24.09.08
Mamma Mia e a volta dos que nem tinham chegado antes: o Abba, nova onda pop-retrô

Então beleza: agora todos nós gostamos de Abba e “Dancing queen” deixou de ser apenas a “música-risadinha” das festas para ser um hit real, se é que me entendem. Em outras palavras, paramos de dançar “Dancing queen” de sacanagem (como fazemos com “Sandra Rosa Madalena” do Sidney Magal) e passamos a encarar o famoso grupo de swing sueco (nunca a palavra swing teve tanto duplo sentido) como uma apoteose do pop.
Sei lá se havia troca de casais naquele grupo, antes que os fãs venham me questionar. Mas convenhamos que uma das coisas mais esquisitas que dois casais podem fazer é cantar e compor músicas como “Chiquitita”.
Luis Edmundo Araújo costuma definir os programas de dois casais como “Programinhas Woody Allen”. Você sai com sua namorada, seu amigo sai com a dele. Machismo puro.

De fato, é raro elas estarem “on the charge”, tipo, “o outro cara é apenas um mané que a piranha da sua amiga está corneando”. Não, nada disso, a coisa mais freqüente mesmo é dois amigos saírem com as respectivas. Aí, na verdade, quando os caras são profissionais, fica-se em casa falando sobre o último Scorsese e pede-se uma pizza. Com vinho. Programinha de filme de Woody Allen.
O Abba não chegava a ser um programinha Woody Allen, mas, caramba, só faltava os dois casais estarem de roupão. Os dois homens parecem uma mistura de Chitãozinho com Cantarele (lendário goleiro do Flamengo). Já as duas mulheres parecem figurantes de capa de disco do Rod Stewart (aqueles da década de 70, claro).
Só que, depois de Mamma Mia, até meu HD tem ABBA. Consegui para Marcele a trilha do filme, e é comum volta e meia soar aqui na casa do Eclipse o refrão de “Honey honey” (que é até um pop competente, reparem).
Concurso: qual dos quatro é o vídeo mais bizarro?
O filme com Meryl Streep e o inacreditável Pierce Brosnan (a versão masculina da Lizandra Souto) é baseado em um musical em cartaz na Broadway desde 1999. Para os poucos que (ainda) não sabem e não viram o filme, trata-se de uma lourinha que manda carta para três marmanjos que comeram a mãe dela há 22 anos. Ela vai casar e não sabe quem é o pai, já que os três comeram ao mesmo tempo, oh, yes, fuck, oh, Jesus, god, oh god, fuck.....TOU BRINCANDO, MARCELE. Não, os três tiveram um caso cada um com Meryl, em intervalos de dias, por isso é difícil definir.
Eu que achava Abba coisa de boiola, tive que ficar calado até que....um dos três candidatos a papai descobre que gosta mesmo é de outro negócio, hehehe.
No fundo, bem que poderiam fazer um musical para trazer de volta o Mamas & The Papas. O nome poderia ser “Marijuana Mia”. No enredo, Mama Cassie vive na maior larica, assaltando a geladeira, engordando 40 quilos em duas semanas. Até que some o leite condensado lata de cinco litros que ela estava mamando por um furinho, depois de fumar todas. Abertura do filme: Mama Cassie na cama do Garfield, puta da vida, numa segunda-feira, cantando “MONDAY, MONDAY”.
Ok, tudo bem, eu sei que era melhor eu nem ter tentado.
11.06.08
Para Nina, através do tempo

Nina, sei lá se um dia você vai ler isso aqui. O tempo é um abismo interminável mesmo, e a gente às vezes se esvanece, tal e qual névoa, no meio da queda, e outros que caem depois da gente não percebem nossos rastros. A Internet chegou para melhorar isso – um dia, daqui a algumas gerações, ou talvez daqui a uma só, um filho vai saber como o pai já ido pensava, só digitando no Google e puxando um texto de blog ou até o perfil do Orkut.
