Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









28.09.08

Um domingo sem descanso: bem-vinda, segunda-feira!

Neste domingo, eu e Marcele acordamos em horário extra-terrestre. Sim, acordamos às sete da matina. Não consigo encontrar palavras para descrever o que seja acordar às sete da manhã de um domingo. Talvez a melhor medida que eu possa dar a vocês seja dizer que estou feliz pela chegada da segunda-feira porque vou poder dormir "até" as 8h30.
Bom, acho que isso deu uma boa idéia do que eu achei de acordar às sete da matina de domingo, só não expliquei o motivo: eu e a Marcele fomos fazer um concurso público - distribuidora BR, cadastro de reserva.
Um concurso para cadastro de reserva é algo meio religioso, admito. Um daqueles atos que você faz, bem, pensando, "admitamos que existe o céu, vou ser bonzinho para eu ir para lá". O cadastro de reserva é algo assim: você não sabe de jeito nenhum se a vaga vai existir, mas em todo caso quer tentar garantir caso ela exista. É místico. A verdade está lá fora.
Hoje em dia, em todo concurso público que eu vou fazer (geralmente, com as mesmas chances que o Ipatinga tem de obter no momento uma vaga para a Libertadores da América), encontro dezenas de profissionais de redações diversas. Sério. No encontro de olhares, rola um certo constrangimento, como se nós tivéssemos subitamente nos encontrando em uma casa de swing ou em festinha de embalo. Aquele sorriso amarelo: "Hehehe, eu também gosto disso aqui, sabe como é".
Bobeira. Acho que a procura cada vez maior por concurso público é um sinal que vai além do desemprego - este é o maior motivo das filas, mas a verdade é que chefes e patrões têm feito poucas coisas realmente eficientes para manter o profissional na iniciativa privada. Ou os caras estão passando o rodo e mandando embora geral, ou quem fica não agüenta o tranco e pede para sair. E isso em muitas áreas.
Eu fui chefe poucas vezes. Mas sempre me preocupei em primeiro lugar em não ser odiado. Acho o fim do mundo alguém considerar que ódio cria eficiência no mercado de trabalho - a menos que você seja treinador de gladiadores num circo romano.
Bom, lá na entrada do concurso, mais uma vez encontrei pessoas que eu não via há muito tempo. E sempre mandava, sem originalidade nenhuma:
- Olhaí, boa sorte, heim. Tomara que você fique com a segunda vaga, depois da minha.
Dããã. É tão sem-graça que eu ainda cometia uma gafe, falando isso com a Marcele ao lado. É óbvio que eu pelo menos deveria dizer "a terceira vaga, depois da minha e da Marcele". Mas, enfim, as pessoas riam amarelo só para não me deixar completamente sem jeito. Atribuo, no entanto, esta compulsão por falar idiotices ao estado em que eu me encontrava ao acordar. Quando chegamos em casa, comentei com Marcele:
- Cara, hoje eu devia estar sonhando no mínimo com a Mega Sena. E com cachorros-quentes que não engordam. E com um show dos Stones em que eu estivesse de graça no camarote. E, sei lá. Não sei.
- Por quê? - ela pergunta.
- Porque há muitos anos o acordar não foi algo tão ruim, tão "nada a ver". Eu simplesmente não levei fé que a gente iria realmente levantar àquela hora.
O melhor ainda viria, e no quadro de avisos da casa: a Light havia marcado para este domingo um conserto na rede. Ficaríamos sem luz das 8h30 às 17h30. Que beleza.
Ainda bem que pelo menos o jogo da Globo era o do Vasco.

por Gustavo de Almeida as 22:22:10

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Comentários:


Seus comentários

E como foi no concurso? Passou? Foi chamado? Ficou com a terceira vaga depois do seu amigo e da Marcele?
14.03.09 @ 15:41
Nome: Priscila
Url: http://www.concursos2010.com
Achei divertida a sua tirada sobre o "cadastro reserva". Algo místico! hehehe... mas é verdade... cadastro reserva é algo complicadíssimo... pode ou não existir... pode ou não passar... mas... afinal... passou?! :-) Beijos! Priscila.
31.03.09 @ 17:51

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