12.01.09
Festas Ploc, freaks de DVD, estante nova e outras ressacas
É mania da Marcele, aqui no Eclipse, abrir um post e abordar diversos assuntos. Vou experimentar. É manhã de segunda-feira, a água para o café está fervendo, e escrever bebendo café, de alguma maneira, pode me trazer de volta ao mundo. Afinal, a idade pesa e faz com que o processo de recuperação dos grandes porres seja mais lento. Se velho quando quebra o braço fica seis meses no gesso, imagine eu bebendo vodka Smirnoff ao longo de uma noite dançante na Lapa. O certo seria eu ter sido levado para um hospital especializado em tratamento da ressaca - afinal, a ressaca não tem cura, mas tem tratamentos modernos que diminuem o sofrimento do paciente.
Um quarto escurecido mas não totalmente escuro, ar-condicionado (essencial), coca-cola e muito gelo em profusão, TV no volume baixo, água com gás. Estas são apenas algumas coisas que você deve providenciar quando a ressaca for ao “Nível 1º de Janeiro” (tecnicamente e estatisticamente o grau mais alto).
Festa boa não tem jeito, você bebe e muito. E boa festa é quando você encontra muitos e muitos conhecidos – não existe para mim outra maneira de uma festa ser realmente boa. Claro, a escolha das músicas pode estragar ou salvar um evento. No caso desta última festa, quase estragou.
O DJ era do tipo que os moderninhos chamam, depreciativamente, de “DJ Juke Box”. Tocou clássicos e mais clássicos. “Boys don’t cry” do The Cure, “Big mouth strikes again”, dos Smiths, “Love shack” e “Private Idaho” dos B-52’s e claro, algumas das Stones e do Creedence. Perfeito.
Só que de uma hora para outra o DJ surtou e colocou “Camila, Camila”, do Nenhum de Nós, e “Adelaide”, dos Inimigos do Rei. Mau sinal. Era o sinal da “Síndrome de Festa Ploc”, uma doença que atinge DJs e altera seus processos mentais e sinapses de modo que ele passa a achar que festa boa é aquela em que as pessoas param de dançar para darem umas para as outras risadinhas cúmplices e dizerem, “Olha só, é a musiqinha do He-Man, eu via He-Man”.

Parar uma festa para informar ao amigo próximo que costumava assistir He-Man na infância me soa como um tipo de perversão sexual. Mas a coisa ia mais além: Balão Mágico, músicas da Angélica e até Balão Mágico...com Fábio Júnior!
Não digo nem que é uma piada que perdeu a graça. Mas como o aniversário era de gente que fazia 32 anos, a faixa etária da festa pode ter levado o DJ a concluir que, bom, “estes coroas vão adorar recordar as músicas da infância”.
Nada contra o passado. Tudo contra o passado empacotadinho e pronto para ser despejado nos nossos ouvidos (ainda que nos nossos ouvidos seja ambientalmente mais correto do que simplesmente despejar em mares e lagos sem tratamento primário).
****
Eu sou freak de DVD
Eu já devia ter chegado a esta conclusão há mais tempo. Mas no sábado, quando recebi um dos meus sonhos de consumo, a caixa BLUES, com TODOS os documentários do Martin Scorsese, percebi que sou realmente um freak de DVD. As pilhas de filmes tomam conta da estante, e posso dizer que hoje tenho um acervo maior do que o de muitas locadoras. Sei que não sou o único a ter essa mania. A minha mania tem só um diferencial: espero os preços baixarem absurdamente. Jamais pago mais de R$ 19,90 em um DVD, e atualmente baixei para R$ 12,90.
Esta mania se deve a uma rejeição extrema, que remete ao VHS: “Detesto devolver vídeo na videolocadora”. Ainda mais quando esquecíamos de rebobinar. Aí vinha o som: (Voz de taquara rachada feminina ou masculina) “O senhor se esqueceu de rebobinar a fita, seremos obrigados a cobrar uma pequena taxa”. Caramba, COBRAVAM uma grana para fazer aquilo.
