Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









25.08.09

Parar com o pão francês, uma decisão para toda a vida

E eis que finalmente consigo emagrecer um pouco, não a ponto de recuperar calças, mas ao patamar de conseguir amarrar o cadarço dos meus sapatos sem a sensação de estar em profundezas abissais sendo sugado por um polvo enquanto o meu snorkel aponta o fim do oxigênio. O gordo usa mais mocassim por causa disso, fiquem sabendo. Finalmente uns quilos vão embora. Não diria que comecei a ver a luz no fim do túnel. Diria que o túnel está engarrafado e um daqueles caras com um rodinho que oferecem limpeza do para-brisa me vendeu um mapa no qual é informado que o túnel tem luz no fim. Algo ainda muito tênue.
O pior é saber a verdade de sempre: o pouco que emagreci se deve ao corte do pão francês no menu. Verdade impossível de ser negada. Preciso parar em definitivo com o pão francês quentinho e que derrete a manteiga ao passarmos a faca. Não sei se existiriam paliativos, quem sabe adesivos que a gente grudasse na pele e suprisse a carência do danado. Parar com o pão francês é muito difícil e exige força de vontade e disciplina. Consigo parar por três semanas, depois acabo voltando. Quando volto, decido comer três ou quatro, como se fossem feitos de cenoura ou alface.
A melhor maneira de parar com o pão francês é formar um grupo de ajuda. Você conta a sua história, eles contam a história deles, cada um escolhe um par legal, trocamos abraços e dizemos palavras de apoio. Tais como “pão integral é legal”, “mortadela pra quê?” ou “quem sabe se jogarmos fora o miolo?”.
Uma variante terrível do pão francês é a bisnaga quente de supermercado. Aquela que você compra só porque sentiu o cheiro. O sujeito sai de casa para comprar lustra-móveis e de repente adentra com uma vareta de carboidratos que espalha farelo pelos quatro cantos da casa. Normal, a cena. Mas é uma forma de sabotar o sujeito que tenta parar com o pãozinho francês. A gente come aquilo pensando que está comendo algo mais fino, com menos miolo, etc. Mas a ideologia é a mesma: ser uma delícia que engorda de forma a não valer a pena consumir. Mesmo uma foto de uma bisnaga contém mais calorias que um aipo.
Legal é que aqui em casa Marcele nunca foi fã de pão francês. Mas há dias, principalmente fins de semana, em que ela sente vontade. E como eu estou sempre indo à rua para caminhar ou mesmo comprar jornais e revistas, ela aproveita e pede: “Traz um pãozinho”. Ela ainda não fez. Mas já planejo para o próximo fim de semana, ao ouvir o pedido, começar a tremer todo, voltar com uma cara de desespero, segurar nos braços dela, apertar um pouco e dizer, balbuciando:

- Você não vê que eu estou tentando PARAR? Heim?

por Gustavo de Almeida as 01:14:32

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Comentários:


Seus comentários

Nome: Diane Carvalho
Url: http://esseblogeminhacara.blogspot.com
AHAHAHA , jamais irei parar com o pão francês :)

Amei o post , espero vocês no meu blog teen '

Diane Carvalho
Blogging Here
27.08.09 @ 11:16
ah, meu Deus...
eu tenho que parar tb. ontem, levei um ultimato da médica.
no primeiro regime que fiz, o médico cortou uma pancada de coisas, inclusive o pão francês. daí, ele liberou um hamburguer por fim de semana e na hora perguntei pra ele se podia trocar pelo pão com manteiga.
ele achou estranho, mas liberou.
e eu comia o pãozinho com manteiga como se fosse um manjar dos deuses. e pra mim, é mesmo.
01.09.09 @ 13:59

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