Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









28.04.09

28 de abril, mais um dia especial

Mais uma data especial para entrar na nossa agenda pessoal: 28 de abril. Para mim, uma data importantíssima, pois se trata da formatura da Marcele. Sim, hoje à noite ela se forma em Jornalismo, e isto é muito especial para nós dois e nossos sonhos. Sinto a formatura dela como algo tão especial quanto a minha própria - e com uma coisa parecidíssima: tanto eu quanto ela nos formamos sem a companhia dos amigos com que nos acostumamos na faculdade. Mas é algo normal: a gente entra, faz um churrasco no primeiro período e depois nunca mais ninguém se vê direito - não na mesma escala do primeiro churrasco.

Marcele, meu amor, parabéns: valeu todo aquele esforço gigantesco de encarar aula depois do trabalho. Valeu todo aquele cansaço. Vai lá e pega aquele diploma para a gente estampar aqui.

por Gustavo de Almeida as 10:37:05

10.04.09

O ponto culminante da escalada do Tosco

Eu sempre dou uma lida no blog do Cretino Lover, não porque eu concorde ou discorde do cara, mas por achar que ele é muito bom em escrever diálogos, são sempre divertidíssimos e as histórias excelentes - não faz a mínima diferença se são verdadeiras ou falsas. Aliás, faz: se são falsas, são ainda mais geniais.
Não conheço o cara e nem conheço quem o conheça. Mas desta vez - que bom - ele foi longe demais. Postou um vídeo extraordinariamente engraçado, com o mais tosco programa de auditório de todos os tempos (insuperável, desafio alguém a encontrar algo mais tosco).

E o Leandro ainda acerta na mosca quando faz a comparação: as coroas no fundo têm cara de tia chegando de viagem no meio de festa de 15 anos. Perfeito.

O Eclipse tem andado meio triste, eu sei. Eu não estou diferente. Mas acho que a gente nunca pode parar de rir. Rá. Pronto, ri.

por Gustavo de Almeida as 02:00:22

8.04.09

100 mil desafios

Parece uma corrente de email, parece realmente mais uma, mas infelizmente é real: http://migre.me/ocj

A família de Giulia, de 10 anos, quer acreditar. Mas para isso precisa de 100 mil doadores de medula óssea.
É o tipo de coisa que eu preciso acreditar que é possível na era da internet. Quem mora no Rio pode ir até o INCA (Praça Cruz Vermelha, 23 - 7 andar – Centro – Rio de Janeiro - Tel: ( 21) 2506- 6215).
Giulia precisa também de doação de sangue e plaquetas. O doador deverá ir ao Hemorio levando documento oficial de identidade com foto; estar bem de saúde; possuir entre 18 e 65 anos de idade; pesar mais de 50 Kg; não estar grávida nem amamentando; não ser usuário de drogas injetáveis; nem possuir o vírus HIV, além doenças sexualmente transmissíveis; O doador que já teve hepatite A pode doar, já hepatite B e C , infelizmente não pode. Quem possuir tatuagem há mais de um ano pode ser doador. Detalhe: não pode estar em jejum. A doação pode ser de qualquer tipo sanguíneo.

"No Hemorio,favor dizer que você está fazendo a doação para GIULIA HALLAIS SILVA LOURINHO, paciente do HOSPITAL DA LAGOA. Com esses dados eles te entregarão um comprovante da doação que vocês não devem esquecer entregar-me, para que essa doação seja garantida para ela. (Pode me enviar por e-mail scaneado!)
Hemorio – Rua Frei Caneca, n. 8 – Centro – Rio de Janeiro
Tel. : (21) 2299- 9442 ou 0800- 2820708
Segunda a Domingo, 07:00 às 18:00 (OBS: Se for fazer APENAS o teste de compatibilidade, o Hemorio só atende de segunda à sexta das 08:00 as 12:00)"

Quem não puder doar, por favor: espalhem, espalhem, espalhem.

por Gustavo de Almeida as 16:45:18
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Categorias: Saúde


