10.12.08
Lições de democracia em um joguinho viciante e genial
Andei sumido, é bem verdade, daqui do Eclipse. Marcele ainda tem uma desculpa honrosa para não escrever, que é o fim de curso na faculdade, os preparativos para apresentação de monografia (é hoje! é hoje!) e tudo o mais. Quanto a mim, é trabalho e etc. Principalmente o etc. Um dos etecéteras que tomaram meu tempo diante do computador foi o sensacional joguinho viciante e alucinante chamado Oligarchy, na minha opinião a melhor aula de democracia que você pode ter hoje em dia.
No Oiligarchy você entende "como funciona" não só a democracia americana como qualquer outra mundo afora - principalmente a brasileira. Troque-se a extração de petróleo pela instalação de antenas de celulares e você terá o modelo brasileiro. É perfeito.
O jogo começa no Texas, onde você tem que "procurar" petróleo. É simples: basta ir na guia de opções lá em cima e achar o caminhão-sonda. Clicou ali, escolhe o terreno e deixa o caminhão cair, clicando só uma vez.
Se tiver petróleo, logo vem o aviso "new reservoir!". E aí, com a grana ainda curta, você instala um pequeno extrator de petróleo (small well). Mais à frente, pode até pensar em trocar pelo grande poço, no formato que o conhecemos. Mas esta é a parte mais inocente do jogo.
Evidentemente que a produção do Texas não é suficiente para abastecer todos os hábitos norte-americanos. Até porque você mesmo dá um jeito de mexer nestes hábitos, influenciando, com dinheiro, as eleições que acontecem de quatro em quatro anos.
Esta parte é o seguinte: existe o Partido do Elefante e o Partido do Burro. Os dois disputam uma corrida ("presidential run") e você vai jogando dinheiro em um e em outro. No fim, o ideal é que você tenha dado mais grana para o partido do candidato vencedor. Mas é fundamental dar dinheiro para a oposição.
O "congresso" obtido é "oiled", ou seja, comprometido com a causa do petróleo. Eles vão aprovar leis criando subúrbios para que os carros sejam mais necessários, e garantir o seu expansionismo. Depois de uns anos, eles aprovam leis anti-ambientalistas permitindo que você vá para o Alaska extrair petróleo, expulsando alces, renas, pássaros e baleias orcas "inúteis" que atravancam o progresso.
Como é óbvio que a produção do Texas e do Alaska juntos não são suficientes, você começa a buscar outros "mercados": Venezuela, Nigéria e Iraque. Para este último, ainda demora um pouco, pois você tem que financiar, por meio da CIA, os conflitos internos e enfraquecer a democracia local. Com sorte, terroristas atacam os EUA e aí você tem um motivo para invadir tudo e quebrar geral.
Exploração do solo venezuelano: Hugo Chávez e os índios não são problema para a CIA
Na Venezuela, seu problema será a população indígena. Mais uma vez a CIA entra em ação e você solicita ao presidente "oiled" uma ação do serviço secreto. Os índios somem dos protestos.

Os Ogonis, população tribal que, só porque moram há séculos no local, acham que podem impedir o progresso americano com protestos

Basta corromper o governo nigeriano para obter ajuda armada e destruir a aldeia Ogoni

Mulheres e crianças não são poupadas. Os soldados corrompidos queimam tudo

Não se esqueça que é preciso cuidar dos líderes ativistas ambientalistas, esta gentalha que briga contra o progresso

No detalhe, marcado, os três corpos pendurados: este é o destino de quem se opõe à democracia
Na Nigéria, é preciso resolver o problema dos Ogonis, população que se acha no direito de atravancar o progresso americano só porque está há centenas de anos morando em cima de preciosas reservas petrolíferas. Os Ogonis vão criando um movimento de protesto que paralisa nossos poços. Sem problemas: primeiro, subornamos o governo nigeriano e fazemos uma ação eficaz, invadindo a tribo dos Ogonis sujos, currando suas mulheres e dando coronhadas de fuzis nos homens. Malditos Ogonis!
Se eles insistirem, você paga mais ao governo nigeriano e três dos líderes são enforcados e seus corpos expostos na praça pública. Assim eles sossegam. E a democracia americana pode continuar a trazer prosperidade.