Acabei virando um viciado em comprar filmes. Além de salvar dias como este domingo (em que não conseguimos colocar o pé na rua) com vários filmes e séries, ainda tem a vantagem de não precisar devolver. Ah, e “BLUES” do Martin Scorsese, oito DVDs em uma caixa de madeira com tampo de vidro, estava por R$ 130 no Submarino. Parcelável em 10 vezes.

Agora, já contei pelo menos cinco pessoas que olham para a pilha de DVDs e fazem olhar de reprovação. Ninguém vai para a porta da favela olhar feio pro cara que gasta R$ 100 em cocaína, mas para o meu vício em cinema todo mundo tem palavras de reprovação. “Assim vocês nunca vão comprar um apartamento” é o mínimo que eu ouço. E a cena seguinte é sempre a mesma: o detrator começa a manusear as pilhas:
- Hum....você tem “Chinatown”...
- Caraca, todas as “Profecias”?
- Boa essa caixa do Scorsese, heim? É a que tem “Caminhos Perigosos”?
Obviamente que sempre tem uma locação gratuita. Eu nem ligo. Uma das coisas mais legais de ter filme à beça em casa é exatamente dividir com os amigos e depois ouvir as opiniões (sempre faço questão das opiniões). Dá assunto, dá discussão. Faz bem para a saúde.
E eu sou tão legal que nem peço para eles rebobinarem na hora de devolver.
****
O verdadeiro Carnaval
Vou precisar de mais frilances este mês para levantar uma grana. Afinal, semana passada recebi, picotada em quatro partes, a seguinte mensagem de um certo casal catarinense:
Carnaval no sítio: boa música, cordeiros em suas partes nobres, picanhas salubérrimas, massas gratinadas, ar fresco balançando as arvres (somos nozes), espumantes, charutos, cognacs de madrugada, conversa jogada fora, cerveja do Sul no fim de tarde à sombra de araucárias centenárias. Acabaremos por achar que a vida vale a pena. E tem o Mau, e tem a Paula, e tem a gente reunida pela terceira vez...e a Gol parcela! Aqui faz um calor banguense: 18 graus. O quarto está reservado para vocês. Pensão completa com um espumante por dia incluído. Por dia, não. Por período.
Os autores da mensagem devem ter investigado a minha vida e descobriram que é EXATAMENTE ASSIM que eu vejo a felicidade.
Assim, fico na encruzilhada: ou arrumo dinheiro (e tempo) para ir a Lages em fevereiro ou arrumo dinheiro para quilos de Prozac, caso eu fique aqui no Rio sabendo que isto está acontecendo lá no sítio.
Ai, meu Deus: 18 graus de temperatura. É como eu acho que deveríamos viver.
Vaga para jornalistas (dois, já que Marcele está formada) em Lages? Emails para a redação.
*****
Em instantes, as estantes
O ECLIPSE 2009 vai dar uma mudada no design gráfico, daqui a uns dois meses. Mas o ECLIPSE versão casa vai ganhar três novas estantes em duas semanas. É o projeto Eclipsinho, que consiste em desocupar este quarto aqui para darmos aquela telefonada para a cegonha.
Posts similares:
10 músicas para lotar a pista de dança
Wonderful tonight - A Festa Perfeita
Pedacinhos de bolo: uma implicância
Comentários:
Seus comentários
Url: http://engavetado.blospot.com
Parcela e sijuóga!!!!
De nossa parte, ja estamos engordando as ovelhinhas. Só nao vamos tosa-las pq, vc sabe, aqui nao faz calor suficiente e elas podem passar frio :op
Url:
Url:
E realmente, sempre depois de alguem falar que eu gasto a toa, acham aquele filme ou aquela série que gostariam de ver ou de rever e me pedem emprestado! E eu sempre empresto pq a graça, como vc falou, é discutir com as pessoas e quem sabe ajudar a espalhar um pouco da boa cultura não é?
Url: http://pratoparadois.wordpress.com
Se for alugar e copiar, o custo vai ser apenas um pouco menor. Não acho que compense.
Seus comentários::


