Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









12.06.09

A nossa fazenda é melhor do que a deles

Gustavo e eu estamos viciados na Fazenda. Mas não se trata do Reality Show da Record (que, segundo já vi no YouTube, tem cenas impagáveis). A Fazenda que está tomando o tempo dos moradores do solar Fernandes-Almeida é outra, muito mais parecida com uma fazenda tradicional: a FarmTown, localizada no FaceBook.

Mousepad da FarmTown

Para quem não conhece o Facebook, ele é parecido com o Orkut, mas com milhares de aplicativos. Lá você pode fazer testes esdrúxulos (e, claro, muito divertidos e úteis) como "Qual país europeu você é?", "Qual é o seu QI?" e "Quão pervertida é sua mente?". Mas até agora eu não tinha achado nada tão viciante quanto a Farm Town, onde você pode passar horas e mais horas plantando, colhendo, visitando os vizinhos e cuidando dos animais, sem sair da frente do computador.

Exemplo de Fazenda da Farm Town

Como eu disse para uma amiga outro dia, o FarmTown é um vício típico de criança crescida na cidade que nunca teve a oportunidade de fazer essas coisas pessoalmente. Se algum leitor resolver aderir ao vício, por favor procure a Fazenda Agridoce, da senhora Sarah Gould, que eu estou precisando de vizinhos!

por Marcele Fernandes as 10:09:42

9.03.08

Muitas coisas

Em alguns momentos, os meus desejos de consumo tomam proporções gigantescas e invadem até os meus sonhos. Com notebooks é assim. Já sonhei algumas vezes que tinha um. Aposto que na próxima vez vou sonhar com o Macbook Air:

E falando em Macbook Air, o Marlos Mendes contou no Digitais que pelo preço da pré-venda no Brasil, dá para viajar até Orlando, passear oito dias, comprar o Macbook Air, voltar para o Brasil, pagar o imposto e ainda sobrar dinheiro! E o melhor detalhe de todos: tanto o pacote para Orlando quanto o computador estão à venda no mesmo site. Confira o post aqui.

Ah, sim: eu também tenho um outro sonho (na verdade, pesadelo) recorrente em que nunca consigo terminar a oitava série, mas esse merece ser comentado em outro post, só para ele.

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A gente percebe que está muito ocupado e com a vida ligeiramente sem graça quando passa boa parte do parco tempo vago assistindo aos mesmos vídeos no You Tube e, pior, morrendo de rir (como uma perfeita idiota) todas as vezes. Gustavo já estava se cansando de me ouvir cantarolar pela casa "I'm f*cking Matt Damon!":

Então eu passei a cantar "I'm f*cking Ben Affleck":

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O banco em que trabalho está enviando para os clientes catálogos de uma loja eletrônica junto com as faturas do cartão de crédito. Foi assim que uma senhora chegou essa semana no atendimento -- a primeira do mês, com filas quilométricas -- esperou vários minutos e terminou na mesa de um colega, apontando para uma das ofertas no panfleto, dizendo:

-- Vim comprar esse forninho.

Deu até vontade de entrar na internet para fazer o pedido.

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Mosquito da dengue

O mocinho

Tive dengue na semana passada. Quer dizer, eu acho que tive dengue -- no pronto-socorro onde fui atendida eles não faziam o exame que detectava a doença e tudo ficou por isso mesmo. Numa conversa de bar hoje, um amigo lembrou: "Cara, ainda bem que foi dengue. Lembre-se que o Aedes (o mosquito, para aqueles que não perceberam) está sendo gente boa, já que ele também transmite a Febre Amarela. A dengue pelo menos só mata na segunda vez em que você fica doente". O papo terminou com todos na mesa tendo certeza de que o mosquito é o mocinho da história, além de músicas de torcida com o nome Aedes Egypt no meio e gritos de "Aedes para prefeito!". Também tiveram algumas sugestões de fotos de um Oswaldo Cruz sorridente fazendo sinais de positivo com as duas mãos, logo acima do slogan. Eu acho que ia dar super certo.


Oswaldo Cruz

Aedes para prefeito!