As manchetes alardeiam: "Iraque invade Kuwait"

A alternativa é, através do serviço secreto, iniciar a operação "Tempestade no Deserto" para garantir as liberdades democráticas dos sofridos povos do Iraque e do Kuwait

Os mísseis Scud têm precisão cirúrgica durante a guerra intensa

Restabelecida a liberdade de mercado, entra a Blackwater para proteger nossos poços de petróleo
No Iraque, é essencial entrar com o exército que vai garantir a liberdade de mercado e a economia livre. Só que depois de instalados os poços, adivinhe: é necessário chamar a Blackwater(repare no desenho da patinha de urso).
Se você não sabe o que é Blackwater, jogue no Google e procure a Wikipedia, já que tentei pelo menos 20 vezes linkar material aqui e não consegui. Deve haver alguma ação online que impede a propagação de links sobre a temível empresa privada que atua no Iraque e em diversos países, a pretexto de proteger diplomatas norte-americanos.
Os mercenários da Blackwater vão proteger nossos poços, assassinando estes curdos e sunitas imundos e infiéis que tentam se interpor ao desenvolvimento da economia mundial.
Claro, de quatro em quatro anos, tem que jorrar grana nas eleições. Senão, você perde acesso à Sala Secreta e não pode mais pedir favores à CIA. E, pior: logo começam a aparecer ambientalistas imundos e drogados, que, inconscientes, fazem protestos na porta da Casa Branca. Gentalha que fica defendendo índios venezuelanos, selvagens africanos e sunitas homicidas.

A corrida presidencial: o Partido do Burro contra o Partido do Elefante
A coisa vai crescendo e, à medida que as reservas petrolíferas do mundo vão acabando, o caos vai tomando conta de tudo. Logo começam saques e canibalismo. Mas você tem um último recurso: os Human Burners, usinas de produção de petróleo à base de seres humanos. "Temos que deixar os pruridos éticos de lado e investir numa alternativa viável", diz uma das manchetes de jornai.
Oiligarchy é simples de jogar e de entender. Assim como seu "primo" Burger Tycoon, é extremamente importante para o bom entendimento de como funciona a política e o que exatamente determina seus movimentos, sem exageros, ilusões ou invencionices.
O mais interessante é que o Addicting Games tem liberdade de publicar tais joguinhos sem que uma enxurrada de processos judiciais tire tudo do ar.
Pelo menos neste ponto a democracia americana é interessante. Já no modelo brasileiro, a Justiça daria ganho de causa fácil fácil aos "ofendidos".
Ah, em tempo: sim, a musiquinha de abertura do jogo é uma paródia de "Rawhide", música-tema do velho seriado de mesmo nome, citada também no filme Blues Brothers, conforme você confere nos dois vídeos abaixo:
Agora, com licença que eu preciso devastar o Alaska.
14.11.08
Obama e a saudade do Atari
Quando vocês clicarem neste link vão me entender bem:
http://superobamaworld.com/
Curioso é que não estou me lembrando de jeito nenhum em que joguinho é baseado esse do Obama se f(*) no Alaska....
17.09.08
O Mal diverte e instrui
"Educativo" e "didático" talvez sejam palavras que em breve vão se tornar impróprias para um videogame. Sei que parece um papo de politicamente correto, e aviso logo que sou contra qualquer tipo de patrulha ideológica xiita. Até porque vou falar aqui de três jogos que eu costumo utilizar na internet. Mas nem por isso deixo de me espantar com o "realismo" e a "franqueza dos mesmos". São videogames que pregam basicamente a necessidade de se abrir mão da ética para a vida em sociedade.
Vejam bem: não estou falando dos joguinhos comuns, até porque não vejo o menor conflito ético em esmagar a cabeça de um elfo com caninos de vampiro ou estourar os miolos de um zumbi. Nem em pulverizar um cyberdemon. Quanto a isto, não há o menor problema.
Mas fico espantado mesmo é com as lições que nos dão alguns dos videogames novos, dois deles, o Burger Tycoon e o Sniper Assassin correndo em tempo real e o Street Crime como uma espécie de Hattrick da cafagestagem.
Não acho que alguém vai "aproveitar" as lições na prática e se tornar um empresário predador de hamburgueres ou um Polvo do Crime, com os braços em todos os tipos de negócios escusos. Os joguinhos de que falo nos educam para a verdadeira realidade. Desmistificam.

