12.07.09
"E lá vamos nós com mais uma ridícula....dobradinha MAD!"
Se você tem mais de 35 anos, ou seja, se viveu bem parte dos anos 70 e as expressões Nixon, Spiro Agnew, Al Jaffe e O lado Irônico de Dave Berg fazem efetivamente sentido para você, com certeza o título deste breve post foi nostálgico.
A dobradinha (ou "fold-in") deve ter sido uma pauleira para os tradutores brasileiros de MAD. As de Al Jaffe eram extremamente políticas, envolviam campanhas eleitorais americanas, questões de desarmamento, de meio-ambiente, e precisavam chegar aqui mastigadinhas. E, pior, a dobra do texto tinha que dar certo de algum jeito.
Foi ótimo achar este link no Twitter do Arnaldo Branco, deu pra matar muitas saudades de dobradinhas que eu mesmo fazia nas MADs lá de casa.
17.05.09
Vila Cruzeiro, a favela carioca que está conquistando o mundo

O dia está ensolarado em Botafogo, Zona Sul do Rio, no Bar Plebeu. Diogo Nascimento, ator nas horas vagas e construtor de estantes para sobreviver, bebe uma soda limonada. Respira. Tenta sorrir por causa da sensação boa, mas as lembranças não deixam. A jornalista holandesa Patrícia Maresch, diretora do documentário "Cruzeiro", parece perceber o desconforto. Sorri para Diogo. A mesa fica mais à vontade, e Diogo desabafa:
- Aqui na Zona Sul, até o ar é melhor.
Ator que cursa nada menos que três escolas de dramaturgia ao mesmo tempo, Diogo não gosta de falar mal da Vila Cruzeiro. A ele já basta ter de esconder dos outros cariocas que mora em uma determinada vila onde, desde o dia 2 de maio de 2007, as operações policiais foram diárias, com mais de uma centena de mortos e mais de duas centenas de feridos.
- Quem vai procurar emprego tem que escrever na ficha: "Olaria. Se escrever Vila Cruzeiro, já era. O patrão diz que o cara vai atrasar ou faltar por causa das guerras.
A frase bem que poderia estar no média-metragem (60 minutos) "Cruzeiro", resultado do projeto Favela Documentary, criado pela jornalista holandesa Patrícia Maresch. Em julho do ano passado, a Vila Cruzeiro teve seu dia de Cinema Paradiso. A exemplo do que acontece no filme de Giuseppe Tornatore, onde um vilarejo italiano vê filmes projetados em prédios no meio da praça, a favela se viu nas histórias de Diogo, Mayra Avellar, Eduardo Queiroz e Luiz Senuin, os quatro jovens que sonham com um futuro em que terão orgulho de suas próprias origens. A projeção aconteceu no campinho de futebol onde se criou o craque Adriano, hoje no Flamengo.
A favela é um fenômeno social-geográfico que tomou o Rio. A origem parece óbvia: os trabalhadores da indústria iam se acumulando perto de onde as mesmas funcionavam. Na Zona Sul não havia preços bons para quem pegava na enxada. Quando foi necessário pegar em enxada na Zona Sul, começaram a tomar algumas áreas e, pronto, o Rio virou uma favela com um pouco de cidade no meio.
Só há duas soluções a escolher, antes que a favela derrube a cidade e o caos prevaleça: a solução final, com o extermínio de todos os moradores e o início do IV Reich ou a solução pensada, com ações de segurança pública e queda dos muros que já existem entre o morro e o asfalto. Muros, inclusive, na mídia, que só vê notícia na favela quando nela há sangue. E, claro, pensar na remoção de algumas, sim, na integração dos moradores ao espaço legalizado.
“Cruzeiro” é a prova de que a queda do muro torna a coisa possível. E o muro tem de cair para os dois lados: o morador de favela tem que deixar o asfalto entrar, junto com o Estado, a polícia, a ordem urbana – o morador de favela não pode mais ter a irresponsabilidade de acreditar que o tráfico é sua emancipação. E nem acreditar que os traficantes sejam uma espécie de inevitável forma de reação à exclusão, uma guerrilha narco-marxista em defesa dos pobres. Esta é uma grande mentira.
Por outro lado, o asfalto deve deixar o favelado “descer”. Parar de excluir, de segregar, de ter medo. E deixar o favelado “descer” sem drogas. E, principalmente, sem armas. Tal e qual os quatro jovens da Vila Cruzeiro “descem” na produção da jornalita holandesa.
Esta é a história de “Cruzeiro”, um filme com quatro jovens que querem apenas ser quatro brasileiros, normais, sem tráfico e sem muros. Mas a história foi pouco contada.
Não houve sequer um órgão de imprensa que se interessasse pela história. Ofereci a matéria como frilance, ano passado a uma revista sediada em São Paulo, mas foi recusada com o argumento de que havia saído em O Dia. De fato: havia saído meia página no primeiro clichê de um domingo. E foi derrubada no segundo clichê.

