25.05.09
Aqui nessa casa, 2 não fazem um 4

A coisa é sempre assim: depois de sete anos de namoro e quase quatro de casamento, começamos a conhecer de verdade aquela com quem a gente vive e que a gente ama. Aquela Marcele que fazia questão de pedir “um guaraná” ou “um suco de laranja”, aquela doce menina abstêmia ficou para trás. Agora chegou a nova versão: a Marcelinha Biriteira. E tem tudo para me derrubar, se eu for competir. A primeira coisa: um fígado pelo menos 13 anos mais novo do que o meu e que não teve nem um centésimo do tempo de “estrada” que o meu teve. Comparado com o meu, o fígado da Marcele é uma Ferrari recém-saída de Maranello.
Começou com o vinho, claro, que está sempre ocupando as prateleiras de nossa geladeira. Mas um dia aconteceu o pior: Marcele conheceu as Frozen, principalmente as do Joe & Leo's (não, não é post pago, não recebo nada do Joe & Leo's), que são realmente espetaculares. Eles criaram um extraordinário drinque à base de Bailey's e sorvete de chocolate, tudo muito bem batido com vodka. Garanto aos senhores: é coisa para fazer defunto levantar da cova.
Outro dia, no Belmonte aqui perto de casa (idem, nada de post pago pra falar do Belmonte), rolou a seguinte cena: o garçom se aproxima, eu estou falando com alguém do lado (mesa com cinco ou quatro pessoas), a Marcele faz um pedido. Daí a três minutos vem o cara com uma garrafa de Jonnhie Walker, copo e gelo. Eu imediatamente:
- Amigo, não é daqui não.
Aí Marcele me vira e manda:
- Fui eu que pedi!
Levei uns cinco minutos para acreditar no que eu estava vendo. Até que ela me deu uma explicação meio sem pé nem cabeça: tinha pedido só para me dar um susto, mas a brincadeira deu errado porque eu não ouvi na hora. Aí ela deixou o garçom trazer a birita. Acreditei e arquivei.
Não é mole não. Chega a segunda-feira (hoje), casal vai ao supermercado fazer compras. Principalmente lâmpadas, já que TODAS aqui em casa resolveram queimar ao mesmo tempo (e nenhum dos moradores teve saco para pegar uma escada e trocar nenhuma – até porque não havia).

Passamos em frente aos vinhos, vejo um Terrazas bom por 25 pratas e um Bordeaux daqueles populares por 19. Pego os dois. Marcele olha as garrafas de destilados.
- O Amarulla está em promoção.
- Ah, vai. Não gostamos tanto assim de Amarulla.
- É, mas se tivesse Bailey's, poderíamos comprar sorvete e tentar fazer aquela frozen do Joe & Leo's.
- A deles tem vodka, não se esqueça. Nem sei se tem Amarulla's.
Breve pausa. Olho para a direita, bem ao lado do Amarulla.
- Olha o Bailey's ali.
Os olhos dela brilham. Ela pergunta pela vodka, e eu já digo sem hesitar. Tipo refém com medo da arma disparar. Pegamos a vodka, o Bailey's e o sorvete. Segunda-feira vai ter frozen na casa do Gustavo e da Marcele.
Não para mim, afinal, estou tomando ortomolecular. Mas o barulhinho da colher fazendo tlec-tlec dentro do copo para misturar os ingredientes tomou conta dos meus ouvidos. Marcele está lá vendo Grey's Anatomy e enchendo o pote.
Se ela me bater, juro que vou na Delegacia Especializada de Atendimento ao Homem.
***

Claro que é tudo verdade, mas ao mesmo tempo é tudo brincadeira minha, o exagero, e tal. Marcele sempre foi abstêmia mas tem direito a um golinho de vez em quando para espairecer. Agora, que tem gente que se entende mal – ou bem demais – com a vodka, ah isso tem. Não acredita. Clica nessa notícia aqui.
****
Bom, só me resta proteger a Absolut e o Bailey's dos habituês da casa, que certamente vão aparecer para umas doses. Sem problemas, mas vamos devagar porque acaba, pô...
Posts similares:
Vamos celebrar a estupidez humana parte 2
Sete dias imaginários longe da Marcele
O dentista tarado e o proctologista de Manaus
Comentários:
Seus comentários
Url:
Obs: Haverá biscoito sem gluten! Fica tranquilo
Url: http://www.interney.net/blogs/eclipse
Cabelada, aqui em casa tem chá. Aquele, famoso.
Url:
Url:
Seus comentários::


