28.03.08
A de Ar - Quando você precisa de uma pequena pausa para pegar mais fôlego e seguir a vida adiante
É, eu realmente tenho um problema – e cheguei a esta conclusão inadvertidamente, conversando com uma amiga de trabalho, na noite desta quinta-feira. Falei sem querer: “Hoje em dia detesto acordar tarde. Mas também odeio dormir cedo”. E pensei ao mesmo tempo que também odeio dormir menos que oito horas de sono. Ou seja, para que eu exista da melhor forma, será necessário baixar um decreto fazendo com que o dia passe a ter pelo menos trinta horas, e não as 24 protocolares. Sim, este post vai parecer jabá daquele banco que tem Banco 30 Horas. Quero só ver se o Google AdSense vai captar essa. Mas eu defendo o dia de 30 horas, desde sempre. Quero poder dormir tarde, cumprir oito horas de sono e mesmo assim acordar e ter tempo para resolver a vida antes de ir para o trabalho, sim. E já. Se colocam o horário de verão, estabeleçamos logo o Horário de Inferno, que é o horário para as pessoas que estão sempre adiando.

Seria sensacional, além de tudo, poder chegar em casa e ver Guerra e Paz, ou Doutor Jivago, ou mesmo os três DVDs da série O Senhor dos Anéis e ainda dormir oito horas sem necessariamente acordar às cinco da tarde do dia seguinte.
No mais, o brasileiro médio gosta de sacanear o outro brasileiro médio com a frase “O brasileiro médio vive adiando”. Pois eu vou me apresentar como brasileiro médio e relacionar cinco coisas que eu adiei demais e estou lutando para conseguir cumprir – e que se o dia tivesse trinta horas, nem de luta eu precisava. Vamos lá:

1- DIETA – Sim, você acha que adiar dieta é falta de vergonha. Pois acorda na segunda-feira meio tarde, sem tempo de correr ao hortifruti para comprar folhas verdes com gosto ruim ou mesmo sementes de linhaça, itens comuns a toda dieta. Acorde tarde, olhe para o relógio, depois olhe a frigideira, olhe o óleo (ta quase virando um hai-kai isso aqui), olhe o hambúrguer fácil no congelador, e, bem, você sabe o resto. “Segunda-feira que vem eu começo, agora tenho que devorar estes dois cheeseburgueres com todos os temperos e tons amarelos que não existem na natureza para poder sair correndo para o trabalho e na volta ter uma baita azia”. Sim, você vai dizer isso pelo menos uma vez na vida. Não disse?
2- IDA AO ENDOCRINOLOGISTA – Eu fui. Hoje. Quinta-feira, 27 de março. E admito: para o sujeito que está horrivelmente acima do peso, como eu, a ida ao endocrinologista é muito pior do que a ida ao confessionário para Stephen Dedalus, o pequeno herói católico culpado de “Retrato de um artista quando jovem”, do James Joyce. A médica me cumprimentou, e eu tentei fingir que era a primeira vez que eu ia lá. Vejam bem, eu não sou tão burro: EU SEI QUE ELES TÊM A MINHA FICHA, eu sei que está tudo guardado, ela sabe até a hora em que eu pisei lá, há dois anos. Mas mesmo assim eu fingi, fingi que nunca tinha visto a médica. E ouvi: “Você está com 86 quilos e tem 1,60m”. Nem precisava fazer comentário adicional, numa frase dessas. Poderia ser perfeitamente por “Você só não é um porco imundo e balofo porque os pobres porquinhos comem carne”. Pensando bem, “Você está com 86 quilos e tem 1,60m” é mais porrada. Ainda mais quando seguido de "Há dois anos, você tinha 79 e deve ter vindo aqui para perder peso, né?"

3- FAZER O IMPOSTO DE RENDA – É batata, vira manchete no Último Segundo do IG todo ano, lá pelo dia 30 de abril, geralmente o dia escolhido para fechar o caixão e não aceitar mais declarações de renda: “Mais de 60% das declarações são entregues no último dia” ou “Brasileiros deixam para a última hora e congestionam sistema”. É líqüido e certo.

