Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









20.12.08

Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier

Para mim, está decidido: o mês mais cansativo do ano é dezembro. Hoje não tenho mais dúvidas disto, principalmente depois da verdadeira maratona de confraternizações de fim de ano a que me submeti. Nas últimas duas semanas, a média foi de quase uma por dia. E de grupos diversos: ex-JB, O Dia, amigos que se conheceram na faculdade, amigos da Marcele, sempre nesta base. Tenho medo de um dia eu ter de ir em confraternização da “galera que se conheceu comprando jornal na mesma banca” ou “turma da parte de trás do 176 (Central do Brasil- São Conrado)”. Enfim, recomendo que com o passar dos anos você evite formar mais e mais grupos. É difícil administrar os grupos que você forma até os 30 anos. Depois desta idade, não caia nesta esparrela. Periga haver diálogos assim:

- Carolina! Você por aqui? Mas eu te encontrei ontem na festa do pessoal que trabalhou nos jogos Pan-Americanos de Winnipeg!
- Sim, bobo, mas hoje vim também! Você esqueceu que eu também faço parte da turma de Datilografia dos cursos TED?

Sim, há pessoas que fazem parte de vários grupos. Daí a importância de controlar este crescimento. Ontem, sexta-feira 19, era o dia da principal confraternização da minha agenda, que era da galera cláusula pétrea, ou seja, aqueles amigos que não dependem de onde está sua carteira de trabalho para você conviver. Não que a gente não crie amizades importantíssimas e eternas no trabalho, mas, não sei se você me entende, numa rede de relacionamentos, há aqueles que vão ficar sabendo primeiro se você partir desta para a melhor. E, dentro destes, o subgrupo “carregadores do caixão”. Digo em tese, porque se eu estiver no peso em que estou atualmente, acredito que muitos amigos de fé vão amarelar para a tarefa.

Mas, voltando à vaca fria (ou “coming back to the cold cow”, como escreveu o Tom Jobim), no dia da minha confraternização mais importante, eu já estava completamente esgotado. Foi uma maratona principalmente de cervejas, no calor que faz no Rio de Janeiro em dezembro. E eu há muito que não me dou bem com cerveja, ressalte-se. Mas, enfim, passei por uma verdadeira excursão sem guia ao Rio de Janeiro e seus principais palcos para confraternizações: pubs, casas de samba, residências particulares nos bairros mais diversos.

E não sei por quê, tenho a impressão de que o número de confraternizações aumentou muito ao longo do tempo. Talvez esta impressão seja reforçada pelo fato de eu estar trabalhando no Centro do Rio este ano, e não no Rio Comprido, afastado de toda e qualquer forma de sociedade pós-revolução ndustrial. Tudo bem que em dezembro de 2007 eu já estava trabalhando na Rua do Riachuelo, mas quem mora aqui no Rio há de convir que o local não é nenhuma Manhattan. O restaurante mais sofisticado na região é um Spoletto.


Já tá na hora da festa? Ih, vou colocar meu desodorante Tally-ho!

Pelo Centro, a quantidade de restaurantes fechado para eventos de fim de ano era incrível. E mesmo os abertos para o público continham mesas gigantescas, com 30, 40, 50 pessoas, num alarido capaz de ultrapassar em decibéis até um show do Metallica. Na informalidade aqui no Rio, claro que havia locais com mesas da Brahma invadindo a calçada, com cadeirinhas metálicas e esporrentas em torno, e sentadas nelas as figuras clássicas da mulher de meia-idade bem-arrumada e de brincos grandes e do carequinha (não eu, porra) de bigode e gravata meio desalinhada. Ambos de copo na mão e várias idéias na cabeça. É o fim de ano, minha gente!

A quantidade é tão grande de gente que pensei na hora: o Rio deveria ter um evento no sambódromo. Taí: deveriam construir o Pilecódromo. Seria o local oficial para que os bares montassem estandes com grandes chopeiras e centenas de garrafas, paramédicos a postos, quartos escuros para o caso de alguém adormecer, estacionamento amplo e vans para condução de bêbados sem condições de dirigir (praticamente todo mundo). O local só ficaria aberto entre os dias 14e 20 de dezembro, que são os mais repletos deste tipo de celebração tribal.

Por que tão poucos dias? Bom, primeiro, para possibilitar a infra-estrutura. Nenhuma empresa no mundo, nem a Halliburton, tem condições de fornecer chope a 20 mil cariocas em dezembro por mais tempo que seis dias. Aposto quanto vocês quiserem. Digo 20 mil porque é o mínimo de pessoas por dia que estão em confraternização de fim de ano no mês de dezembro. Assim, pelo menos seis dias, se fosse fechado um megacontrato com a Ambev, haveria condições. Claro que a economia brasileira daria um salto graças às vendas extraordinárias da Ambev no período. Acredito que por alguns dias a cevada se tornaria o commoditie mais valorizado e as ações da Brahma, Antártica e que tais iriam ficar mais valorizadas que as da Petrobrás no período pré-sal.

O outro motivo pelos poucos dias é a possibilidade de haver confraternizações de grupos diferentes no mesmo dia. Assim, eu sairia com uma caneca pendurada no pescoço, transitando pelos estantes, de celebração em celebração. Claro que ao fim de oito rodadas pelas festas de fim de ano eu começaria a fazer confusão e seria obrigado a parar em uma só. E agora? Fudeu.

- Vem cá, você vai ficar lá na festa dos ex-JB, é? Maior desprestígio.
- Ah, tu vai lá para a festa do Dia, né? Beleza, cara, vai na fé. Acho que é isso mesmo, é tua vida.
- Porra, não perdeu o cordão umbilical? Você não faz mais curso de música! Cai na real, vai ficar fazendo o quê lá?
- Teus amigos te vêem o ano todo. Eles são teus amigos. A gente aqui só tem chance de te ver no fim do ano. Mas você é que sabe.

Ou seja, o pilecódromo é um projeto que ainda demanda por mais discussão. Enquanto isso, tomo água mineral com gás e me preparo para outra ainda hoje.

por Gustavo de Almeida as 12:20:41

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Seus comentários

Difícil é resistir a tanto chopp.
Eu sigo incólume.
Nem um gole de álcool e dormi em apenas duas reuniões de final de ano.
Hoje tem mais uma.
Vamos de suco e água mineral de novo.
6kg a menos.
Bom fim de ano pra vocês!!!!
22.12.08 @ 17:10

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