30.05.09
Marcelo Nobreza. Perdão: Nóbrega.
25.05.09
Aqui nessa casa, 2 não fazem um 4

A coisa é sempre assim: depois de sete anos de namoro e quase quatro de casamento, começamos a conhecer de verdade aquela com quem a gente vive e que a gente ama. Aquela Marcele que fazia questão de pedir “um guaraná” ou “um suco de laranja”, aquela doce menina abstêmia ficou para trás. Agora chegou a nova versão: a Marcelinha Biriteira. E tem tudo para me derrubar, se eu for competir. A primeira coisa: um fígado pelo menos 13 anos mais novo do que o meu e que não teve nem um centésimo do tempo de “estrada” que o meu teve. Comparado com o meu, o fígado da Marcele é uma Ferrari recém-saída de Maranello.
Começou com o vinho, claro, que está sempre ocupando as prateleiras de nossa geladeira. Mas um dia aconteceu o pior: Marcele conheceu as Frozen, principalmente as do Joe & Leo's (não, não é post pago, não recebo nada do Joe & Leo's), que são realmente espetaculares. Eles criaram um extraordinário drinque à base de Bailey's e sorvete de chocolate, tudo muito bem batido com vodka. Garanto aos senhores: é coisa para fazer defunto levantar da cova.
Outro dia, no Belmonte aqui perto de casa (idem, nada de post pago pra falar do Belmonte), rolou a seguinte cena: o garçom se aproxima, eu estou falando com alguém do lado (mesa com cinco ou quatro pessoas), a Marcele faz um pedido. Daí a três minutos vem o cara com uma garrafa de Jonnhie Walker, copo e gelo. Eu imediatamente:
- Amigo, não é daqui não.
Aí Marcele me vira e manda:
- Fui eu que pedi!
Levei uns cinco minutos para acreditar no que eu estava vendo. Até que ela me deu uma explicação meio sem pé nem cabeça: tinha pedido só para me dar um susto, mas a brincadeira deu errado porque eu não ouvi na hora. Aí ela deixou o garçom trazer a birita. Acreditei e arquivei.
Não é mole não. Chega a segunda-feira (hoje), casal vai ao supermercado fazer compras. Principalmente lâmpadas, já que TODAS aqui em casa resolveram queimar ao mesmo tempo (e nenhum dos moradores teve saco para pegar uma escada e trocar nenhuma – até porque não havia).

Passamos em frente aos vinhos, vejo um Terrazas bom por 25 pratas e um Bordeaux daqueles populares por 19. Pego os dois. Marcele olha as garrafas de destilados.
- O Amarulla está em promoção.
- Ah, vai. Não gostamos tanto assim de Amarulla.
- É, mas se tivesse Bailey's, poderíamos comprar sorvete e tentar fazer aquela frozen do Joe & Leo's.
- A deles tem vodka, não se esqueça. Nem sei se tem Amarulla's.
Breve pausa. Olho para a direita, bem ao lado do Amarulla.
- Olha o Bailey's ali.
Os olhos dela brilham. Ela pergunta pela vodka, e eu já digo sem hesitar. Tipo refém com medo da arma disparar. Pegamos a vodka, o Bailey's e o sorvete. Segunda-feira vai ter frozen na casa do Gustavo e da Marcele.
Não para mim, afinal, estou tomando ortomolecular. Mas o barulhinho da colher fazendo tlec-tlec dentro do copo para misturar os ingredientes tomou conta dos meus ouvidos. Marcele está lá vendo Grey's Anatomy e enchendo o pote.
Se ela me bater, juro que vou na Delegacia Especializada de Atendimento ao Homem.
***

Claro que é tudo verdade, mas ao mesmo tempo é tudo brincadeira minha, o exagero, e tal. Marcele sempre foi abstêmia mas tem direito a um golinho de vez em quando para espairecer. Agora, que tem gente que se entende mal – ou bem demais – com a vodka, ah isso tem. Não acredita. Clica nessa notícia aqui.
****
Bom, só me resta proteger a Absolut e o Bailey's dos habituês da casa, que certamente vão aparecer para umas doses. Sem problemas, mas vamos devagar porque acaba, pô...
