27.11.08
Trocando de cama
Após meses e meses de relutância, debates e resistência (da minha parte), sem contar a demora em acumular capital, finalmente nós trocamos a cama aqui de casa. Sim, quando casamos, ainda sob os encantos da perspectiva de uma nova vida-jovem-independente (apesar de ainda receber o jornal da minha mãe), ganhamos de presente uma cama estilo japonês da Tok & Stok. Meus colegas de JB na época se cotizaram e deram de presente de casamento a cama e o colchão.
Nada como ser um casal moderninho, antenado, plugado, e ter uma cama japonesa da Tok & Stok. Para ser mais "in", só faltava mesmo geladeira com internet. Sim, Gustavo e Marcele, o casal do Eclipse.
Bom, o conto de fadas com a cama japonesa começou a ruir uns dois anos depois, quando a primeira ripa rachou tal e qual uma árvore atingida por um raio. Óbvio que tivemos de ouvir as brincadeirinhas de praxe, no estilo "Aí, heim, quebrou a cama!". Mal sabe o engraçadinho que no meu caso não há conotação sexual, e que as ripas do meu lado possivelmente quebraram por causa da minha falta de vergonha na cara e na barriga.
Logo, logo, a Marcele começou a Campanha pela Cama Nova e Comum. Estilo "box". Sabem qual é. Aquilo que antigamente chamavam de "cama americana". Bom, o tempo passou, juntamos grana e, tchantchantchantchan!, compramos a dita.
Estávamos em casa, na noite de quarta-feira, ainda deitados, curtindo a última noite na velha cama japonesa. Eu cheguei a pensar - e aí conto com a solidariedade dos machos heterossexuais conservadores e puristas que lêem o Eclipse - que toda essa história era uma frescura de mulher. Claro. Trocar cama? Coisa de boiola. Macho que é macho agüenta dor, mesmo em determinadas manhãs eu sendo quase obrigado a me arrastar até o banheiro porque minhas costelas pareciam ter furado meus rins e a minha coluna vertebral parecia ter a firmeza de uma enguia. Ah, vai. Que frescura.
As ripas todas romperam e eu improvisei com uns livros. Matemática, química, física. Só matéria que eu não gostava. Empilhei e fiz um calço, em cima do qual a ripa lateral de apoio se firmou, para que o estrado se firmasse. Perfeito. Magistral. Só mesmo os machos para chegarem a esta solução barata e econômica. Que cama box, o quê.
O problema é que quando eu me mexia na cama, dormindo, causava um terremoto nas pobres ripas que resistiam bravamente. E nessa os livros desempilhavam, o estrado "afundava" novamente, e eu acordava em um "buraco" - considerando que a densidade do colchão comprado era dirigida a um faquir da Etiópia, e não a um quase-obeso como eu.
Assim, Marcele venceu. Na verdade, nós dois vencemos, ao decidirmos pela troca de cama. Ela estava certa. Aí, como eu ia dizendo, na noite de quarta-feira, sabendo que a cama chegaria no dia seguinte, percebemos:
- Marcele, o que vamos fazer com esta cama aqui na hora em que chegar a nova? Não tem lugar na casa!
Marcele tinha pedido ao Exército da Salvação para buscar a cama velha. Só que eles não tinham horário para quarta-feira. Nem para segunda-feira. Resumindo: só tinha horário para buscar a cama DEPOIS de chegar a nova.
Assim, na manhã de quinta-feira, Marcele foi trabalhar e a minha missão foi: desmontar a cama velha a fim de empilhá-la em algum canto para que pudéssemos receber a nova. Claro que a Tok & Stok tinha que dificultar tudo e colocou, entre os mais de cinco milhões de parafusos (eu contei), oito parafusos daqueles cavados, que necessitam daquelas chaves em L, especiais. Não saem com chave de fenda.
E é claro que eu não tinha estas chaves e tive de sair para comprar. Por sorte, achei. Só que depois de tirar os oito parafusos especiais, constatei que NADA tinha se alterado.
