Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









22.12.08

Hoje tem show de um craque do sono

Confesso que estou tenso, pois vou fazer um exame do sono esta noite. O mais engraçado: não faço idéia de como é isso. Bom, minto. Faço idéia de que vou usar eletrodos no corpo e na cabeça, já que eles recomendam lavar o cabelo com sabão de coco antes. E faço idéia de que vou deitar em uma cama minimamente decente, embora tenha ficado claro que eu terei de levar o meu próprio edredon. Agora, o ponto nebuloso é o horário em que o exame começa: 19h30. Quem dorme 19h30? Melhor ainda: quem dorme 20h? Mais exato: quem dorme 21h? E, finalizando: que ser humano dorme antes das 22h neste país??

A médica que me recomendou - a pedido, claro, da Marcele - disse uma frase enigmática. "Muita gente vai lá (na clínica do sono) achando que não vai conseguir dormir, mas quando chega é outra história". Brrrrr. Será que usam um gás sonífero? Um anão vestido de oncinha com uma marreta de borracha bate na minha cabeça? Um mago hipnotizador? Ou a sala é inteiramente escura?

Outro pensamento que me veio à cabeça quando soube que o exame seria às 19h30: provavelmente é neste horário bizarro porque TODOS vão embora da clínica e eu ficarei lá, sozinho, de madrugada, num prédio comercial em Copacabana, tal e qual defunto em IML. Numa sala escura, completamente sozinho no prédio, posso até ser confundido com um cadáver por ladrões que, por um azar, arrombarem a clínica.

Bom, não serei confundido com cadáver porque provavelmente um cadáver não faz nem a metade do barulho que eu faço, segundo a Marcele. E se, pior ainda, a clínica tiver assombrações que se divertem entrando no sono dos pacientes tal e qual Freddy Krueger?

Telefonei para a clínica perguntando se poderia levar um livro e o MP3. A mulher respondeu um "pode, ué" com um certo tédio na voz. Como se meu esforço fosse inútil e, ao chegar lá, estivesse tudo um breu e fosse impossível ler ou mesmo enxergar o aparelhinho.
Enfim, vamos à tal da Polissonografia. O meu maior medo, na verdade, é o de me ver dormindo, afinal, eles gravam.

Tenho convicção quase espiritual de que o ser humano não foi feito para voar e nem para se ver dormindo ou nascendo. Não tem troço mais esquisito que se ver nascendo. Me ver dormindo é algo que me dá nervoso desde quando uma prima dormiu lá em casa e disse ter visto alguém em pé no local onde eu dormia. "Logo depois, olhei de novo, e você estava deitado. Voltei para olhar em cima da cama, não havia ninguém. Será que era você?", perguntou minha prima Letícia, para logo em seguida ouvir o agradecimento: "Obrigado por me proporcionar umas cinco noites sem conseguir dormir".

Vai que filmam esse negócio e me mostram? Ou processo a clínica ou lanço um DVD.

por Gustavo de Almeida as 17:52:38

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Comentários:


Seus comentários

Nome: Marcele Fernandes
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E adivinha só, quem está ansiosamente esperando o senhor chegar? É só uma noite e eu já estou naquele estado que você descreveu no post de quando eu viajei: ficando louca de saudade. Ai, ai, ai.

Beijos, te amo,
Marcele
23.12.08 @ 00:47
O mais bizarro desses exames é a contagem das paradas respiratórias. Tomara que não te receitem a maquininha de respiração artificial para durante a noite. É horrível!
23.12.08 @ 14:59

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