21.05.09
Os fuxicos da Josephina
Se eu não postasse logo este link aqui, acho que seria até expulso de casa. Afinal, a Embaixada da Paula Clarice na Região Sudeste (leia-se Marcele) era capaz de me processar! Mas brincadeiras à parte, este é um link de um blog sobre amor, amor entre mãe e filha: http://josephinafazfuxico.blogspot.com/. Neste novíssimo blog, a Paula e a mãe dela vão mostrar com quantos pontos de costura se faz um patchwork e outras coisas mais.
Em tempo: "fuxico" na Região Sul, pelo que entendi, é alguma peça de artesanato, e não "fofoca", como dizemos aqui no Sudeste.
19.05.09
Press the buttom para o mundo de Beto Carrero
Sou obrigado a reconhecer que é preciso grande carga de bobeira no organismo para o sujeito achar graça nisso que o Cristiano Dias postou no Twitter dele. Sem dúvida, que troço mais babaca e sem graça esse tal de Instant Beto Carrero.
E, na boa, antes do cara postar essas coisas, deveria escrever um texto explicando como é que a gente faz para largar o vício de apertar o botão toda hora.
Tenho certeza de que se alguém pedir para eu parar, fica pior.
17.05.09
Um ano esta noite
Aposto como eles pensaram que eu iria esquecer. Mas quem tem Marcele não esquece dessas coisas, minha gente. Parabéns, Paula e Mau, pelo primeiro ano de união oficializada e sacramentada. Afinal, Nelson Rodrigues já disse muito bem que a união de vocês começou 40 minutos antes do nada, tal e qual o Fla-Flu.
E, como no Fla-Flu, nós ganhamos.
Vila Cruzeiro, a favela carioca que está conquistando o mundo

O dia está ensolarado em Botafogo, Zona Sul do Rio, no Bar Plebeu. Diogo Nascimento, ator nas horas vagas e construtor de estantes para sobreviver, bebe uma soda limonada. Respira. Tenta sorrir por causa da sensação boa, mas as lembranças não deixam. A jornalista holandesa Patrícia Maresch, diretora do documentário "Cruzeiro", parece perceber o desconforto. Sorri para Diogo. A mesa fica mais à vontade, e Diogo desabafa:
- Aqui na Zona Sul, até o ar é melhor.
Ator que cursa nada menos que três escolas de dramaturgia ao mesmo tempo, Diogo não gosta de falar mal da Vila Cruzeiro. A ele já basta ter de esconder dos outros cariocas que mora em uma determinada vila onde, desde o dia 2 de maio de 2007, as operações policiais foram diárias, com mais de uma centena de mortos e mais de duas centenas de feridos.
- Quem vai procurar emprego tem que escrever na ficha: "Olaria. Se escrever Vila Cruzeiro, já era. O patrão diz que o cara vai atrasar ou faltar por causa das guerras.
A frase bem que poderia estar no média-metragem (60 minutos) "Cruzeiro", resultado do projeto Favela Documentary, criado pela jornalista holandesa Patrícia Maresch. Em julho do ano passado, a Vila Cruzeiro teve seu dia de Cinema Paradiso. A exemplo do que acontece no filme de Giuseppe Tornatore, onde um vilarejo italiano vê filmes projetados em prédios no meio da praça, a favela se viu nas histórias de Diogo, Mayra Avellar, Eduardo Queiroz e Luiz Senuin, os quatro jovens que sonham com um futuro em que terão orgulho de suas próprias origens. A projeção aconteceu no campinho de futebol onde se criou o craque Adriano, hoje no Flamengo.
A favela é um fenômeno social-geográfico que tomou o Rio. A origem parece óbvia: os trabalhadores da indústria iam se acumulando perto de onde as mesmas funcionavam. Na Zona Sul não havia preços bons para quem pegava na enxada. Quando foi necessário pegar em enxada na Zona Sul, começaram a tomar algumas áreas e, pronto, o Rio virou uma favela com um pouco de cidade no meio.
Só há duas soluções a escolher, antes que a favela derrube a cidade e o caos prevaleça: a solução final, com o extermínio de todos os moradores e o início do IV Reich ou a solução pensada, com ações de segurança pública e queda dos muros que já existem entre o morro e o asfalto. Muros, inclusive, na mídia, que só vê notícia na favela quando nela há sangue. E, claro, pensar na remoção de algumas, sim, na integração dos moradores ao espaço legalizado.