A cama que se destruía tão fácil era o negócio mais difícil do mundo para se desarmar. Pensei naquela alternativa sábia, que era comprar uma marreta gigante e destruir tudo que havia no quarto reduzindo tudo a pedacinhos, mas creio que Marcele iria ficar meio aborrecida. Aí comecei com a missão Desmonta-Cama. Até procurei Eye of the Tiger na internet mas não achei (só a versão do Inri Cristo).
Eu suava em bicas. Rodava parafusos ocultos em vão. Martelava com uma chave inglesa tentando mover qualquer uma das partes. Descobria novos parafusos que impediam o desmonte. E o tempo ia passando solenemente, implacável.
Em pelo menos três parafusos a solução foi a força bruta: a madeira em volta estava meio podre e eles tinham ficado presos. Não giravam. Aí, saí puxando. Uma das tábuas fez CREEEEEEECCKKKRJSKWKJWKRKJKWWRTWTSTN ou som parecido na hora em que eu, suarendo, acabado, com orgulho ferido e possesso, puxei com toda a força. Suarento, acabado, com orgulho ferido e possesso, constatei que uma das coisas mais preciosas que ainda tenho é o controle do esfíncter, senão os entregadores da cama nova iriam ter uma surpresa desagradável.
Consegui desmontar tudo, e olhei para o chão vazio com o olhar que Cassius Clay dedicou a Sonny Liston na lona. Havia vencido.

A cama chegou, e o final foi feliz. Até que depois de tudo isto, eu chego em casa, vejo a cama nova, acho legal até, apesar de alta. E ouço da Marcele, com aquele sorriso lindo que só ela tem (e que a credencia a dizer qualquer coisa para mim):
- Sabe que eu senti falta da nossa cama antiga? Acho que me apeguei a ela, é a cama do nosso começo de casamento...
O pior é que ela fala isso e eu acho lindo...
A lição de Jeff Bridges

Jeff nunca foi dos atores mais marcantes, ou, digamos, na verdade ele nunca foi definidor de escolha em locadora. "Ah, vamos alugar este, tem o Jeff Bridges". Desde "King Kong" (1977) do Dino di Laurentis que ele participa de bons filmes, e é daqueles caras cuja lista de filmes no IMDB tem dimensões parecidas com a de discos gravados pelo Nelson Gonçalves.
Em Homem de Ferro, ele ainda fez talvez o seu vilão mais repugnante, o Obadiah Stane, um sujeito inescrupuloso que tenta mover a Stark Industries sempre em direção à fabricação de armas de guerra. Um personagem bem caricato, que Bridges vive com muito talento.
Mas em seu site (que é bem interessante), Jeff nos dá uma lição. Uma aula de convivência. E em uma frase, que se fosse mais seguida por todos nós (por mim também, por mim também), o mundo seria melhor:
"Seja sempre mais cordial do que o necessário, porque todo mundo que nós encontramos está lutando algum tipo de batalha"
Agora, o mais legal é ver qual a situação que levou o Jeff a escrever isto. Clique aqui. E lembre-se: eu também demorei a acreditar.
25.11.08
Um bizarro tributo a Rubinho vindo das terras germânicas
Eu confesso que imaginaria outros nomes parecidos. Não tem Huey Lewis & The News? Por que não Lewis and The Hamiltons? Ou Nelson e os Piquetes? Agora, quando vi que existia uma banda chamada Rubens & The Barrichellos, realmente vibrei.
A coisa já havia pipocado aqui e ali em alguns blogs, principalmente o do Fábio Seixas, especializadíssimo em Fórmula 1. Ele foi o primeiro a revelar a existência de uma inacreditável banda de surf music/country rock alemã chamada Rubens & The Barrichellos. O lançamento deles, o CD "Gran turismo", já está à venda nos EUA e pode ser baixado via E-Mule ou rapidshare. Vejam as capas abaixo e prestem atenção nos nomes dos integrantes.