Mayra recebe o prêmio das mãos do bispo sul-africano Desmond Tutu. Abaixo, a notícia na TV Holandesa
Tutu e a Vila Cruzeiro - Em dezembro, a coisa ficou mais séria: Mayra Avellar recebeu das mão do bispo sul-africano Desmond Tutu (em pessoa, como podem ver na foto abaixo) o prêmio Internacional Crianças da Paz, uma honraria que existe desde 2005 e que é concedida por uma comissão de vencedores do Prêmio Nobel. Houve um prêmio em dinheiro, mas nada que chegasse perto do Um Milhão do Big Brother Brasil – e, claro, nem um décimo da notoriedade que um sujeito ganha ao passar 60 dias sem trabalhar numa mansão com piscina. Mayra é só uma moradora de favela. Do mesmo jeito que não houve um só órgão de imprensa que deixasse de publicar a vitória dos BBBs, nenhum órgão de mídia veiculou a singular vitória de Mayra: sair de uma favela como a Vila Cruzeiro para receber um prêmio das mãos de uma personalidade internacional que é verbete na história da humanidade.
Patricia Maresch – filha de indonésios – soube da existência da Vila Cruzeiro em junho de 2002, quando o jornalista Tim Lopes foi torturado e assassinado ao tentar fazer reportagem com câmera oculta sobre as relações do tráfico de drogas com o funk. Na época, ela era editora de Notícias Internacionais do Jornal Nacional da Holanda, e se espantou muito com o fato. Os anos se passaram e, em fevereiro de 2007, pisou na Vila Cruzeiro tão famosa pela primeira vez. Se lembra até hoje da visão cativante do costado da igreja – no caso, a Igreja da Penha, um dos poucos cartões-postais famosos da Zona Norte de uma cidade que, para os turistas, só mostra o pedaço maquiado da Glória ao Leblon.
Patricia e os meninos do cast: volta ao mundo mostrando a Vila
- Nunca esqueço da igreja, da paz que senti ao entrar na favela, do jeito carinhoso com que fui recebida. Me lembro que passei alguns dias estranhando que não havia quase órgãos públicos e as coisas boas da favela, como os artistas, não eram retratadas por jornalistas. Nunca falei com um jornalista na favela. Só os vejo quando a polícia está junto. E quando a polícia está junto, a favela fica deserta. A Vila Cruzeiro que os jornalistas do Rio conhecem é deserta e tem medo – conta Patrícia, citando na verdade o trauma que a morte de Tim Lopes causou na imprensa de um modo geral. Mas, para ela, o deserto tem outro motivo, o mesmo que, aliás, causava diversas interrupções nas filmagens.
- O Caveirão (carro blindado da Polícia do Rio, que protege os policiais das balas dos traficantes) faz a favela parar. Quando entra, é um deserto só, não funciona Kombi, não passa ônibus, ninguém fica na rua.
O medo do caveirão
Ao longo de toda a ocupação da polícia, os moradores criaram códigos de sobrevivência. Telefones celulares eram constantemente usados. Patrícia, que mora provisoriamente em Botafogo, também adotou o hábito de telefonar para alguém da favela antes de ir para as filmagens.
- Se tem tiroteio, não dá nem para entrar. Uma vez lá dentro, se estivermos dentro do Espaço Ibiss, até podemos continuar. Mas não dá para ficar relaxado e gravar normalmente – diz a holandesa. O Ibiss é um espaço mantido pela ONG de mesmo nome. No ano passado, o governo do Rio destinou cerca de R$ 800 mil para a Ibiss desenvolver atividades culturais, esportivas e assistencialistas na Vila Cruzeiro. Os moradores se acostumaram a conviver com dentistas e animadores culturais conterrâneos de Patrícia.
- Estes profissionais são totalmente respeitados pelos traficantes. Ninguém os incomoda – assinala a jornalista. – Mas quando entram os caveirões, tudo pára. Sei que o carro blindado é para proteção dos policiais. Só que "proteção" é tudo o que falta para nós, que estamos do lado de fora – conta Patrícia, com a concordância de Diogo.
Patrícia, claro, não sabe das estatísticas. Não sabe que a morte de policiais durante operações passou a ser perto de zero quando há a presença do blindado. Se o blindado é usado de forma ruim, consertemos a forma ruim – mas nada de eliminar o blindado.
Nem a Globo ficou
A ausência do mundo exterior não acontece só na forma do poder público e dos jornalistas. Se não fosse o Ibiss, nada haveria de contrapartida.
- O Ibiss é onde ficava o Criança Esperança. Depois da morte do Tim, o projeto foi embora e o espaço ficou desativado – conta Diogo. Na festa de dois anos do Ibiss, ocorrida em outubro do ano passado, o rapaz, de câmera nas mãos, teve de ouvir de alguns moradores que não o conheciam:
- É para a Globo essa filmagem?