“Cruzeiro” é a prova de que a queda do muro torna a coisa possível. E o muro tem de cair para os dois lados: o morador de favela tem que deixar o asfalto entrar, junto com o Estado, a polícia, a ordem urbana – o morador de favela não pode mais ter a irresponsabilidade de acreditar que o tráfico é sua emancipação. E nem acreditar que os traficantes sejam uma espécie de inevitável forma de reação à exclusão, uma guerrilha narco-marxista em defesa dos pobres. Esta é uma grande mentira.
Por outro lado, o asfalto deve deixar o favelado “descer”. Parar de excluir, de segregar, de ter medo. E deixar o favelado “descer” sem drogas. E, principalmente, sem armas. Tal e qual os quatro jovens da Vila Cruzeiro “descem” na produção da jornalita holandesa.
Esta é a história de “Cruzeiro”, um filme com quatro jovens que querem apenas ser quatro brasileiros, normais, sem tráfico e sem muros. Mas a história foi pouco contada.
Não houve sequer um órgão de imprensa que se interessasse pela história. Ofereci a matéria como frilance, ano passado a uma revista sediada em São Paulo, mas foi recusada com o argumento de que havia saído em O Dia. De fato: havia saído meia página no primeiro clichê de um domingo. E foi derrubada no segundo clichê.

Mayra recebe o prêmio das mãos do bispo sul-africano Desmond Tutu. Abaixo, a notícia na TV Holandesa
Tutu e a Vila Cruzeiro - Em dezembro, a coisa ficou mais séria: Mayra Avellar recebeu das mão do bispo sul-africano Desmond Tutu (em pessoa, como podem ver na foto abaixo) o prêmio Internacional Crianças da Paz, uma honraria que existe desde 2005 e que é concedida por uma comissão de vencedores do Prêmio Nobel. Houve um prêmio em dinheiro, mas nada que chegasse perto do Um Milhão do Big Brother Brasil – e, claro, nem um décimo da notoriedade que um sujeito ganha ao passar 60 dias sem trabalhar numa mansão com piscina. Mayra é só uma moradora de favela. Do mesmo jeito que não houve um só órgão de imprensa que deixasse de publicar a vitória dos BBBs, nenhum órgão de mídia veiculou a singular vitória de Mayra: sair de uma favela como a Vila Cruzeiro para receber um prêmio das mãos de uma personalidade internacional que é verbete na história da humanidade.
Patricia Maresch – filha de indonésios – soube da existência da Vila Cruzeiro em junho de 2002, quando o jornalista Tim Lopes foi torturado e assassinado ao tentar fazer reportagem com câmera oculta sobre as relações do tráfico de drogas com o funk. Na época, ela era editora de Notícias Internacionais do Jornal Nacional da Holanda, e se espantou muito com o fato. Os anos se passaram e, em fevereiro de 2007, pisou na Vila Cruzeiro tão famosa pela primeira vez. Se lembra até hoje da visão cativante do costado da igreja – no caso, a Igreja da Penha, um dos poucos cartões-postais famosos da Zona Norte de uma cidade que, para os turistas, só mostra o pedaço maquiado da Glória ao Leblon.
Patricia e os meninos do cast: volta ao mundo mostrando a Vila
- Nunca esqueço da igreja, da paz que senti ao entrar na favela, do jeito carinhoso com que fui recebida. Me lembro que passei alguns dias estranhando que não havia quase órgãos públicos e as coisas boas da favela, como os artistas, não eram retratadas por jornalistas. Nunca falei com um jornalista na favela. Só os vejo quando a polícia está junto. E quando a polícia está junto, a favela fica deserta. A Vila Cruzeiro que os jornalistas do Rio conhecem é deserta e tem medo – conta Patrícia, citando na verdade o trauma que a morte de Tim Lopes causou na imprensa de um modo geral. Mas, para ela, o deserto tem outro motivo, o mesmo que, aliás, causava diversas interrupções nas filmagens.
- O Caveirão (carro blindado da Polícia do Rio, que protege os policiais das balas dos traficantes) faz a favela parar. Quando entra, é um deserto só, não funciona Kombi, não passa ônibus, ninguém fica na rua.
