Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









5.09.09

Dividindo o Tamiflu

Anotação mental: a palavra "gripada", quando pronunciada pela Marcele, tem que ter o mesmo peso para mim que "mohammed" em um aeroporto norte-americano. Sim, reconheço que, como todo casal, temos nossos momentos de "piloto automático", ou seja, quando um fala e o outro está mais ou menos disperso. Sou capaz de reconhecer, pelo telefone, se a Marcele está realmente prestando atenção em mim ou na legenda de algum episódio de "Friends" que ela está revendo pela 29ª vez. Geralmente é em "Friends". Ela, por sua vez, sabe que eu também sou meio avoado e de vez em quando "frisa" as coisas.
- Gustavo, você ouviu, né? É para desligar o chuveiro mesmo quando você terminar o banho - diz ela. Ou coisas do tipo.
Só que nesta quinta-feira ela falou pelo telefone:
- Estou ficando gripada. Aliás, acho que já estou gripada.
Nos últimos meses, a Marcele me disse tantas vezes que estava gripada que desta vez eu não "registrei" a informação. A ficha caiu um pouco quando falei com ela mais tarde e pensei estar ouvindo uma entrevista da Kim Carnes. Mas, enfim, nem a voz rouca da Marcele, gripadíssima, ligou meu alerta.
Na manhã de sexta-feira, porém, acordei como se tivesse jantado lixa de pintor com molho de raspas de parafuso. O nariz já começava a escorrer a velha e horrenda coriza, e aquele torpor que só as gripes mais violentas pode causar começava a tomar conta de mim.
Era a gripe. Se é gripe suína, na boa, não sei. Não acredito que um porco sobrevivesse a essa experiência, por isso não acho que seja a famosa. O torresmo seria um prato tão em extinção no mundo quanto a Paella de Pássaro Dodô. Se é que foi criado este prato.
Fomos almoçar no Emporium Pax, ali no Botafogo Escada Shopping. Em uma das escadas rolantes, eu, trôpego, cambaleando, me apoiei na minha mulher e fui dar um beijo nela. Ouvi apenas o seguinte:
- Ei, peraí, não quero a gripe de volta.
Bom, almoçamos, e na descida passei na farmácia para comprar um coquetel de remédios. Notei que os antihistamínicos estão em baixa, e a moda agora é propagar que o dito remédio "não dá sono". Ora, qual a vantagem? Por que permanecer consciente durante este estado? Seria o mesmo que alguém querer ficar acordado durante uma traqueostomia. "Acho que as pessoas estão acordadas durante as traqueostomias", me diz uma voz do inconsciente.
Me resta agora torcer para a gripe passar no menor tempo possivel. Da próxima vez que Marcele disser "Estou ficando gripada", já sei que é hora do escafandro.

por Gustavo de Almeida as 20:58:23

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Nome: ingrid
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Há poucos minutos li os dois posts que escreveu sobre sibutramina e agora li esse. Vc escreve muito bem e de uma forma muito leve, dinâmica e engraçada. Deveria pensar em tornar isso profissão. Parabéns!Ah..melhoras!!rs
07.09.09 @ 23:27

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