Não me peçam para definir se o nome da banda - que na verdade é derivada de outra chamada The Motorpsychos - é uma brincadeira ou é um ato de louvor ao nosso tão malfadado piloto. É impossível saber.
Na Alemanha, tenho certeza, Rubinho seria reconhecido como grande piloto. Não um Schumacher, evidentemente, mas um piloto reconhecidamente de competência e talento. É vice-campeão mundial, é recordista de GPs disputados, tem uma extensa folha corrida de atuações boas. Não é, repito, o Schumacher. Nem o Senna, nem o Piquet. Mas teve lá sua participação. Está em um patamar acima de vários outros pilotos brasileiros que chegaram ao circo da F1 com ganas de arrebentar - vide Mauricio Gugelmin ("É Perdigão? Então manda!"), Raul Boesel, Luciano Burti. Todos bons. Mas não emplacaram.
Rubens & The Barrichelos pode ser um tributo alemão ao "cara sangue bom que formou com o Schumy na humildade" (como se diria isso em alemão?). Pode ser uma zoação total, sem dúvida - afinal, é só o segundo nome de uma banda, uma relação meio "Blur-GorilaZ". Mas é divertidíssimo ver uma banda de ritmo tão acelerado homenagear nosso velho e bom Barrica.
Neste link, uma palinha de Rubens & The Barrichellos, com a música "Tamburello".
24.11.08
Quando o rock and roll foi mais rock and roll

Exile on Main Street é possivelmente o meu disco favorito dos Rolling Stones. Digo possivelmente porque estamos falando de ser ou não meu favorito. Mas não tenho dúvidas em afirmar que este é o melhor de todos os discos dos Stones, pelo menos o mais espetacular e mais a cara dos Rolling Stones, sem sombra de dúvidas.
No início da década de 80, quando a onda punk-new wave tomou conta do pop brasileiro, era comum me reunir com amigos amantes do anacronismo para ouvir Stones e The Who, bandas que praticamente ninguém cultivava, pelo menos na nossa vizinhança. E o Exile era sempre o disco que só era ouvido em ocasiões especiais, digo, um disco que não podia ser repetido ad nauseaum.
Mas depois de uma tarde bebendo caipirinha e ouvindo som, geralmente encerrávamos com Rocks off e Rip this joint, duas pauladas sonoras que abrem o Exile, no volume máximo.
Quando vi a notícia de que a Zahar lançou no Brasil o livro Uma temporada no inferno com os Rolling Stones (236 pgs., R$39,90), tive todas estas recordações de uma vez, me lembrei da primeira vez que peguei o disco nas mãos, os dois LPs enormes, pesados, lá por volta de 1982 ou 1983. Me lembro da agulha descendo pela primeira vez em Sweet Virginia, o country espetacular que abria o lado B do disco 1. E a gaita começando, a sensação de querer ver uma estrada passando embaixo dos pés.
O livro de Robert Greenfield, ex-editor da Rolling Stone, descreve bastidores que na minha opinião deveriam ser proibidos para menores de 70 anos. Ácido, cocaína, heroína, sexo livre, excessos em excesso, e acima de tudo o hedonismo da desesperança, algo que os Stones provavelmente fizeram nascer em Altamont, naquele dia em que o Hell's Angels esfaquearam o jovem negro - um dos dias descrito por Don McLean em American Pie como "o dia em que a música morreu".
Exile on Main street é um disco de rock and roll puro, visceral, de sangue. Não é um disco de alegria porque o rock and roll não é alegre - e esta é uma descoberta que faz o ouvinte do Exile. Rock and roll veio do blues, do sofrimento, do exílio, da dor e do abandono. Não é ser uma garotinha tocando violão ou rapazes com gel no cabelo sussurrando depressões bobas.
O Rock and Roll nunca foi tão Rock and roll quanto no Exile, este disco em que os Stones são Rolling Stones como jamais foram.
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E falando em música, está no ar o blog com podcasts do jornalista Francisco Alves Filho, o http://www.varandadomundo.blogspot.com. Visitas diárias e obrigatórias para quem gosta de música a sério.
