Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









27.12.08

Operação Compras de Natal: missão dada é missão cumprida

Sábado pós-Natal. Ainda não sei e nem quero pensar no que vou fazer no reveillon. As possibilidades de entrar o ano de forma pouquíssimo festiva são grandes, já que perdi o saco para as diatribes de Copacabana e seus fogos tão faraônicos – se é que faraó tinha morteiro, bombinha e chuva-de-prata. Sei só que o cansaço é grande, pois o Natal foi uma maratona digna de olimpíadas de Esparta. Passei umas duas semanas com o sorrisinho esperto dizendo que iria comprar todos os presentes pela Internet. Até que no domingo, dia 21, entrei em um famoso site de compras submerso para finalmente comprar tudo. A promessa, bonita, era de entregarem tudo até o dia 24. Cliquei algumas vezes e, voilá!, tudo na minha lista, previsão de entrega em dois dias úteis APÓS O PAGAMENTO.

Tive medo de dar problema na operadora do cartão de crédito e resolvi pagar com débito automático na minha conta do Itaú. E...surpresa! O Itaú simplesmente saiu do ar na noite do dia 21! Nada de pagar!
No dia seguinte, nove da manhã, entro no Itaú e pago. E o site submerso manda um email dizendo que as compras chegariam até o dia...26 de dezembro!
Aí se seguem aquelas cenas que todo mundo adora: telefonemas para o call-center, cancelamentos, números de protocolo, prazos de devolução do pagamento (após o Natal, claro). Isto tudo porque o banco ao qual eu pago nada menos que 350 REAIS por ano, sim, isto mesmo, EU PAGO AO ITAÚ TREZENTOS E CINQUENTA REAIS POR ANO, fora as anuidades extorsivas do cartão de crédito, que passam dos 120 reais anuais. No total, os Setúbal levam uns 600 reais por ano da minha conta. No barato.
Agora, o resultado na prática, eu descobri no momento em que o site mandou o tal email dizendo que as compras só chegariam depois do Natal: eu teria de partir para a Batalha Campal das Compras de Natal em Cima da Hora.
Esta é uma guerra que não admite crianças. Nem fracos. Fazer compras de Natal no fim do ano deveria ser tarefa apenas de homens supertreinados em Forças Especiais ou mesmo Comandos Anfíbios chilenos, do tipo daqueles caras que saem de Santiago direto para o Iraque dar cabo de cães infiéis. Por muito pouco não pintei meu rosto com rolha queimada para me misturar ao ambiente.
O local: Rio Sul Shopping Center, em Botafogo. Na primeira noite, eu e minha parceira Marcele estávamos prontos para tudo. O alvo: presentes para nossas mães, sobrinhos e cunhados e concunhados. Quer dizer, tirando o meu concunhado, que raspou a cabeça ao vencer um torneio de futebol americano. Este já tinha ganho o presente, que era a taça.
O ambiente estava bastante hostil. Famílias inteiras levavam idosos com muletas perigosíssimas para transitar entre as estantes de DVDs. Grupamentos letais de criancinhas de cinco a oito anos percorriam em altíssima velocidade os corredores da seção de lingerie e utensílios femininos das Lojas Americanas.
Antes que venha alguém me patrulhar dizendo que este é um post pago e eu tou fingindo que não é, bom, vamos lá, duvido que as Americanas pagassem a alguém para fazer tais comparações.
Logo encontramos outro alvo: um par de tênis novos para a Marcele. Com muito esforço, entre centenas de consumidores xiitas, avançamos de posição e entramos numa loja especializada em artigos esportivos bacaninhas. Um hiphop insuportável em altíssimo volume provavelmente teria nos abatido, não fosse nosso treinamento duro. O vendedor veio nos atender dançando, perguntando nossos nomes e fornecendo o dele. Nestas horas sempre me lembro de Bill Bryson em “Crônicas de um país bem grande”, quando critica esta forçação de barra nas lanchonetes modernas: ‘Vim só comer um hamburguer, não buscar novos relacionamentos”.

Resolvo comprar um tênis novo para mim também. Aponto para um Diadora. O vendedor pega o Diadora e investe, furioso:
- Tem este outro modelo aqui também, da Reebok.
Meu pensamento divaga. Devem ser as armas químicas. O que será que ele quis dizer com isto?
a) Ele acha que eu não estou muito convicto de que quero o Diadora e está dando uma alternativa (mais cara)
b) Ele acha que há possibilidade de eu comprar os dois (hahahahaha)
c) Ele acha o tênis que eu escolhi muito ruim, e está oferecendo outro para me salvar do pior
d) Ele só quer vender um tênis mais caro.

Rapidamente opto pela opção D e reparo que era a correta, já que ele nos oferece meias, cuecas, camisas, e sei lá o que mais. Vou pagar pelos dois tênis e esperar empacotar. É uma longa espera. Fico em dúvida se terei água e víveres em quantidade suficiente para este período. Para me distrair, reparo nos relacionamentos entre vendedores e clientes da tal loja;

- Fala aí bródeerrrrrr
- Beleza, mano? Aí, show a parada.
- Num te falei que era tranqüilo?
- Depois eu vou querer um da Nike, beleza?
- Pode me procurar, pode me procurar – finaliza o vendedor.

