Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









26.02.09

Adeus a um amigo honesto

AZ

Conheci André Az quando ele fotografava para o Jornal do Brasil, na saudosa redação que o diário ocupou ali na Avenida Rio Branco 118, no Edifício Condessa Pereira Carneiro. Era um daqueles fotógrafos que fazem o repórter sorrir na hora em que o chefe da fotografia o aponta para a missão. “Vai você, A-Zê”, dizia o chefe. A frase significava que o resultado seria uma reportagem tranquila, com excelentes fotos e sem nenhum dos famosos atritos entre repórter e fotógrafo. Era um cara dócil, que gostava de esportes radicais – me lembro que bastava ter alguma matéria em altura acima de 40 centímetros que o Az logo montava algum equipamento extra. Certa vez, praticamente escalou o Pão de Açúcar para produzir fotos melhores. Era a cobertura de um evento publicitário, noivas atravessando a linha do bondinho. Az sorriu de véspera quando soube que envolvia riscos, emoções fortes, alturas, cabos de aço e escaladas.

Eu tenho certeza de que em nenhum momento de seu fim brutal o André Az achou que estava vivendo emoções fortes. Ele nunca considerou violência como algo que pudesse gerar emoções – violência só gera violência e ódio, nunca uma emoção de verdade, nada a ver com as vertigens da arte de um cara meio caladão mas que preferia falar com sorrisos.
A vida do Az foi bem típica do jornalismo: pulando para lá e para cá, trocando de emprego, fazendo frilances. Trabalhou no jornal Avenida Central, hoje extinto, mas então uma idéia diferente, uma maneira singular de abordar o Centro do Rio. Passou pelos cadernos regionais do Jornal do Brasil. E finalmente, foi para O DIA, trabalhar na sucursal da Baixada – ainda que muitas vezes a sede central requisitasse seus serviços.
O Az conseguiu, para mim, morrer duas vezes - pois me deu dois sustos, essa notícia trágica. Primeiro, soube que ele morrera em um acidente de moto, na noite da Avenida Brasil. Depois, ao chegar à redação na qual trabalho hoje, soube que André Az foi baleado antes de perder o controle da moto e ir ao chão.
A gente sabe que o bandido é impessoal, que a única coisa que o bandido tem à frente dos olhos é o desprezo pela vida alheia. A gente sabe também que dificilmente o bandido conhecia o André Az. E, se conhecesse, talvez não gostasse de seu jeito amistoso, de falar com respeito com todo mundo, de saber conviver com os colegas, com os amigos, de ter humildade e capacidade. Bandido odeia tudo isso. É a emoção forte do bandido: ódio.
Mesmo assim, quando eu soube dos tiros, perguntei várias vezes: como alguém pôde atirar três vezes no Az?
E continuo achando a minha pergunta bem lógica. Sabem por quê?
Porque nesta cidade, qualquer sofisma é lógica. Numa cidade em que, na noite da volta do feriado de Carnaval, bandidos conseguem atirar três vezes e escaparem impunemente, é claro que tudo pode acontecer. Numa cidade em que o abandono da Avenida Brasil, repito, a entrada da cidade, é tanto que bandidos circulam atirando livremente, qualquer absurdo é lógico.
Mas não tem nada não, Az. Foi azar o seu. Logo vai aparecer alguém da PM citando estatísticas e dizendo que os homicídios foram reduzidos. Você, Az, morreu, mas se os homicídios caíram, está tudo indo bem. O comandante do Batalhão de Vias Especiais (não o conheço) deve estar no caminho certo. Os bandidos, pelo jeito, também estão. Os especialistas e autoridades vão dizer que o tráfico foi expulso do Dona Marta e da Cidade de Deus, que o PAC no Alemão vai acabar com o crime (apesar de não entrar mais polícia no Alemão), e que foi tudo uma fatalidade, um caso isolado. E ninguém vai ser preso, ninguém vai ser punido. E, claro, nenhuma entidade de defesa dos direitos humanos vai aparecer, a menos que um dos bandidos seja preso e maltratado no momento da prisão.
O que vai nos restar, a nós, amigos do André Az, é a consciência de termos convivido com um sujeito que pautou sua vida pelo bem. Que não roubou, que não recebeu propina, que não matou, que não extorquiu, que não sequestrou. Apenas trabalhou honestamente e com ética. Talvez se fosse o contrário, se ele fosse bandido, estaria em alguma quadra de escola de samba ao lado de bicheiros, ou em algum morro ganhando dinheiro vendendo drogas ou explorando TV a cabo pirata ou mesmo van clandestina (e subornando autoridades para fazê-la circular), ou, digamos, instalando maquininhas caça-níqueis, o Az não estaria morto. E ainda estaria com mais dinheiro no bolso, em vez do salário sempre mais ou menos de jornalista sério, trabalhador – ainda que ele estivesse em uma empresa - O DIA - que costuma cuidar muito bem dos seus profissionais.