5.04.09

Meu tio, George Bailey

Nina Clara Blandine,

Quero que daqui a 10 anos, ou melhor 15, ou talvez 20, você leia esta cartinha depois de ver o principal filme da sua vida, que vai ser e já é “It's a wonderful life”, do Frank Capra. Olhe bem para o James Stewart, no papel mais bonito de sua vida, o de George Bailey, um cara que sonha o tempo todo mas prefere fazer que o sonho dos outros se realize. Porque no fundo o sonho maior de Bailey é um mundo melhor. Bailey, porém, é a personificação da bondade e do que há de mais humano: ele falha, ele erra, ele se emociona, briga com parentes, fica exaltado, se arrepende, luta, pensa em nunca ter existido, mas acima de tudo ele é incapaz de desejar o mal até mesmo para o pior inimigo, o banqueiro Potter, que tenta transformar a linda cidade de Bedford Falls na soturna Potterville.

Nina, você vai gostar muito deste filme. Mas quero que, sim, apenas daqui a 15 ou 20 anos, você olhe muito fundo nos olhos azuis da sua mãe e pergunte, de coração: “Mãe, este era o vovô?”. E a sua mãe vai começar a chorar, confirmando. Aquilo que sua mãe nunca me contou: que ela ama George Bailey porque é o personagem que mais se parece com o pai dela – a bondade, o amor tão intenso que chega a se descabelar em sorrisos.

Nina, estamos em 2009 e, há três dias, o nosso George Bailey se foi, partiu para se transformar em um anjo protetor que fará muitas sinetinhas tocarem pelo mundo afora, como você viu no filme. Um anjo que nunca nos deixará, apesar de toda a tristeza que sentimos nestes dias que para você hão de estar longínquos.

E fique feliz, Nina, porque duas semanas antes de partir ele pôde estar com todos, inclusive com você, pequena, com nove meses, na mesa de um barzinho aqui perto de casa. Um dia muito feliz, foi o dia 15 de março. Aniversário da sua tia Marcele. Aqui em casa, parentes dela, amigos, lá no barzinho o seu vovô, recebendo amigos e parentes, praticamente se despedindo sem saber. Ou talvez soubesse e tivesse nos poupado de tristezas – como ele sempre fez. Foi a última vez em que eu o vi. Nos demos um beijo, trocamos um abraço, e enquanto ele descia as escadas eu permaneci vigilante ao lado do interruptor de luz para que eu pudesse rapidamente acender caso o timer deixasse tudo às escuras de repente.

Vovô estava com uma doença congênita, Nina, que o deixou um pouco lento no andar, no agir, no falar. Seu humor era indestrutível, no entanto: o braço imobilizado pela degeneração cortico-basal ele batizou de “mão alienígena”.
E essas coisas me faziam ver através de tudo: era ele, era ele. Por isto eu me recusava a admitir alguma diferença.

Duas semanas depois desse nosso encontro, Nina, ele se foi, em uma madrugada lá em Barbacena. Eu dormia profundamente, não ouvi os telefones. De manhã, o recado dizia que seu vovô tinha “sofrido” um enfarte. Minha vida parou, Nina. Tudo parou. Porque eu sabia o que tinha acontecido de verdade. Não sabia como, nem por quê, mas sabia. Mas fiquei torcendo para estar errado. Quando veio a confirmação, Nina, eu me senti dentro da Marajó do seu vovô. Horas e horas, esperando para instalar uma aparelhagem de som numa oficina autorizada da Sears, onde ele havia comprado o baita som. Seu vovô foi exceção até nisso: tinha som bom no carro e ouvia Beatles. Nada de pancadão ou tecno.

Vi a Marajó, vi todas aquelas cidades de uma vez, passando diante de meus olhos, onde seu avô tinha deixado aquelas marcas: honestidade, carinho, atenção com as pessoas mais pobres. Um pouco de raiva e escárnio dos ricos. “É bom para beber diante da piscina, por causa da corzinha combinando com o azul”, disse ele uma vez sobre Campari. Ali no comentário, aquela ironia dirigida aos que têm um vida fútil e contemplativa destinada a deixar o mundo do jeito que está.