O medo do caveirão
Ao longo de toda a ocupação da polícia, os moradores criaram códigos de sobrevivência. Telefones celulares eram constantemente usados. Patrícia, que mora provisoriamente em Botafogo, também adotou o hábito de telefonar para alguém da favela antes de ir para as filmagens.
- Se tem tiroteio, não dá nem para entrar. Uma vez lá dentro, se estivermos dentro do Espaço Ibiss, até podemos continuar. Mas não dá para ficar relaxado e gravar normalmente – diz a holandesa. O Ibiss é um espaço mantido pela ONG de mesmo nome. No ano passado, o governo do Rio destinou cerca de R$ 800 mil para a Ibiss desenvolver atividades culturais, esportivas e assistencialistas na Vila Cruzeiro. Os moradores se acostumaram a conviver com dentistas e animadores culturais conterrâneos de Patrícia.
- Estes profissionais são totalmente respeitados pelos traficantes. Ninguém os incomoda – assinala a jornalista. – Mas quando entram os caveirões, tudo pára. Sei que o carro blindado é para proteção dos policiais. Só que "proteção" é tudo o que falta para nós, que estamos do lado de fora – conta Patrícia, com a concordância de Diogo.
Patrícia, claro, não sabe das estatísticas. Não sabe que a morte de policiais durante operações passou a ser perto de zero quando há a presença do blindado. Se o blindado é usado de forma ruim, consertemos a forma ruim – mas nada de eliminar o blindado.
Nem a Globo ficou
A ausência do mundo exterior não acontece só na forma do poder público e dos jornalistas. Se não fosse o Ibiss, nada haveria de contrapartida.
- O Ibiss é onde ficava o Criança Esperança. Depois da morte do Tim, o projeto foi embora e o espaço ficou desativado – conta Diogo. Na festa de dois anos do Ibiss, ocorrida em outubro do ano passado, o rapaz, de câmera nas mãos, teve de ouvir de alguns moradores que não o conheciam:
- É para a Globo essa filmagem?

Caveirão fotografado pelos meninos na favela Vila Cruzeiro
Durante dois meses as filmagens dividiram espaço com a ocupação que a Secretaria de Segurança Pública do Rio manteve na favela, iniciada depois que dois PMs foram mortos no bairro de Oswaldo Cruz. O local da morte dos PMs era o mesmo no qual o menino João Hélio Fernandes Vieites, de seis anos, começou a ser arrastado até a morte por seis bandidos que roubaram o carro de sua mãe. A repercussão da morte dos PMs Marco Antonio Ribeiro e Marcos André Lopes – ambos soldados – foi grande e logo se concluiu que os matadores eram da Vila Cruzeiro. Em 40 dias de ocupação, já havia 17 mortos e 65 feridos. Aulas foram interrompidas e comerciantes fechavam as lojas mais cedo várias vezes por semana. Ou nem abriam.
O que assustava Patrícia era o que acontecia no restante da cidade.
- As filmagens aconteciam sob tensão. Muitas vezes acabavam porque uma pessoa da comunidade tinha sido baleada, alguém conhecido era parente, todos iam para o hospital. Eu via lágrimas, desespero, medo. Aí, voltava para Botafogo e me via em uma parte da cidade que ignorava completamente o que estava acontecendo. Parecia que não havia alguém à beira da morte em um hospital.
Pelos rádios comunicadores, os traficantes passavam informes entre si, estabelecendo o valor de R$ 2 mil pela vida de um policial.
A recusa ao fuzil
Por sorte, a vida de Eduardo Queiroz, um dos quatro jovens do filme, já havia mudado. E no ano anterior. Ex-traficante, andava com um fuzil nas mãos desde criança. Aos 19 anos, com dois filhos, procurou uma igreja evangélica e também o Ibiss. Pediu ajuda, largou o tráfico com um objetivo em mente: poder ver os filhos um pouco maiores. Muito recluso, ele não dá entrevistas sobre sua situação. Até porque as lideranças do tráfico e as próprias facções mudavam, e Eduardo permanecia no tráfico. O que o tirou foi a mesma perspectiva que move também Diogo:
- Tenho uma filha de cinco anos. Mora com a mãe na Chatuba. Ajudo com mais do que a Justiça me obrigaria a pagar. Para isso tenho que trabalhar 12 horas por dia, montando e desmontando estantes. Mas o que eu gosto mesmo é a arte, o teatro. E sei que não dá para viver disso, pelo menos por enquanto.