A difícil volta à Sibutramina
Depois de uma ida ao médico e a constatação de que esta barriga que atrapalha minhas calças é apenas gordura e não um ser alienígena que saltará a qualquer momento, veio a decisão: estou de volta à sibutramina*. A cada momento seguro lá na cintura e sinto "alças" pelas quais eu poderia até ser carregado. Marcele já saiu na frente e decretou a lei marcial para refrigerantes (na verdade, eles já não andavam com muito prestígio aqui em casa). A minha medida decisiva é decretar a proibição do Pão Francês em todo o território "eclipsal". Afinal, não sei por que cargas d'água, um pão francês, para mim, tem o poder de engorda equivalente ao de uns 17 chopes. E o pior é que deveria ser o contrário - um chope igual a um pãozinho.
Outro dia, durante um jantar daqueles de causar náusea em endocrinologista, nossa amiga Raquel fez uma pergunta decisiva:
- Se você pudesse escolher na próxima vida entre voltar milionário ou voltar com um metabolismo decente, o que você escolheria?
Confesso que hesitei - e, claro, esta hesitação é absurda e um sintoma do quanto me perturba esse negócio de engordar 2 quilos com um pão. Nem lembro o que eu respondi, de tanto que pensei. Tudo bem, escolho voltar milionário.
Afinal, o segredo desse negócio é ter tempo. Tempo para malhar, nadar, fazer piscina, esteira. E tempo é um negócio que custa caro à beça. Portanto, seria perfeitamente cabível voltar milionário com o metabolismo de merda que eu tenho hoje.
Só sei que mais uma vez usei a internet como muleta emocional e comecei a navegar nesse site interativo que mostra o valor calórico de espetaculares sanduíches à base de hamburguer. E fiquei pensando: se eles colocassem, em vez de calorias, a medida "milímetros adicionais à cintura", acho que seria bem mais convincente.
*Sim, eu tinha parado com a sibutramina e nem avisei aqui no Eclipse. Achei que dava para parar sem ganhar imediatamente uns cinco quilos. Estava enganado...
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Atenção São Paulo! A biografia do gênio louco Imperial será lançada nesta terça-feira, dia 24, a partir das 19h, na Livraria da Vila/Casa do Saber - Rua Dr. Mário Ferraz 414. O convite está aí abaixo. O autor, Denílson Monteiro, aguarda os amigos aqui do Eclipse.
O livro, como eu já falei em outro post, promete. Aliás, clicando aqui você tem uma entrevista na qual o Denílson conta episódios impagáveis.
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Alguém sabe dizer em que delegacia foi registrado o assalto praticado por três delinqüentes em Belo Horizonte neste domingo?
22.11.08
Que Papa, que nada: Inri Cristo é que é pop mesmo
Eu conheci o Inri Cristo no início da década de 90, no programa do Alborghetti. Bom, sei que começar um texto com uma frase dessas esgota toda a cota de bizarrices que alguém que escreve em blogs pode utilizar no mês. Mas, enfim, conheci o Inri (com perdão da intimidade) no velho programa Cadeia (calma, eu estava assistindo pela TV, não trabalhava na produção não) e achei que era um fenômeno passageiro, algum desses seres místicos aos quais Mulder e Scully logo entregariam ao anonimato.
Qual o quê!
Inri Cristo sobreviveu e, com a Internet, ficou mais forte do que nunca. Eu comentava no Twitter que só hoje, sábado, 22 de novembro, que eu fui conhecer o espetacular site do velho I.C.: http://www.inricristo.org.br/. E isto graças a um amigo jornalista, que por alguns instantes usou o link em sua apresentação no Gmail.
Cavucando o site e feliz por rever, finalmente, o velho I.C. em situações mais religiosas (e não naquelas situações, jogando sinuca no programa do Pânico ou da Luciana Gimenez), descobri os videoclipes, todos jogados no YouTube.