Cheguei a Barbacena, Nina, e seu vovô já tinha passado pelas cerimônias de praxe. Mas eu continuava sentindo sua presença. O sorriso dele, mesmo depois da doença, ainda tinha um quê de criança. Lembrei muito, Nina, do que o vovô mandou nos dizer em 1984, quando eu perdi meu pai: “É algo muito triste, que vai nos deixar muito saudosos. Mas não foi uma tragédia, como acontece com tanta gente que perde pessoas queridas pela violência, às vezes nem vê o corpo, ou desaparece. Ele se foi em paz, com a família dele, com amor em volta”. Ouvia as palavras dele e parecia que desta vez o vovô falava dele mesmo.

Toda a cidade de Barbacena parou, Nina, para se despedir dele. Políticos, personalidades, colegas, amigos. Havia certa reverência, sim. Não reverência ao poder como o conhecemos, aquele poder que oprime, mas uma reverência ao encanto que seu avô proporcionava. Andamos de carro pela cidade e passamos em alguns lugares onde sua mãe, seus avós e tias moraram. Alguns, idos para melhor, outros esquecidos, todos sujeitos ao tempo, este elemento que só é vencido pelo abismo que nos suga na hora da notícia ruim.

Fiquei pensando, Nina: instalamos o som na Marajó há quase 30 anos e eu lembrava como se fosse ontem. Seu avô sempre ostentando o sorriso que antecipava a felicidade futura: instalar o som significava ouvir música com a família, viajando, e ele tinha a mania de ser feliz por antecipação. O humor dele não funcionava assim, de preocupar-se ou lamentar-se antecipadamente. Ele tinha a mania, sim, de ver a coisa resolvida antes do tempo, o abraço acontecendo na imaginação, o reencontro sempre como arte, as festas começando antes da hora exata.

O fato, Nina, é que por onde a gente andar nessa vida, seu avô vai estar lá. Se esbarrar num disco do Creedence ou do Paulinho da Viola, lá estará ele. Um livro “O homem e seus símbolos”, do Jung? Seu avô. Um café feito com filtro de papel direto na garrafa térmica? É dele. O filme 'Across the universe”? Com este nome, vamos lembrar dele sempre.

Mas nem precisa este esforço todo, Nina. Basta ver o filme de novo, e olhar bem para George Bailey, quando a imagem de congela enquanto ele diz o tamanho da mala de viagens que ele faria em volta do mundo. Ali você vai ver seu avô, puro, em estado bruto: um homem antecipando a felicidade e sorrindo – um gesto que poderíamos definir apenas como a Arte de Sonhar. Mesmo que não aconteça, ou algo se desvaneça, ali se vê o quanto o sonho é vital.

Tal e qual Shelley escreveu, minha pequena Nina, seu vovô não morreu, apenas acordou do sonho da vida. Mas estará nos nossos, sempre, ou até mais do que sempre.

Afinal, se um sino toca, é porque mais um anjo ganhou asas.

Do seu primo-tio
Gustavo

P.S. - Julia e Joana, esta cartinha é para vocês também. É que me dirigi à Nina porque ela pôde estar aqui no dia 15 de março, esta data tão duplamente inesquecível para mim a partir de agora e para todo o sempre.

por Gustavo de Almeida as 23:49:07

Canções que você me ensinou a gostar

por Gustavo de Almeida as 23:40:14
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Categorias: Cotidiano


4.04.09

Adeus ao nunca

João Bosco Silva Santos, tio do Gustavo, morreu ontem, dia 3 de abril de 2009.

Publico novamente a carta aberta que o Gustavo escreveu para o tio quando ele completou 70 anos, em 1o. de fevereiro de 2007, e que tinha sido publicada no JB Online.

***

Meu caro João,

É uma surpresa para nós dois eu te chamar assim, porque na verdade tu és "Bosco" para toda a família, e na infância era só "tio" para mim. Mas achei esse "João" sonoro, imponente como a tua figura, sempre com os olhos perdidos em algum horizonte em curva. Te escrevo aqui, pela internet mesmo, em carta pública, porque descobri que você hoje chegou aos 70 anos. João, todo mundo vai te dizer o óbvio: você não parece a idade que tem. Eu te digo, sem pestanejar: você parece ter muito mais. Como já dissemos há uns anos, você parece ter uns 2.800 anos. Sempre pareceu.

