11.04.08
A volta do saudável hábito de gravar fitas cassetes - e o que é melhor: sem fitas cassetes

Por essa eu não esperava mesmo, apesar de a Marcele ter me dito, com ar espertinho, que já conhecia: o site http://www.mixwit.com/ ajuda você a criar uma ‘fita cassete’ virtual, apenas com uploads de músicas do seu computador. Você faz seu upload e envia pros amigos. Sei não, até parece armadilha do FBI para pegar quem tem MP3 armazenado no computador. Mas, enfim, admito que vai ser difícil eu resistir a este encanto.
Em primeiro lugar, gostaria de fazer análise para entender por que sinto saudade de um negócio que levava mais de duas horas para ser gravado e de vez em quando embolava dentro do gravador a ponto de você ter que jogar fora. As fitas cassete fizeram mesmo época. Nas minhas mãos, teve três utilidades:
1- Gravar ‘mixado’ para colocar em festinhas (de 30 em 30 minutos todo mundo tinha que parar de dançar para trocar a fita – quem não lembra da ‘deslumbrante’ tecnologia ‘auto-reverse’?)
2- Gravar uma fita para aquele seu amigo/conhecido, enfim, um cara que você não tem muita intimidade mas te vê com um LP dos Rolling Stones embaixo do braço e diz, com olhar pidão: “Pô, depois vou te dar uma fita, tu grava pra mim”. Sério; se eu dissesse a vocês que já passaram de mil as vezes em que eu ouvi esta frase, vocês acreditariam? Tudo bem, passaram de 900.
3- Gravar para emprestar com ar sonso a uma garota. Este uso perverso e sórdido da fita cassete é inclusive registrado no filme Alta Fidelidade, de Stephen Frears. Aliás, quando vi o filme pela primeira vez, no cinema, senti incômodo extremo quando o personagem vivido por John Cusack admite que o lance das fitas cassete é só para pegar mulherzinha mesmo.
Geralmente, este recurso da fita cassete parte de quem não tem absolutamente chongas para oferecer em termos estéticos, isto é, parte do sujeito mais feio e mais nerd. Espinhas, óculos, cabelo embaraçado, etc e tal. A esperança é a guria pegar a fita, ouvir em casa Paul McCrane cantando e tocando no violão “Is it okay if i call you mine?”, e, bem, o resto fica na imaginação do nerdzinho esperto que gravou a fita. Nos sonhos dele, a menina vai ouvir tudo, se emocionar, e no dia seguinte chegar ao colégio pensando: “Não sei por quê vou sair com o Paçoca no fim de semana, o moleque só quer saber de surfar e lutar jiu-jitsu, acho que me apaixonei por aquele nerdzinho de óculos que é quase da minha altura, tem acne e desodorante vencido”. Ok, o nerd tira dos sonhos a frase “desodorante vencido”. E tem convicção de que vai conquistar a garota só porque ela ouviu “Way over yonder”, da Carole King.
No dia seguinte, a menina agradece a fita: “Cara, a-do-rei. Eu e o Paçoca ouvimos, ele até pediu para você gravar uma para ele também”.
O nerd nessa hora tem certeza de que o suicídio é uma boa forma de adiar esse compromisso.
Eu gravei fita até depois de velho, confesso. E nem sempre gravei para mulherzinha que eu queria pegar (olha o risco que eu estou correndo escrevendo isto num blog dividido com a minha mulher, a minha Marcele). Já gravei fita para mulheres-amigas (sério, não sou cabelereiro mas tenho isso). Já gravei até fita que hoje está em poder de macho, como minha série highlights, hoje dividida entre dois marginais de primeira linha.
Eu adorava a mitologia das fitas: “TDK é a melhor. Basf? Mais ou menos. A Basf ‘cromo’ é boa sim. TKR? É lixo. Maxwell é a melhor, melhor que a TDK. mas é muito cara. Scotch? Isso é fita durex, só é bonitinha porque é transparente. Não, você não vai gravar suas músicas nessa fita Sony, vai?”

O segredo para se gravar uma boa fita cassete é sempre pensar nos finais com uma música diferentezinha. Bom, deve-se abrir a fita com o blockbuster, a música que a pessoa vai sempre querer ouvir mais, e por isso mesmo você coloca no início que é para ficar fácil de achar. Não pode ser também uma música muito curta. Digamos, “Since i’ve been loving you” do Led Zeppelin é bom para abrir uma fita. Em seguida, você entra com “One more cup of coffe” ou “Sara”, do disco Desire, do Bob Dylan. Carole King não pode faltar, além da já citada “Way over yonder” há outras opções no disco “Tapestry” como “You’ve got a friend” e “Will you still love me tomorrow?”. “Helpless”, do Neil Young, sempre dá certo em fita, vai por mim (se for a versão do disco Déja vu, com Crosby, Stills e Nash, melhor ainda). “Angie”, dos Stones, é outro clássico de fita para mulherzinha. E se você gravar uma fita sem “Your Song” (Elton John), “I don’t want to talk about it” (Rod Stewart) e “I can see clearly now” (Johnny Nash), bem, sinceramente, algo pode dar errado. Claro, a já citada “Is it ok if I call you mine?” tem que abrir o Lado 2. Você passou o lado 1 inteiro bombardeando, é hora de invadir com os fuzileiros.
Aí, “April come she will” ou “Still crazy after all these years”, da dupla Simon & Garfunkel, “You’re the best thing that ever happened to me”, da Gladys Knight, e “Let’s get it on”, do Marvin Gaye, completam a covardia que você está cometendo. Aí, se você estiver nos anos 70, encerra com a clássica “Love of my life”, do Queen. E se você já estiver nos anos 00, saia correndo e nunca mais apareça na frente da garota para quem você deu a fita.
Ela já deve estar ouvindo a fita no carro do Paçoca.
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Este vale a pena!
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Muita saudade!
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Confesso a você que sempre fui um apreciador das fitas cassetes pois, com elas consegui fazer verdadeiras obras de arte, utilizando o duplo deck e meu teclado eu mixava som sobre som e com isso consegui gravar músicas com vários instrumentos, uma verdadeira orquestra, isso eu não consegui fazer utilizando CDs.
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Agora, não me lembrava da palavra TAPE DECK!
Me lembro que perguntávamos sempre, quando víamos um System de som qualquer, tipo o System 95 da Gradiente: "Tem tape deck?"
Gostei, Paula, do uso das fitas...
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Ainda tenho minhas fitas. Outro dia fui oferecer uma fita de música indie gravada em 1991 (com Pixies, etc) pra um colega de 19 anos que curte indie. Ele falou, "Te agradeço, mas não tenho essa mídia. Não tenho como ouvir fita". Caramba, como é que pode eu já estar conversando com gente que nunca ouviu fita? Achei que isso só fosse acontencer quando eu tivesse uns 35 anos. Ops, já estou com 35...
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Dep. de Vendas / Licitações:
Comunicamos que encontra-se aberta o CV-BEC 10.792/2009 - OC 091301090472009OC00169 para aquisição de gravador portátil para fita cassete comum.
Salientamos que não obtivemos exito na tentativa anterior de aquisição, portanto, não deixem de participar.
Grato e atenciosamente,
Pedro Lucas
Dep. de Compras
Fundação Pro-Sangue
Fone: 3069-7421 - Fax: 3069-7420
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Abs- Marcos
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