9.02.09
Cinco restaurantes no Rio para que o Valentine's Day se eternize (pelo menos o nosso aqui)
No post de baixo falei da Tratoria, em Copacabana, como um dos nossos "cinco restaurantes" preferidos. A quantidade é essa mesma: cinco. E vou dizer que eu e Marcele já estamos tão afinados - são os sete anos de namoro chegando em julho! - que alinhamos nossos cinco restaurantes preferidos (abertos no momento, claro). E recomendamos cada um deles aos casais de boa vontade.

1- Empório Santa Fé - O nosso campeão. É o mais caro da lista e o mais caro ao qual já fomos mais de uma vez. Já jantamos no Imbuhy, em Teresópolis, no Vernissage, em Penedo e no restaurante do Solar Imperial, em Petrópolis - os três são igualmente caros. Mas o Empório além de caro tem um astral inigualável. É um salão pequeno que se torna grande, com ótima distância entre as mesas (FUNDAMENTAL), ar-condicionado (CRITÉRIO DE DESEMPATE) e um couvert espetacular à base de foie gras. Recomendo lá o steak au poivre e os mignonettes ao vinagrete. Espero que em 2012, quando eu estiver recuperado financeiramente do último jantar, eu possa levar a Marcele lá de novo.
2- Trattoria - localizada ali na Rua Fernando Mendes, em Copacabana (em frente ao antigo cinema Ricamar, hoje Sala Baden Powell, onde a Nossa Senhora faz curva), a Tratoria é uma casa simpática, de comida inigualável. O spaghetti da Tratoria está acima de discussão, assim como a lasanha à bolonhesa. A entrada, com pão de alho, e a saída (epa), com torta alemã, são inimitáveis. Apresentei à Marcele e ela nunca mais conseguiu deixar de ir.
3- Eccelenza Pizzaria - Na verdade, começamos a frequentar quando era Stravaganze. Depois, os sócios se separaram, e a Stravaganze foi lá para a Lagoa, funcionar num endereço colunável. Deixamos de gostar. Virou vitrine da revista Caras. Ficamos com a Eccelenza e até hoje podemos dizer que é nossa pizza campeã. Dica: peça para ficar no segundo andar e junto da janela, embaixo do ar-condicionado. Peça um vinho. Você vai esquecer que está no Rio.
Foda é o bafo de calor em Botafogo na hora de ir embora.

4- Joe & Leo's - Eu normalmente não colocaria este restaurante mauricinho por aqui, mas o fato é que o Joe & Leo's do Plaza Shopping tem significado enorme para este casal. Já fomos dezenas de vezes comer aquele sanduíche de preço incompatível com a nova ordem mundial. Foi lá que passamos a primeira noite de casados depois do casamento - acredite! A história é longa e envolve um adiamento de viagem para lua-de-mel (partimos na segunda-feira de manhã em vez de ir domingo). No Joe & Leo's, Marcele escolhe rigorosamente a mesma coisa: o sanduíche Delmonico's. Eu parei de comer e tenho atacado as frozens.

5- La Fiorentina - Para se ter uma idéia de como a Fiorentina do Leme está ligada a nós, uma noite dessas eu estava de porre e comprei até o livro da Fiorentina (por sinal, muito legal). Fechada no fim dos anos 80, reabriu com força e até hoje mantém os leões (estátuas) rugindo lá no Leme. Hoje em dia, além dos leões, ainda tem a estátua de Ari Barroso, de óculos, como se fosse um cacoete enquanto decide entre o chope gelado e o vinho. Lá, Marcele adora as entradas, principalmente o "Couvert Buza Ferraz" (lá os pratos têm nomes de celebridades) que tem um pãozinho com sal grosso muito agradável ao paladar.
E dá para dividir o spaghetti. Tem coisa melhor e mais romântica do que dividir spaghetti?
Feliz Valentine's day para vocês, mesmo para quem não tem (ainda) com quem comemorar.
25.10.08
O Dia do Macarrão
Este fim de semana o Eclipse está de folga. Afinal, hoje é sábado e, pelo que li ontem, é Dia do Macarrão. Já existe o Dia da Pizza, que é em julho, e agora me dizem que no dia 25 de outubro é o Dia do Espaguete. Então tudo bem, comemoraremos.