Eu aproveito para te fazer umas revelações, João: fui eu que, aos sete anos, arranhei sem querer a faixa Wind cries Mary do seu LP Are you experienced, do Jimi Hendrix Experience. Sim, João, fui eu e meu irmão que roubamos o mesmo LP, talvez naquele mesmo ano, na maior cara de pau. E foi por sua causa que ouvi Iron Butterfly pela primeira vez, aquele urro rock and roll chamado In-a-gadda-da-vi-da. Eram tempos tão antigos, aqueles, sua filha mais velha ainda bebê, eu recém saído deste mesmo estado, sua mulher vendo televisão no Edifício Marajó ali na Urca, na Avenida João Luiz Alves. Houve incongruência temporal? Talvez. Talvez eu tenha confundido Marajó, o prédio, com Marajó, o carro. Ou então com o queijo, aquele que formou teu caráter em um mês de fome em Belém do Pará.
Mas, João, você fez 70 anos. Tem quase esse tempo que não vê as três filhas juntas, né? E, claro, haverá muitos beijos, muitos abraços e quem sabe uma discussãozinha, do tipo "quem é melhor, Beatles ou Rolling Stones", que vai terminar em lavação de roupa suja, briga – like the old times – e, claro, mais beijos e mais abraços, talvez um belo jantar, mais vinho, declarações apaixonadas de amor eterno.
How the life goes on.

Como? Quem é melhor? Na sua frente, João, eu sempre direi Beatles, apesar de eu me identificar mais com os Stones. Foi ouvindo uma música dos Beatles que você me ensinou a ouvir música, no sentido espiritual. Foi ouvindo Across the universe que você, com os olhos mais distantes do que o normal, me disse que a vida é eterna sim, quando suspirou, "Eu acho essa música um Adeus ao nunca". Ali foi como se eu tivesse, subitamente, entendido a vida.

Na família, todo mundo achou que você era o tio que eu mais gostava, por ter te chamado para substituir meu pai - já no Adeus ao Nunca - no altar do meu casamento. Bobagem. Gostar não tem nada a ver com isso. Eu gosto de todos eles, cada um a seu jeito. São todos grandes profissionais, bem sucedidos, que têm uma história de sucesso cada um, e que não deixaram de ser grandes pessoas por causa do sucesso deles. Mas você é diferente. Com você eu tenho identificação, porque você já fez merda, João. Que nem eu. Já andou mudando de cidade em cidade, heróico nômade, carregando as tralhas, perdendo algo pelo caminho, ganhando muita vida. Já virou noites tomando whisky e falando do Brasil com o Jamil. Já subiu o Pico da Bandeira com um Fusca e com um Marajó, me ensinou a comer salsicha em lata crua mesmo, e me mostrou que no frio, nem mulher é melhor que conhaque de mel. Quer dizer, mulher a gente sabe que é melhor, mas não espalha que é para elas não se valorizarem muito...

Sempre falo, João, do Natal de 1983. Foi mesmo esse? Meu pai começou a beber uns vinhos nacionais, até de boa qualidade, e deixou dois chilenos e dois italianos para "outra ocasião", naquela de preservar. Matamos todas as garrafas, em certa altura com a sua ajuda, João, e de repente, foi o que se viu: os sofisticados vinhos do meu pai viraram outra coisa. "Vamos abrir esta merda desta surrapa!", disse o velho. Dali a um mês, você comentaria, sorrindo, em meio às lágrimas da partida dele: "Pô, o Zé parece que estava adivinhando...". Este comentário é inesquecível, e faz você ser você, João. Acho que, no fundo, te escolhi para estar no altar no meu casamento por causa daquele Natal de 1983. Lembra de quando chegaram umas visitas no meio da noite? Com um LP da Alberta Hunter? E nós fomos, bêbados, fazer as honras da casa na cozinha. Pegamos o liquidificador e fomos colocando: Limão. Cachaça. Gin. Vinho. Tônica. Coca-cola. Fanta. Cerejas. Banana. Ovo. Nescau. Cerveja. Tudo misturado, batido no liquidificador. A beberagem era grossa, intensa. Não tive coragem de sentir o cheiro. Levamos para as duas mulheres que nos deram o LP da Alberta Hunter que você tem até hoje. Caí no chão de tanto rir antes que elas pudessem colocar o copo na boca. Dali em diante não me lembro do que aconteceu.