Lanchonete-navio de escravos do joguinho Burger Tycoon
Vejamos o Burger Tycoon e listemos algumas características. Considere que são quatro planos de atuação/gestão: o pasto onde se criam os bois, o abatedouro onde se adicionam hormônios e dejetos industriais à carne, a lanchonete onde se exploram os funcionários (dando esporro e prêmios de funcionários do mês) e o quartel-general da empresa, onde marqueteiros pensam em técnicas de merchandising e relações públicas CORROMPEM políticos, nutricionistas, médicos e líderes ambientalistas.
Para começar bem, você tem que corromper nutricionistas e médicos. Em seguida, tem que começar uma campanha na qual as CRIANÇAS sejam as primeiras atingidas. Legal, né?
No pasto, para crescer, em pouco tempo você tem que derrubar mata atlântica. Em seguida, acabar com uma aldeia indígena. Depois, subornar o prefeito da cidade para detonar as plantações de milho dos moradores para plantar soja destinada exclusivamente aos bois.

No abatedouro: hormônios e dejetos na ração das vacas
Quanto ao abatedouro, o que sobra da trituração dos bois é jogado de volta na ração deles mesmos. Volta e meia tem uma vaca louca e você é obrigado a queimá-la.

Escritório de executivos, marqueteiros e relações-públicas

Acima, 'corrompendo um nutricionista' para melhorar a performance
Uma das táticas de merchandising é usar o cinema, obrigando filmes a mostrarem hamburgueres. Desconfio que aquele hamburguer que Julius come em Pulp Fiction com uma só dentada é merchandising. Repare:
Sem contar o clássico e conhecidíssimo papo sobre McDonald's da Holanda e da França, que dá a maior fome:
Já no Street Crime, a coisa é gerida de longe. Mas você começa no crime "roubando dinheiro da bolsa da mãe". Mas você não consegue, e vai parar na cadeia por dois minutos. Tem que tentar roubar várias vezes, e só depois que você consegue investir em roubos de carros, tráfico de drogas, assaltos, tráfico de armas, assassinatos, espancamentos, extorsões, chantagem, jogos de azar ilegais, etc, etc.

No 'Street Crime', você escolhe (acima) que droga vai querer traficar
Last but not least, tem o Sniper Assassin. A missão é matar gente. Matar um idoso a pedido da mulher mais nova dele, que quer a herança. Tem que fazer parecer um acidente. Matar um maluco num prédio. Mas o detalhe mais sensacional é a aula de tortura.
Você tem três medidores: Medo, Culhões e Vida. Você tem que fazer o medidor Medo ficar mais alto que o Culhões, assim o seu personagem, que está apanhando e sangrando, vai dizer onde é o cativeiro do seqüestrado. Se você perguntar antes(acionando a barra de espaço), ele responde, "kiss my ass".