Duvido que exista o Dia da Alface, Dia da Salada, Dia da Sibutramina, Dia da Coca Light ou Dia do Franguinho Grelhado.
Parabéns, macarrões de todo o mundo. Aposto como se eles pudessem me pedir um presente, pediriam:
- Prende a Marcele em casa, só hoje!
Infelizmente não vou atender. Já estamos saindo para o almoço, no simpático horário das 17h de sábado...
6.05.08
Macarrão à moda Eclipse (com um toque de Obina)
Um dos segredos da boa dieta é de vez em quando quebrá-la. Qualquer gordo iniciante (vá lá o que seja isso) sabe que em meio ao jejum e à profusão de folhas verdes e barrinhas de cereal sem açúcar, é preciso picanhar ou pizzar. Rompe-se a vida de faquir com a mais gordurosa e crocante das picanhas ou mesmo com aquela lasanha de restaurante em que a dita vem dentro de uma panelinha com alças, quente à vera.
No meu caso e no da Marcele, mesmo tomando sibutramina, costumamos romper a dieta com o spaghetti à Eclipse (nome recém-inventado). Trata-se do velho e bom macarrão com creme de leite, mas não exatamente um carbonara – não leva ovos na receita.
Antes de ver os vídeos abaixo, pode anotar: 0,60 pacote de macarrão, dois pacotes de 50g de queijo parmesão ralado Faixa Azul, duas caixinhas de creme de leite, um tablete de caldo de carne (Maggi ou Knorr), lingüiça cozida e frita depois, gorgonzola e manteiga. O gorgonzola e o manteiga são misturados na proporção de um gorgonzola para 1,5 manteiga até formar uma pasta homogênea que será misturada ao macarrão dentro da frigideira (calma, o danado não é frito).
Esta receita tem dois resultados finais: o gourmet engorda uns cinco quilos e dorme por 10 horas em seguida, tal e qual uma jibóia depois de saborear um bezerro.
Aliás, neste caso, um delicioso bezerro. Pena que faltou o gorgonzola. Mas o resto do bezerro estava bom demais.
Fiquem aí com os vídeos sobre a preparação da iguaria.
E este é um vídeo bônus, só para os rubro-negros:
7.10.07
O Spa: cinco dias para um casal mudar de vida - Fim da saga
5º Dia – One apple a day/Keeps the doctor away
Sábado é geralmente o dia das frutas. É tudo o que se come no Spa Maria Bonita. Sendo que no almoço ainda tem sopa de fruta – deliciosa, que derramei na salada de frutas para dar uma temperada. De que era a sopa? Ouvi dizer que havia caqui e mais alguma coisa. Algum OCNI. O dia começa com algum suco – a esta altura do campeonato, engulo os sucos com tanta avidez que já não sei de que são feitos. Fazemos uma caminhada “até a pedreira”. Fiquei sem saber se o Leandro falava de um local ou de um estado de espírito. Mas era a pedreira sim, onde havia caminhões extraindo minérios.
- Legal esse caminho, Leandro. Na ida, só descida. Na volta, só subida – reclama Carol.

Não tem jeito. Ali estamos em uma guarnição, como eu disse, comandada pelo major Leandro e pela capitão Marise. Esta ainda participa da última aula de hidroginástica da semana. Que termina com uma corrida dentro da piscina, corrida mesmo, a pé, nada de natação. A esta altura estou com o braço direito meio fora do lugar devido aos alongamentos que há séculos não eram feitos.

O café da manhã havia levado todos os spazianos às lágrimas, depois da caminhada: meio mamão cercado por meios morangos e meias maçãs. Um banquete digno de A Comilança. Sra. M. deixa cair um pedaço de maçã no chão, ao fazer um movimento mais brusco dentro do prato. Esboça lágrimas.
- Lava! Lava! Lava que tá novo! – grita Teresinha.
Fingi que não vi a Sra. M. lavando o pedaço de maçã. Na fome, vale tudo.
No almoço, mais frutas, com a sopa, e no lanche, a grande surpresa: um banana split! Carol manda trocar os sorvetes de caqui e mamão que vêm ao lado do de banana.
- Os meus sabores: banana, banana e banana.
Devoro o banana split com uma avidez comparada à do Obelix com seus javalis na Armórica. E dentro da piscina, onde conversava sobre churrascarias com Pedro, o chef e um dos grandes personagens do spa, candidato a ser parte do cast de figuraças que compõem o corpo de funcionários. Em dado momento, quando conseguimos falar sobre saladas, pergunto a Pedro:
- E aqueles molhos de saladas que vendem nos supermercados? Prestam?
Ele pára, pensativo. Faz um bico, coça a cabeça protegida por touca dentro da piscina e vaticina:
- Olha, sem dúvida, são maravilhosos. Deliciosos. Mas não valem a pena. Têm glutamato, são industrializados, atrapalham a digestão.
Pedro é bem gordo, e assumidíssimo. Fala sobre suas experiências em restaurantes japoneses.
- Gosto muito. Peço sempre com os amigos aquele barco de sushi. Mas, por exemplo, se eu for com mais três amigos, fica esquisito, pois o barco tem 60 sushis e eu como muito mais que 15 sushis quando vou a um restaurante japonês.
No spa, Pedro repetiu várias vezes os pratos de broto. Com a expressão de prazer de quem devorava uma picanha. Disposto a abraçar uma alimentação saudável, Pedro consegue convencer os spazianos exatamente por admitir que as comidas-porcarias são deliciosas.
- O importante é você mudar a alimentação – preconiza o gordo (por enquanto) chef. Na minha opinião, um âncora em potencial para um bom programa de culinária saudável. Um talento não aproveitado (ainda).