Os tempos passam, e chegam novos tempos, João, e você sempre dando Adeus ao Nunca, como ninguém. Me esqueci de dizer, para os leitores aqui do JB Online, que você é médico. Clínico geral. Às vezes, um homeopata, às vezes terapeuta. Me lembro das noites no hospício de Barbacena. A mulher louca, correndo por todos os lados, berrando, enquanto você prescrevia um sonífero para um doido sentadinho, comportado, esperando por seu dotô. A mulher berrava mais e mais, e de repente começou a rasgar a própria roupa. E você, calmo, sereno, falando com ela: "Olha, se você rasgar mais, você que vai ter que costurar". Ela parou na hora. Coisa de louco, João. Me lembro de um filme do Jacques Tati que vi na sua casa, Meu tio, e pensei que eu poderia fazer um filme desses também, fácil, fácil, com esse nome.

Ah, obrigado também por me dizer que o personagem de Um certo dia para 21, do Paulinho da Viola, é um presidiário que ganha um dia de indulto para encontrar a amada. Quase me esqueço de mencionar isso. Mas é só uma das milhares de coisas que me ensinastes, nenhuma delas serviu para nada de prático – até hoje não sei consertar coisas em casa e nem fiz muito sucesso na vida.
Mas as coisas todas que você me ensinou, João, deveriam ser um evangelho. Me ensinou a não ter vergonha da palavra amor, a relaxar e ficar bêbado de vez em quando, a não engolir sapo - mas se engolir descer com um aperitivo - a ficar calado de vez em quando, a respirar na crise de asma, a ouvir música, a ser muito, mas muito mesmo do que eu sou, particularmente do pedaço de mim que eu mais me orgulho.

É, João, toma um porre aí com as meninas. Elas estão felizes em além-mar, nós sabemos disso. De vez em quando, você vai uns vôos lá para as terras européias e americanas, curte uma cerveja preta ou um Bordeaux por mim. Ou então tira uma onda, lembra os tempos de Marinha e vai de navio, como eu faria, já que tenho um baita medo de avião. Mas, independente do futuro, toma um porre de vinho hoje aí na gelada Barbacena. Afinal, você sempre me mandou curtir os verões pensando nos invernos, e vice-versa.
E não se esqueça de ouvir pelo menos uma vez Across the universe. O universo te agradece - eu também, por tudo."

Com devoção,
do sobrinho
Gustavo

por Marcele Fernandes as 19:10:40

3.04.09

Presentinho sem spoilers para viciados em 24hs

Vocês podem até pensar que usar o vídeo acima para colocar um ringtone da CTU no celular é o degrau mais alto do meu vício. Estão enganados. O degrau mais alto eu subi em uma ligação para os EUA na tarde desta quinta-feira. Depois de algumas semanas, consegui encontrar a Public Relations do documentarista Michael Moore para fazer uma entrevista/reportagem. Está tudo acertado. Mas no diálogo inicial, teve um lance bizarro na hora em que fui dar o meu email para a mulher.

- Mrs Nicole, my name is Gustavo de Almeida, ok? But i'll spell my email adress, ok? Use the international aircraft code. Golf, Uniform, Sierra, Tango, Alfa, Viktor, Oscar, dot, Alfa, Lima, Mike, Echo, Indian, Delta, Alfa. Ok? Gmail dot com.
- Ok, i think i got it! - disse mrs Nicole.
- Gustavo dot Almeida, ok? Gustavo you got, but do you understand "Almeida"?
- I think so.
- It's "Almeida" like "Tony Almeida" from CTU, in Twenty-Four, the serie. Ok?
- Oh, yes, i think i REALLY got it now - disse ela, dando risada.