Caveirão fotografado pelos meninos na favela Vila Cruzeiro
Durante dois meses as filmagens dividiram espaço com a ocupação que a Secretaria de Segurança Pública do Rio manteve na favela, iniciada depois que dois PMs foram mortos no bairro de Oswaldo Cruz. O local da morte dos PMs era o mesmo no qual o menino João Hélio Fernandes Vieites, de seis anos, começou a ser arrastado até a morte por seis bandidos que roubaram o carro de sua mãe. A repercussão da morte dos PMs Marco Antonio Ribeiro e Marcos André Lopes – ambos soldados – foi grande e logo se concluiu que os matadores eram da Vila Cruzeiro. Em 40 dias de ocupação, já havia 17 mortos e 65 feridos. Aulas foram interrompidas e comerciantes fechavam as lojas mais cedo várias vezes por semana. Ou nem abriam.
O que assustava Patrícia era o que acontecia no restante da cidade.
- As filmagens aconteciam sob tensão. Muitas vezes acabavam porque uma pessoa da comunidade tinha sido baleada, alguém conhecido era parente, todos iam para o hospital. Eu via lágrimas, desespero, medo. Aí, voltava para Botafogo e me via em uma parte da cidade que ignorava completamente o que estava acontecendo. Parecia que não havia alguém à beira da morte em um hospital.
Pelos rádios comunicadores, os traficantes passavam informes entre si, estabelecendo o valor de R$ 2 mil pela vida de um policial.
A recusa ao fuzil
Por sorte, a vida de Eduardo Queiroz, um dos quatro jovens do filme, já havia mudado. E no ano anterior. Ex-traficante, andava com um fuzil nas mãos desde criança. Aos 19 anos, com dois filhos, procurou uma igreja evangélica e também o Ibiss. Pediu ajuda, largou o tráfico com um objetivo em mente: poder ver os filhos um pouco maiores. Muito recluso, ele não dá entrevistas sobre sua situação. Até porque as lideranças do tráfico e as próprias facções mudavam, e Eduardo permanecia no tráfico. O que o tirou foi a mesma perspectiva que move também Diogo:
- Tenho uma filha de cinco anos. Mora com a mãe na Chatuba. Ajudo com mais do que a Justiça me obrigaria a pagar. Para isso tenho que trabalhar 12 horas por dia, montando e desmontando estantes. Mas o que eu gosto mesmo é a arte, o teatro. E sei que não dá para viver disso, pelo menos por enquanto.

