23.09.09
Eu não acredito em doutor Jajá!
Vamos começar logo essa campanha? Na boa, não pode ter acontecido essa palestra abaixo. Principalmente com o final "OLHA, VOU CONFERIR". Não pode. Alguém confirme que é montagem!!!!
"A mão é lisa, o pé é liso..."
16.09.09
Sons para o sono
Ao conhecer este site me lembrei logo da Marcele. E de uma outra característica que nos torna meio "Feitiço de Áquila": enquanto eu gosto de ter o mais absoluto silêncio para dormir (minto: preciso do ventilador ou de um ar-condicionado), Marcele sempre dorme ao som da TV ou de ruídos urbanos.
Uma vez em Penedo, depois de umas cinco garrafas de vinho (eu e um amigo bebemos, ela não), coloquei a cabeça no travesseiro - não para dormir, mas para entrar em overdose e possível coma alcóolico. Ela estava nervosa com o silêncio absoluto do matagal, e pediu para eu não dormir logo. Por dois motivos: meu ronco a impediria de dormir e ela queria um pouco de companhia.
Eu só não conseguia explicar a ela que pedir para eu ficar acordado equivalia a dizer para um cara pendurado em um galho em cima de um abismo para "dar um tempo" por ali. Quem sabe você pede uma pizza ou um almoço para o cara pendurado no abismo comer, enquanto está pendurado!
Resultado: fiquei acordado, ela dormiu, e eu percebi de repente que não ouvia mais nenhum som. Nada. Nem viva alma. Aliás, alma talvez. Escuridão absoluta em torno do chalé de madeira. Nem mesmo uma merda de um grilo. Ou vento, ou carro passando na estrada de terra (que ficava meio longe). Nada.
Silêncio absoluto.
É, esse negócio de mato não é descanso. Da próxima vez, levaremos laptop com 3G e ligaremos nesse site aí: http://www.soundsleeping.com/vibes_small.html
14.09.09
A sombra que eu vou seguir: Adriane Salomão lança novo livro nesta terça-feira
Adriane Salomão é jornalista, daquelas de primeiro time. Domina a área de economia a tal ponto que volta e meia está prestando consultoria ou serviços de assessoria a alguma dessas teles poderosas que estão na vida de todos nós.
Mas de vez em quando Adriane - que é gente finíssima toda vida - também quer falar de outras coisas que estão na vida de todos nós e que são menos palpáveis que um N78 ou um Blackberry.
Nesta terça-feira ela lança A SOMBRA QUE ME SEGUIA, pela Editora Sete Letras, uma reunião de seus melhores contos. A marca de Adriane é o humor - quem a conhece sabe que ela tem um humor deliciosamente irônico, no melhor estilo Jerry Seinfeld ou David Sedaris.
Este é um evento que eu não quero perder.
13.09.09
O traçado do muro de pedra: 1982 é apenas uma rachadura na parede, mas como dói
Para mim, a Copa de 1982 aconteceu em um pequeno bairro praiano, com uma murada de pedra e casas baixas. Ainda baixas, naquele ano de eleições para governador, em que eu me preparava para sair da concha rumo ao segundo grau. 1982 já teve o sabor amargo do – argh – crescimento, da separação daquelesz velhos colegas. Você vai me entender: quando se tem 14 anos e se estuda com colegas que você conheceu no mínimo aos seis anos – quando não aos cinco – bem, isso significa que você vai deixar de ver aqueles amigos que te acompanharam por toda a sua vida. Toda. Praticamente toda. A dor é imensa. E eu já vivia aquilo, dia após dia com gosto de despedida, os amigos dizendo que iriam para o Colégio Dom Pedro II, outros para escolas técnicas, alguns para a carreira militar. A menina por quem eu era apaixonado, esta, iria desaparecer das minhas vistas e eu, já meio nerd sem o saber, não teria mais o pretexto – a aula – para vê-la, ouvir sua voz, sentir seu perfume. Teria que – argh 2 – pedir seu telefone, ou quem sabe – argh 3 – chamá-la para fazer alguma coisa. Mas como convidar uma garota para sair sem que ela perceba que o que queremos é beijar sua boca?