Em especial este aqui, reunindo uma talentosa dupla de cantoras. Prestem bem atenção no olhar das pessoas envolvidas no clipe.
Elas realmente acreditam, Mulder.
E neste aqui, a apresentação feita por uma garotinha que sinaliza o fim do texto com o imortal gesto da aba do boné sendo virada para trás.
Encerro com esta extraordinária versão de Hotel California
"Conhecer Inri Cristo e sua história" é a versão para "Welcome to the Hotel California.
Precisamos começar urgente uma campanha para banir o karaokê das nossas vidas.
20.11.08
Imperial e a história da cenourinha
A minha próxima ida à livraria (que deve ser hoje) já tem missão definida: adquirir o livro "Dez! Nota Dez! Eu sou Carlos Imperial", de Denilson Monteiro, resenhado de forma excepcional pelo grande Silvio Essinger no cada vez melhor Raios Triplos (Raios Triplos). Aliás, a lista de 80 blogs da revista Época acertou em incluir muitos blogs 100% impossíveis de excluir, como o Pensar Enlouquece. Mas vacilou ao não colocar o ótimo Raios Triplos. Mas, enfim, cada um tem sua lista - e o Eclipse, que não está em lista nenhuma, não é o blog mais tarimbado para estas discussões, com certeza!
Fiz um comentário lá no Raios Triplos sobre o post do Essinger, e o autor do livro, o próprio Denilson Monteiro, viu, gostou e me respondeu. Dali em diante, troquei emails e fiz a entrevista.
Seguem ilustrações do livro e um link por onde você consegue comprar "Dez, nota dez!"
ECLIPSE - Por que catzo logo o Imperial?
DENILSON MONTEIRO - É interessante que em 1971, ele fez essa mesma pergunta ao André José Adler, assistente de direção do Pedro Rovai, quando este o convidou para fazer o Coronel Alexandrão no filme "A viúva vrigem" - obviamente sem fazer essa alusão ao orgão sexual masculino no idioma do Paolo Conte. Bem, porque ele é o personagem mais interessante que já vi, um sujeito capaz de realizar coisas inacreditáveis, desde mandar um cartão de natal onde aparecia sentado numa privada, até carregar uma cruz em pleno centro do Rio de Janeiro.
E- No caminho para reconstituir os passos do Imperial na Terra, o que te surpreendeu mais?
DENILSON - Pensei que muita gente iria bater o telefone na minha cara e que os filhos dele não iriam querer revelados detalhes da vida ítima dele. Claro que uma ou duas pessoas bateram o telefone na minha cara, mas a maioria das pessoas colaborou muito e com grande prazer, revelavam muita gratidão pelo que Imperial havia feito por elas. Quanto aos filhos dele, nunca houve problema algum, sempre me disseram que queriam vê-lo como realmente era e que tinham orgulho disso. Maria Luiza me dizia uma frase dele: "Curtir ou é fácil, ou é impossível".
E- Imperial era machista daquele jeito mesmo ou era só pose?
DENILSON - Ele era daquele jeito em vários momentos e em outros era apenas um personagem. Os amigos comentam que ele sempre tratou muito bem as mulheres com quem vive. Ele se apaixonava, sofria, essas coisas todas. Também tinha seu lado sátiro, chegou a morar com 12 lebre em seu apartamento na Avenida Atlãntica. Ele estimulava muito a independência da mulher, nunca foi um sujeito que recorreu ao recurso do "dá ou desce". A atriz Myrian Pérsia, de quem ele foi namorado e posteriormente se tornou grande amigo, certa vez o abordou:
- Gordo, você é um cara legal, ajuda as pessoas, é bom pai, bom filho, até à missa você vai! Por que você não deixa as pessoas saberem disso?
- Myrian, você não entende nada, se eu me mostrar como sou, não vende.
E- O livro traz o tal episódio envolvendo um ator, um diretor da Globo e uma cenoura? Dizem que foi o Imperial que espalhou o tal boato sobre o ator a pedido de um diretor enciumado....