"Vai falar ou não? Não? Então toma!"
O segredo então é bater sem parar e ficar balançando a lâmpada em cima dele para ele ficar tonto. Olha só: eu estou dando dicas de tortura. Calma, gente. Nunca torturei ninguém. Só esse bonequinho aí, que eu aprendi a torturar.
É claro que muitos vão achar um absurdo a existência de tal jogo. No fundo eu também acho. A tortura poderia ficar de fora, pelo menos. Tortura sob qualquer aspecto é degradante.
À parte a tortura, são três boas idéias de jogos que usam a ironia para ensinar a ética e informar melhor. Se eu pudesse, sugeriria outros joguinho para esse pessoal elaborar: CONGRESSO NACIONAL, LICITAÇÃO FRAUDULENTA e SOBREVIVENDO AO RIO DE JANEIRO seriam outras opções.
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Aliás, falando em Rio: Nicolas, não esqueci de você não. Já já voltamos a falar do Rio...
20.07.08
Sai pra lá, segunda-feira
Noite de domingo meio atípica aqui em casa: totalmente excluídos de cinema por conta das centenas de milhões de pessoas que compõem (como nós) a horda ensandecida que busca as salas para começar a semana, Marcele e eu ficamos em casa.
Para se ter uma idéia do inferno que foi a TENTATIVA de ir ao cinema, passei pelo site de compra de ingressos, cliquei em cima das duas poltronas restantes em filas mais perto da tela e, no tempo que levei para gritar, "Marcele, veja se esses dois lugares estão bons para você" alguém foi lá, online mesmo, e comprou nossos lugares.
Marcele neste momento assiste pela duocentésima vez a Náufrago, com Tom Hanks, dublado. Tem cena de desastre de avião, o que bastou para ela me expulsar da sala – afinal, se eu visse aquela que ela diz ser a “mais realista cena de desastre de avião do cinema”, perigava eu passar mais uns 20 anos sem entrar numa aeronave. Deste jeito, fiz um sanduíche e vim para o computador, fingir que fazia algo muito importante.
Bom, quer dizer, é claro que é importante escrever no Eclipse, manter nossa lojinha pequena (igual àquela que o mesmo Tom Hanks destrói em You’ve got mail) no meio de vários blockbusters aqui no magistral portal do Interney.
Mas hoje, como a ficha ainda não caiu para a brutal realidade (“É domingo à noite e não fomos ao cinema! É domingo à noite e não fomos ao cinema! É domingo à noite e não fomos ao cinema! É domingo à noite e não fomos ao cinema!”), fico meio mentalmente confuso, sem saber para onde ir.
Geralmente, quando essas coisas acontecem no trabalho, a gente entra num site com algum joguinho online e fica se distraindo, mexendo no mouse e pensando ao mesmo tempo. No meu trabalho já nem posso fazer isso, porque volta e meia tem um caboclo que fica pescoçando meu terminal e cutucando os outros, dizendo, “olha lá, não está trabalhando”. Me lembro de ter ouvido isso quando eu fuxicava o Orkut....trabalhando! Não é incrível?
Logo, abstraí os joguinhos total, mesmo em momento de estresse. Patrulhamento é dose.
Bom, aí pensei nestes mesmos joguinhos online e no papel que eles têm para a segunda-feira.
Ora, a segunda-feira pede um flanar de mouses daqueles que levam o cidadão a irritar o próprio chefe – isso quando ele não é o chefe e, aí sim, pode bater recordes atrás de recordes no Space Invaders (em essência, o melhor jogo que existe – não que seja o que eu mais goste, mas tecnicamente sobreviveu a tudo!).
Sendo assim, o Eclipse vai fazer um serviço e colocar uns links para você enganar a segunda-feira. Seguem aí cinco joguinhos viciantes para segunda-feira e um portal, o Mousebreaker. Divirtam-se. E tentem esquecer que é segunda-feira, minha gente. Lembrem-se que terça isso acaba.
Para começar, o portal de jogos Mousebreaker:
Agora, um jogo de zumbis, o De Animator, em que você tem que preferencialmente atirar nos mortos-vivos quando eles ainda estão saindo da terra. Mas não se empolgue, uma hora eles te pegam. Abaixe o volume nessa hora porque o grito é tenebroso. Aliás, no "flagrante" abaixo, a minha cabeça está sendo arrancada junto com a coluna vertebral (pelo menos ficaria bom da hérnia de disco)
http://artscool.cfa.cmu.edu/~lee/deanimator.html
Ainda no campo do terror, você pode experimentar esse jogo em que você é o atirador, em primeira pessoa, e tem que seguir por um corredor infinito sendo atacado por vampiros anões albinos. Veja bem, eu não disse "vampiros E anões albinos". Disse "vampiros que são anões e albinos" mesmo.
http://www.gskinner.com/games/puki/
Prosseguimos nossa animada segunda-feira no escritório com o Dog Fight, jogo de aviõezinhos e tiros que me foi enviado pelo Alex do Triplex, lá de Curitiba. Excelente e altamente viciante - mesmo sendo simples. Aliás, os mais simples são os mais perigosos. Viciam mais. Único ponto negativo: a musiquinha do jogo me dá a sensação de estar dentro de um comercial do falecido Beto Carrero.
O link, no entanto, é muito comprido, e esta ferramenta de publicação aqui, sempre que recebe um link comprido, bagunça as margens do blog todo, fazer o quê...Clica aqui no Dog Fight!
Saindo um pouco da carnificina, o site Mousebreaker lançou um joguinho novo bem interessante: você acorda em um pub sem grana e tem que fazer um monte de favores como catar garrafas vazias e limpar manchas de vômito. Em compensação, você esfrega um tipo de cosmético no decote de uma barwoman, ou seja, não recomendo o jogo para menores de 18 anos. No "flagrante" abaixo, o banheiro do tal pub.
http://www.mousebreaker.com/games/thenightbefore/play.php
Claro que o link para este não podia faltar: aqueles com mais de 30 anos que entram neste blog vão perder um dia inteiro de trabalho tentando superar marca atrás de marca no Space Invaders:
E, finalmente, um jogo absolutamente sensacional, que usa as mesmas interfaces do antigo Street Fighter mas com personagens bíblicos. Inclusive fazendo com que Jesus possa, em vez de condenar ao degredo nas chamas, cobrir de porrada o chifrudo safado - que depois de uma surra vai até pedir para ser chamado de anticristo.
http://www.adultswim.com/games/biblefight/game.swf