Acho que preciso voltar a ver Arquivo X e alguns filminhos para desintoxicar.
Bom, cliquem aí e entrem na descrição do vídeo para saberem como baixar o CTU Ringtone pro celular. The Following takes place...

por Gustavo de Almeida as 00:43:03

1.04.09

Pedacinhos de bolo: uma implicância

Marcele tem se sentido mal do estômago, e em função disso foi-lhe receitado comer gelatina. Uma excelente receita, aliás, já que ela adora gelatina e come misturada com banana, um mix a meu ver tão lógico quanto o já clássico pão com melancia e pipoca. Enfim, fui voluntário lá em casa para ser o cara que faz as gelatinas que a Marcele vai consumir. E com o maior prazer, já que gosto de cuidar bem dela. Mas eis que eu colocava a gelatina já depois de esfriar na geladeira quando - SCHPLEFT - um prato se arrasta, esbarra em outro, em outro, em outro e cai alguma coisa no chão que é melhor limpar com um papel-toalha e jogar fora.
O papel-toalha tem a função social do esquadrão da morte: é para limpar aquilo que a gente não quer admitir que limpou.
Do mesmo jeito que a sociedade brasileira finge que não tem pena de morte informal por aí graças ao esquadrão, o papel-toalha é para limpar coisas e misturas que a gente nem sabe quais são - mas com as quais quer ter envolvimento mínimo.
Depois de limpar o que caiu, fiz uma breve perícia do acidente e descobri o motivo: o prato de bolo.

Fomos em um aniversário no sábado, de alguém que adoramos, e a família da pessoa nos deu um pratinho de bolo na hora de ir embora. Nunca havia comentado com Marcele antes, por isto ela estranhou quando eu fui tão enfático em tentar demovê-la de carregar o pratinho de bolo. Mas, enfim, qual é o lance com pratinhos de bolo? E por que tanta obsessão com isso? Por que não se reunir em torno de uma pizza ou de um empadão de frango para cantar parabéns? Mas, no caso do bolo, há uma certa mania, quase uma compulsão, de se "fazer um pratinho para viagem".
São dois os casos:

Caso 1 - "Tadinho do Junior, tá doente, leva esse pratinho de bolo para ele"

Analisemos o caso 1: o Junior tá doente mesmo ou ele estava em outra? E, se doente, será que a dieta dele não tem restrições? Caso não tenha, será que durante todo o tempo da festa o Junior ficou puto nas calças, dando socos na parede e berrando, "MERDA, ESTOU DOENTE, NÃO VOU PODER COMER BOLO!". Acho realmente difícil que qualquer destas hipóteses se concretize. No mais, o bolo, até onde sei, esgota sua função social logo depois do "É big! É big! É hora! É hora! Rá-tim-bum!" (duvido que alguém saiba o significado desse grito) e do "Com quem será, com quem será?". Levar o bolo para alguém constitui-se num triste simulacro. Não é a mesma coisa que deixar de ver um filme no cinema dizendo, "ahh, vou ver em DVD". Comer um bolo sozinho sentado em um catre imundo é coisa que o Junior não merecia. Melhor não levar nada, né?

Caso 2 - "Aqui, Daaaaani, leva esse pedaço de bolo para vocês comerem mais tarde"

Bom, o caso 2 foi o nosso. Pergunto eu: quem é tão viciado em bolo que precisa de continuar comendo ao chegar em casa? Será um vício que é reativado pelo simples fato do sujeito experimentar o bolo depois do aniversário? Ele terá tremores mais tarde e culpará o aniversariante com um telefonema ameaçador? "Seu FDP, eu tinha conseguido parar com o bolo e você me fez voltar. E ainda era com morango em cima!". Não, não pode ser. E no mais, que espécie de glutão come bolo DUAS VEZES no mesmo fim de semana?

Portanto, um pratinho de bolo só serve para aporrinhar a viagem de volta e depois ocupar espaço na geladeira já carente de locais onde se colocar coisas mais úteis como cervejas, vinhos e queijos diversos, uma dieta bem mais saudável que todo este açúcar. E digo isto de cadeira, já que em todo aniversário meu, tenho a mania de só comer o bolo no café da manhã, no dia seguinte.

Sim, eu sei, mas aí ninguém levava, né, Pedro Bó? O bolo já estava na minha casa mesmo. Sobrava porque eu não deixava ninguém levar num pratinho...

por Gustavo de Almeida as 16:44:51







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