DENILSON - Claro que traz! Ora, uma biografia do Imperial sem a história da cenoura não teria credibilidade. Eu conto tudo, com riqueza de detalhes, revelações bombásticas (com voz de Nelson Rubens e tudo!). Mas vão ter que ler o livro!
Agradecimentos ao Denilson! Para quem quer detalhes de como adquirir o livro, o link está também aqui.
19.11.08
O "personal" técnico de computador de quem um dia você pode precisar
Conforme prometido - este Eclipse anda se especializando em propaganda gratuita - seguem os dados do técnico em computador que deu um jeito no nosso instrumento de trabalho caseiro. O Dênis e seu sócio atendem em toda Zona Sul e Centro do Rio de Janeiro. O legal é que eles fazem tudo: se diagnosticam falta de memória ou queima da placa de vídeo, anotam e vão comprar, às vezes no mesmo dia. Isto quando eles mesmos não têm em estoque.
Contatos do Dênis:
(21)3259-0041/9131-6931/8553-1904/
MSN: suporte_dps@hotmail.com
Podem ligar e dizer que viram no blog do Gustavo e da Marcele.
Não, a gente não está ganhando nada não, nem descontinho.
16.11.08
Boa ferramenta para começar a semana
Sexta-feira, dia internacional do chope. Segunda-feira, dia internacional de começar dieta e se sentir pesadão. Pensando nisso, o Eclipse traz para seus clientes um avaliador de condições físicas, o "Longevity Test". Muito fácil, com exceção, é claro, de preencher o espaço em que eles pedem nosso peso e altura em libras, pés e polegadas. Clique aqui ou no título para conhecer!
A surpresa de Saramago

Imagine-se um locutor de rádio com um cotidiano comum. A diferença é que você tem que se imaginar um locutor do Rádio Clube Português. Um belo dia, ou melhor em novembro de 2008, sua rádio anuncia uma programação especial para o lançamento de um filme estrangeiro que retrata um dos maiores romances do maior escritor da língua em que você fala.
Você até se veste a caráter (leia aqui para entender).
De repente, você está lá numa boa narrando o programa, quando eis que de repente entra no estúdio, acompanhado da mulher, o maior escritor vivo em sua língua.
São surpresas - como deliciosamente define José Saramago - que fazem a vida valer muito, muito a pena. Sensacional o locutor reconhecer que "não estava preparado para falar com Saramago".
Mas foi isso mesmo: Saramago e Pilar saíram de casa para fazer uma visita surpresa à rádio, como forma de agradecimento. Deram de cara com os locutores de olhos vendados falando do filme. E adoraram. Saramago então abre o coração e fala de doença, recuperação, de morte, de perseverança e, claro, de Pilar. Imperdível.
14.11.08
Obama e a saudade do Atari
Quando vocês clicarem neste link vão me entender bem:
http://superobamaworld.com/
Curioso é que não estou me lembrando de jeito nenhum em que joguinho é baseado esse do Obama se f(*) no Alaska....
12.11.08
Facilitômetro dos beberrões
Reconheço que ando meio jabazeiro e vira e mexe estou colocando iniciativas de empresas aqui no Eclipse. O pior de tudo é que faço isso sem ganhar chongas a mais, nem um centavinho. Só que não resisto. Achei legal pacas a idéia do marketing da Ambev. É só isso: você coloca seu endereço e escolhe o bar onde tem chopp da marca vendida pela Ambev. Aquela do Zeca Pagodinho. O sistema mostra o trajeto até o bar e, o que é mais legal, quanto custa o táxi na bandeira 1 e na bandeira 2 (a mais provável de ser usada).
Bom, é uma pena que não sou mais bebedor de chope. Só tenho bebido vinho. Será que calcula o táxi até Mendoza?
Calcule aí o seu táxi.
