6.08.09
Obrigado, John Hughes
John Hughes, que partiu deste mundo nesta quinta-feira 6 de agosto, nos deu muitos filmes inúteis e sem graça nos últimos 10 ou 15 anos. Mas sua memória deve ser reverenciada sempre por ser o papa da “Comédia Tela Quente”, aquele filme que estreava na segunda-feira à noite na Globo e depois ia para a Sessão da Tarde com “uma turma do barulho aprontando mil e uma confusões”.
Claro, John Hughes era muito mais do que isso: nos fez disfarçar o choro em Planes, trains & automobiles, de 1987. Steve Martin tentava voltar para casa a tempo para o Dia de Ação de Graças americano, John Candy – que hoje sabemos que era genial – fazendo o papel de um vendedor de argolas para chuveiros que...não tinha ninguém. Esta excelente comédia, lançada aqui no Brasil com o nome “Antes só do que mal-acompanhado”, tinha esse fecho lacrimoso para dar aquela mensagem final “capriana” do bom cinema americano: a família, a família e a família. Bem disse o Roberto Da Matta há uns 20 anos: “Democracia se faz com filmes de Frank Capra”.
Devemos a Hughes os momentos inigualáveis de “Curtindo a vida adoidado” (abaixo, um trailer modificado e muito divertido), a redenção de Twist and shout, as melhores gags de Esqueceram de mim. Devemos a John Hughes o surgimento de Molly Ringwald em “Gatinhas e gatões (Sixteen Candles) , “A garota de rosa shocking” e Clube dos Cinco.
John Hughes não dirigia filmes desde “Curly Sue, a malandrinha”, preferindo apenas escrever ou produzir.
Ele captou a alma do jovem de classe média baixa americano: Martin e Candy, apesar de adultos, são dois adolescentes quando dividem a mesma cama em “Planes...”.
Neal (Martin): Del, pór que você beijou minha orelha?
Del (Candy): Por que você está segurando a minha mão?
Neal: Ué, onde está sua outra mão?
Del: Entre dois travesseiros...
Neal: NÃO SÃO TRAVESSEIROS!!!
Eles se levantam e começam a discutir resultados de...futebol! Um diálogo 100% John Hugues!
São legados inesquecíveis. Por mais que a história do cinema seja um registro em domínio de pessoas que não admitam tais tributos, milhões e milhões terão sempre cenas inesquecíveis proporcionadas por Hughes em “Curtindo a vida adoidado”. Ver, por exemplo, o Charlie Sheen fazendo uma ponta, contracenando com a Jenniffer Grey, não tem preço. Sheen é um cara preso na delegacia onde Grey, irmã de Ferris, tenta saber do paradeiro da “turma que apronta mil e uma confusões”.
Sheen: - Drogas?
Grey: - Não, obrigado, sou careta.
Sheen: - Não, eu quis dizer, “você está aqui por causa de drogas”?
Grey: - Você está aqui por quê?
Sheen: - Drogas.
Hughes, é certo, não entrará em nenhum panteão dos grandes cineastas. Mas tem lugar garantido como ídolo de pelo menos duas gerações da era da TV e do VHS. Que descanse em paz!
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Morre John Hughes!
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MUITO OBRIGADO, JOHN!!
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Ele usava da inocencia juvenil, da curiosidade e dos tabus de forma limpa e inteligente. Ele ainda eh atual, minha prima de 12 anos ama esses filmes, ela adora o ferris Bueller (fico feliz e triste por ela, essa nova geração eh tão vazia e inocua... Os filmes teen de hj em dia são um tédio de inicio ao fim cheios de nudismo e apelações!! Hollywood eh um rio afundando e nos somos os pobres coitados por morar perto do rio..)
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