30.10.08
Paranóia e Sanidade Mental: um case a ser estudado
Paranóia, eu? Por que você está dizendo isto? Com quem você andou conversando? Por quê você estava falando de mim? Heim? Heim? Desculpe, desculpe, desculpe. Mas eu realmente acho que a falta de férias está me fazendo ficar meio maluco. Hoje, quinta-feira, tive essa impressão, depois dos minutos de elevador que passei.

Trabalho no 15º andar de um prédio com 30 andares. Os elevadores têm as seguintes opções: três deles são expresso do 15 ao 30, ou seja, eu pego e sou o primeirão a subir ou descer, certo? Um deles é do 1º ao 30, evitado por todo mundo que não tem saco de ir de andar em andar ouvindo a voz mecânica anunciar o número, etc, etc. Tem outros dois que obviamente são do 1º ao 15º. Creio que nós, da turma 15/30, temos um elevador a mais porque afinal de contas eles que são do 1/15 acabam tendo mais facilidades: em dois andares dá para subir e descer de escada, e nos restantes, bem, são beneficiados pelo elevador 1/30. Sem contar que no 14 e no 13 sempre se pode descer do 15.
Mas com pressa de chegar logo à rua, eis que pego o elevador parador. O 1/30. E fui parando em andares pelos quais eu só passava voando ou para fazer conexão, como se fossem pequenos Guarulhos.
Plim! Entra mais um. Pára de novo. Plim! Roarrrr....Entram mais dois.
Fui notando que os seres humanos que vivem do 1 ao 15 se falam mais, talvez. Se conhecem, de um andar para o outro. Plim!
- Oiiii....já vai, é?
- Ah, vou...por hoje chega, né...?
- Será que chove?
Estar em um elevador sem ouvir falar de chuva ou sol é como querer ir a Aparecida do Norte sem ouvir oração, né? Até aí, beleza.
Eram pessoas novas, novíssimas, para mim. Uma gordinha de sorriso esperto. Ambientadaça. Um garotão de terno meio playboy (o garotão, não o terno). Uma menina meio baixinha, de óculos. E iam aparecendo as pessoas. Plim! Roaaaar (espero que vocês já tenham percebido que Roaarrrr é a onomatopéia para a porta do elevador se abrindo).
Fui ficando noiado. Saquem só o pensamento:
“Será que eles perceberam que eu pertenço ao Povo do 15/30, o Povo com mais elevadores? Vão me tratar decentemente? Vão me discriminar por eu estar ali ocupando uma vaga que deveria pertencer a um pobre trabalhador do 1/15?”
Bom, digamos que eu não pensei EXATAMENTE tudo isso, senão teria saído correndo para a igreja solicitar um exorcismo. Mas tive por um segundo esse sentimento. Plim! Roaaarrr.
Fato é que parou em tudo quanto é andar. Lotou geral. Quando chegamos ao térreo, houve aquela hesitação. Dois ou três saíram, dei passagem para mais três, e aí dei o primeiro passo para a frente e quase esbarrei com uma coroa do Povo do 1/15 que ia saindo. Temi pela minha vida. Dei passagem a ela, pedindo desculpas. Por um instante, tive a sensação exata de estar ouvindo:
- Este pessoal do 15/30 não tem jeito.
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Plim Plim
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