português e descobriu que o caminho das índias passa por um fuminho natureba.
O crédito da música é "Omkara" - ninguém sabe se é um grupo, uma dupla sertaneja da Índia ou uma cantora.
Segue aí a letra da música com a tradução logo abaixo.
Naa ghilaaf
Naa lihaaf
Naa ghilaaf
Naa lihaaf
Thandi hawa bhi khilaaf Sasuri
Naa ghilaaf
Naa lihaaf
Thandi hawa bhi khilaaf Sasuri
Itni sardi hai kisi ka lihaaf lei lay
Jaa padosi ke chulhe se aag lei lay
Jaa padosi ke chulhe se aag lei lay
Beedi jalai lay
Jigar se piya
Jigar maa badi aag hai
Beedi jalai lay
Jigar se piya
Jigar maa badi aag hai
Dhuan naa nikaari o lab se piya
Ah ha
Dhuan naa nikaari o lab se piya
Je duniya badi jhaag hai
Beedi jalai lay
Jigar se piya
Jigar maa badi aag hai
Naa ghilaaf
Naa lihaaf
Thandi hawa bhi khilaaf Sasuri
Itni sardi hai kisi ka lihaaf lei lay
Jaa padosi ke chulhe se aag lei lay
Jaa padosi ke chulhe se aag lei lay
Naa kasoor
Naa fatoor
Naa kasoor
Naa fatoor
Bina juram ke hujoor
Marr gayi
Ho marr gayi
Aise ek din dupahari bulai liyo re
Baandh ghungru kacehri lagai liyo re
Bulai liyo re
Bulai liyo re
Dupahari
Lagai liyo re
Lagai liyo re
Kacehri
Angethi chadahi le
Jigar se piya
Jigar maa badi aag hai
Beedi jalai lay
Jigar se piya
Jigar maa badi aag hai
Na toh chakkua ki dhaar
Na daraati na kataar
Na toh chaa-kua ki dhaar
Na daraati na kataar
Aisa kaate ke daat ka nisaan chod de
Je kataai to koi bhi kisaan chod de
O aise jaalim ka chod de makaan chod de
Re billo
Jaalim ka chod de makaan chod de
Aise jaalim ka
O aise jaalim ka
Aise jaalim ka chod de makaan chod de
Na bulaya
Na bataya
Na bulaya
Na bataya
Mhane neend se jagaya hai re
Aisa chaukail haath mein naseeb aa gaya
Woh elaichi khilai ke kareeb aa gaya
Koyla jalai le
Jigar se piya
Jigar maa aag hai
Itni sardi hai kisi ka lihaaf lei lay
O Jaa padosi
O Jaa padosi
Jaa Jaa Padosi
O Jaa padosi ke chulhe se aag lei lay
TRADUÇÃO:
Sem cobertores
Sem lençóis
Sem cobertores
Sem lençóis
E este vento frio vem ao meu encontro
Sem cobertores
Sem lençóis
E este vento frio vem ao meu encontro
Está tão frio, pegue o lençol de alguém
Vá pegar um pouco do fogo do forno do vizinho
Vá pegar um pouco do fogo do forno do vizinho
Acenda seu cigarro
No meu coração
Como se houvesse um fogo ardendo
Acenda seu cigarro
No meu coração
Como se houvesse um fogo ardendo
Não deixe a fumaça sair de seus lábios, amor
Ah ha
Não deixe a fumaça sair de seus lábios, amor
Porque este mundo já está todo bagunçado
Acenda seu cigarro
No meu coração
Como se houvesse um fogo ardendo
Sem cobertores
Sem lençóis
E este vento frio vem ao meu encontro
Está tão frio, pegue o lençol de alguém
Vá pegar um pouco do fogo do forno do vizinho
Vá pegar um pouco do fogo do forno do vizinho
Sem culpa
Sem provas
Sem culpa
Sem provas
Sem cometer crime algum
Fui sentenciado à morte
Fui sentenciado à morte
Algum dia, me chame de tarde
Leve-me ao julgamento, me amarre à coleira
Me chame
Me chame
De tarde
Algum dia
Algum dia
Condene-me
Acenda seu forno
No meu coração
Como se houvesse um fogo ardendo
Acenda seu cigarro
No meu coração
Como se houvesse um fogo ardendo
Nem mesmo a ponta de uma faca
Nem a adaga se compara
Nem mesmo a ponta de uma faca
Nem a adaga se compara
Ela me mordeu de tal maneira que deixou marcas
Um agricultor pararia de colher
Oh, como você pode gostar de um bruto como eu?
