1.02.09
O Bráulio vem aí e tudo vai melhorar
Finalmente. Às nove da manhã desta segunda-feira, espero ouvir a campainha tocar e espero atender e ser o Bráulio. Sim. Foi um péssimo começo. E bem esquisito, se levarmos em consideração a campanha do Ministério da Saúde na década de 90 que chamava de Bráulio, bem, você sabe o quê. Mas Bráulio, no caso desta segunda-feira, será o Pereira Passos do lar dos Eclipse. Bráulio é o cara que vai montar as duas estantes Ambiente que adquirimos no Meu Móvel de Madeira, um site bem legal mas que deu essa vacilada (nada que nos impeça de comprar de novo).
Meu Móvel de Madeira me fez ressuscitar um sentimento há muito esquecido: aquele que acontece na noite de Natal, véspera de um feriado, o dia 25, em que nem farmácia abre, e de repente você é criança e ganha um brinquedo que veio....sem bateria! E não é pilha. É ba-te-ri-a. Do tipo que “se compra numa loja lá na cidade”.
Traduzo: “cidade” é como nós cariocas chamamos o Centro do Rio. É engraçado pacas isso. Desde criança. Quando pegávamos um ônibus para Copacabana ou Ipanema, era “Copacabana ou Ipanema”. Mas quando era o ônibus cujo ponto final é na Central do Brasil, bom, aí “íamos na cidade’. Mania que deve derivar dos americanos, que falam em downtown quando se referem ao centro nervoso.
Bom, voltando ao assunto: comprei as três estantes, eu e Marcele escolhendo, comum acordo, uma maravilha. Como o valor passou dos 500, tivemos frete grátis. E como resolvi pagar à vista, ainda rolou um baita desconto. No fim das contas, saiu por 1300 reais, tudo, tudo. E ainda incluída a....montagem.
Esta é a parte emocionante.
Foram DEZ DIAS ÚTEIS para a chegada das estantes. Contados dia a dia.
A ansiedade foi grande. Antes de dormir, eu trazia a água com gás da Marcele para o quarto (a minha também) e dizia:
- Marcele, faltam xx dias para as nossas estantes chegarem.
Até que naquele sábado, o anterior ao último, tocou a campainha e era o cara da transportadora. “Meu móvel de madeira”, dizia a voz. Vibrei como se fosse um aviãozinho da Revell sendo desembrulhado embaixo da árvore de Natal, ou mesmo a Batalha Naval da Glasslite.
Explico: livros, DVDs e CDs saíram de controle aqui no Lar dos Eclipse. Precisamos de reforços ou a mobilização deles vai acabar com o Estado de Direito. Precisamos de um total reurbanização, que só vai acontecer quando resolvermos este ponto.
As três estantes foram trazidas por um sujeito baixinho, atarracado, com pinta de novo, uns 25 anos. Perguntei a ele se a pessoa que ia montar as estantes era ele ou se estava subindo. Ele respondeu fazendo uma expressão equivalente a que faria se eu pedisse uma massagem nos meus pés.
- Não! Tem que entrar em contato com a loja e pedir.
Meu mundo desmoronou em milhões de pensamentos pessimistas e desaguou num sólido “PUTA QUE O PARIU” dito sem mais delongas na frente do baixinho atarracado. Que ainda deu uma urinada no meu banheiro, bebeu um bom copo da minha água sem gás e pegou cinco contos de gorjeta.
Lógico que, mesmo tendo gostado da loja, eu e Marcele mandamos um email semi-desaforado pedindo explicações. Pombas, por que não AVISAM que a montagem era outra etapa? E por que carajos não podemos marcar de um jeito que as duas datas coincidam?
Marcele ainda montou uma das estantes (a menor das três), mas, bom, não diria que ficou ruim, mas eu não gostaria de atravessar um abismo sobre chamas vulcânicas usando apenas a estante montada pela Marcele. Creio que não conseguiria me equilibrar.
Mas até que minha Marcele tem talento, vejam:
No fim das contas, fomos bem atendidos e o atraso foi de três dias – nos prometeram um montador das estantes em cinco dias, ele virá em oito, incluindo sábado e domingo. Bom, se vier mesmo.
Toda a nova urbanização desta casa, quem diria, depende do Bráulio. E que ele venha rápido: a coleção do Saramago já está organizando piquetes.
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