15.10.09
Beleza e desespero: a abertura de "ANTICRISTO"
Se você me perguntar se Anticristo é um bom filme, ou se você deve ir vê-lo, eu não poderei te responder nada. Mas talvez eu te diga:
- São cinco minutos iniciais extraordinários.
Sou dos partidários de que Anticristo é um filme fortíssimo, caricato em alguns momentos, mas que "gruda" em seu cérebro por meses. Lars Von Trier, com esse filme, mostra que fazer cinema é antes de tudo conseguir que o espectador se sinta dentro de um sonho (ou, no caso, pesadelo) do qual é possível acordar (ou seja, sair) antes das coisas ficarem pior.
Eu, por exemplo, quando sonho que estou numa fila de condenados à execução em um paredón, só acordo quando recebo a minha bala na cabeça. Passo o horror de ver todos meus companheiros de luta (ou de festa, vá saber se eu não era um ditador do Cone Sur antes de estar ali) perecerem até a minha vez de ter os miolos explodidos por dez carabinas.
Com Lars Von Trier você pode simplesmente se levantar e sair do cinema.
Eu fiquei.
O vídeo acima é sobre a parte que explica tudo o mais que vem a seguir. Os padrões são completamente diferentes do restante - nesta abertura fantástica, Lars Von Trier usa o recurso da câmera lenta, do Preto & Branco com tons azuis e ainda por cima com a ária Lascia ch´io pianga, da primeira ópera de Haendel, "Rinaldo".
Pequeno parêntese: não conheço Haendel direito, até o filme de Trier, "Rinaldo" para mim era nome de atacante nordestino que joga no Sudeste.
Voltando a Trier, não pretendo aqui fazer uma resenha do filme. Admito que, no final do filme, nas cenas finais MESMO, aconteceram coisas que até agora não entendi. Mas no cômputo geral, a frase que parece definir vem de She (os personagens são He, William Dafoe, e She, Charlotte Gainsbourg): "A natureza é a igreja de Satã".
Lars Von Trier não é cinema para apenas pensar. É cinema para sentir, e também para algo que mistura as duas coisas sem ser a inteligência emocional dos best-sellers.
Claro que há momentos no filme que são contraditoriamente "bobos". Mas acho que até estes momentos ajudam a quebrar o raciocínio durante o filme. O telespectador é obriga a mudar o eixo. Tem que sair do eixo racional e ir voltando aos poucos. Tem que "sonhar". De repente, é puxado para a superfície de novo. E assim por diante.
Aguarda-se a visão do horror, do inferno, das vísceras, mas nada disso vem. Vem a sutileza, a cena de muito escuro com muito claro no meio, a selva fechada, a solidão de quem atravessa uma ponte, a solidão de quem está sonhando e não pode pedir ajuda ao ser amado.
Anticristo é um filmaço. Não culpo quem não gostou. Não acho que seja um filme obrigatório, reconheço que tem gente que não precisa passar por isso, e tem gente que nem deve passar por isso. Não se deve dar uma medalha para quem viu e gostou, e nem mesmo desancar quem não gosta.
Digamos que Anticristo seja uma droga que ainda não está ilícita.
Mas um dia ficar ilícita, é porque uma forma de cinema muito bacana terá deixado de existir, esse cinema da fuga.
**********************
Ah, em tempo: tentei criar um botãozinho aqui do lado, mas como sou muito tosco para mexer em template, vai aqui mesmo - o link para a comunidade do Eclipse na Internet:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=34882884
Ainda não tem atividade nenhuma, mas é bom para recebermos reclamações ou até elogios. Fica a dica.
A caixinha da sorte grande e do azar alheio

Ainda sem estreia prevista no Brasil, "The Box" é um filme com Cameron Diaz de protagonista. Quando isso acontece, a menos que o Ben Stiller esteja por perto, o resultado é sem graça. Mas como o diretor é o mesmo Richard Kelly que, além de dirigir ainda escreveu o roteiro de um filme chamado Donnie Darko (que me foi muito recomendado), fiquei curioso.
Os dilemas éticos são atraentes, cativantes, interessam ao ser humano, exploram os limites da alma do mesmo jeito que ficar perdido na selva explora os do corpo. Em Batman Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, a discussão ética é sobre qual barcaça seria explodida primeiro: uma carregando os ditos "cidadãos de bem" e a outra presidiários.
Em "The Box", já se sabe: um cara estranho (vivido pelo genial Frank Langella, o Nixon de Frost/Nixon) chega à casa de Cameron e seu marido, vivido por James Marsden. Ele abre uma caixa com um botão, e avisa que se eles apertarem o mesmo, ganham um milhão de dólares (eles, claro, estão meio que precisando de grana). Só que, em contrapartida, uma pessoa - que eles não fazem ideia de quem seja - morre em outro lugar.
Claro, o primeiro pensamento dos dois provavelmente foi: "Caramba, será que vai ser a minha mãe? Vou ganhar um milhão de dólares para matarem minha mãe?". A regra do jogo é que vale morrer qualquer pessoa mesmo.
Vou esperar ansiosamente esse "The Box", que deve pintar ainda neste semestre. Enquanto isso, divirta-se com a sátira genial abaixo.
1.10.09
Falando de política
O que? Nesta casa limpinha aqui eu iria falar de política? A Marcele me mata! Coloquei o título apenas como "teaser" para lembrar que comecei a fazer uma humilde coluna sobre Política, hospedada no site Quero Notícia. É só clicar aí e procurar CALÇADÃO DO PLENÁRIO. É uma coluna-blog.
Comentem. Xinguem. Se acharem conveniente, deêm um apoio à causa!
23.09.09
Eu não acredito em doutor Jajá!
Vamos começar logo essa campanha? Na boa, não pode ter acontecido essa palestra abaixo. Principalmente com o final "OLHA, VOU CONFERIR". Não pode. Alguém confirme que é montagem!!!!
"A mão é lisa, o pé é liso..."
16.09.09
Sons para o sono
Ao conhecer este site me lembrei logo da Marcele. E de uma outra característica que nos torna meio "Feitiço de Áquila": enquanto eu gosto de ter o mais absoluto silêncio para dormir (minto: preciso do ventilador ou de um ar-condicionado), Marcele sempre dorme ao som da TV ou de ruídos urbanos.
Uma vez em Penedo, depois de umas cinco garrafas de vinho (eu e um amigo bebemos, ela não), coloquei a cabeça no travesseiro - não para dormir, mas para entrar em overdose e possível coma alcóolico. Ela estava nervosa com o silêncio absoluto do matagal, e pediu para eu não dormir logo. Por dois motivos: meu ronco a impediria de dormir e ela queria um pouco de companhia.
Eu só não conseguia explicar a ela que pedir para eu ficar acordado equivalia a dizer para um cara pendurado em um galho em cima de um abismo para "dar um tempo" por ali. Quem sabe você pede uma pizza ou um almoço para o cara pendurado no abismo comer, enquanto está pendurado!
Resultado: fiquei acordado, ela dormiu, e eu percebi de repente que não ouvia mais nenhum som. Nada. Nem viva alma. Aliás, alma talvez. Escuridão absoluta em torno do chalé de madeira. Nem mesmo uma merda de um grilo. Ou vento, ou carro passando na estrada de terra (que ficava meio longe). Nada.
Silêncio absoluto.
É, esse negócio de mato não é descanso. Da próxima vez, levaremos laptop com 3G e ligaremos nesse site aí: http://www.soundsleeping.com/vibes_small.html