À noite, formatura. Sim, ganhamos um diploma. Com o texto “O Spa Maria Bonita confere a você, xxxx, o título de spaziano e lhe dá parabéns por ter sobrevivido à semana do spa de xx a xx sem morder ninguém nem subir pelas paredes”. Quem assina o diploma é Cândida Fernandes, espécie de recreadora/relações-públicas e terapeuta do spa. Cândida promove a cerimônia, instiga todos a se abraçarem, manda que todos escrevam num papelzinho os dois maus hábitos que cada um tinha antes de vir ao spa. E manda que cada um jogue seu papelzinho em uma fogueira. No som, ao fim da cerimônia, “É preciso saber viver”. Renata Maria e Carol se abraçam e choram. Os problemas que trouxeram cada um ao spa afloram, a afetividade domina o ambiente. Renata Maria, de Belo Horizonte, e Joana, do Rio, que não se conheciam, fizeram uma sólida amizade por terem dividido um dos quartos. As duas choram. Todos trocam emails e prometem novo encontro – pelo menos a maioria carioca. Onde seria o encontro?
- Ah, no Lamas! – diz Rita.
- Lá tem salada? – pergunta a Sra. M.
Estamos curados, definitivamente.

APÊNDICE DA SÉRIE:
O Higienismo
O sistema alimentar que mudou as minhas medidas em cinco dias nasceu no século 19 nos EUA como a natural hygiene criada pelo médico Herbert M. Shelton, morto em 1985. Shelton desenvolveu a metodologia analisando processos físicos e químicos que regem o corpo humano. Ao longo do século 20, foram se desenvolvendo princípios que hoje se resumem a cinco: 1º - Comer 70% dos alimentos crus, 2º - Não comer nunca em excesso, 3º- Evitar alimentos que geram toxinas, 4º- Combinar alimentos corretamente, 5º - Respeitar as etapas e horários da digestão.
Por estes princípios se entendem algumas das determinações do spa, como por exemplo não misturar frutas com nada que não seja fruta ou não dar água ou qualquer outro líquido junto com as refeições. O empresário e professor de Educação Física Tadeu Viscardi, sócio do spa com a atriz Tânia Alves, é adepto há anos da filosofia higienista. Tadeu vê com temor tudo o que a indústria alimentícia e a propaganda empurram para a população como sendo benefício.
- Até mesmo os governos, quando falam que vão “distribuir milhões de litros de leite”. Muito mais saudável distribuir frutas, banana, mamão....
As filas em hospitais, para Tadeu, são resultado dessa absoluta falta de informação e de acesso a alimento saudável pela massa (epa).
- Você vê um operário comendo, por exemplo, a média de pão e manteiga. Café, um pão francês desses cheios de química e margarina. É caloria vazia, sem nutriente algum. Daí a alguns anos, esse operário vai lá lotar a fila do INSS.
Para Tadeu, ex-campeão de remo, os médicos estão desabituados a trabalhar com a alimentação como forma de cura.
- Há anos não vou a um consultório médico e nem tomo remédios. Mas os médicos são treinados de forma a reagirem sempre do mesmo jeito. Vamos em breve fazer uma semana de recuperação e desintoxicação do fígado aqui no spa que não vemos em nenhum consultório de médico convencional, por exemplo.
6.10.07
O Spa: cinco dias para um casal mudar de vida - quarto dia
4º Dia – Prêmios e provas
Já sinto os efeitos da dieta e dos exercícios. O fato de não ter leite parece potencializar os trabalhos, já que a digestão é muito rápida e as fibras da alimentação “carregam” as toxinas para fora, tal e qual segurança de boate em meio a briga de gangue. O quarto dia no spa, depois de um dia de cru e outro de líquidos, é de premiação. Para todos os spazianos, gordinhos ou não, é quase uma festa. Até para Lígia, estudante de Letras que, magérrima, foi ao spa apenas para desintoxicar e diminuir o estresse.