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Um mini-conto (que faz parte de uma história bem maior) para terminar:

Primeiro de dezembro

Ela me falou sobre o gosto amargo na boca durante a cremação. Eu me lembrei imediatamente do cheiro meio acre, meio doce das rosas, que começou durante o velório e me acompanhou até o enterro. Eu nunca esqueci o cheiro. Ela nunca esqueceu o gosto. Nós não estávamos chorando pela mesma pessoa. Alguns meses separavam o adeus, o funeral e todos os outros ritos que acompanham essas ocasiões. Comecei a pensar que, talvez, nossos sentidos fiquem mais apurados nessas horas. E que, talvez, os sentidos fiquem mais apurados porque todo o resto está adormecido, entorpecido, não sei definir bem. Sei que dói. E que não consigo me acostumar com a morte.

por Marcele Fernandes as 03:28:24

16.01.08

Neuroses tecnológicas - A ciência a serviço da aporrinhação

Apesar de estar muito longe de ter me formado em psicologia ou mesmo ter lido até mesmo autores mais básicos da área como R.D.Laing, tenho lá minhas teses sobre o comportamento neurótico. A bem da verdade, eu deveria receber o pHD em Neurose, já que até – em tese – perdi um emprego certa vez, supostamente por ter enviado um email por engano chamando um colega de profissão de “neurótico de guerra”. É evidente que o email foi enviado para o ofendido sem querer. É o perigo da maledicência: pelas costas, sempre gera riscos como a vingança ou a hemorróida.
Tenho a tese sobre Neurose de que elas estão diretamente relacionadas aos bens e serviços de suas épocas específicas, i.e., muitas delas são geradas por peculiaridades do tempo em que vive o paciente. É fato que hoje não encontraremos pessoas com irritabilidade específica com discagem telefônica naquele disquinho que antecedeu os teclados – bem como não havia em 1950 gente que odiasse música eletrônica e jingles baseados em músicas baianas.
Eu conversava outro dia com um roteirista de famoso filme de sucesso e reparei o quanto era difícil manter cinco minutos de conversa com o mesmo (aliás, um cara que é uma excelente conversa): como dezenas de pessoas o ligam a cada hora, constantemente ele tem de sair da minha ligação – pedindo licença – para atender outra em espera. E senti saudade do tempo em que não havia “chamada em espera”. De fato, quando é comigo é algo extremamente neurotizante: estou falando com sabe-se lá que secretário ou investigador, e ouço o “beep, beep, beep” constante, olho no visor e vejo “Marcele”. E penso: “Se eu não atender, ela vai ficar preocupada”. “Diacho”, diria o Capitão Marvel que não era da Marvel.
Sendo assim, mais uma lista: a de 10 modernidades que vão gerar neuroses.

1- O CELULAR – Esta é manjada, mas não poderia faltar em uma lista decente, e em primeiro lugar. Nos tempos em que não existia o fantástico telefone móvel (sem dúvida um dos maiores avanços da civilização, mas neurotizante), a Marcele me telefonaria no parágrafo anterior e ouviria o velho sinal de OCUPADO. Velho e saudoso. Aliás, nem isso, já que ela não me ligaria ao celular. Tentaria me achar no trabalho. Nos tempos pré-telemóvel, se deixava recado e não se dizia “Vou tentar o celular” para o infeliz que teve o trabalho de atender o telefone, como se diséssemos, “Tentar ligar pro celular é uma alternativa melhor do que deixar recado com você, seu imbecil”. E bons tempos aqueles em que não éramos achados e isso não gerava imagens na cabeça de nossos entes queridos como "corpo deitado no chão sobre poça de sangue com o celular tocando em vão do lado e prestes a ser atendido pelo bombeiro do rabecão".
Hoje, o cara não ser achado é visto como criminoso ou vítima de crime. Se sumiu e não atende celular, ou o cara despreza o emprego ou está cometendo adultério, dependendo de quem ligar. O quê? Você NÃO TEM CELULAR? – esta é a frase-chave desta neurose.