Enfim, em 1982 tudo estava ruindo. Era a oitava série. Mas havia a Copa do Mundo – a Copa do Mundo sempre torna a vida melhor. E essa aconteceria nas férias de meio do ano. E eu sentia que 1982 seria a minha primeira Copa “a sério” - claro, assistira 1974 mal e porcamente e só lembrava de um cara chamado Valdomiro. Em 1978, não vi o Brasil perder, mas também não vi ganhar. Só falávamos na marmelada entre Argentina e Peru. Mas 1982 não. Eu já estava “adulto”, já participava dos movimentos amadurecidos de pessoas recolhendo dinheiro nas ruas, fazendo pedágios clandestinos a fim de comprar tinta e em seguida pintar laranjas gigantes com rosto no meio do asfalto. Sim, 1982 havia chegado. You're a big man now.
Ver estes vídeos todos do maravilhoso filme oficial de 1982 me levou, não à Espanha, mas àquele país estranho onde eu vivia, de onde, por televisões de no máximo 20 polegadas, as pessoas viam aqueles lugares escuros, aqueles estádios escuros de Madrid, Sevilha e Barcelona. Aquelas Tvs que mostraram batalhas épicas como Alemanha x França, a agressão monumental de Schumacher, o goleiro, no francês Batiston.
Aquelas Tvs que mostraram o Sarriá. Naquela tarde.

A murada de pedra, em frente a uma casa baixa, de três andares, um apartamento por andar. Não era bem um prédio. Está lá até hoje, incólume, depois de milhares de repinturas. Os amigos que lá habitavam já estão longe. Não moram mais ali no térreo, onde eu vi Brasil x Itália. Mas os fantasmas de 1982 me levam a todo instante para aquele dia, a gente chegando, se juntando ao povo. Eu nem bebia cerveja. Nada. Só coca-cola. O povo em volta, sofás, almofadas, cadeiras, salgadinhos. Gente que eu nunca tinha visto. No bairro, assim como em todo o Rio de Janeiro, vários preparativos para a festa. Passando pelos italianos, era barbada. O Brasil das eleições para governador emergia com a arte de Éder, Zico, Júnior, Leandro, Cerezo, Sócrates e, last but never least, Falcão. A esperança emergia. 12 anos depois do Tri, veio o Tetra. A esta altura, o mundo já estava encantado.
Eu iria perder meus amigos, meus colegas, a garota que eu tinha me apaixonado. Mas ganharia a Copa. Ora essa.
A murada de pedra é adornada por outras pedras, embaixo, que protegem a estrutura toda da força milenar das águas. Conter o mar, sabemos bem, não é tarefa fácil, e exige ter a mesma paciência petrificada que as águas salgadas e que respiram com ritmo sobre qualquer coisa.
Era só atravessar a rua, e voltar para casa, em silêncio, acompanhando o contorno da murada de pedra. Andando, dava uns 400 metros até em casa. Veja bem, não aconteceu nada. Eu apenas andei. Mas, que diabos, eu não sabia naquele momento que a caminhada jamais sairia de minha memória. Talvez porque tinha sido a primeira vez em que chorei sem um motivo trivial como uma queda, uma briga ou uma perda.
Eu chorei porque estava crescendo. E chorei porque, sinceramente, não conseguia entender por que as pessoas acham positivo o sentido da palavra “crescer”. Naquele momento, eu crescia porque aprendia o que é uma grande derrota, crescia porque em breve aprenderia que a vida é 4-4-2, não, nunca a beleza do 4-3-3. Chorei uma barbaridade, porque estava sozinho e tinha sido acordado de um sonho bom.
Só ouvia o barulho dos meus passos. Nas ruas, nenhuma alma. Nas janelas, pessoas encostadas no parapeito, dando as costas para as ruas. Televisões ligadas, semblantes de torpor. Acabou.
Não me venham dizer que “é apenas um jogo”. O Sarriá foi a nossa Alésia. O porre de fossa da nação. O amadurecimento ilícito, quase penal, um eletrochoque no país esquizofrênico com um general de presidente mas eleições para governador. E gente voltando do exílio.
Atravessei a praia, via uns poucos moradores encostados em frente aos botequins, todos em silêncio.
Talvez eu tivesse “detonado” meu choro por causa do Oscar. O zagueirão, que começara a carreira ao lado de Polozzi na Ponte Preta e que depois se consagraria no São Paulo. Naquele Brasil x Itália, aos 47 do segundo tempo, o jogo já praticamente terminado, todos em pé, corações batendo a mil esperando o empate salvador, consagrador, o país inteiro preparado para um urro de alegria quando a bola estufasse a rede italiana. Escanteio. É agora. A bola desce, está lá o gigante Oscar. A cabeçada vai quase no ângulo.
