13.03.09
Tu és o HD da minha vida
Se alguém parodiar Raul Seixas e disser que você é o HD da vida desta pessoa (em vez de MDC, como na música original abaixo), saia correndo. Ser o HD da vida de alguém significa que um dia você vai abandonar esta pessoa levando tudo o que ela tem. Quer dizer, menos a roupa do corpo. Pelo menos enquanto não inventam a cueca compatível com Windows. "É linux?" deve ser uma pergunta horrível quando a gente tira a roupa.
Como vocês perceberam, o meu HD de 500GB foi para a Caraleo's House, levando com ele todas as fotos, filmetes, documentos de matérias investigativas, textos ficcionais, milhares de músicas, enfim, tudo, tudo, tudo o que eu tinha acumulado em uns quatro anos de computador.
Desnecessário tentar descrever que me senti mais ou menos como se tivesse acordado em uma banheira cheia de gelo e com uma cicatriz na altura dos rins. Minto. Eu teria dado um rim para salvar meu HD.
Rim tudo bem, tenho dois. Pulmão? Não sei. Talvez se salvassem e ainda fizessem um backup.
Backup é uma palavra que é sempre usada. "Mas você não fez backup?". Ora, que diabos, onde vou fazer o backup de um HD de 500GB? Só se for em outro HD de 500GB. Meu outro HD, o sobrevivente, tinha 80GB, e permaneceu intacto. Mas sem quase nada. Salvaram-se - graças a Deus - as fotos do nosso casamento cedidas sei lá por quem. Mas isto tínhamos em CD. Perder HD é algo tão massacrante que na época em que lançaram as TVs de LCD "FULL-HD" eu fiquei apavorado.
- Como assim? É uma TV que acumula os programas num HD e, se pifar, você perde tudo e se fode para sempre? - eu perguntava a mim mesmo, até o dia em que raciocinei (algo raro) e percebi que HD era High-Definition.
Eu não consigo encontrar equivalentes pré-era da Informática para a perda de um HD. Na minha infância nos anos 70, nunca perdi algo nesta dimensão. Talvez o Football Cards do Zico, que era um dos mais difíceis.
Mas é fato: antes de termos computador, o que equivalia a perder um HD? Bom, não vale dizer membros superiores, inferiores e muito menos intermediários. Queimar a TV preto e branco no dia da semifinal do Brasileirão? Quebrar a agulha do toca-discos? Enrolar uma fita no tape-deck?
Não sei. Só sei que nunca me preparei psicologicamente para a perda de um HD e sinto falta de um grupo de ajuda.
- Cada um de nós se apresenta e fala do seu HD.
- Olá, eu sou o Roberto, bom, eu tinha um HD de 160GB, e, bem, eu sabia que era pouco, até porque minha memória RAM era enorme, e eu era muito feliz com os 2 gigas dela. Até que um dia a placa não reconheceu o HD e...e...
Soluço, engolir em seco.
- Vamos lá, quero que todos abracem o Roberto. Abracem o Roberto!
E segue um longo abraço coletivo até o próximo a confessar o que aconteceu.
O nome do grupo? Que tal BNA ("Backups Não feitos Anônimos").
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"E não tem Pepsi-Cola que sacie, a delicia dos teus beijos...aaAH"
Raul era gênio, não há como discordar
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