24.11.08
Quando o rock and roll foi mais rock and roll

Exile on Main Street é possivelmente o meu disco favorito dos Rolling Stones. Digo possivelmente porque estamos falando de ser ou não meu favorito. Mas não tenho dúvidas em afirmar que este é o melhor de todos os discos dos Stones, pelo menos o mais espetacular e mais a cara dos Rolling Stones, sem sombra de dúvidas.
No início da década de 80, quando a onda punk-new wave tomou conta do pop brasileiro, era comum me reunir com amigos amantes do anacronismo para ouvir Stones e The Who, bandas que praticamente ninguém cultivava, pelo menos na nossa vizinhança. E o Exile era sempre o disco que só era ouvido em ocasiões especiais, digo, um disco que não podia ser repetido ad nauseaum.
Mas depois de uma tarde bebendo caipirinha e ouvindo som, geralmente encerrávamos com Rocks off e Rip this joint, duas pauladas sonoras que abrem o Exile, no volume máximo.
Quando vi a notícia de que a Zahar lançou no Brasil o livro Uma temporada no inferno com os Rolling Stones (236 pgs., R$39,90), tive todas estas recordações de uma vez, me lembrei da primeira vez que peguei o disco nas mãos, os dois LPs enormes, pesados, lá por volta de 1982 ou 1983. Me lembro da agulha descendo pela primeira vez em Sweet Virginia, o country espetacular que abria o lado B do disco 1. E a gaita começando, a sensação de querer ver uma estrada passando embaixo dos pés.
O livro de Robert Greenfield, ex-editor da Rolling Stone, descreve bastidores que na minha opinião deveriam ser proibidos para menores de 70 anos. Ácido, cocaína, heroína, sexo livre, excessos em excesso, e acima de tudo o hedonismo da desesperança, algo que os Stones provavelmente fizeram nascer em Altamont, naquele dia em que o Hell's Angels esfaquearam o jovem negro - um dos dias descrito por Don McLean em American Pie como "o dia em que a música morreu".
Exile on Main street é um disco de rock and roll puro, visceral, de sangue. Não é um disco de alegria porque o rock and roll não é alegre - e esta é uma descoberta que faz o ouvinte do Exile. Rock and roll veio do blues, do sofrimento, do exílio, da dor e do abandono. Não é ser uma garotinha tocando violão ou rapazes com gel no cabelo sussurrando depressões bobas.
O Rock and Roll nunca foi tão Rock and roll quanto no Exile, este disco em que os Stones são Rolling Stones como jamais foram.
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E falando em música, está no ar o blog com podcasts do jornalista Francisco Alves Filho, o http://www.varandadomundo.blogspot.com. Visitas diárias e obrigatórias para quem gosta de música a sério.
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Sou Bruna Pallini, trabalho na Edelman, agência de comunicação da Jorge Zahar Editor.
Ficou ótimo o seu post! Uma temporada no inferno com os Rolling Stones é realmente muito bom, pois descreve a história da banda na época, assim como dos personagens principais (Mick Jagger, Keith Richards e Anita Pallemberg).
Parabéns pelo blog! Visitarei mais vezes!
Abraços
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