12.06.09
A nossa fazenda é melhor do que a deles
Gustavo e eu estamos viciados na Fazenda. Mas não se trata do Reality Show da Record (que, segundo já vi no YouTube, tem cenas impagáveis). A Fazenda que está tomando o tempo dos moradores do solar Fernandes-Almeida é outra, muito mais parecida com uma fazenda tradicional: a FarmTown, localizada no FaceBook.

Para quem não conhece o Facebook, ele é parecido com o Orkut, mas com milhares de aplicativos. Lá você pode fazer testes esdrúxulos (e, claro, muito divertidos e úteis) como "Qual país europeu você é?", "Qual é o seu QI?" e "Quão pervertida é sua mente?". Mas até agora eu não tinha achado nada tão viciante quanto a Farm Town, onde você pode passar horas e mais horas plantando, colhendo, visitando os vizinhos e cuidando dos animais, sem sair da frente do computador.
Como eu disse para uma amiga outro dia, o FarmTown é um vício típico de criança crescida na cidade que nunca teve a oportunidade de fazer essas coisas pessoalmente. Se algum leitor resolver aderir ao vício, por favor procure a Fazenda Agridoce, da senhora Sarah Gould, que eu estou precisando de vizinhos!
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24.12.08
Feliz Natal, Feliz Ano Novo

Durante o dia, eu torço para as horas passarem logo e o expediente acabar de uma vez. Durante a semana, de segunda até quinta eu torço desesperadamente para a sexta chegar. Só aos sábados, domingos e feriados é ao contrário -- eu torço para o tempo passar devagar, bem devagar, e tento aproveitar cada minuto.
Depois de passar a maior parte do ano torcendo para o tempo passar logo, é estranho chegar no Natal reclamando que o tempo está passando rápido. Ele está atendendo as minhas preces e, ainda assim, reclamo. Mas é só impressão minha, ou o tempo realmente está passando mais rápido que deveria?
Esse prefácio é para contar que este foi o primeiro ano em que não consegui montar a árvore de natal. O problema não é a árvore, entendem? O problema é que há poucos anos eu queria montar a árvore no fim de outubro, assim que o Natal dobrava a esquina e acenava -- muito, muito antes dele chegar na minha frente. E já é a tarde do dia 24 de dezembro e eu não montei a árvore de Natal.
Gustavo e eu fomos até um shopping, compramos alguns presentes e, na saída, passamos em um quiosque de plantas para comprar um pinheirinho. O nosso primeiro pinheirinho de verdade. Ao entrarmos no táxi para voltarmos para casa, o motorista perguntou: "Vocês vão me desculpar, mas não é tarde demais para montar árvore, não?". Não, moço. Antes tarde do que nunca.
O meu desejo para vocês é que neste Natal o tempo passe devagar, bem devagar. E que em 2009 ele continue em ritmo lento, para dar bastante tempo de vocês aproveitarem cada minuto.
***
De presente de Natal, um textinho de Clarice Lispector -- para gente aprender a aproveitar bem a vida (eu, inclusive):
Dez Anos
Por Clarice Lispector
- Amanhã faço dez anos. Vou aproveitar bem este meu último dia de nove anos.
Pausa, tristeza.
- Mamãe, minha alma não tem dez anos.
- Quanto tem?
- Acho que só uns oito.
- Não faz mal, é assim mesmo.
- Mas eu acho que se deviam contar os anos pela alma. A gente dizia: aquele cara morreu com 20 anos de alma. E o cara tinha morrido mas era com 70 anos de corpo.
Mais tarde começou a cantar, interrompeu-se e disse:
- Estou cantando em minha homenagem. Mas, mamãe, eu não aproveitei bem os meus dez anos de vida.
- Aproveitou muito bem.
- Não, não quero dizer aproveitar fazendo coisas, fazendo isso e fazendo aquilo. Quero dizer que não fui contente o suficiente. O que é? Você ficou triste?
- Não. Vem cá para eu te beijar.