2-A CHAMADA EM ESPERA – Seja em celular, seja em telefone fixo, a chamada em espera é algo feito para neurastênicos de carteirinha. “Só um minutinho” e lá vai o cara para a outra ligação. Comédias invariavelmente usam este recurso. Em “The Holiday”, comediazinha romântica bem interessante com Cameron Diaz. Kate Winslet, Jack Black e Jude Law, há esta troca involuntária de chamadas, gerando mal-estar. Na vida real, é um porre. Para jornalistas então, é um suplício: numa ligação, está o promotor público que cuida da chacina da Baixada Fluminense. Na outra, minha mãe perguntando se eu troquei o filtro da pia nos últimos três meses. Os assuntos se misturam. Não me pergunte como.

3- SONS RANDÔMICOS – Hoje em dia o sujeito programa sons para tudo: recebimento de mensagens no celular, erro no uso do mouse, chegada de emails no computador, mensagem na caixa postal, alerta do celular para hora de tomar remédio – isto tudo sem contar o breepbreep dos rádios Nextel, a última onda entre os mais avançados tecnologicamente e economicamente. Considerando que cada indivíduo num local de trabalho “gera” três sons diferentes (e rezando para que seus flatos sejam do tipo bufa e não barulhentos), e em um escritório com 30 funcionários, pode-se entender que, em um dia de trabalho, você ouvirá pelo menos noventa sonzinhos diferentes para as mais variadas modalidades.
4-O ORKUT -Vai gerar neurose, aviso logo. Hoje em dia, você conhece alguém em um ambiente de trabalho e vai logo no Orkut da pessoa para ver que amigo seu a conhece. No dia seguinte, liga pro amigo: “Aí, conheci fulano. Vi no orkut que você é amigo dele. Qual é a do cara?”. Resposta neurótica do amigo: “Cara, não é tão meu amigo assim não, o cara me enviou convite e eu aceitei. Saí com a irmã dele um vez, não comi, mas ele foi ao boliche na mesma noite e viu a gente na fila do milk-shake” (boliche? Milk shake? Havia Orkut na década de 50?). O Orkut basicamente fez de todos nós uns arapongas. Fuxicamos as fotos, olhamos os depoimentos, e até lemos os recados alheios. Bonde neurose total. Aguardem: em mais dois anos, os consultórios de psicologia terão pacientes com problemas psíquicos gerados pelo Orkut.

5-AS MILHARES DE BRINCADEIRINHAS DO FACEBOOK – Isto é neurose total. A cada vez que entro no site de relacionamentos Facebook, tem lá alguém com tempo de sobra para mandar convite para uma brincadeira em que você vira zumbi ou vampiro e ganha pontos se morder alguém. Sim, é preciso ter tempo de sobra e uma expectativa de vida de 900 anos para usar todas as babaquicezinhas do Facebook. Incrível ver homens adultos, professores, advogados, médicos, enviando “uma mordida” para você ou então um “chopinho virtual”. Isso aí me lembra brincar de casinha, quando minha sobrinha Luiza está brincando de fazer chazinho e eu pego a xícara de brinquedo, viro na boca e digo, “Que chazinho gostoso, Luíza”. Imagine que todos os dias malucos do Facebook estão enviado cervejas, drinks com nomes gays (“sex on the beach”, “tom collins”) e brindes simbólicos uns aos outros. O que significa tudo isso?

6-O CONVERSOR SEM OPÇÃO MANUAL DA NET DIGITAL – A neurose será para internação em manicômio judiciário. Já me imagino no alto de um prédio, com um rifle e ouvindo Alá me orientando a derrubar os cães infiéis – pelo menos se acontecer mais uma vez de o controle remoto se perder e eu precisar trocar de canal rápido para o SporTv porque ouvi na TV do vizinho um gol. Um gol, claro, no clássico entre Ipiranga x XV de Piracicaba na Copa SP de Futebol Junior (ou evento de grandeza equivalente). O novo conversor digital da NET não é como aquele antigo, que permite ir clicando até o canal chegar. Inexiste tal opção. Eles nos fizeram escravos para sempre do controle remoto. Para um casamento não amadurecido, inclusive, isto pode ser fatal.
Não é nosso caso, graças a Deus – já que fomos sábios e obtivemos duas televisões.