Diogo ajuda a manejar a câmera: jovem da Vila Cruzeiro estuda em três cursos diferentes
“Tem banheiro lá?”
No fim do ano passado, Diogo e Mayra foram à Holanda com Patrícia e mais 13 jovens do grupo F.A.V.E.L.A. Lá, apresentaram a peça Favela Força, que até hoje busca patrocínio para se apresentar no Brasil. Os atores e diretores tentam um horário no Teatro João Caetano, de administração do município. Mas na Holanda, os aplausos foram incontáveis, apesar de algumas situações inusitadas.
- O nome do grupo na verdade era Não Sou Maluco. Mas lá aconselharam que fosse mudado, já que nós holandeses temos dificuldades em pronunciar "Não sou maluco" – explica Patrícia.
- O mais engraçado foi a pergunta feita por uma diretora de teatro na Bélgica: "Lá tem banheiro?" – diverte-se Diogo.
Em abril de 2008, nova ocupação de duas semanas na favela, 18 pessoas são mortas, a bandeira do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a tropa de elite da PM do Rio, é hasteada na comunidade. Um símbolo do Estado – ou, pelo menos, da forma com que ele entra na favela. A esta altura, o filme estava em sua fase de montagem e edição. Os meninos tiveram de sair da favela e participar da montagem na casa de Patrícia, em Botafogo – ou seja, no outro Rio de Janeiro. Na verdade, no Rio que mais aparece ao longo de uma hora - apesar de cenas chocantes como o muro com a inscrição "Morador: se tiver guerra, não saia de casa, assinado CV" e o susto filmado sem querer no momento de um tiro.
- Quis que os meninos aparecessem em suas vidas normais, mesmo que houvesse cenas com medo e tensão. É preciso que os que moram fora acompanhem a vida deles e notem que eles tentam viver de forma honesta, vencer de forma honesta – diz Patrícia.
Nessa época, já estava com eles o documentarista Gustavo Gelmini, que co-produziu recentemente o americano They Killed Sister Dorothy, do diretor Daniel Junge, vencedor do Festival South by Southwest. O filme é sobre a morte da freira Dorothy Stang e tem narração de Martin Sheen. Este ano, Cruzeiro já participou de um festival de documentários em Londres e de outro no Qatar – este, o 5º Festival Internacional de Documentários da Rede Al-Jazeera. O sucesso foi muito grande e provavelmente “Cruzeiro” vai passar em todo o mundo árabe. Além disso, a grande e boa novidade é que Mayra, depois de receber o prêmio de Tutu, começou a fazer flashes para a BBC de Londres sobre a convivência de crianças em meio a tiroteios entre traficantes armados e policiais.
Daí para a frente, quais seriam os planos, para quem já deu a volta ao mundo? Voltar para a Holanda?
- Não me pergunte –diz, sorrindo, "Pat, a mais carioca das holandesas", como está em sua comunidade no Orkut, criada por Mayra, que ainda criou a comunidade do filme.
O trailer de "Cruzeiro" já está no YouTube - posto dois deles acima - e pode ser visto com as palavras-chave "Documentary Vila Cruzeiro Teaser Espaço IBISS Favela". Contatos com a equipe podem ser feitos no site do filme: http://www.faveladocumentary.com/
10.12.08
Lições de democracia em um joguinho viciante e genial
Andei sumido, é bem verdade, daqui do Eclipse. Marcele ainda tem uma desculpa honrosa para não escrever, que é o fim de curso na faculdade, os preparativos para apresentação de monografia (é hoje! é hoje!) e tudo o mais. Quanto a mim, é trabalho e etc. Principalmente o etc. Um dos etecéteras que tomaram meu tempo diante do computador foi o sensacional joguinho viciante e alucinante chamado Oligarchy, na minha opinião a melhor aula de democracia que você pode ter hoje em dia.
No Oiligarchy você entende "como funciona" não só a democracia americana como qualquer outra mundo afora - principalmente a brasileira. Troque-se a extração de petróleo pela instalação de antenas de celulares e você terá o modelo brasileiro. É perfeito.
O jogo começa no Texas, onde você tem que "procurar" petróleo. É simples: basta ir na guia de opções lá em cima e achar o caminhão-sonda. Clicou ali, escolhe o terreno e deixa o caminhão cair, clicando só uma vez.
Se tiver petróleo, logo vem o aviso "new reservoir!". E aí, com a grana ainda curta, você instala um pequeno extrator de petróleo (small well). Mais à frente, pode até pensar em trocar pelo grande poço, no formato que o conhecemos. Mas esta é a parte mais inocente do jogo.
Evidentemente que a produção do Texas não é suficiente para abastecer todos os hábitos norte-americanos. Até porque você mesmo dá um jeito de mexer nestes hábitos, influenciando, com dinheiro, as eleições que acontecem de quatro em quatro anos.
Esta parte é o seguinte: existe o Partido do Elefante e o Partido do Burro. Os dois disputam uma corrida ("presidential run") e você vai jogando dinheiro em um e em outro. No fim, o ideal é que você tenha dado mais grana para o partido do candidato vencedor. Mas é fundamental dar dinheiro para a oposição.
O "congresso" obtido é "oiled", ou seja, comprometido com a causa do petróleo. Eles vão aprovar leis criando subúrbios para que os carros sejam mais necessários, e garantir o seu expansionismo. Depois de uns anos, eles aprovam leis anti-ambientalistas permitindo que você vá para o Alaska extrair petróleo, expulsando alces, renas, pássaros e baleias orcas "inúteis" que atravancam o progresso.
Como é óbvio que a produção do Texas e do Alaska juntos não são suficientes, você começa a buscar outros "mercados": Venezuela, Nigéria e Iraque. Para este último, ainda demora um pouco, pois você tem que financiar, por meio da CIA, os conflitos internos e enfraquecer a democracia local. Com sorte, terroristas atacam os EUA e aí você tem um motivo para invadir tudo e quebrar geral.
Exploração do solo venezuelano: Hugo Chávez e os índios não são problema para a CIA
Na Venezuela, seu problema será a população indígena. Mais uma vez a CIA entra em ação e você solicita ao presidente "oiled" uma ação do serviço secreto. Os índios somem dos protestos.

