23.07.09
E vocês achavam que não havia mais espaço a ser vendido na camisa de um clube?
A foto acima mostra um dos jogadores do Getafe, clube mais-ou-menos da capital espanhola, vestindo o novo modelo de uniforme patrocinado pela rede de fast-food Burger King. Outro dia mesmo no Twitter alguém falava na ânsia das empresas por espaço na camisa de futebol - o Flamengo tascou lá no ombro dos jogadores a palavra Bozzano por diversas vezes. Ficou feio pacas, mas é um dinheiro que entra. No Twitter, se dizia que as empresas eram doidas para que os números de camisas acabassem, porque havia todo um espaço nas costas a ser aproveitado.
Me lembro que quando Juninho Pernambucano, pelo Vasco, começou a jogar com a camisa 31, rolou uma patrocinada e até mesmo uma tentativa incrível de se rebatizar o jogador como Juninho Telemar. O bom senso impediu tal atrocidade.
O Getafe encontrou a parte de dentro da camisa e vendeu ao Burger King.Agora, a cada gol, o jogador pode comemorar no estilo que os espanhóis chamam de "Ravanelli Style", que a camiseta se encarrega de dar ao craque o rosto do Rei Burger.
E tem mais: o uniforme - lançado nesta quinta-feira, 23 de julho - comprado pelo torcedor vem com instruções de como ser usado:
Depois desta, o próximo alvo dos patrocinadores deve ser o próprio corpo do jogador. Agora, bola fora da Burger King é que os juízes estão cada vez mais punindo com cartão amarelo quem comemora gol tirando a camisa e colocando em volta da cabeça. Qual será a decisão do craque? Mostrar o símbolo Burger King ou se manter sem cartão amarelo?
Bom, sei lá se no Getafe tem craque.
11.05.08
Viagra e impotência: 10 comerciais sem perder a ternura
A Superinteressante deste mês (revista da qual o casal do Eclipse é assinante) vem com páginas gráficas (com texto) interessantes sobre os problemas da disfunção erétil, com uma seqüencia bacana de arte, que alia o sutil ao curioso, passando um pouco pelo cômico. O problema de saúde é tratado com leveza e de forma esclarecedora (uma marca da revista).
Movido pela curiosidade (e, graças a Deus, não pela necessidade - pelo menos ainda), comecei a olhar no Youtube alguns comerciais interessantes sobre remédios para impotência. E me deparei com peças ótimas, que passam a mensagem, muitas vezes cascateando, mas sem deixar o bom humor de lado.
Rir, às vezes, além de ser remédio, é anestesia. Talvez a melhor forma de começar a acabar com um problema seja, aos poucos, começar a adquirir capacidade de rir dele.
Sendo assim, para quem precisa e, principalmente, para quem não precisa, uma coletânea dos 10 melhores comerciais de Viagra (ou Cialis) que há no Youtube. Divirtam-se.
E, acima de tudo, perdoem a ausência prolongada demais dos blogueiros!
11.01.08
Sete motivos para adorar o verão
Se o Gustavo listou os sete motivos para odiar o verão, eu vou tratar de listar os sete motivos para adorá-lo:

1) IMPLICAR COM O GUSTAVO. Se seu marido odeia o verão, você pode se divertir muito implicando com ele e com a campanha que ele promove contra a estação anualmente. Se o slogan dele é "O Rio de Janeiro só tem duas estações: verão e inferno" (supostamente creditada ao genial Maloca - "supostamente" porque quando a frase foi dita, todos no recinto estavam tão bêbados que ninguém tem muita certeza), o slogan da minha campanha desde o post de "Sete motivos para odiar o verão" é: "Eu não sei como você pode ser capaz de odiar algo tão natural e bonito quanto o verão, meu amor". Pra ser sincera, eu tenho usado essa frase pra quase tudo ultimamente: "Eu não sei como você pode ser capaz de odiar algo tão natural quanto o atraso do entregador de jornal, meu bem" ou "Eu não sei como você pode ser capaz de odiar alto tão natural quanto o fato de um político ser corrupto" são bons exemplos proferidos desde ontem.
2) HORÁRIO DE VERÃO. Eu odeio a primeira semana do horário de verão. Acordar uma hora mais cedo é chato, principalmente se você precisa acordar muuuuito cedo, com o céu ainda escuro (o que, felizmente, não é o meu caso). Ainda assim, depois que o corpo se acostuma com o novo fuso horário, é uma beleza poder sair do trabalho e ainda ter alguns minutinhos de Sol. Ou chegar na praia às 15h da tarde e só sair às 19h30min.

