3.11.08
Os estereótipos irritantes, parte 2
A pergunta que eu mais fazia para meus colegas nas semanas que precederam o meu primeiro encontro com o Gustavo era: "qual é a sua altura?". Eu precisava saber qual era a diferença de altura entre eu e qualquer outra pessoa, para tentar imaginar os dez centímentros que eu sabia que Gustavo e eu teríamos de diferença. Você deve estar pensando que eu sou uma idiota e provavelmente você tem razão, mas eu não era a única paranóica nessa história.

Neste segundo parágrafo, é melhor abrir um parênteses: Gustavo e eu nos conhecemos através de nossos antigos blogs, há mais de seis anos. Depois de um mês e meio, alguns comentários, muitos e-mails gigantescos, um livro do Ernesto Sábato enviado de presente e duas conversas ao telefone, nós decidimos nos encontrar, no dia 29 de julho de 2002. Mas o Gustavo tinha uma exigência:
-- Eu preciso estar sentado. Quando você me ver pela primeira vez, eu preciso estar sentado.
Sim, a altura importava para ele. E a exigência foi cumprida. Na primeira vez em que vi o Gustavo, ele estava sentado no banco traseiro de um táxi. E eu usava um par de mocassins velhos, maltratados e, mais importante, de solas extremamente gastas. O que, obviamente, não diminuiu nem um pouco a diferença de altura entre nós e fez o Gustavo perguntar (essa, aliás, deve ter sido a primeira pergunta que ele me fez pessoalmente):
-- Você está usando salto alto?
Depois dessa noite, eu usei salto alto várias vezes. Ele não se importou -- muito pelo contrário. E bem, eu devo dizer, a reação das pessoas nas ruas é curiosa. Talvez, o mais engraçado é que todos lembram de nós. Nos restaurantes, nas lojas, nos mercados; nós somos um casal fácil de se lembrar: a menina morena alta com o loiro baixinho.
Lembro bem do primeiro casal que eu vi em que a mulher era bem mais alta que o homem. Eu devia ter uns seis anos de idade e eles eram meus vizinhos. Fiquei espantada. Nunca tinha visto um casal como aquele. E lembro de ter perguntado para a minha mãe:
-- Ué, isso pode?
Se não existia algum tipo de lei que proibia mulheres altas de namorarem homens baixos, por que isso não acontecia com mais freqüência? Por que as meninas altas se preocupavam tanto em encontrar namorados mais altos? Pra mim, era um mundo estranho. E esse mundo estranho que começou a desmoronar -- graças aos céus -- no ginásio, quando quase todos os meninos mais populares do colégio eram, também, os de menor estatura. E namoravam, é claro, as meninas mais populares da turma (quase todas, mais altas do que eles. Bem mais altas).
Recentemente, uma marca de maionese lançou uma campanha mostrando um casal que bem que poderia ser a Marcele e o Gustavo (a diferença de altura é a mesma, as cores dos cabelos também). Vários amigos ligaram e escreveram e-mails quando viram o anúncio, às gargalhadas. Eu também ri bastante com a coincidência (até de nomes -- o personagem masculino também se chama Gustavo):
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Acho que essa é uma preocupação essencialmente masculina. Eles PRECISAM ser fortes e maiores e blá blá blá, se sentem ameaçados, eu acho.
... e que eles não nos leiam (pq eu tb adoro o meu baixinho) fica mesmo bem engraçado, mas faz parte.
Parabéns, adorei o blog.
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(pronto, perdi o amigo)
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