Os Ogonis, população tribal que, só porque moram há séculos no local, acham que podem impedir o progresso americano com protestos

Basta corromper o governo nigeriano para obter ajuda armada e destruir a aldeia Ogoni

Mulheres e crianças não são poupadas. Os soldados corrompidos queimam tudo

Não se esqueça que é preciso cuidar dos líderes ativistas ambientalistas, esta gentalha que briga contra o progresso

No detalhe, marcado, os três corpos pendurados: este é o destino de quem se opõe à democracia
Na Nigéria, é preciso resolver o problema dos Ogonis, população que se acha no direito de atravancar o progresso americano só porque está há centenas de anos morando em cima de preciosas reservas petrolíferas. Os Ogonis vão criando um movimento de protesto que paralisa nossos poços. Sem problemas: primeiro, subornamos o governo nigeriano e fazemos uma ação eficaz, invadindo a tribo dos Ogonis sujos, currando suas mulheres e dando coronhadas de fuzis nos homens. Malditos Ogonis!
Se eles insistirem, você paga mais ao governo nigeriano e três dos líderes são enforcados e seus corpos expostos na praça pública. Assim eles sossegam. E a democracia americana pode continuar a trazer prosperidade.

As manchetes alardeiam: "Iraque invade Kuwait"

A alternativa é, através do serviço secreto, iniciar a operação "Tempestade no Deserto" para garantir as liberdades democráticas dos sofridos povos do Iraque e do Kuwait

Os mísseis Scud têm precisão cirúrgica durante a guerra intensa

Restabelecida a liberdade de mercado, entra a Blackwater para proteger nossos poços de petróleo
No Iraque, é essencial entrar com o exército que vai garantir a liberdade de mercado e a economia livre. Só que depois de instalados os poços, adivinhe: é necessário chamar a Blackwater(repare no desenho da patinha de urso).
Se você não sabe o que é Blackwater, jogue no Google e procure a Wikipedia, já que tentei pelo menos 20 vezes linkar material aqui e não consegui. Deve haver alguma ação online que impede a propagação de links sobre a temível empresa privada que atua no Iraque e em diversos países, a pretexto de proteger diplomatas norte-americanos.
Os mercenários da Blackwater vão proteger nossos poços, assassinando estes curdos e sunitas imundos e infiéis que tentam se interpor ao desenvolvimento da economia mundial.
Claro, de quatro em quatro anos, tem que jorrar grana nas eleições. Senão, você perde acesso à Sala Secreta e não pode mais pedir favores à CIA. E, pior: logo começam a aparecer ambientalistas imundos e drogados, que, inconscientes, fazem protestos na porta da Casa Branca. Gentalha que fica defendendo índios venezuelanos, selvagens africanos e sunitas homicidas.