3) A TEMPERATURA. Eu simplesmente não gosto de frio. E, pra ser sincera, o verão aqui na zona sul do Rio nem é tão pesado. Quero ver é passar o verão em Bangu, com as temperaturas mais altas da cidade e sem a chance de dar uma passadinha na praia antes (ou depois) do trabalho.
4) SORVETE. Sou apaixonada por sorvete. E a temperatura ideal para consumi-lo só acontece em bons verões: 35oC.
5) ROUPAS. No verão eu tenho uma boa desculpa para não estar sempre bem arrumada ou bem penteada, além de ainda ter a vantagem adicional de usar mais chinelos e sandálias do que nunca. E quem me conhece pessoalmente sabe que se existe algo certo em minha aparência é o meu cabelo despenteado (bem vestida ainda vá lá; mas bem penteada...). Para não ser injusta, talvez eu não tenha ficado despenteada no casamento. Pelo menos nas primeiras horas.

6) PRAIA. Não sou exatamente a frequentadora mais assídua da praia (apesar de ter batido o meu recorde de três idas à praia no mesmo mês), mas devo confessar que ir na praia de vez em quando é uma delícia. Sentar em baixo de um bom guarda sol, olhar o mar, beber um mate gelado e arrematar com um biscoito globo é um dos programas perfeitos para uma cidade que está a 40oC.
7) O ANIVERSÁRIO DO GUSTAVO. Afinal, ele nasceu no auge do verão: dia 2 de janeiro. Se não existisse nenhum outro motivo para eu adorar a estação, esse me bastava.

Agora, uma pausa para os nossos comerciais:

O Eclipse foi indicado para o Prêmio Ibest. Apesar de eu não fazer idéia de como a indicação funciona, fiquei orgulhosa de ver alguns dos concorrentes. São seis vizinhos de condomínio participando, dividindo a mesma categoria (Blogs, Variedades): Pensar Enlouquece, Pense Nisso, do Alexandre Inagaki; Enloucrescendo, do Ian Black; Uma dama não comenta, da Giovana Cantarelli, da Lilase e do Mestre Delih; Ao Mirante, Nelson!, do Nelson Moraes; Hedonismos, do Doni e, finalmente, o Guloseima, da Luciana.
Como bem disse a Giovanna, não que a gente tenha a chance de ganhar um concurso de iôiô quando o Ina é um dos candidatos, mas não custa nada tentar.
E eu acrescento: não que a gente tenha a chance de ganhar quando um blog tão bom como o do Zander Catta Preta esteja em primeiro lugar mas, novamente, não custa nada tentar.
E já que eu estou falando de blogs bons, não posso esquecer do espetacular "Raios Triplos", que por enquanto não está concorrendo a nenhum prêmio, mas bem que merecia.
Se você quiser votar na gente, é só clicar no selo:

Categorias: Blogosfera, Comportamento, Cotidiano, Publicidade, Relacionamentos
25.09.07
Flanando na Bienal - uma egotrip egoísta pacas
Bienal é lugar típico de intelectual ficar puto com a gentalha andando à toa sem comprar porra nenhuma. Pode falar se não é. Você, que gosta de livros, lê desde criança, se interessa por autores com três nomes (tipo Pedro Juan Gutierrez) e odeia Sidney Sheldon, vai à Bienal – seja no Rio ou em São Paulo – e quase tem urticária quando vê o povão comprando Maitena, fazendo fila para Içami Tiba e saindo na porrada por um autógrafo do Jô Soares. Bom, eu não sou intelectual (tento enganar, é verdade), mas devo ter problemas no fígado, porque confesso: fico puto com a gentalha andando para lá e para cá na Bienal.
Eu disse gentalha? Deus me livre. Exagero. Mas deve ser porque usei para começar o texto o método do capitão Paulo Storani para treinar os atores de “Tropa de Elite”: criei um ambiente em torno de mim que equivalia à situação real, ou seja, me vi andando nos corredores da Bienal, buscando espaço físico na tenda de mangás e heróis da Panini e quase respirando por um canudinho vertical no pantanoso estande da Objetiva. Vida dura, essa. Companhia das Letras? Pisei lá quase 22h, quando era possível andar sem ter o pé massacrado por dezenas de outros pés.
Paro no estande da Record. Tem uma estante com Garcia Márquez, escritor que sempre gostei mas que, de uns tempos para cá, andou me desanimando. Quase compro o “Viver para contar”, mas calculo que é chato. Uma morena pára com a amiga bem do lado e mexe nos livros. E repete:
- Olha, esse aqui dizem que é muito bom. Ih, esse também, dizem que é muito bom. Você leu esse? Dizem que é muito bom. Ah, não, mas o “Memórias de minhas putas tristes” é bom, dizem. Me deram. Um namorado meu me deu esse, “Memórias de minhas putas tristes”, nós tínhamos terminado.
Peraí, o cara termina com a garota e em seguida dá de presente “Memórias de minhas putas tristes”? E a garota acha bonitinho? O mundo está perdido mesmo.

Sou um atípico visitante de Bienal. Não fico sabendo de nada relevante acontecendo lá, pelo menos quando vou como visitante e não como jornalista. Sem credencial, o sujeito tem que ralar para ir em qualquer evento, as filas são enormes. É mais ou menos como se fossem distribuídos, dentro do Maracanã, no dia da final do Estadual entre Flamengo x Vasco, ingressos para a final da Copa de 2014 no Brasil. Faria sentido:? Faria. Mas seria um desastre absoluto em termos de filas e pisoteamentos.
Sendo assim, tudo o que faço na Bienal é andar (para cacete) e comprar livros, sempre com desconto ou reembolso (segredo meu). Jô Soares? Toni Belloto? Isabel Allende? Só vi em foto até hoje. Minto. Vi o Jô na Bienal de 2005, ano em que casei. Achei apenas gordo. Gordo mesmo – não “gordinho charmoso” como dá a entender naquele programa chato pacas das 23h30.
Volto a andar, andar, andar na Bienal. À minha frente, um pelotão de famílias com o pai de bermuda folgada e ar descompromissado, com a mãe carregando um bebê e a tia empurrando um carrinho que quase pega na minha canela. Negonas daquelas que pilotam panela de pressão em quitinete de porta aberta balançam para lá e para cá o carnão de debaixo dos braços. Crianças, mais crianças, naquela idade terrível dos sete anos, correm como se nada mais existisse – como se corressem no Saara, e não num ambiente onde um milhão de pessoas tenta se locomover.
Adolescentes gatinhas passam para lá para cá com livros de gatinhas, tipo Diário de Bridget Jones ou coisa assim. Gatinhas que saem de Ipanema - onde há pelo menos três megalivrarias onde elas não entram nunca – para comprarem livros no RioCentro, lá na esquina do inferno.
Descubro que é essa a onda da Bienal, é como ir pescar de barco: se você voltar lá dos cafundós do mar sem peixe, não vai ficar com uma sensação estranha de ter ido tão longe? Pois é, e isso não acontece mesmo com quem detesta peixe e nem sabe explicar por que entrou no barco?
A Bienal é a mesma coisa: se eu fui ao RioCentro, o lugar mais longe que existe, tenho que comprar alguma coisa, nem que seja um livro de tirinhas do Calvin. Comprei um livro de tirinhas do Calvin.
A Bienal é um barato. Enche o saco, mas eu gosto. Quem não gosta?
Categorias: Blogosfera, Comportamento, Cotidiano, Egotrip, Publicidade, Livros
7.08.07
O nu viral