Oh, querida
Você ficaria com um bruto assim?
Oh, minha amada
Você ficaria com um bruto assim?
Sem contar
Sem me chamar
Sem contar
Sem me chamar
Ele me acorda do sono profundo
De repente meu destino vem aos meus lençóis
E me alimenta com gengibre, vindo até mim
Acenda o carvão
No meu coração
Como se houvesse um fogo ardendo
Está tão frio, pegue o lençol de alguém
Ah, vá pegar
Ah, vá pegar
Vá vá pegar
Vá pegar um pouco do fogo do forno do vizinho
Como se pode entender da última linha, na índia também tem corno.
17.04.08
O relógio biológico da TV: a família faz a digestão
Depois de rir muito com o vídeo que posto abaixo, reparei em algo que todo mundo, certamente, já reparou: a televisão aberta funciona tal e qual como um intestino. Calma. Eu sei o que um intestino produz. Mas o que eu quis dizer é que a grade parece mesmo um reloginho biológico: de manhã, a mulher de 30 a 40 anos levou as crianças ao colégio, voltou para casa e ligou a TV para ouvir alguma coisa enquanto faz ginástica. Ao meio-dia, ela foi buscar os moleques. Um deles, de 12 a 17 anos, liga logo a TV para ver programas sobre futebol. Quando acaba, ele vai almoçar. Aí, a mulher de 35 a 40 anos volta da cozinha, onde ela preparava comida (ou orientava a empregada) e descansa um pouco vendo o Jornal Hoje.
Quando dá, a mulher de 35-40 vê o Video Show, ao lado da adolescente de 14 a 17 anos, e emenda com a novela em reprise, ao lado da aposentada de 55 a 70 anos.
A novela acaba e fica só a aposentada na sala. Quando começa a sessão da tarde, o moleque mais velho volta para a frente da TV e toma sorvete ao lado da avó aposentada. Os dois choram vendo "O Campeão". A idosa vai para a hidroginástica e o moleque de 17 anos segue vendo "Malhação". A irmã gostosinha dele, de 19 anos, voltou da malhação nessa hora e os dois curtem o programa e sonham com gatinhos e gatinhas.
Começa a novela das 18h, e a mãe voltou da manicure ou da reunião com as balconistas da loja dela. Ou então do endocrinologista. Essa novela é meio chatinha, por isso, a mãe de 35 a 40 anos e a aposentada de 55 a 70 deixam a TV ligada e conversam. Às vezes, uma na sala e outra na cozinha.
Novelas das 18h
Aí começa a novela das 19h, em que a empregada, a irmã gostosinha de 19 anos, a idosa de 55 a 70 e a mãe se sentam na frente a televisão para dar risadas das piadas de duplo sentido e sentir tesão pelos homens sem camisa (ainda que completamente fora do contexto - um dia vai aparecer homem sem camisa na Avenida Paulista).
Novelas das 19h
Acaba a novela, a empregada, a mãe e a irmã gostosinha se levantam para afazeres pessoais. A idosa se levanta dizendo que não quer ver o jornal regional porque "tá de saco cheio de tanta desgraça".