Nina, você nasceu ontem. E isto não é uma ofensa. Aliás, sei lá se você terá condições de saber que “nasceu ontem” é pejorativo para gente ignorante – afinal, talvez português seja sua segunda língua, a gente ainda não sabe. Sua mãe, Nina, é brasileira, mas fala francês como nenhum brasileiro jamais falou, posso te garantir. Seu pai é um francês dos mais bacanas que existem, um cara que só pelo olhar a gente sabe: entendeu o que é a vida.
Você nasceu ontem, e mudou o mundo todo só por nasceu. Pelo menos o meu, pelo menos o da sua mãe, dos seus avós, dos seus tios-avós, da sua tia-avó que é minha mãe, dos seus primos em segundo grau, como eu. Nosso mundo mudou graças a você, Nina.
Eu falei com a sua mãe pelo Skype. Skype é um programinha que, quando você ler este texto, Nina, provavelmente já vai ser uma marca de televisão 300 polegadas com telecomunicador automático. As pessoas vão se falar pela TV Skype e escolher o que ver, além de usar a TV para escrever. Nem sei, Nina, como você vai fazer para achar este texto: vai digitar “Gustavo de Almeida”, “Marcele Fernandes” e “Nina”? Puxa, estou torcendo.
Quando eu falei com sua mãe pelo Skype, faltavam ainda umas 48 ou 50 horas para você nascer. Talvez um pouco mais. O seu pai estava do lado com uma batata semi-descascada, estava cozinhando. Em Paris.
Eu e a sua prima Marcele estávamos no Rio de Janeiro. O Rio é uma cidade que eu não sei se você vai conhecer, Nina. Talvez ouça falar do Rio de Janeiro como eu já ouvi falar de Medellín, como um lugar indesejável. Ou talvez dê jeito – ainda que eu ache cada vez mais difícil.
A gente ficou muito emocionado, Nina, de poder falar e ver a sua mãe e seu pai antes do seu nascimento. Saiba, Nina, que meses antes, quando você estava ainda pequenina na barriga de sua mãe, nós quatro, eu, sua prima Marcele, sua mãe e seu pai, andamos numa roda-gigante que só existiu por uns dias no Rio de Janeiro e ficava no Posto Seis. Da roda-gigante, lá no alto, se via todo o marzão carioca, as favelas, morros, prédios de Copacabana, o calçadão gigante e raiado como uma cobra-coral, a areia branca sendo castigada pelas ondas.
A cabine da roda-gigante tinha som e um lugar para espetar seu MP3 Player (sim, eu sei, Nina, que é algo antiquado e nem se compara ao seu M25 Player com 200 mil músicas). Eu espetei, liguei e começou a tocar Dreamer’s Ball, de uma banda velhíssima chamada Queen, da Inglaterra. Os instrumentos que eles tocam são de época: guitarra, bateria, baixo. E um cara canta!
Pois aquilo para mim foi mágico, Nina. Parecia que tinha sido planejado. Fiz até um filminho com a máquina, que um dia espero poder te mostrar. Você vai ver na sua Skype TV, claro.
O tempo me amedronta, Nina. Há alguns poucos anos, nem cogitávamos sua existência. Eu estava andando com sua mãe pelas ruas do nosso bairro, ainda escuras, voltando de uma festa sei lá de quem. Cantamos “Suspicious Mind”. A gente não sabia onde as coisas iam dar, Nina, naquela época. Ninguém sabe.
O que me encheu de felicidade, Nina, neste dia 9 de junho, foi lembrar dessa noite isolada em que cantei “Suspicious Mind” com sua mãe e pensar que aquela angústia de não saber onde a vida ia dar, pelo menos para sua mãe, tenho certeza, se acabou. Vi a foto em que sua mãe está olhando para você, recém-nascida, mãozinhas crispadas, o corpo pequeno, os olhos ainda meio fechados, linda como uma tempestade, uma força gigante da natureza lá naquele corpo tão pequeno.