Mas Dino Zoff, uma lenda que depois seria técnico da Azzurra, esticou o braço e voou. Um gigante que sobreviverá aos séculos. Caiu Zoff, abraçado à bola, sem deixar rebotes, que na linguagem da vida real é o equivalente a “dúvidas”.
A cabeçada do Oscar até hoje me faz levantar meio milímetro da cadeira. Ainda acho que a bola pode entrar, é estranho. E fica a sensação de que eu seria uma pessoa diferente da que sou hoje, se o Oscar conseguisse aquele gol.
Os anos passaram, e aquela caminhada acompanhando o traçado do muro de pedra à beira-mar continuou, através da vida. Percebi que não haveria outro 1982.
E saber que não haverá outro 1982 é o que me faz ainda chorar, acompanhando o traçado desta vida.
Todos estes pensamentos nocivos são fruto de uma noite vendo alguns (ainda não todos) destes vídeos, 10 partes do filme oficial. Divirtam-se. A narração é de Sean Connery:
9.09.09
09/09/09 - Number nine...number nine...number nine...
Eles fizeram Revolution 9, mas tenho certeza de que não foi para nenhum mortal entender; e agora, o Rock Band é lançado em um dia totalmente Number Nine. Aqui, em terras tupiniquins, um anão (Dunga) vai enfrentar o Vodoo Chile na terra dos orixás: os Beatles certamente achariam isto lisérgico.
Agora, nada, nada se compara ao maravilhoso vídeo-animação lançado para comemorar o lançamento do Rock Band:
http://www.thebeatlesrockband.com/videos/cinematic/.
Foi um prazer começar meu dia 09-09-09 assistindo a este inesquecível desenho animado!
5.09.09
Dividindo o Tamiflu

Anotação mental: a palavra "gripada", quando pronunciada pela Marcele, tem que ter o mesmo peso para mim que "mohammed" em um aeroporto norte-americano. Sim, reconheço que, como todo casal, temos nossos momentos de "piloto automático", ou seja, quando um fala e o outro está mais ou menos disperso. Sou capaz de reconhecer, pelo telefone, se a Marcele está realmente prestando atenção em mim ou na legenda de algum episódio de "Friends" que ela está revendo pela 29ª vez. Geralmente é em "Friends". Ela, por sua vez, sabe que eu também sou meio avoado e de vez em quando "frisa" as coisas.
- Gustavo, você ouviu, né? É para desligar o chuveiro mesmo quando você terminar o banho - diz ela. Ou coisas do tipo.
Só que nesta quinta-feira ela falou pelo telefone:
- Estou ficando gripada. Aliás, acho que já estou gripada.
Nos últimos meses, a Marcele me disse tantas vezes que estava gripada que desta vez eu não "registrei" a informação. A ficha caiu um pouco quando falei com ela mais tarde e pensei estar ouvindo uma entrevista da Kim Carnes. Mas, enfim, nem a voz rouca da Marcele, gripadíssima, ligou meu alerta.
Na manhã de sexta-feira, porém, acordei como se tivesse jantado lixa de pintor com molho de raspas de parafuso. O nariz já começava a escorrer a velha e horrenda coriza, e aquele torpor que só as gripes mais violentas pode causar começava a tomar conta de mim.
Era a gripe. Se é gripe suína, na boa, não sei. Não acredito que um porco sobrevivesse a essa experiência, por isso não acho que seja a famosa. O torresmo seria um prato tão em extinção no mundo quanto a Paella de Pássaro Dodô. Se é que foi criado este prato.
Fomos almoçar no Emporium Pax, ali no Botafogo Escada Shopping. Em uma das escadas rolantes, eu, trôpego, cambaleando, me apoiei na minha mulher e fui dar um beijo nela. Ouvi apenas o seguinte:
- Ei, peraí, não quero a gripe de volta.
Bom, almoçamos, e na descida passei na farmácia para comprar um coquetel de remédios. Notei que os antihistamínicos estão em baixa, e a moda agora é propagar que o dito remédio "não dá sono". Ora, qual a vantagem? Por que permanecer consciente durante este estado? Seria o mesmo que alguém querer ficar acordado durante uma traqueostomia. "Acho que as pessoas estão acordadas durante as traqueostomias", me diz uma voz do inconsciente.
Me resta agora torcer para a gripe passar no menor tempo possivel. Da próxima vez que Marcele disser "Estou ficando gripada", já sei que é hora do escafandro.