Mas infelizmente, o Rio de Janeiro não é mais um lugar seguro para quem é honesto.

por Gustavo de Almeida as 15:24:13

25.02.09

Pequena pausa na folia para dizer: "Estamos vivos"

O Eclipse está tão paradão (o computador de casa, para variar, está com defeito e na oficina) que os poucos mas maravilhosos leitores devem estar achando que o casal viajou no Carnaval. Viajamos nada. Estamos é na folia doméstica, arrumando os armários e recebendo hóspedes internacionais - a francesinha, Nina, de apenas oito meses, está na suíte real da casa com os pais.
E se o Carnaval fosse do jeito que mostra o vídeo acima? Até a Nina poderia ir....
Voltamos a qualquer momento!

por Gustavo de Almeida as 14:42:08

9.02.09

Cinco restaurantes no Rio para que o Valentine's Day se eternize (pelo menos o nosso aqui)

No post de baixo falei da Tratoria, em Copacabana, como um dos nossos "cinco restaurantes" preferidos. A quantidade é essa mesma: cinco. E vou dizer que eu e Marcele já estamos tão afinados - são os sete anos de namoro chegando em julho! - que alinhamos nossos cinco restaurantes preferidos (abertos no momento, claro). E recomendamos cada um deles aos casais de boa vontade.

1- Empório Santa Fé - O nosso campeão. É o mais caro da lista e o mais caro ao qual já fomos mais de uma vez. Já jantamos no Imbuhy, em Teresópolis, no Vernissage, em Penedo e no restaurante do Solar Imperial, em Petrópolis - os três são igualmente caros. Mas o Empório além de caro tem um astral inigualável. É um salão pequeno que se torna grande, com ótima distância entre as mesas (FUNDAMENTAL), ar-condicionado (CRITÉRIO DE DESEMPATE) e um couvert espetacular à base de foie gras. Recomendo lá o steak au poivre e os mignonettes ao vinagrete. Espero que em 2012, quando eu estiver recuperado financeiramente do último jantar, eu possa levar a Marcele lá de novo.

2- Trattoria - localizada ali na Rua Fernando Mendes, em Copacabana (em frente ao antigo cinema Ricamar, hoje Sala Baden Powell, onde a Nossa Senhora faz curva), a Tratoria é uma casa simpática, de comida inigualável. O spaghetti da Tratoria está acima de discussão, assim como a lasanha à bolonhesa. A entrada, com pão de alho, e a saída (epa), com torta alemã, são inimitáveis. Apresentei à Marcele e ela nunca mais conseguiu deixar de ir.

3- Eccelenza Pizzaria - Na verdade, começamos a frequentar quando era Stravaganze. Depois, os sócios se separaram, e a Stravaganze foi lá para a Lagoa, funcionar num endereço colunável. Deixamos de gostar. Virou vitrine da revista Caras. Ficamos com a Eccelenza e até hoje podemos dizer que é nossa pizza campeã. Dica: peça para ficar no segundo andar e junto da janela, embaixo do ar-condicionado. Peça um vinho. Você vai esquecer que está no Rio.
Foda é o bafo de calor em Botafogo na hora de ir embora.