Ali eu vi: sim, sua mãe agora sabe onde a vida vai dar. Sua mãe é o Rio, Nina. Você é o mar.
27.04.08
Ter 10 anos: a ignorância que alucina
Ter 10 anos é algo que nenhuma droga, por mais alucinógena que seja, poderá reproduzir no ser humano. Se Aldous Huxley defendia o uso de drogas para abrir as portas da percepção por achar que o cérebro humano “precisa de uma química” para suportar a mortalidade, eu já acho que o cérebro humano, de vez em quando, precisa ter 10 anos de idade. Não à toa, adultos são flagrados por aí contemplando carrinhos de Matchbox, autoramas ou tabuleiros de War.
Entendam: nostalgia é o cacete. A gente, quando olha para carrinhos de Matchbox, autoramas ou tabuleiros de War, não é porque sentimos saudades de Matchbox, autoramas ou tabuleiros de War. Na verdade, desejamos ardentemente é brincar com Matchbox, autoramas ou tabuleiros de War. Três contra dois em Dudinka.
Só aos 10 anos temos a santa ignorância – a ignorância que nos faz viajar mais e mais no pensamento. Não uma “santa ignorância” no sentido da interjeição, mas de abençoada mesmo. Por exemplo: aos 10 anos, não havia ser humano que me convencesse que a pasta de dente Philips não era fabricada no mesmo lugar que os televisores Philips e os aparelhos de som Philips. Ora, como assim? Decidam-se? Vão limpar nossos dentes ou exibir a novela das oito?
Outra coisa que me intrigou aos 10 anos, pela primeira vez, foi quando, na escola, me deixaram ver o primeiro preservativo. Jontex.
- Posso abrir?
- Claro – disse o moleque endiabrado que havia roubado sabe-se lá de quem aquelas 15 camisinhas (àquela altura, camisinhas para nós seriam tão úteis quanto meias para o homem-tronco).
E veio o primeiro choque. Esticada a camisinha, me rendi aos fatos: não havia para o meu tamanho. Apertadas demais! Mentira. Claro que eram grandes demais, mas não resisti a escrever “apertadas demais”. Bom, como funcionaria isso? Eu já tinha uma idéia de como a coisa funcionava, sim, “a coisa”. Não fazia, claro, a mais remota idéia de como era a, bem, outra peça de encaixe, já que as revistas de mulher pelada a que eu tinha acesso mal mostravam o início da zona do agrião, apenas davam a entender: yes, nós temos agrião. No caso da Cláudia Ohana na Playboy, agrião pra dar e vender.
Mas nada disso se comparou ao choque de ver a fabricante da Jontex. Johnson & Johnson’s. Ora, como poderia ser verdade aquilo? A tal camisinha não era para impedir que as moças engravidassem? Como a mesma fábrica que faz Pompom com protex (que protege o neném) para os pirralhos pode assumir a responsabilidade de evitar que eles nasçam?
Era vida que seguia. Nada era pior, no entanto, do que meus referenciais geográficos. Eu achava que tempo e espaço não eram tão interligados assim. Como explicar? Bom, para mim, o mundo funcionava tal e qual a Millenium Falcon: não importa o local em que você está e para onde você vai, importa é que se você pegar o hiperespaço, você chega mais rápido do que indo pelo jeito normal.

Por causa disso paguei micos incríveis. Em uma excursão do colégio, achei que meus conhecimentos do mapa do Rio de Janeiro e da Baía de Guanabara bastavam para me tornar mais perspicaz que um sabujo (na época, GPS poderia ser no máximo sigla de time alagoano). Eis que o ônibus da escola pega o aterro do Flamengo, eu me distraio provavelmente discutindo se o Guarani seria campeão brasileiro ou não, até que um moleque me pergunta:
- E aí, Gustavo, onde nós estamos agora?
