Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









24.12.08

Feliz Natal, Feliz Ano Novo

Durante o dia, eu torço para as horas passarem logo e o expediente acabar de uma vez. Durante a semana, de segunda até quinta eu torço desesperadamente para a sexta chegar. Só aos sábados, domingos e feriados é ao contrário -- eu torço para o tempo passar devagar, bem devagar, e tento aproveitar cada minuto.

Depois de passar a maior parte do ano torcendo para o tempo passar logo, é estranho chegar no Natal reclamando que o tempo está passando rápido. Ele está atendendo as minhas preces e, ainda assim, reclamo. Mas é só impressão minha, ou o tempo realmente está passando mais rápido que deveria?

Esse prefácio é para contar que este foi o primeiro ano em que não consegui montar a árvore de natal. O problema não é a árvore, entendem? O problema é que há poucos anos eu queria montar a árvore no fim de outubro, assim que o Natal dobrava a esquina e acenava -- muito, muito antes dele chegar na minha frente. E já é a tarde do dia 24 de dezembro e eu não montei a árvore de Natal.

Gustavo e eu fomos até um shopping, compramos alguns presentes e, na saída, passamos em um quiosque de plantas para comprar um pinheirinho. O nosso primeiro pinheirinho de verdade. Ao entrarmos no táxi para voltarmos para casa, o motorista perguntou: "Vocês vão me desculpar, mas não é tarde demais para montar árvore, não?". Não, moço. Antes tarde do que nunca.

O meu desejo para vocês é que neste Natal o tempo passe devagar, bem devagar. E que em 2009 ele continue em ritmo lento, para dar bastante tempo de vocês aproveitarem cada minuto.

***

De presente de Natal, um textinho de Clarice Lispector -- para gente aprender a aproveitar bem a vida (eu, inclusive):


Dez Anos

Por Clarice Lispector

- Amanhã faço dez anos. Vou aproveitar bem este meu último dia de nove anos.
Pausa, tristeza.
- Mamãe, minha alma não tem dez anos.
- Quanto tem?
- Acho que só uns oito.
- Não faz mal, é assim mesmo.
- Mas eu acho que se deviam contar os anos pela alma. A gente dizia: aquele cara morreu com 20 anos de alma. E o cara tinha morrido mas era com 70 anos de corpo.
Mais tarde começou a cantar, interrompeu-se e disse:
- Estou cantando em minha homenagem. Mas, mamãe, eu não aproveitei bem os meus dez anos de vida.
- Aproveitou muito bem.
- Não, não quero dizer aproveitar fazendo coisas, fazendo isso e fazendo aquilo. Quero dizer que não fui contente o suficiente. O que é? Você ficou triste?
- Não. Vem cá para eu te beijar.
- Viu? Eu não disse que você ficou triste?! Viu quantas vezes me beijou?! Quando uma pessoa beija tanto outra é porque está triste.

***

Que tipo de gente tem o trabalho de comprar cartões de Natal, escrevê-los, colocá-los em envelopes, endereçá-los e não levar até o Correio? Hein, hein, hein? Este tipo de atitude define bem um traço de personalidade que eu preferia não ter.

por Marcele Fernandes as 17:48:41

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27.12.08 @ 15:35

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