Diogo ajuda a manejar a câmera: jovem da Vila Cruzeiro estuda em três cursos diferentes
“Tem banheiro lá?”
No fim do ano passado, Diogo e Mayra foram à Holanda com Patrícia e mais 13 jovens do grupo F.A.V.E.L.A. Lá, apresentaram a peça Favela Força, que até hoje busca patrocínio para se apresentar no Brasil. Os atores e diretores tentam um horário no Teatro João Caetano, de administração do município. Mas na Holanda, os aplausos foram incontáveis, apesar de algumas situações inusitadas.
- O nome do grupo na verdade era Não Sou Maluco. Mas lá aconselharam que fosse mudado, já que nós holandeses temos dificuldades em pronunciar "Não sou maluco" – explica Patrícia.
- O mais engraçado foi a pergunta feita por uma diretora de teatro na Bélgica: "Lá tem banheiro?" – diverte-se Diogo.
Em abril de 2008, nova ocupação de duas semanas na favela, 18 pessoas são mortas, a bandeira do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a tropa de elite da PM do Rio, é hasteada na comunidade. Um símbolo do Estado – ou, pelo menos, da forma com que ele entra na favela. A esta altura, o filme estava em sua fase de montagem e edição. Os meninos tiveram de sair da favela e participar da montagem na casa de Patrícia, em Botafogo – ou seja, no outro Rio de Janeiro. Na verdade, no Rio que mais aparece ao longo de uma hora - apesar de cenas chocantes como o muro com a inscrição "Morador: se tiver guerra, não saia de casa, assinado CV" e o susto filmado sem querer no momento de um tiro.
- Quis que os meninos aparecessem em suas vidas normais, mesmo que houvesse cenas com medo e tensão. É preciso que os que moram fora acompanhem a vida deles e notem que eles tentam viver de forma honesta, vencer de forma honesta – diz Patrícia.
Nessa época, já estava com eles o documentarista Gustavo Gelmini, que co-produziu recentemente o americano They Killed Sister Dorothy, do diretor Daniel Junge, vencedor do Festival South by Southwest. O filme é sobre a morte da freira Dorothy Stang e tem narração de Martin Sheen. Este ano, Cruzeiro já participou de um festival de documentários em Londres e de outro no Qatar – este, o 5º Festival Internacional de Documentários da Rede Al-Jazeera. O sucesso foi muito grande e provavelmente “Cruzeiro” vai passar em todo o mundo árabe. Além disso, a grande e boa novidade é que Mayra, depois de receber o prêmio de Tutu, começou a fazer flashes para a BBC de Londres sobre a convivência de crianças em meio a tiroteios entre traficantes armados e policiais.
Daí para a frente, quais seriam os planos, para quem já deu a volta ao mundo? Voltar para a Holanda?
- Não me pergunte –diz, sorrindo, "Pat, a mais carioca das holandesas", como está em sua comunidade no Orkut, criada por Mayra, que ainda criou a comunidade do filme.
O trailer de "Cruzeiro" já está no YouTube - posto dois deles acima - e pode ser visto com as palavras-chave "Documentary Vila Cruzeiro Teaser Espaço IBISS Favela". Contatos com a equipe podem ser feitos no site do filme: http://www.faveladocumentary.com/
15.05.09
Bichinhos fofinhos e mutiladinhos
Eu sei que já exibiram desenhos dos Happy Tree Friends na MTV, sei que não é novidade para muita gente, mas não dá para deixar de postar alguns desenhos aqui. Quem não conhece precisa ter acesso a esta forma tão bizarra de desenhos animados "fofinhos".
Aconselho não almoçar antes de ver. Quem não gosta de mutilações, sangramentos, vísceras rasgando e olhos sendo arrancados, bem, melhor não ver nada disso.
Pensando bem, que raio de advertência é essa que eu fiz? Quem gosta de mutilações, sangramentos, vísceras rasgando e olhos sendo arrancados??????
É, reconheço: é bem nojento. Mas é engraçado pacas.
12.05.09
Antes de eu morrer...
... Eu quero:
1) Ter quatro filhos.
2) Trabalhar com o que eu gosto.