4- Joe & Leo's - Eu normalmente não colocaria este restaurante mauricinho por aqui, mas o fato é que o Joe & Leo's do Plaza Shopping tem significado enorme para este casal. Já fomos dezenas de vezes comer aquele sanduíche de preço incompatível com a nova ordem mundial. Foi lá que passamos a primeira noite de casados depois do casamento - acredite! A história é longa e envolve um adiamento de viagem para lua-de-mel (partimos na segunda-feira de manhã em vez de ir domingo). No Joe & Leo's, Marcele escolhe rigorosamente a mesma coisa: o sanduíche Delmonico's. Eu parei de comer e tenho atacado as frozens.

5- La Fiorentina - Para se ter uma idéia de como a Fiorentina do Leme está ligada a nós, uma noite dessas eu estava de porre e comprei até o livro da Fiorentina (por sinal, muito legal). Fechada no fim dos anos 80, reabriu com força e até hoje mantém os leões (estátuas) rugindo lá no Leme. Hoje em dia, além dos leões, ainda tem a estátua de Ari Barroso, de óculos, como se fosse um cacoete enquanto decide entre o chope gelado e o vinho. Lá, Marcele adora as entradas, principalmente o "Couvert Buza Ferraz" (lá os pratos têm nomes de celebridades) que tem um pãozinho com sal grosso muito agradável ao paladar.
E dá para dividir o spaghetti. Tem coisa melhor e mais romântica do que dividir spaghetti?
Feliz Valentine's day para vocês, mesmo para quem não tem (ainda) com quem comemorar.

por Gustavo de Almeida as 22:53:01

Conversão

Domingo à tarde, em Copacabana, quase atravessando a Barata Ribeiro em frente ao metrô Cardeal Arcoverde. Aguardamos o sinal verde para os pedestres para atravessar e seguir em direção à Tratoria (um dos nossos cinco restaurantes cativos). É quando vem a frase, inesperada, mostrando mais um milagre do calor carioca:

- Pela primeira vez, devo confessar que estou detestando o verão!

A frase é de Marcele. Uma das maiores defensoras do Sol e do Calor carioca. Mas o asfalto de Copacabana não perdoa não. Ali, nem camelo aguenta.
Caiu o último muro.

por Gustavo de Almeida as 11:35:38
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Categorias: Cotidiano


6.02.09

Dias quentes e muito, muito, muito longos

Proponho a unificação urgente da Terra sob um só presidente, e este ser o Al Gore. A sério. Ou fazemos isto ou começamos a investir em naves interestelares nas quais iremos buscar um novo lar para os seres humanos. Após estes primeiros seis dias de fevereiro, a conclusão é óbvia: se esquentar mais, esse planeta acaba. O mais assustador é ver gente no Twitter de norte a sul do país reclamando que está quente demais.

E o pior destes dias quentes e com chuva pesada no fim de tarde é que são dias longos. Esta sexta, por exemplo, acordei cedo, fui ao cardiologista (ao fundo, música da Seleção Brasileira em 1970, aquela meio assoviada do “Noventa milhões em ação...”) para pegar um atestado permitindo a inscrição na natação, voltei em casa, peguei um boleto para pagar o aluguel, fui para o trabalho, saí para almoçar no La Mole, fui pessimamente atendido (como sempre acontece), paguei sem reclamar, busquei pautas, telefonei, conversei com fontes, participei da reunião, me encontrei com uma fonte, tomei dois chopes, peguei o metrô, passei na Lojas Americanas do Botafogo Praia Shopping, comprei uma jarra para suco (já que nossa faxineira desapareceu com as duas), subi as escadas esbaforido, abri a porta de casa, joguei a bolsa no sofá e....

...descobri que estava faltando água. Pausa. Pausa mesmo, gente.