Ao notar que o lanche da tarde era um meio-sanduíche com recheio de tomate e alface – mais nada – reagiu como um netinho ao ser comunicado pela vovó de que há sorvete na geladeira: aos pulos. Eu, como sempre, senti a falta do hambúrguer colocado entre o pão e a dupla alface-tomate. Mas comi, como já havia comido, no almoço, o excelente quibe sem carne. Apenas abóbora, triguilho e condimentos formam o prato delicioso, que ainda tem uma cobertura de tahine bem ralo para enfeitar.

Nos últimos dias, o grupo não fica tão junto, a não ser nas palestras. A nutricionista, Jaqueline, dá duas delas, em uma das quais discorre sobre os vilões da alimentação. Em poucas palavras, quase tudo.
- Leite, café, refrigerantes, carne, margarina, manteiga....
Eu peço aparte, sobre a manteiga, pergunto como substituir. Ela fala do ghee (pronuncia-se gui), manteiga clorificada usada pelos naturebas, vendida a peso de ouro em embalagens pequeninas. O sabor é realmente melhor, o aroma é forte. Mas aí esqueço onde estou e emendo a pergunta:
- Me diga, se eu quiser fritar um ovo com ghee?
Jaqueline quase ri, mas contém a gargalhada com um sorriso e diz, com bom humor:
- Olha, na verdade eu não deveria nem responder essa pergunta....Quando eu não estiver olhando, você até pode fritar, embora essa palavra não faça parte do meu vocabulário. Mas o ideal é fazer o ovo pochê – ela me recomenda. Por segundos, me esqueci que o higienismo abole completamente do vocabulário a palavra fritura, já que o processo gera toxinas cancerígenas para o organismo. O restante da palestra segue animado, dá até fome quando falamos em gergelim. “Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola picles e um pão com gergelim”, canta o palhaço dentro da minha cabeça.

A sexta-feira foi o dia do geo-cashing, atividade, como todas as outras, opcional, mas que nesse caso precisa de pelo menos seis pessoas para ter graça. No caso, jogamos em oito, o time dos jovens, no qual me incluí sorrateiramente, e o time dos idosos. No dos jovens, eu, Sra. M, Carol e Lígia. No dos idosos, Francis (que chegou na véspera e tem mais ou menos a minha idade, uns 40), Rita, Teresinha e Bárbara, professora da UFF. Na primeira prova, que era caminhada estilo Acorrentados (amarrados pelo equipamento de escalada e arvorismo), os idosos deram couro nos mais novos: oito minutos de vantagem. Além de andar, as equipes deveriam pegar bandeiras.

A prova seguinte era de escalada do muro vertical. Me aprontei para tal, mas logo de cara era preciso colocar o pé direito a uma altura em que o meu pé direito já não vai mais desde que eu tinha LP em vez de CD. Fui substituído por Lígia, que subiu como uma aranha e ganhou a prova para os jovens incautos, já que Francis acabou subindo mas desistindo no meio do caminho.

A terceira prova deveria ser feita por dois de cada equipe – passar em pontes de corda e tocos do arvorismo. Uma mais fácil, a outra mais difícil. Eu e a sra. M. fomos escolhidos, por cavalheirismo peguei a ponte feita de tocos bambos, uma obra que teria selo de aprovação do Indiana Jones. Passei com louvor na prova, vencemos, e eu decidi que no dia seguinte eu ficaria na piscina de água quente enquanto estivesse acontecendo a atividade Arvorismo.

Enquanto eu pensava isso, Teresinha, já bem depois dos 60, fazia as duas pontes sem nem coçar o nariz. Mas mesmo assim ganhamos porque ela ficou tempo demais comemorando.
A quarta prova foi de Cabra-Cega no Mato. Cabra nem tão cega, já que podíamos orientar o “cego” a achar a bandeira escondida.
- Carol tem um GPS embutido na cabeça – disse a Sra. M. quando ganhamos a prova e o geo-cashing. Só não consegui descobrir a razão do nome da brincadeira, mas tudo bem.
De qualquer maneira, não deixe de clicar no vídeo do início do post - juro que não tinha essa sensação de vitória desde que fiz um gol por baixo das pernas do goleiro, num dia de chuva, numa vitória do Nautilus em que fui o melhor em campo. Nautilus? Um time de peladas de futebol de salão que andou brilhando no Rio de Janeiro pelos idos de 1980. But that´s another fact.
Categorias: Blogosfera, Comportamento, Cotidiano, Culinária, Relacionamentos, Saúde


