24.10.09
Viagem fantástica ao mundo de Tuhu*
Quer fazer um programaço numa tarde de sábado (ou até num dia de semana mesmo) no Centro do Rio? Corre, porque até o dia 5 de janeiro a exposição Viva Villa, aberta no momento em que se completa 50 anos da morte do maestro Heitor Villa-Lobos, está lá, gratuita, no maravilhoso solar do Arquivo Nacional, onde ficava a Casa da Moeda. Para quem é carioca, mole de ir: fica ao lado do Hospital Souza Aguiar, bem em frente a uma entrada do Campo de Santana, já perto da Avenida Presidente Vargas. Dá para ir de metrô numa boa. O local, infelizmente, é meio ermo (não tivemos problemas, registre-se) para ir sábado de tarde muito a pé, mais calmo é pegar um táxi e saltar na porta.

Toda a trajetória de Villa Lobos, desde o nascimento em 1897 até a morte em 17 de novembro de 1959 está lá, magistralmente registrada numa exposição que parece ser o trabalho de uma vida. A curadoria é de Fabiano Canosa. O visitante poderá ler nos painéis detalhes maravilhosos da vida de Villa-Lobos, dar de cara com um painel gigantesco com 30 mil crianças que foram regidas pelo maestro no Estádio de São Januário, conhecer a criação do Sôdade do Cordão, o bloco carnavalesco que o maestro criou, e mergulhar nas histórias internacionais de Villa: musical na Broadway, trilha sonora para filmes, contatos com Audrey Hepburn, Anthony Perkins. Histórias deliciosas como a de Arthur Rubinstein, o pianista polonês consagrado como o maior intérprete de Chopin em todos os tempos. Num carnaval, não havendo fantasia nenhuma a mais, Villa-Lobos colocou o sisudo polonês vestido de baiana.


Imagens do pátio do Arquivo Nacional, no Centro do Rio, que foi reformado em 2004
Depois de passar por diversos painéis, ler curiosidades, se impressionar com objetos (a reprodução da sala da casa onde Villa morou nas Laranjeiras é magistral), tudo isso ao som de diversas peças do maestro, o visitante da exposição desce ao pátio do magnífico palacete do Arquivo Nacional e procura a entrada do trenzinho caipira. Neste ponto, você já está maravilhado com a exposição, mas o trenzinho termina de encantar o visitante completamente. Em frente a cada assento, uma vidraça, dentro de vagões que reproduzem um trem com perfeição. Atrás das vidraças, filmes de época. Tive a emoção de ver um filme da década de 40 que mostrou, por breves três ou quatro segundos, o Flamengo com Domingos da Guia no alto. Impossível não reconhecer: alto, sereno, quase uma estátua de vigilante, as feições sérias e meio quadradas. Muito emocionante ver uma imagem em movimento de Domingos, eu que só conhecia suas fotos.
Por trás de duas das vidraças, a reprodução perfeita de uma floresta amazônica, dos tempos em que Villa-Lobos explorou a selva. Ali o público “desembarca” do trem e caminha sobre terra, grama, mato de verdade. Cheiros de selva, oxigênio puro, são lançados no ar. Ouve-se o canto do uirapuru. Numa pequena clareira mais iluminada, duas pequenas vitórias-régias são vigiadas por uma borboleta perfeita. Em outro vagão, imagens de Paris, da época em que o maestro viveu por lá. Tudo explicadinho em dezenas de textos bem esclarecedores. Para situar o visitante, ao longo de toda a exposição há anúncios antigos, de produtos que o tempo se encarregou de sepultar, como o óleo de fígado de bacalhau, “Bom para as creanças (sic)”.
Fiz um pequeno filme dentro do trenzinho. Não ficou muito bom, mas é mais na intenção de dar uma ideia do ambiente lá dentro. Dá para ouvir o canto dos pássaros e do uirapuru.
Uma tarde na Viva Villa faz a gente voltar a acreditar que ainda dá. Claro, depois a gente sai do local, passa no camelódromo em pleno fechamento, vê a degradação, miséria, urina, fezes humanas espalhadas, produtos piratas, barracas quebradas, fogueiras, e lembra que não está mais na Cidade Maravilhosa de Villa. Mas isto é apenas o contraponto.
A esperança ainda está lá, na História. Viva Villa.
Ah, pega aí o link para o site oficial da exposição: http://www.vivavilla.com.br/
*Tuhu, do título: apelido de infância de Villa-Lobos, porque ele ficava imitando o apito do trem. Essa eu só soube indo na exposição.
9.09.09
09/09/09 - Number nine...number nine...number nine...
Eles fizeram Revolution 9, mas tenho certeza de que não foi para nenhum mortal entender; e agora, o Rock Band é lançado em um dia totalmente Number Nine. Aqui, em terras tupiniquins, um anão (Dunga) vai enfrentar o Vodoo Chile na terra dos orixás: os Beatles certamente achariam isto lisérgico.
Agora, nada, nada se compara ao maravilhoso vídeo-animação lançado para comemorar o lançamento do Rock Band:
http://www.thebeatlesrockband.com/videos/cinematic/.
Foi um prazer começar meu dia 09-09-09 assistindo a este inesquecível desenho animado!
20.08.09
Malditos cacófatos

É vergonhoso admitir, mas apenas hoje, aos 41 anos, é que conheci a cantora Odetta. Uma jóia rara do Mississipi, que canta mistura de folk com country e blues, muitos clássicos como John Henry e Cotton Fields. Fiquei pensando por que catzo ela não é tão conhecida no Brasil e por que diabos eu nunca tinha visto um CD dela nacional.
Depois de ouvir um de seus clássicos, "Pay day at the coal creek" (Dia de pagamento nas minas de carvão), passei a entender por quê.
Maldito cacófato internacional que me privou de Odetta. Nenhum executivo de gravadora em sã consciência lançaria uma cantora que tivesse um hit com um refrão desses:
Mas vale a pena ouvir Odetta assim mesmo.
Amazon: você precisa saber evitar

Esta imagem vale por mil palavras. Ou 152 dólares, fora 60 % de impostos que a gente paga para ter um produto que não iria ser lançado no Brasil mesmo.
Ou seja, 300 reais, mais 60 por cento disso....480 reais, é isso?
Eu preciso parar de ficar olhando as novidades da Amazon.
2.08.09
Inteligência musical
Bobby McFerrin estava meio sumido, reconheça-se. Pelo menos aqui em terra brasilis o único traço de sua existência era o célebre "Don't worry, be happy", talvez a primeira Música de Auto-Ajuda da história da humanidade - o que nem por isso a torna uma música ruim.
Em função deste sumiço de mr. McFerrin, fiquei ainda mais surpreso com esta rápida workshop do homem no World Science Festival, um evento de ciências voltado para o público comum bancado em grande parte pela Fundação John Templeton.
Bobby demonstra que nosso cérebro tem certa "programação" com notas musicais. E que depois que entramos numa pentatônica é difícil sair dela - e devo lembrar que o blues, meus amigos, é 100% escala pentatônica.
Será que depois da "inteligência emocional", vem aí a "inteligência musical"? Reparem como o público acerta direitinho a nota que Bobby ainda não havia ensinado!