7-O MESSENGER – Neste caso, as consultas clínicas, além da área de psiquiatria, serão feitas também, claro, aos reumatologistas e ortopedistas que tenham especialização em ergonomia. O messenger é outro fator de “aproximação” entre os amigos com um diferencial: seu amigo nunca sabe como é seu dia-a-dia, o que faz com que ele te considere sempre disponível. Não raro recebo perguntas como “E aí?” (questionamento que deveria ser respondido por Sófocles ou Platão) no período de tempo compreendido entre as 18h30 e as 22h30. Não há dúvidas que o cidadão normal, bem ajustado na vida e sem traumas está, neste horário, completamente à toa e pronto para uma boa conversa. Não tem a menor obrigação de saber que das 18h30 às 22h30 eu torço para ter prisão de ventre a fim de não precisar nem ir ao banheiro. Neste horário, somente uma atriz pornô de filmes de gangbangs com mais de 20 homens atinge o mesmo nível de ocupação que eu. Trabalho em um jornal, é apenas isso. Mas se eu não respondo ao amigo que está no GMAIL me perguntando se eu lembro quem compunha com Capitão e Careca o ataque do Guarani de 1978 (respondo logo, era Bozó) é óbvio – e normal – que o cara fique chateado. No MSN então, é pior ainda. A neurose é: entrou no MSN, alguém logo te aborda. Ninguém quer saber de usar o messenger como telefone, porque, afinal de contas, o seu telefone não fica dizendo para todos os outros telefones amigos “Ei, meu dono está em casa, caso precisem falar com ele”. E seria uma loucura eu plugar meu telefone e telefonar para a casa de um amigo meu e dizer “Qualé, maluco” para a primeira pessoa que atendesse.
Vejam bem, considero normal, a tecnologia é para isto mesmo. E ninguém precisa parar de me abordar nos messengers – para mim é suficiente que entendam apenas que, se eu não responder, é porque estou longe da mesa ou então discutindo ao telefone com alguém que está na emergência de um hospital fotografando policiais do Bope carregando corpos ensangüentados para atendimento. It´s the business’s bones, my friend.

Creio que em breve haverá esta profissão: o psicotecnólogo. Não confundir com especialista em testes psicotécnicos – até porque este meu texto, reconheço, me desabilita completamente de participar de qualquer teste psicotécnico pelos próximos cinco anos.

por Gustavo de Almeida as 12:50:44

4.06.07

Bloqueio, não!

Aproveito o banner aí ao lado da campanha "Bloqueio Não" para contar: eu ando passando momentos bem chatos com determinada operadora carioca. É CLARO que não vou dizer o nome da empresa aqui, mas adianto que -- rá! -- meus celulares são bloqueados.

São três linhas. Todas no meu nome, apesar do NN usar uma delas. Mas não é só por isso que no primeiro parágrafo eu usei "meus". Eu preciso fazer isso porque, aparentemente, os celulares não me pertencem, já que não posso utilizá-los como quero. Apesar de ter pago por eles e ainda pagar pelo serviço.

Se eu quiser usar o chip de alguma outra empresa em um dos meus celulares, não consigo. E, para melhorar, se eu quiser comprar um novo celular com os descontos que a operadora anuncia para os planos que participo, não consigo. Só os NOVOS CLIENTES podem fazê-lo (coisa que eles não avisam nos comerciais; ou avisam em letras pequeninas nos finais dos contratos, igualzinho nos desenhos animados em que o diabo tentava comprar a alma de alguém, vocês lembram?).

Deve ser uma forma realmente inovadora de fazer negócios: além de cercear os direitos dos clientes, os antigos não têm os privilégios dos novos (que a empresa ainda nem sabe se são bons pagadores). Depois disso tudo, É CLARO, estou dando adeus. Eu me recuso a ser cliente de uma operadora dessas.

por Marcele Fernandes as 23:43:34







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