O homem da casa, de 30 a 60 anos, chega, emputecido, do trabalho, e começa a ver, sozinho, o Jornal Nacional. O adolescente de 12 a 17, o jovem de 21, a irmã gostosinha de 19 e a mulher de 30 a 40 interrompem o homem da casa a todo instante para pedir dinheiro. Ora, é para isso que serve o Jornal Nacional. O William Bonner diz que o governo vai prorrogar o prazo para entrega da declaração de renda. O homem suspira: "PQP, tenho que ir no meu contador". A irmã gostosinha de 19 pergunta se pode pegar o carro emprestado no fim de semana para ir ao show do Evanescence, que tem o apoio de uma operadora de celular, a mesma que faz um anúncio no intervalo do Jornal Nacional.
Novelas das 20h
Começa a novela das 20h, com temas palpitantes e quentes, próprios para serem assistidos por um casal. A TV do quarto do casal é ligada, e na da sala a garotada coloca em outro canal para ver algum esporte ou filme (lembremos que esta TV não tem operadora de cabo, senão eles colocariam na Sony, na Warner ou no SporTV).
O casal da mulher 30-40 e do homem 30-60 conversa rapidamente sobre alguns temas da novela. Nas segundas e quartas, o homem 30-60 fica na sala vendo futebol ou filme. Nas terças e quintas, a idosa, a mãe e os filhos assistem no mesmo horário aos humorístico/policiais. Na sexta, a idosa e a mãe assistem ao Globo Repórter se o tema for saúde ou emagrecimento.
No sábado, poucos vêem TV neste dia de sol. Melhor dar uma caminhada. Mas a irmã gostosinha de 19 e o adolescente 12-17 assistem ao programa do Huck - por motivos diferentes, claro. O adolescente quer ver a Dani Bananinha para começar seus exercícios, er, você sabe. E a jovem gosta das competições de soletrar - quer fazer Letras-Literatura para escrever episódios de Malhação.
No domingo, o casal vai almoçar na casa de uma das sogras, o macarrão demora a sair, assim como a salada, e aí o maridão de 30-60 tem que assistir a Flamengo x Cardoso Moreira pelo canto do olho, ainda à mesa. No fim da tarde, começam as videocassetadas, e quem não consegue entrar no assunto discutido (casamento rico de um primo distante, emprego novo de um sobrinho, cartões corporativos do Lula, insegurança em grandes cidades e emagrecimento) fica rindo sozinho dos tombos e quedas. Geralmente, esse é o adolescente 12-17, mas dependendo do clima pode ser o homem da casa 30-60 anos.
À noite, todos ficam deprimidos com a musiquinha do Fantástico. Ô vida besta. El tiempo pasa. Nos vamos poniendo viejos.
4.03.08
O controle remoto do casamento: elas estão vencendo

As mulheres se vingaram. Sim, desta vez elas encontraram a vingança ideal para as tardes e noites de futebol e gols da rodada. Todos aqueles emocionantes jogos entre Racing Santander x Mallorca, ou mesmo as rodadas da Série B, ou debates longos sobre qual é a melhor seleção brasileira (70 e 82), tudo aquilo que fizemos elas assistirem incólumes, encontra agora sua vingança terrível. E saibam que, no meu caso, nem é tão grave assim – Marcele gosta de futebol e quando tem Flamengo envolvido não esquenta a cabeça com a TV ligada e um maníaco urrando em frente. Mas, como a grande maioria das mulheres, não consegue entender por quê diabos eu PRECISO ver aquele Charlton x Aston Villa que vale vaga na Copa da Inglaterra. E muito menos acha razoável que eu queira, sim, dar uma olhada em Hortolândia x Iraty pela Copa São Paulo de Juniores (para saber se tem algum garoto que possa brilhar na Gávea).
Minha mulher, portanto, nem é das mais radicais quando o tema é Futebol na TV. Mas foi, curiosamente, a Marcele quem me mostrou onde está a grande Vingança Feminina pelos Domingos à Noite: os canais Home and Health e People and Arts e seus assustadores programas de reality shows diversos e documentários bizarros. Se há algo que me faz achar a eutanásia um programa cultural relaxante, é ouvir aquela voz falando em inglês por baixo de uma dublagem tosca em português e, pior, com exclamações forçadas que não acontecem no texto original (“Você quer mesmo este tipo de tinta para sua parede? Quer mesmo? É linda! Sim, sua parede vai ficar linda! E que tal esta mesinha com pátina aqui? Linda!”).