A corrida presidencial: o Partido do Burro contra o Partido do Elefante
A coisa vai crescendo e, à medida que as reservas petrolíferas do mundo vão acabando, o caos vai tomando conta de tudo. Logo começam saques e canibalismo. Mas você tem um último recurso: os Human Burners, usinas de produção de petróleo à base de seres humanos. "Temos que deixar os pruridos éticos de lado e investir numa alternativa viável", diz uma das manchetes de jornai.
Oiligarchy é simples de jogar e de entender. Assim como seu "primo" Burger Tycoon, é extremamente importante para o bom entendimento de como funciona a política e o que exatamente determina seus movimentos, sem exageros, ilusões ou invencionices.
O mais interessante é que o Addicting Games tem liberdade de publicar tais joguinhos sem que uma enxurrada de processos judiciais tire tudo do ar.
Pelo menos neste ponto a democracia americana é interessante. Já no modelo brasileiro, a Justiça daria ganho de causa fácil fácil aos "ofendidos".
Ah, em tempo: sim, a musiquinha de abertura do jogo é uma paródia de "Rawhide", música-tema do velho seriado de mesmo nome, citada também no filme Blues Brothers, conforme você confere nos dois vídeos abaixo:
Agora, com licença que eu preciso devastar o Alaska.
27.10.08
Como o esterco está para as flores
Vocês sabem quem ganha Bolão de Copa do Mundo na repartição? Sabem? Se me disserem que é o nerd com tabela atualizável on-line e coleção "Todas as Copas" na estante, estarão mentindo. Não, nada disso. Quem ganha bolão em Copa do Mundo é aquela secretária que não entende porra nenhuma de futebol.
Aquela mesmo, que quando o Brasil entra em campo pergunta "O Zico tá com qual camisa?" no jogo de estréia ou "Se ganhar hoje é campeão?" na segunda rodada.
No bolão, ela nem olha quais são as seleções. Itália x Romênia, Itália 1 a 0, Chile x Eslovênia, Chile ganha (ela nem sabe onde fica Eslovênia), França x Senegal, dá França. Ops. Aí não. Já deu Senegal.
Mas, enfim, ela pega o atalho. No fim, depois que você e mais quatro fanáticos do escritório se digladiaram o campeonato inteiro para ver quem conhecia mais as escalações e que esquema tático seria mais eficiente, vocês vão assistir à secretária berrando, "Uhuuuuuuuuu!". Ganhou a bolada.

Pois é a mesma sensação destes nerds que eu tenho hoje, no dia seguinte à eleição de Eduardo Paes. Eu sei mais que a secretária, numa boa. Não é pretensão. Tem muito mais a ver com o acaso de eu ter nascido em um lugar/família com um mínimo de oportunidade de boa educação e, conseqüentemente leitura. Não tem mérito. Apenas sei mais que a secretária.
A coitada não sabe que o Paes atacou o "PSDB enxertado" na chapa do Gabeira mas por trás recebia o apoio de um deputado estadual e um vereador tucano - o deputado estadual já é o primeiro escolhido para a equipe de governo. A secretária deu pulinhos de alegria, comemorando a suposta "vitória da Zona norte sobre a Zona Sul" mas não sabe que Paes é mesmo da Barra da Tijuca. A secretária vibrou, vibrou porque a cidade vai ter alinhados o presidente, o governador e o prefeito, mas não sabe que já já o PMDB começa a querer demais e a briga volta. Ou que Eduardo Paes trocou de partido umas cinco vezes e não será trabalho nenhum, por exemplo, ir para o próprio PT. Já escreveu a cartinha de desculpas para dona Marisa, né? Tá liberado.
Não adianta um candidato fazer uma campanha ética, limpa, apostando na sinceridade. Vai ganhar mesmo quem investir na ignorância. Cultivar a ignorância popular está para a nossa democracia como o esterco está para as flores. Embora às vezes, como ontem, nossa democracia não floresça.
A secretária, coitada, pensa que ganhou. Acordou hoje meio de ressaca da festinha. Bolão, agora, só daqui a dois anos. É aí que o Brasil vai chamá-la de novo para decidir alguma coisa.
Enquanto os dois anos não passam, ela vai lá, matando o tempo, fazendo e servindo um cafezinho. Com adoçante, por favor.
21.10.08
Obrigado, Falcão!
Falcão é o cara. Depois de dar uma porrada num adversário por trás, sair correndo para o meio de torcedores e seguranças, e depois de tudo ainda negar em rede mundial que tenha agredido para dois dias depois pedir desculpas pela agressão, Falcão, ídolo maior do Futsal brasileiro vai e....
....aparece na propaganda eleitoral gratuita de Eduardo Paes!
Melhor que isso só se o Eurico Miranda voltar "nos braços do povo" para o Vasco...