- Viu? Eu não disse que você ficou triste?! Viu quantas vezes me beijou?! Quando uma pessoa beija tanto outra é porque está triste.
***
Que tipo de gente tem o trabalho de comprar cartões de Natal, escrevê-los, colocá-los em envelopes, endereçá-los e não levar até o Correio? Hein, hein, hein? Este tipo de atitude define bem um traço de personalidade que eu preferia não ter.
20.12.08
Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier

Para mim, está decidido: o mês mais cansativo do ano é dezembro. Hoje não tenho mais dúvidas disto, principalmente depois da verdadeira maratona de confraternizações de fim de ano a que me submeti. Nas últimas duas semanas, a média foi de quase uma por dia. E de grupos diversos: ex-JB, O Dia, amigos que se conheceram na faculdade, amigos da Marcele, sempre nesta base. Tenho medo de um dia eu ter de ir em confraternização da “galera que se conheceu comprando jornal na mesma banca” ou “turma da parte de trás do 176 (Central do Brasil- São Conrado)”. Enfim, recomendo que com o passar dos anos você evite formar mais e mais grupos. É difícil administrar os grupos que você forma até os 30 anos. Depois desta idade, não caia nesta esparrela. Periga haver diálogos assim:
- Carolina! Você por aqui? Mas eu te encontrei ontem na festa do pessoal que trabalhou nos jogos Pan-Americanos de Winnipeg!
- Sim, bobo, mas hoje vim também! Você esqueceu que eu também faço parte da turma de Datilografia dos cursos TED?
Sim, há pessoas que fazem parte de vários grupos. Daí a importância de controlar este crescimento. Ontem, sexta-feira 19, era o dia da principal confraternização da minha agenda, que era da galera cláusula pétrea, ou seja, aqueles amigos que não dependem de onde está sua carteira de trabalho para você conviver. Não que a gente não crie amizades importantíssimas e eternas no trabalho, mas, não sei se você me entende, numa rede de relacionamentos, há aqueles que vão ficar sabendo primeiro se você partir desta para a melhor. E, dentro destes, o subgrupo “carregadores do caixão”. Digo em tese, porque se eu estiver no peso em que estou atualmente, acredito que muitos amigos de fé vão amarelar para a tarefa.

Mas, voltando à vaca fria (ou “coming back to the cold cow”, como escreveu o Tom Jobim), no dia da minha confraternização mais importante, eu já estava completamente esgotado. Foi uma maratona principalmente de cervejas, no calor que faz no Rio de Janeiro em dezembro. E eu há muito que não me dou bem com cerveja, ressalte-se. Mas, enfim, passei por uma verdadeira excursão sem guia ao Rio de Janeiro e seus principais palcos para confraternizações: pubs, casas de samba, residências particulares nos bairros mais diversos.
E não sei por quê, tenho a impressão de que o número de confraternizações aumentou muito ao longo do tempo. Talvez esta impressão seja reforçada pelo fato de eu estar trabalhando no Centro do Rio este ano, e não no Rio Comprido, afastado de toda e qualquer forma de sociedade pós-revolução ndustrial. Tudo bem que em dezembro de 2007 eu já estava trabalhando na Rua do Riachuelo, mas quem mora aqui no Rio há de convir que o local não é nenhuma Manhattan. O restaurante mais sofisticado na região é um Spoletto.

Já tá na hora da festa? Ih, vou colocar meu desodorante Tally-ho!
Pelo Centro, a quantidade de restaurantes fechado para eventos de fim de ano era incrível. E mesmo os abertos para o público continham mesas gigantescas, com 30, 40, 50 pessoas, num alarido capaz de ultrapassar em decibéis até um show do Metallica. Na informalidade aqui no Rio, claro que havia locais com mesas da Brahma invadindo a calçada, com cadeirinhas metálicas e esporrentas em torno, e sentadas nelas as figuras clássicas da mulher de meia-idade bem-arrumada e de brincos grandes e do carequinha (não eu, porra) de bigode e gravata meio desalinhada. Ambos de copo na mão e várias idéias na cabeça. É o fim de ano, minha gente!