Peguei um tubo (calma) daqueles de guardar desenho dentro, abri, e berrei um gigantesco “putaqueopariuvatomarno(*)”. Sem água, num calor senegalesco (peço desculpas à Embaixada do Senegal, hoje para mim um país temperado), depois de chegar do trabalho. Não tenho lá muitas amizades entre os vizinhos – na verdade, os únicos com quem falamos são a Sarah e o Ricardo, ferrenho torcedor do Boca Juniors. Liguei para lá, mas acho que eles não estavam. Não quis descer e tocar a campainha porque havia ruídos, rumores, conversas sussurradas pelos corredores. A impressão que eu tinha era de ouvir a frase, cochichada:
- Vamos ver se cortando a água aquele casal vai embora do prédio....
Acho que era paranóia. Mas, enfim, pelo menos, depois de duas ou três horas, a água voltou. Menos mal.
O caso, sinceramente, é que está chegando hora do ser humano tomar medidas macro contra o calor. Em primeiro lugar, propor uma onda de migração para o Sul. Seriam poupados milhões em energia elétrica, só com a economia de ar-condicionado – já que aqui no Rio acho perfeitamente impossível que um sujeito durma de outra forma a não ser com o aparelho ligado. Me lembro de décadas atrás, quando eu achava que o ventilador de teto resolvia tudo e além disto não me fazia mal à garganta. Até que comecei a acordar no meio da noite ensopado de suor, como se tivesse acabado de correr uma maratona. E o ventilador lá, flap, flap, flap, flap.....gerando ar quente! Claro, depois de um tempo, o motor esquentava e as hélices distribuíam este calor para um quarto que já tinha calor suficiente para uns 200 beduínos.
Com Internet banda larga, eu, por exemplo, posso trabalhar em qualquer lugar do Brasil. Ora, uso o Skype como telefone, consigo absolutamente todos os telefones pela Internet, para que eu precisaria de freqüentar um escritório aqui em Dubai, quer dizer, aqui no Rio? Moraria em alguma cidade de Santa Catarina a quatro horas de Florianópolis, qualquer uma que tivesse torcida organizada rubro-negra própria, e pronto, ficaria feliz como jornalista abstrato (coisa que eu sinceramente já sou).
Com a migração de umas três milhões de pessoas para Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e pedacinho do Mato Grosso, o Brasil sairia de qualquer crise, só com os ganhos em energia.

star_trek_chokes
"Porra, Spock, liga essa merda desse ar aí, tá economizando pra quê?"

Quanto às espaçonaves interestelares para a procura de um novo lar, bom, aí é só esperar que alguém de Vulcano possa acompanhar a expedição.
E vida longa e próspera para todos vocês.

*****

Uma das minhas frases preferidas do Barão de Itararé é: "De onde você menos espera, daí é que não vem nada mesmo".
Pois eu acho que é otimismo esperar muito da humanidade quando a coisa chega neste ponto: um copo de Mate Leão valer cinco mil reais. Entenda o porquê clicando aqui. A dica é do Lucas Dantas via Twitter.

por Gustavo de Almeida as 23:27:03

2.02.09

A novela das estantes chega ao fim

Há uma raça humana com genes especialmente modificados: são aqueles que têm habilidade com tarefas caseiras manuais, tais como troca de lâmpadas em locais de risco, conserto de bidês e aquecedores e, soube hoje, montagem de estantes de madeira.
A tese, na verdade, é de Luis Edmundo, não o escritor nascido no século 19, mas o cruzmaltino.
E é comprovadamente verdadeira: o tempo que eu, simples mortal, levei para consertar o bidê daqui de casa é o mesmo tempo que o Bráulio (de quem falo no post anterior) talvez construísse uma casa inteira - dada a habilidade com que ele montou as duas estantes e ainda colocou fundo naquela que eu e Marcele havíamos montado. Deixamos a estante com o fundo de fora de propósito - pressentimos que iríamos fazer besteira.
Pois o Bráulio veio nesta segunda-feira e resolveu tudo em espantosos 45 minutos. Marca, reconheçamos, digna de Pelé.
Está aí o resultado:

100_7001

É fato: faltou Lego na minha infância.