O moleque me perguntou a sério. Devia ser quase um Kaspar Hauser, completamente recluso. Bom, me achei o bonzão e olhei para o mar. Vi o Pão de Açúcar meio de lado, a Praia da Urca, o Forte São João. Relembro o leitor: estávamos no Aterro do Flamengo.
- Devemos estar em Niterói – respondi, acrescentando: - É de Niterói que se vê o Pão de Açúcar por este ângulo.
Desnecessário dizer que quase fui alimentado com alpiste depois desta explicação, me tornando motivo de chacota para o resto da viagem. Isto porque eles não sabiam o que tinha acontecido naquele mesmo ano, viajando com meu pai – ou algum tio meu, não lembro direito - dirigindo.
O carro subiu a serra um pouco pela Dutra, eu adormeci uns 20 minutos. Parece uma eternidade quando se dorme em viagem. Acordei no colo da minha mãe, olhei para fora tentando entender onde eu estava. Vi a placa do então Ministério dos Transportes, alguma obra de estrada, de 300 em 300 metros se liam, enormes, as letras M e T. MT. Deduzi: “Nossa! Já estamos em Mato Grosso! Que legal!”. E comecei a sonhar com pântanos e jacarés.
Nelson toca violão
Paulinho toca cavaquinho
Hoje, aos 40, é claro que ficou mais rara a doce sensação trazida pela ausência completa de noção das coisas. Temos, nós adultos, “chão” demais embaixo de nossos pés. Não defendo que se tome peiote contra isso ou nenhuma espécie de droga a não ser uma taça de vinho tinto no fim do dia. Mas perguntas temporariamente irrespondíveis sempre nos trazem aquele estranhamento dos 10 anos de idade. Inesquecíveis estranhamentos. Disto eu realmente tenho saudade.
A última vez que tive um estranhamento destes foi já adulto, quando me perguntaram por quê, afinal, Paulinho da Viola toca cavaquinho e Nelson Cavaquinho tocava violão. Quase fui a Santiago de Compostela tentar descobrir.
9.03.08
Muitas coisas
Em alguns momentos, os meus desejos de consumo tomam proporções gigantescas e invadem até os meus sonhos. Com notebooks é assim. Já sonhei algumas vezes que tinha um. Aposto que na próxima vez vou sonhar com o Macbook Air:
E falando em Macbook Air, o Marlos Mendes contou no Digitais que pelo preço da pré-venda no Brasil, dá para viajar até Orlando, passear oito dias, comprar o Macbook Air, voltar para o Brasil, pagar o imposto e ainda sobrar dinheiro! E o melhor detalhe de todos: tanto o pacote para Orlando quanto o computador estão à venda no mesmo site. Confira o post aqui.
Ah, sim: eu também tenho um outro sonho (na verdade, pesadelo) recorrente em que nunca consigo terminar a oitava série, mas esse merece ser comentado em outro post, só para ele.
A gente percebe que está muito ocupado e com a vida ligeiramente sem graça quando passa boa parte do parco tempo vago assistindo aos mesmos vídeos no You Tube e, pior, morrendo de rir (como uma perfeita idiota) todas as vezes. Gustavo já estava se cansando de me ouvir cantarolar pela casa "I'm f*cking Matt Damon!":
Então eu passei a cantar "I'm f*cking Ben Affleck":
O banco em que trabalho está enviando para os clientes catálogos de uma loja eletrônica junto com as faturas do cartão de crédito. Foi assim que uma senhora chegou essa semana no atendimento -- a primeira do mês, com filas quilométricas -- esperou vários minutos e terminou na mesa de um colega, apontando para uma das ofertas no panfleto, dizendo:
-- Vim comprar esse forninho.
Deu até vontade de entrar na internet para fazer o pedido.