A quantidade é tão grande de gente que pensei na hora: o Rio deveria ter um evento no sambódromo. Taí: deveriam construir o Pilecódromo. Seria o local oficial para que os bares montassem estandes com grandes chopeiras e centenas de garrafas, paramédicos a postos, quartos escuros para o caso de alguém adormecer, estacionamento amplo e vans para condução de bêbados sem condições de dirigir (praticamente todo mundo). O local só ficaria aberto entre os dias 14e 20 de dezembro, que são os mais repletos deste tipo de celebração tribal.
Por que tão poucos dias? Bom, primeiro, para possibilitar a infra-estrutura. Nenhuma empresa no mundo, nem a Halliburton, tem condições de fornecer chope a 20 mil cariocas em dezembro por mais tempo que seis dias. Aposto quanto vocês quiserem. Digo 20 mil porque é o mínimo de pessoas por dia que estão em confraternização de fim de ano no mês de dezembro. Assim, pelo menos seis dias, se fosse fechado um megacontrato com a Ambev, haveria condições. Claro que a economia brasileira daria um salto graças às vendas extraordinárias da Ambev no período. Acredito que por alguns dias a cevada se tornaria o commoditie mais valorizado e as ações da Brahma, Antártica e que tais iriam ficar mais valorizadas que as da Petrobrás no período pré-sal.
O outro motivo pelos poucos dias é a possibilidade de haver confraternizações de grupos diferentes no mesmo dia. Assim, eu sairia com uma caneca pendurada no pescoço, transitando pelos estantes, de celebração em celebração. Claro que ao fim de oito rodadas pelas festas de fim de ano eu começaria a fazer confusão e seria obrigado a parar em uma só. E agora? Fudeu.
- Vem cá, você vai ficar lá na festa dos ex-JB, é? Maior desprestígio.
- Ah, tu vai lá para a festa do Dia, né? Beleza, cara, vai na fé. Acho que é isso mesmo, é tua vida.
- Porra, não perdeu o cordão umbilical? Você não faz mais curso de música! Cai na real, vai ficar fazendo o quê lá?
- Teus amigos te vêem o ano todo. Eles são teus amigos. A gente aqui só tem chance de te ver no fim do ano. Mas você é que sabe.
Ou seja, o pilecódromo é um projeto que ainda demanda por mais discussão. Enquanto isso, tomo água mineral com gás e me preparo para outra ainda hoje.
16.11.08
Boa ferramenta para começar a semana
Sexta-feira, dia internacional do chope. Segunda-feira, dia internacional de começar dieta e se sentir pesadão. Pensando nisso, o Eclipse traz para seus clientes um avaliador de condições físicas, o "Longevity Test". Muito fácil, com exceção, é claro, de preencher o espaço em que eles pedem nosso peso e altura em libras, pés e polegadas. Clique aqui ou no título para conhecer!
11.11.08
Um breve passeio do Eclipse
O Eclipse foi vitimado por um ligeiro abandono, mas vamos fazer então aquele post cheio de tópicos só para manter o pessoal atualizado do que vem acontecendo. Problemas no computador (já resolvidos), férias da Marcele que acabam, muitas tarefas no dia-a-dia, pendências sendo resolvidas, enfim, a vida vai andando neste fim de ano. Tenho ficado impressionado com o quesito "resolução de problemas". Mas vamos lá.
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Na quarta e na quinta-feira da semana passada, dias 5 e 6, enquanto o mundo celebrava o Obama, eu festejava o Dênis. Dênis é o técnico de computadores que encontrei por acaso. O cara em dois dias vez "só" o seguinte:
- Recarregou os cartuchos e fez revisão na impressora
- Otimizou o sistema
- Instalou nova placa de vídeo (já veio com ela)
- Instalou novo pente de memória RAM, de um gigabyte (já veio com ela)
- Instalou um gravador de DVD
- Revisão geral no PC tornando-o rápido como antes
Mão-de-obra e acessórios vendidos por ele: 300 reais. Já já prometo postar aqui o telefone do homem, o cara realmente resolve. E atende sábado/domingo, preferencialmente Zona Sul e Centro do Rio.