por Gustavo de Almeida as 11:25:55

1.02.09

O Bráulio vem aí e tudo vai melhorar

Finalmente. Às nove da manhã desta segunda-feira, espero ouvir a campainha tocar e espero atender e ser o Bráulio. Sim. Foi um péssimo começo. E bem esquisito, se levarmos em consideração a campanha do Ministério da Saúde na década de 90 que chamava de Bráulio, bem, você sabe o quê. Mas Bráulio, no caso desta segunda-feira, será o Pereira Passos do lar dos Eclipse. Bráulio é o cara que vai montar as duas estantes Ambiente que adquirimos no Meu Móvel de Madeira, um site bem legal mas que deu essa vacilada (nada que nos impeça de comprar de novo).
Meu Móvel de Madeira me fez ressuscitar um sentimento há muito esquecido: aquele que acontece na noite de Natal, véspera de um feriado, o dia 25, em que nem farmácia abre, e de repente você é criança e ganha um brinquedo que veio....sem bateria! E não é pilha. É ba-te-ri-a. Do tipo que “se compra numa loja lá na cidade”.
Traduzo: “cidade” é como nós cariocas chamamos o Centro do Rio. É engraçado pacas isso. Desde criança. Quando pegávamos um ônibus para Copacabana ou Ipanema, era “Copacabana ou Ipanema”. Mas quando era o ônibus cujo ponto final é na Central do Brasil, bom, aí “íamos na cidade’. Mania que deve derivar dos americanos, que falam em downtown quando se referem ao centro nervoso.
Bom, voltando ao assunto: comprei as três estantes, eu e Marcele escolhendo, comum acordo, uma maravilha. Como o valor passou dos 500, tivemos frete grátis. E como resolvi pagar à vista, ainda rolou um baita desconto. No fim das contas, saiu por 1300 reais, tudo, tudo. E ainda incluída a....montagem.

Esta é a parte emocionante.

Foram DEZ DIAS ÚTEIS para a chegada das estantes. Contados dia a dia.

estantes3

A ansiedade foi grande. Antes de dormir, eu trazia a água com gás da Marcele para o quarto (a minha também) e dizia:
- Marcele, faltam xx dias para as nossas estantes chegarem.
Até que naquele sábado, o anterior ao último, tocou a campainha e era o cara da transportadora. “Meu móvel de madeira”, dizia a voz. Vibrei como se fosse um aviãozinho da Revell sendo desembrulhado embaixo da árvore de Natal, ou mesmo a Batalha Naval da Glasslite.
Explico: livros, DVDs e CDs saíram de controle aqui no Lar dos Eclipse. Precisamos de reforços ou a mobilização deles vai acabar com o Estado de Direito. Precisamos de um total reurbanização, que só vai acontecer quando resolvermos este ponto.
As três estantes foram trazidas por um sujeito baixinho, atarracado, com pinta de novo, uns 25 anos. Perguntei a ele se a pessoa que ia montar as estantes era ele ou se estava subindo. Ele respondeu fazendo uma expressão equivalente a que faria se eu pedisse uma massagem nos meus pés.

- Não! Tem que entrar em contato com a loja e pedir.

Meu mundo desmoronou em milhões de pensamentos pessimistas e desaguou num sólido “PUTA QUE O PARIU” dito sem mais delongas na frente do baixinho atarracado. Que ainda deu uma urinada no meu banheiro, bebeu um bom copo da minha água sem gás e pegou cinco contos de gorjeta.
Lógico que, mesmo tendo gostado da loja, eu e Marcele mandamos um email semi-desaforado pedindo explicações. Pombas, por que não AVISAM que a montagem era outra etapa? E por que carajos não podemos marcar de um jeito que as duas datas coincidam?
Marcele ainda montou uma das estantes (a menor das três), mas, bom, não diria que ficou ruim, mas eu não gostaria de atravessar um abismo sobre chamas vulcânicas usando apenas a estante montada pela Marcele. Creio que não conseguiria me equilibrar.
Mas até que minha Marcele tem talento, vejam:

estantes1

estantes2

No fim das contas, fomos bem atendidos e o atraso foi de três dias – nos prometeram um montador das estantes em cinco dias, ele virá em oito, incluindo sábado e domingo. Bom, se vier mesmo.
Toda a nova urbanização desta casa, quem diria, depende do Bráulio. E que ele venha rápido: a coleção do Saramago já está organizando piquetes.

por Gustavo de Almeida as 23:08:35







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