Neste último, só peço aos amigos que evitem jogar com o personagem Jesus, de qualquer maneira. Risco de excomunhão, já que o computador é mais ágil e acaba vencendo.
A sensação de ver Jesus ser derrotado por, bom, você sabe quem, não é nada agradável. Sem contar o cheiro de enxofre.
21.12.07
O futebol dos badboys, finalmente em videogame

Você, o craque inglês, praticando ainda em terreno baldio, mas já com clube
Desde as 17h desta quinta-feira, 20 de dezembro, que há pessoas com a capacidade de trabalho paralisada. Não no meu caso, apenas porque no meu ambiente de trabalho é impossível parar e ficar jogando qualquer coisa na Internet – mais porque meu monitor é visível para a multidão, menos por causa da minha própria e suposta capacidade de resistir à tentação. Mas garanto que em alguns setores do poder público, da área de marketing, jornalismo os efeitos em breve começarão a ser sentidos, tudo por causa do Jumpers for Goalposts, o jogo que mistura futebol e os bastidores de uma forma engraçadíssima e com bastante critério.

Em Jumpers... você começa como um moleque jogando futebol na rua. Há três tipos de jogada o tempo todo neste jogo: voleio, pênalti e chute com bola rolando (chamado de snapshot). Quando você é moleque na rua (diga-se, rua em Londres, portanto, sem medo de balas perdidas ou de seqüestro-relâmpago), você só precisa acertar um voleio (sem gol), um pênalti dentro do gol e uma bola rolando (sem gol). Claro que se você fizer gol nos três, o seu agente vai te arrumar um clube melhor que te dá mais dinheiro a cada semana.

Mãe do craque, gritando: vai arrumar mulher!
Com o dinheiro você compra um carro, que você trocará mais tarde por carros melhores. Quanto melhor for o seu carro, mais as mulheres te olham. Só que você começa a carreira morando com a sua mãe, que te fala o tempo todo: “Go out and get a girlfriend”.
Você tem que ficar de olho o tempo todo no “rating” que te dão o manager do seu clube (que não gosta de te ver na noite) e a mídia (que adora te fotografar saindo na porrada ou com uma mulher no pub).
Ao arrumar finalmente uma namorada, entra em cena mais uma exigência: a garota pede o tempo todo cinema, beber no pub, dançar, comer alguma coisa e comer em restaurante caro, tudo alternadamente.

Garota, ir ao cinema é uma coisa normal, mas, bom, você sabe...
Se você gastar muito, acaba ficando sem grana e aí não consegue comprar casa para morar fora. E aí, toda hora em que você perde a namorada – afinal, não dá para fazer tudo o que ela quer, senão os treinos fracassam – sua mãe te perturba a paciência mandando você arrumar outra.

O amigo que te leva pro mau caminho
Para complicar tudo, tal e qual Edmundo, Djalminha e Romário, você aida tem um amigo estilo Eri Johnson, te chamando toda hora para a noitada!
Ah, e o mais interessante: no meio de tudo isso você joga partidas (só com as três jogadas básicas) e disputa campeonatos. Mas, tal e qual no futebol de hoje em dia, o esporte é apenas mais um detalhe diante das noitadas, das mulheres, da família e do assédio da mídia. Vá e se vicie de vez. Infelizmente, não dá para salvar o jogo, o que torna cada clique em Jumpers for Goalposts uma viagem de pelo menos uma hora de duração....
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