Conclusão: os vendedores são idolatrados como poucos nesta loja. Os clientes realmente acreditam que só compram o melhor porque conhecem o vendedor. No momento em que ambos se encontram, existe realmente uma relação de amizade. Fico pensando no sujeito com a namorada encontrando o vendedor em algum outro ambiente, trocando abraços, cumprimentos que terminam com soquinho, e fazendo a maior festa. E a garota perguntando:

- Quem é esse? Parece ser seu amigo há anos.
- Esse cara é 10, é o cara que me vende tênis!

Extenuados, com quilos de mercadorias, vamos à seção de DVDs e CDs da Saraiva. Mais uma vez: não há porque a Saraiva me pagar um centavo sequer pelo que vou escrever. Afinal, havia duas filas gigantescas: para pagar e para embrulhar.

- Aqui é para pagar ou para embrulhar?
- Não, aqui é para pegar autógrafo.
- De quem?
- Sei lá, mais à frente alguém deve saber.

Conseguimos, a ferro e fogo, comprar quase tudo. Faltava os das crianças. Não tem jeito: back to the American Stores (De volta às Lojas Americanas). Checamos todos nossos equipamentos, sincronizamos nossos relógios e procuramos ser claros e concisos nas instruções. A Zona dos Brinquedos sempre foi das áreas mais perigosas das Lojas Americanas. Logo havia um garotinho de sete anos olhando feio para mim porque eu peguei uma Barbie que estava destinada à irmã dela. Crianças em desabalada correria esbarravam de cinco em cinco segundos nas minhas canelas.

E havia uma novidade: representantes das fábricas dos brinquedos escondidos em meio às gôndolas. Ao pegar um carrinho de controle remoto para nosso sobrinho Matheus, fomos saudados efusivamente por um cara que vestia uma camisa com o logotipo do fabricante.
- Booooaaaa noooooiteee e feeeeeeliiizz Naataaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaallll!!!!!!! – gritou o cara, de olhos abertos. Não entendi muito a festa do cara, mas ele foi gentil, solícito e deu uma orientada legal. Mas fiquei com a impressão de que no primeiro momento ele achou que eu fosse uma criança (minha altura, 1,60m, pode até confundir) e a Marcele fosse a mãe da criança. Talvez ele ainda pense isso até hoje.

Em farrapos, me arrastei até a fila da loja, que dava voltas. Ainda entrei e saí da fila ao lembrar que tinha me esquecido dos presentes de amigo oculto, o do meu e o da minha mãe. Suando, com sede, fome e frio, me arrastei quase que com uma faca entre os dentes até a fila, desta vez de forma definitiva. Paguei tudo e saí. Tinha me perdido da minha parceira, Marcele. Descobri o motivo: a mãe dela tinha chegado e elas tinham VOLTADO para as Lojas Americanas. Com toneladas de compras nos braços, tive tempo de balbuciar, trôpego:
- O horror....o horror....

Mas elas tinham ido num quiosque separado da loja, comprar um monitor de LCD que estava na promoção. Pegaram alguns brinquedos, mas o cara do quiosque permitiu que elas pagassem os brinquedos junto com os monitores – o que pode ter salvado a minha vida, já que eu estava disposto a pedir eutanásia caso tivesse de esperar alguém passar pela fila das Lojas Americanas novamente.

No dia seguinte ainda voltamos ao local da batalha. E, como lembra bem a Marcele no post abaixo, compramos um pinheiro num vaso. Peso: uns 20 quilos.

A missão estava cumprida. Agora, era ir para casa embrulhar o que ainda não estava embrulhado (como por exemplo o carrinho do Matheus, que desfez o embrulho em menos de três segundos com um puxão forte). Estava tudo pronto para o Natal.

Inclusive para o de 2009 – já coloquei no meu google reminder: “Comprar presentes até dia 15 de dezembro”.

por Gustavo de Almeida as 17:11:14

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O Bráulio vem aí e tudo vai melhorar


Comentários:


Seus comentários

Adorei o seu blog! Muito bom! Parabéns pelo bom trabalho! Abraços!
28.12.08 @ 13:47
Nome: Felipe Meyer
Url:
Parabens pelo seu blog!
leio suas aventuras ha muito tempo com a sua "parceira".
eu fiz compras em um shopping da zona norte e passei por situação semelhante.
só que eu estava com bota ortopedica no pé.
paguei 20 reais de taxi feliz na volta pra casa.
continuem com o bom trabalho
abs.
29.12.08 @ 21:29
Nome: Paulo Cesar
Url: http://nomesparacachorros.com/
Achei este texto por uma indicação de uma amiga e gostei muito dele. Tambem passei por uma situação bem parecida como essa a pouquissimo tempo, foi bom ver que nao estou sozinho.
04.08.11 @ 15:03
Nome: Lara Grosshans
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24.09.11 @ 10:37
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24.10.11 @ 16:09
Great share it is without doubt. My mother has been seeking for this content.
20.11.11 @ 17:27

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