Tive dengue na semana passada. Quer dizer, eu acho que tive dengue -- no pronto-socorro onde fui atendida eles não faziam o exame que detectava a doença e tudo ficou por isso mesmo. Numa conversa de bar hoje, um amigo lembrou: "Cara, ainda bem que foi dengue. Lembre-se que o Aedes (o mosquito, para aqueles que não perceberam) está sendo gente boa, já que ele também transmite a Febre Amarela. A dengue pelo menos só mata na segunda vez em que você fica doente". O papo terminou com todos na mesa tendo certeza de que o mosquito é o mocinho da história, além de músicas de torcida com o nome Aedes Egypt no meio e gritos de "Aedes para prefeito!". Também tiveram algumas sugestões de fotos de um Oswaldo Cruz sorridente fazendo sinais de positivo com as duas mãos, logo acima do slogan. Eu acho que ia dar super certo.
Um mini-conto (que faz parte de uma história bem maior) para terminar:
Primeiro de dezembro
Ela me falou sobre o gosto amargo na boca durante a cremação. Eu me lembrei imediatamente do cheiro meio acre, meio doce das rosas, que começou durante o velório e me acompanhou até o enterro. Eu nunca esqueci o cheiro. Ela nunca esqueceu o gosto. Nós não estávamos chorando pela mesma pessoa. Alguns meses separavam o adeus, o funeral e todos os outros ritos que acompanham essas ocasiões. Comecei a pensar que, talvez, nossos sentidos fiquem mais apurados nessas horas. E que, talvez, os sentidos fiquem mais apurados porque todo o resto está adormecido, entorpecido, não sei definir bem. Sei que dói. E que não consigo me acostumar com a morte.
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2.08.07
Datilografia sem mestre, em sete lições

O meu nome é Helena Santana Cardoso. Eu tenho dez anos de idade e gosto de datilografar. Estudo no Colégio Imaculado Coração de Maria e moro no Méier. Tenho uma irmã chamada Sara. A Sara tem nove anos de idade. Nas minhas próximas férias eu vou viajar para Vila Velha.
O meu nome é Helena Santana Cardoso. Eu tenho quinze anos e gosto de datilografar. Os meus pais são separados. Eu estudo no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. Tenho uma irmã chamada Sara. Ela tem quatorze anos de idade. Nas minhas próximas férias eu vou ficar no Rio.
O meu nome é Helena Santana Cardoso. Eu tenho vinte anos e gosto de digitar. Eu não sei qual faculdade eu vou fazer. Estou em dúvida entre Cinema, Arquitetura, Biologia e História. Se eu passar para alguma, me matriculo. Eu tenho uma irmã chamada Sara. Ela tem dezenove anos e faz
faculdade de Relações Internacionais.
O meu nome é Helena Santana Cardoso. Eu tenho vinte e um anos e gosto de digitar. Eu passei para todos os vestibulares que eu tentei e por isso me matriculei em tudo, mas curso a faculdade de Cinema. Minha mãe não ficou feliz no começo, mas agora ela gosta da idéia. Eu tenho uma irmã chamada Sara. Ela tem vinte anos e continua cursando Relações Internancionais.
O meu nome é Helena Santana Cardoso Ivich. Eu tenho vinte e cinco anos e sou casada. Acabei de passar para a faculdade de Direito, mas odeio o curso. Cinema não dava dinheiro. O meu marido é advogado. Eu continuo gostando de digitar. E mais ainda de escrever. Eu não sei o que eu quero da vida. Nem a minha irmã, apesar dela ter terminado a faculdade há muito tempo.
O meu nome é Helena Santana Cardoso Ivich. Eu tenho vinte e sete anos de idade, sou casada e não tenho filhos. Eu ainda não terminei a faculdade e trabalho num lugar que odeio. Ainda não sei o que eu quero da vida. Minha irmã também não, mas pelo menos ela está fazendo uma pós-graduação.
O meu nome é Helena Santana Cardoso Ivich. Talvez eu fosse feliz se fosse secretária, apesar da minha vó sempre ter me contado que nunca conheceu uma Helena feliz durante toda a vida. E ela já tem oitenta e cinco anos de idade.