3) Não ter de trabalhar para me sustentar (ou "ganhar na loteria").
4) Viajar por todo mundo. Muitas vezes.
5) Morar em uma casa grande (mas não muito) com quintal, jardim e cachorro.
6) Aprender a tocar piano.
7) Não ter medo de nadar no mar. Ou, simplesmente, ter menos medo.
8) Ter sempre os amigos e pessoas queridas por perto.
***
Não escrevo há trocentos anos e, quando escrevo, é uma corrente que a Paula Clarice me passou. O que os amigos não fazem com a gente, hein?
11.05.09
Bruno Aleixo, o amigo de todas as horas
Eu não tenho mais dúvidas de que o simpático Ewok de Coimbra vai tomar conta da Internet tal e qual uma Susan Boyle com pêlos. O diálogo dele com a professora sobre o tema "Profissões" é das coisas mais engraçadas que já ouvi. "Qu'ro ser im'grant' em Coimb'ra"...
Seguem aqui, para facilitar a quem não conhece, seis vídeos do Bruno. Divirtam-se:
2.05.09
Não há nada de errado em gostar do Rush
O.K., não sou nenhum fanático, e acho que nunca escutei nada feito recentemente pelo power trio canadense. E confesso que tem obras deles que eu nem gosto, não me causam interesse ou empolgação. Mas depois de ver "Eu te amo, cara", com o Paul Rudd e o Jason Viegel pulando empolgados ao som de Limelight, percebi que o Rush não é esse lixo todo que os moderninhos andaram pregando por aí. Pelo contrário: Geddy Lee é um senhor baixista, Alex Lifeson é bom guitarrista, sim, e o tal Neil Peart dispensa comentários, é uma máquina.
Trecho de "Eu te amo, cara": homenagem singela ao Rush
Por alguns anos se convencionou que é "cafona" gostar de Rush. Já tenho uma antipatia automática em relação às pessoas que costumam avaliar música pelo teor de novidade nela embutido. A obsessão pelo novo, na música, é tão idiota quanto o nacionalismo. Nos dois casos, o sujeito deixa de apreciar música de qualidade por critérios idiotas: "Foi feita há muito tempo" ou "Não é do meu país", ora, pelo amor de Deus, né?
Se música boa tivesse que necessariamente ser novinha e fresca, Wagner e Beethoven não estaria até hoje aí entretendo nossos ouvidos e nos fazendo rir (no caso da tirinha).
Quanto ao nacionalismo, mestre Hermetho Pascoal deu a dica: "Música não é folclore".
No fim da década de 90 e início da atual, ficou meio que definido o que a juventude iria consumir/gostar: bandas e músicos da gravadora Trama, conjuntos ingleses sofredores, bandinhas de filhos de milionários em crise e cantoras punk neogóticas. Tudo isto, é claro, depois que a Tininha ou a Val, que foram a Londres mês passado, dissessem se é bom ou não. Nesse pacotão dos neo-undergrounds entrou até banda norueguesa. O que importava era ser novo. E o terceiro CD era sempre uma merda. O segundo ninguém ouvia.
Dentro do kit-in constava lá: "Odiarás as bandas antigas". Claro, os cocozinhos críticos musicais decretavam ano após ano o fim dos Rolling Stones. Tudo para assistirem embasbacados aos Stones fechando Nova York tocando no alto de um terraço ou explodindo Jumpin Jack Flash para 3 milhões de pessoas em Copacabana.

Eu tinha, do Rush, alguns LPs. Mas o melhor era de propriedade do meu irmão, "Moving Pictures", que tinha a linda Limelight, a famosíssima Tom Sawyer e a louca YYZ - esta última uma brincadeira com o aeroporto de Toronto, toda em código morse.
Acho que nunca serei um fã empedernido da banda porque prefiro um estilo mais chegado ao blues e ao rock tradicional, e também ao folk. Mas estas músicas citadas e mais algumas por aí valem a pena serem ouvidas. Nem que seja para fazer exercício com air drummer, air bass player e a air guitar. Taí: nada de mal em gostar do Rush. Pelo contrário.
Pelo filme, vocês vão ver que o sujeito que gosta de Rush e assume tende a ser um cara legal. Babaquice é deixar de ouvir.










