11.09.08
De um fim de mundo ao fim do mundo em poucos parágrafos
Chego do Engenhão. Na boa: jornalista que elogia o Engenhão deveria ter o sigilo bancário quebrado. Não que o estádio não seja bonito, as dependências bonitinhas e novinhas (mas já vejo aquilo com infiltrações daqui a doze anos e três governos), a coisa toda infernalmente de primeiro mundo - onde um jogo de futebol não pode ser apenas um jogo de futebol, tem que ser um espetáculo barulhento, com animadores imbecis e pré-jogo com sorteios de brindes ou pusilanimidades do gênero.
É, no primeiro mundo jamais se admitiria a velha e boa forma de se esperar um jogo começar, ou seja, com cânticos mandando a torcida adversária tomar naquele lugar.
Mas eu dizia que eu chego do Engenhão e encontro Marcele. Nos falamos, tomamos água com gás (como sempre digo, aqui em casa não falta água com gás para a Marcele - nem para mim, que adoro), até que entro no assunto:
- Viu? O mundo não acabou. Mas o Brasil empatou com a Bolívia em casa e com um jogador a mais no segundo tempo inteiro.
- Nããooo, nããããooo, você não leu? Ainda não começaram com as colisões de partículas em si. A coisa real ainda não começou!
- Isto significa o quê? Ainda está na fase dos pontos corridos e depois é que entra nos play-offs?
- Isso, isso - diz Marcele, já com sono.
Eu acho melhor a gente ir dormir. Se o mundo acabar, não me acordem. Fui dormir tarde pacas. Mas deixem recado na secretária se rolar um churrasco.
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