Horror: "The Kenny Rogers Reality Show". É de rir muito...
É interessante o fenômeno; quando a Marcele NÃO QUER assistir TV, coloca num desses dois canais. E começa a ler um livro, levantando lentamente o olhar em direção à tela por alguns segundos, e logo depois retornando ao livro. Geralmente porque lá na tela está um reality show no qual o sujeito está em busca de peças originais de veículos antigos ou outro sujeito precisa se arrumar bem para seu primeiro encontro com um caminhoneiro (ou algo do tipo). E quase tudo com dublagem – a bem da justiça, diga-se que eles estão usando legendas cada vez mais.
Caramba: "The Howard Stern Reality Show"
Um dia a psicologia moderna vai se deter neste assunto: por que diabos interessa tanto à alma feminina (pesquisei com outros amigos casados) saber que uma sala e dois quartos podem se transformar - depois de obras feitas por operários que poderiam estar no Village People - em um loft? Por que às mulheres interessa tanto ver longas preparações de noivas se elas JÁ casaram?
Runway Project: tortura na forma de um reality show sobre a carreira de modelo
Claro, tem um programa que a Marcele assiste para aprendizado a fim de usar em futuro próximo: “Enquanto ele não vem”, sobre grávidas de primeira viagem. Mas não duvido que mulheres com as trompas ligadas e seis filhos assistam a este programa com a mesma curiosidade com que folheio um exemplar da Placar dos anos 70.
Até mesmo programas como Extreme Makeover, que antes eram da Sony, parecem ter se deslocado para um dos dois canais. E, não duvido, em breve será a vez de Queer eye for the straight guy (que, se eu trabalhasse no SBT, traduziria como “Afrescalhando os toscos”). Todos têm a mesma dinâmica: educar, ensinar, mostrando o desespero de quem tenta aprender. Não duvido que os canais pornô um dia façam isso com os adolescentes espinhudos das high scholl americanas sob o título “My first time” ou algo assim.
Queer Eye for the straight guy: abertura do programa
As temáticas dos programas nos dois canais são absolutamente livres. E reconheço: variadíssimas, como poucos. Um dos reality shows é sobre uma família de anões. Segue o modelo americano clássico: imagens com narração em off, imagens com voz ambiente no local/ação, corte para depoimento de protagonista da cena em local produzido, retorna para narração em off e ação. Como no Big Brother, aliás.
Anão pai e anão filho vão à downtown porque Anão pai ganha fortunas com contratos de vendas. Neste ponto, o programa é positivo para mostrar que nesse vale de lágrimas, poder mesmo vem é do conhecimento, não da aparência. Conhecer é poder. Anão pai tem um carrão adaptado, último tipo. Junto com o Anão filho, um adolescente comum que vai no banco do carona comendo fast-food, eles visitam uma faculdade. Lá, tem um velho amigo anão do Anão pai que cursou universidade e virou advogado e um baita professor de Direito. Depois de um bate-papo, o filho pergunta ao Anão professor se não foi difícil nos primeiros dias dar aula para um bando de pessoas não-anãs. O professor diz que não deu tempo para eles estranharem, que o negócio é chegar batendo, etc. Corta para o moleque falando que se sentiu aliviado, pois ele também enfrenta humilhações por ser anão, etc.
Em seguida, o Anão pai e bem sucedido comenta com o filho que não fez faculdade porque achava que “aquilo não era pra ele”. Mas que, depois de ver o anão professor, teve vontade de voltar à escola.
Enquanto eu via isso, Marcele lia “Fama e Anonimato”, do Gay Talese.
A vingança da mulherada se consolida: nos fizeram parar de assistir aos ídolos do esporte e agora volta e meia nos flagramos observando os anônimos que ELAS deveriam estar assistindo.
Cadê o controle remoto? Acho que está na hora dos gols da rodada.