11.11.08
Um breve passeio do Eclipse
O Eclipse foi vitimado por um ligeiro abandono, mas vamos fazer então aquele post cheio de tópicos só para manter o pessoal atualizado do que vem acontecendo. Problemas no computador (já resolvidos), férias da Marcele que acabam, muitas tarefas no dia-a-dia, pendências sendo resolvidas, enfim, a vida vai andando neste fim de ano. Tenho ficado impressionado com o quesito "resolução de problemas". Mas vamos lá.
***
Na quarta e na quinta-feira da semana passada, dias 5 e 6, enquanto o mundo celebrava o Obama, eu festejava o Dênis. Dênis é o técnico de computadores que encontrei por acaso. O cara em dois dias vez "só" o seguinte:
- Recarregou os cartuchos e fez revisão na impressora
- Otimizou o sistema
- Instalou nova placa de vídeo (já veio com ela)
- Instalou novo pente de memória RAM, de um gigabyte (já veio com ela)
- Instalou um gravador de DVD
- Revisão geral no PC tornando-o rápido como antes
Mão-de-obra e acessórios vendidos por ele: 300 reais. Já já prometo postar aqui o telefone do homem, o cara realmente resolve. E atende sábado/domingo, preferencialmente Zona Sul e Centro do Rio.
***

Museu Imperial de Petrópolis
De computador renovado, eu e Marcele colocamos o notebook na bagagem e resolvemos fazer uma viagem curta, só no fim de semana, para deixá-la feliz. De qualquer maneira, a minha mudança de emprego fez com que as férias dela fossem prejudicadas, já que eu mesmo mandei as minhas para o espaço. Por um lado, férias são sempre férias, e Marcele aproveitou as dela para adiantar substancialmente a monografia.
Mas não tínhamos viajado. Decidimos viajar. É meio estranho, sei lá, a gente decide viajar e nem tem idéia de para onde ir. Não temos muitos amigos que curtam as viagens da mesma forma que nós curtimos, e os que curtem raramente podem ir junto. Ou raramente querem. Desta forma, temos que decidir só nós dois, senão a gente não faz nada.
Procura dali, procura daqui, resolvemos, via Google Talk: vamos a PETRÓPOLIS!
Meio cafona, o destino? Vejamos:
- Fica a menos de uma hora do Rio
- Tem vários passeios maneiríssimos, incluindo museus
- A passagem Rio-Petrópolis custa R$ 13,50
- A gastronomia é espetacular
- A onda nossa era só pegar um hotel com piscina, e Petrópolis tem um hotel que tem piscina aquecida em ambiente idem, com frigobar e ducha de alta pressão DENTRO da piscina. Quer mais?
O hotel é caro, mas como iríamos ficar uma diária, resolvemos ir. E aproveitar bem, ao máximo, dando aquela bandeira total de que o casal é pobre. Gentalha pura.
***
Como se dá a bandeira de que se é gentalha? Bom, para começar, chegamos de táxi Fiat Palio, e já demos de cara, de frente, com aquele simbolozinho da Mercedes Benz reluzindo no carro de um dos hóspedes. Eu, de tênis, sem casaco e em camisa comum da Taco, daquelas de R$ 19,90 o litro.
Só pobre compra qualquer coisa que custa alguma coisa E NOVENTA.
Chegando lá, distraidamente (puro reflexo), mantive meu hábito de só me hospedar em espeluncas que deixam o hóspede carregar toneladas de bagagem sozinho. E comecei a carregar a minha. Imediatamente fui abordado por um carregador. E na hora lamentei não ter levado minha nota de cinco dólares para dar na mão dele quando chegássemos no quarto.
Enfim, o espetacular Solar do Império não é para um pobretão do meu quilate. Mas se um dia vocês quiserem tirar uma onda, vão lá. Façam como eu fiz: paguem a hospedagem no cartão, parcelado, e o jantar no débito, de uma vez, à vista.
O jantar foi inesquecível. Madame Marcele miava enquanto saboreava a casquinha de bacalhau mais espetacular de sua vida. Nós bebíamos um argentino Alberto S, Malbec, safra de 2003, com água mineral gasosa. Marcele quase repetiu, durante a casquinha de bacalhau, a famosa cena de Meg Ryan.