Começo a ficar meio desconfiado dessas “fotos que vazam” (como a que ilustra esse post) toda edição um pouco mais aguardada da Playboy. Na verdade, aguardava apenas uma espécie de salvo-conduto da Marcele para abordar tema tão vasto quanto os ensaios de mulher seminua dessa prestigiada e superestimada revista americana com filial no Brasil. Creio que o fato dela ter comprado a Playboy da bandeirinha Ana Paula Oliveira foi como um sinal: “Nicholas, tudo bem. Pode falar do assunto. Mas não fica olhando muito tempo para a última foto do ensaio da bandeirinha”, me pareceu dizer o olhar dela.
Fato é que tive acesso às fotos da bandeirinha uns seis dias antes da data marcada. Aí a Playboy “antecipou” o lançamento para um sábado. Falando sério, existe logística o suficiente para uma operação como essa? Antecipar a circulação em âmbito nacional de uma revista em cinco dias? Avisar os distribuidores, estes avisarem jornaleiros, anteciparem material promocional, tudo isso sem um planejamento?
Aconteceu agora, de novo, com as fotos da Íris Stefanelli, a Siri do Big Brother Brasil. Recebi antes, dois dias antes para falar a verdade.
A primeira vez que houve o tal vazamento das fotos de mulher nua da Playboy foi da Tiazinha. Me lembro que eu trabalhava em conhecido jornal popular, e ao receber as fotos o vazamento logo virou tema de reportagem com chamada na primeira página, tendo como principal estandarte o popozão da depiladora de adolescentes. Versão da época: um Office-boy copiou as fotos para um CD que por sua vez foi copiada ad nauseaum e as fotos repassadas por e-mail.
Bom, a acreditar nesta e em outras versões de vazamento, poderia acreditar também que a redação da Playboy fica ao ar livre, em uma comunidade hippie, onde o papel das embalagens do Photoshop oficial que eles compram serve para enrolar baseados da grossura de um polegar do Maguila. Ora, sabemos todos da dificuldade que é entrar em uma redação profissional como a da Playboy, e sabemos todos das medidas de sigilo. Antes de mais nada, tivessem fotos profissionais vazado de fato e já teríamos ouvido falar de processos na Justiça contra a Playboy por parte de alguma das peladonas. Afinal, o material obtido sob contrato estava sob a tutela e responsabilidade da editora da revista. Perdido e difundido, é coerente imaginar que caberia aí uma ação de reparação.
Não posso acreditar também que um office-boy onanista que tivesse “acesso às fotos” iria se deter apenas nas fotos que acabariam publicadas. Valha-me Deus. Na era da Banda Larga, não posso aceitar que as fotos selecionadas para publicação tivessem sido copiadas para um CD e imediatamente depois levadas por um motoboy para a gráfica. No meio do caminho, o motoboy pararia numa Lan House para jogar Counter Strike e enquanto desse uns tirinhos pelo Morro Dona Marta, no Rio, deixaria o dono da Lan House copiar as fotos da Siri, em São Paulo.
A outra tese, claro, é até coerente e os rasgadinhos na foto aí em cima até corroboram: alguém na gráfica em que rodou a revista pega sempre um exemplar, s(a)caneia e já coloca na rede, só de zoeira.
Aos simples mortais como eu não cabe entender os desígnios do Departamento de Marketing, mas no mínimo os caras criam o Nu Viral. Devem ter números que mostrem a realidade: o fato de ver as fotos da estrela da capa nua antes na Internet não afeta o desejo de comprar a revista, pelo menos para o fã mais decidido. Para o onanista, deve fazer até diferença – o computador não tem a mobilidade que uma revista de papel tem na hora de put the hair off the clown´s head. Ainda que eu não ache a menor graça em usar a Playboy para essas coisas. E para o colecionador, bom, esse não é afetado em nada pela Internet. O colecionador de verdade curte ver a pilha de playboys ficar do tamanho dele e até ultrapassar.
Do alto dos meus 1,60m, devo dizer que no meu caso foi fácil.
P.S.: Hoje, dia 7 de agosto, tem lançamento dos livros O livro negro de André Dahmer e Mais preto no branco, de Allan Sieber na Livraria da Travessa de Ipanema, às 19h. Imperdível! Marcele e eu estaremos lá.