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Museu Imperial de Petrópolis
De computador renovado, eu e Marcele colocamos o notebook na bagagem e resolvemos fazer uma viagem curta, só no fim de semana, para deixá-la feliz. De qualquer maneira, a minha mudança de emprego fez com que as férias dela fossem prejudicadas, já que eu mesmo mandei as minhas para o espaço. Por um lado, férias são sempre férias, e Marcele aproveitou as dela para adiantar substancialmente a monografia.
Mas não tínhamos viajado. Decidimos viajar. É meio estranho, sei lá, a gente decide viajar e nem tem idéia de para onde ir. Não temos muitos amigos que curtam as viagens da mesma forma que nós curtimos, e os que curtem raramente podem ir junto. Ou raramente querem. Desta forma, temos que decidir só nós dois, senão a gente não faz nada.
Procura dali, procura daqui, resolvemos, via Google Talk: vamos a PETRÓPOLIS!
Meio cafona, o destino? Vejamos:
- Fica a menos de uma hora do Rio
- Tem vários passeios maneiríssimos, incluindo museus
- A passagem Rio-Petrópolis custa R$ 13,50
- A gastronomia é espetacular
- A onda nossa era só pegar um hotel com piscina, e Petrópolis tem um hotel que tem piscina aquecida em ambiente idem, com frigobar e ducha de alta pressão DENTRO da piscina. Quer mais?
O hotel é caro, mas como iríamos ficar uma diária, resolvemos ir. E aproveitar bem, ao máximo, dando aquela bandeira total de que o casal é pobre. Gentalha pura.
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Como se dá a bandeira de que se é gentalha? Bom, para começar, chegamos de táxi Fiat Palio, e já demos de cara, de frente, com aquele simbolozinho da Mercedes Benz reluzindo no carro de um dos hóspedes. Eu, de tênis, sem casaco e em camisa comum da Taco, daquelas de R$ 19,90 o litro.
Só pobre compra qualquer coisa que custa alguma coisa E NOVENTA.
Chegando lá, distraidamente (puro reflexo), mantive meu hábito de só me hospedar em espeluncas que deixam o hóspede carregar toneladas de bagagem sozinho. E comecei a carregar a minha. Imediatamente fui abordado por um carregador. E na hora lamentei não ter levado minha nota de cinco dólares para dar na mão dele quando chegássemos no quarto.
Enfim, o espetacular Solar do Império não é para um pobretão do meu quilate. Mas se um dia vocês quiserem tirar uma onda, vão lá. Façam como eu fiz: paguem a hospedagem no cartão, parcelado, e o jantar no débito, de uma vez, à vista.
O jantar foi inesquecível. Madame Marcele miava enquanto saboreava a casquinha de bacalhau mais espetacular de sua vida. Nós bebíamos um argentino Alberto S, Malbec, safra de 2003, com água mineral gasosa. Marcele quase repetiu, durante a casquinha de bacalhau, a famosa cena de Meg Ryan.
Quando chegaram os pratos principais - o dela um "Bacalhau pensado na cama" e o meu o steak au poivre com molho ao brie e risoto de açafrão - já estávamos irremediavelmente entregues às tentações capitalistas, coroadas com uma sobremesa que deveria ser crime em pelo menos alguns estados brasileiros: brownie de nutella.
Fomos para o sensacional quarto com colchão especial, TV de plasma com DVD e conexão de Internet, como vocês vêem abaixo:

Tá vendo esse fiozinho solto? É a internet
Voltamos numa boa para o Rio, devidamente revigorados. Petrópolis vale muito a pena e você nem sente a viagem de volta.
Quer dizer, eu acho que devo sentir a viagem toda lá pelo dia 23, que é quando vence o cartão de crédito. Aguardem.