Quando chegaram os pratos principais - o dela um "Bacalhau pensado na cama" e o meu o steak au poivre com molho ao brie e risoto de açafrão - já estávamos irremediavelmente entregues às tentações capitalistas, coroadas com uma sobremesa que deveria ser crime em pelo menos alguns estados brasileiros: brownie de nutella.
Fomos para o sensacional quarto com colchão especial, TV de plasma com DVD e conexão de Internet, como vocês vêem abaixo:

Tá vendo esse fiozinho solto? É a internet
Voltamos numa boa para o Rio, devidamente revigorados. Petrópolis vale muito a pena e você nem sente a viagem de volta.
Quer dizer, eu acho que devo sentir a viagem toda lá pelo dia 23, que é quando vence o cartão de crédito. Aguardem.
3.11.08
Os estereótipos irritantes, parte 2
A pergunta que eu mais fazia para meus colegas nas semanas que precederam o meu primeiro encontro com o Gustavo era: "qual é a sua altura?". Eu precisava saber qual era a diferença de altura entre eu e qualquer outra pessoa, para tentar imaginar os dez centímentros que eu sabia que Gustavo e eu teríamos de diferença. Você deve estar pensando que eu sou uma idiota e provavelmente você tem razão, mas eu não era a única paranóica nessa história.

Neste segundo parágrafo, é melhor abrir um parênteses: Gustavo e eu nos conhecemos através de nossos antigos blogs, há mais de seis anos. Depois de um mês e meio, alguns comentários, muitos e-mails gigantescos, um livro do Ernesto Sábato enviado de presente e duas conversas ao telefone, nós decidimos nos encontrar, no dia 29 de julho de 2002. Mas o Gustavo tinha uma exigência:
-- Eu preciso estar sentado. Quando você me ver pela primeira vez, eu preciso estar sentado.
Sim, a altura importava para ele. E a exigência foi cumprida. Na primeira vez em que vi o Gustavo, ele estava sentado no banco traseiro de um táxi. E eu usava um par de mocassins velhos, maltratados e, mais importante, de solas extremamente gastas. O que, obviamente, não diminuiu nem um pouco a diferença de altura entre nós e fez o Gustavo perguntar (essa, aliás, deve ter sido a primeira pergunta que ele me fez pessoalmente):
-- Você está usando salto alto?
Depois dessa noite, eu usei salto alto várias vezes. Ele não se importou -- muito pelo contrário. E bem, eu devo dizer, a reação das pessoas nas ruas é curiosa. Talvez, o mais engraçado é que todos lembram de nós. Nos restaurantes, nas lojas, nos mercados; nós somos um casal fácil de se lembrar: a menina morena alta com o loiro baixinho.
Lembro bem do primeiro casal que eu vi em que a mulher era bem mais alta que o homem. Eu devia ter uns seis anos de idade e eles eram meus vizinhos. Fiquei espantada. Nunca tinha visto um casal como aquele. E lembro de ter perguntado para a minha mãe:
-- Ué, isso pode?
Se não existia algum tipo de lei que proibia mulheres altas de namorarem homens baixos, por que isso não acontecia com mais freqüência? Por que as meninas altas se preocupavam tanto em encontrar namorados mais altos? Pra mim, era um mundo estranho. E esse mundo estranho que começou a desmoronar -- graças aos céus -- no ginásio, quando quase todos os meninos mais populares do colégio eram, também, os de menor estatura. E namoravam, é claro, as meninas mais populares da turma (quase todas, mais altas do que eles. Bem mais altas).
Recentemente, uma marca de maionese lançou uma campanha mostrando um casal que bem que poderia ser a Marcele e o Gustavo (a diferença de altura é a mesma, as cores dos cabelos também). Vários amigos ligaram e escreveram e-mails quando viram o anúncio, às gargalhadas. Eu também ri bastante com a coincidência (até de nomes -- o personagem masculino também se chama Gustavo):