4-COMPRAR PRESENTE, SEJA PARA QUE DATA FOR – Natal? Dia 23 eu compro os presentes. Aniversário? Comprei uma máquina digital para a Marcele no ano passado às 21h57 do dia 14 de março – véspera do aniversário dela. Páscoa? Estou com a Marcele há seis Páscoas. Só dei ovo de chocolate em uma delas. Dia da Criança? Já estive, pateticamente, me arrastando e sendo levado pela massa ignara, em meio a gôndolas abarrotadas de humanos nas Lojas Americanas. Em frangalhos, suando esbaforido e vertendo sangue, tentava comprar presente para meus sobrinhos no dia 11 de outubro. Enfim, datas realmente são foda. O ano tem 365 datas. Outro dia eu fazia esta conta: tenho mais ou menos 40 parentes e amigos “aniversariáveis” (classificação que se dá a pessoas que fazem aniversário e você tem que ir). Marcele deve ter umas 80 (a maioria pessoas com menos de dois anos de idade – está chegando a nossa vez). Ainda temos: Dia das Mães, Dia dos Pais, dois dias de Natal, Páscoa, Dia da Criança....É quase a metade do ano comprando presente. Não sei como a gente consegue adiar – haja talento para isso.

5- ESCREVER EM BLOG – Mal do século 21: você sabe que na Internet 2.0 atualização é tudo, que você precisa trazer leitores, entreter, formar sua rede de contatos, Orkut, etc. Mas você (esse ‘você’, na verdade, sou eu mesmo, ok?) ficou vendo algum seriado até tarde, deitado na cama, aí acordou tarde, deu uma olhada nos programas esportivos, pronto, bateu a preguiça total. Daqui a pouco vou lá, ou, pensando bem, quando eu voltar do trabalho eu bato alguma coisa.
E aí acontecem textos como esse aqui. Bom, mas pelo menos serviu para eu dizer que fui ao endocrinologista? Blog não é diário?
Aposto como em pelo menos um dos cinco casos o amigo aí se encaixou. Como? Não leu tudo? Salva então no De.li.ci.ous e lê depois, uai.
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Depois que terminei o texto, me lembrei de uma coisa que eu adio demais também: responder emails e cartas mais especiais que os do dia-a-dia. Preciso responder carta da minha cunhada honorária Paula Clarice e da minha prima Mariana. Preciso mesmo. Mais que obrigação, é missão. E responder aqui, em público mesmo.
Amanhã eu prometo que corro atrás disso!
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Se o dia tivesse 30 horas, a jornada de trabalho oficial teria 14 horas. Ok, a de jornalista não fica muito longe disso, mas eu estou falando da oficial, aquela que está no contrato. A solução seria jornadas menores. No mundo ideal, isso geraria mais empregos e melhoraria a qualidade de vida. Mas para os atuais padrões da economia, parece inviável.
Eu luto contra a balança desde os 10 anos de idade e tenho perdido quase todas as batalhas. Dieta não requer apenas força de vontade como dizem alguns magros. Requer principalmente tempo e dinheiro. Tempo e dinheiro para fazer mercado, preparar a comida saudável, ou dinheiro para freqüentar aquele restaurante a quilo que tem salada decente e suprir a geladeira de congelados da Sonia. E, claro, passar o fim de semana num spa, freqüentar academia ou passear na Lagoa aos fins de semana. Outra coisa importante é abrir mão da comida e da bebida como fonte de prazer. Tem que pensar no alimento como um remédio que você toma a cada quatro horas para não passar mal. Sad but true.
Eu tenho ido à academia pelo menos três vezes por semana. Como não abro mão do chope, a barriga continua impávida e o ponteiro da balança não se move (gosto de me enganar pensando que tenho ganho massa muscular), mas pelo menos a consciência está menos pesada.
O problema de atualizar blog, pelo menos nós, é que já vivemos de escrever, passamos quase o dia inteiro na frente de um computador. É como se um motorista de táxi tivesse o hobby de pilotar stoc car. Invejo seu compromisso com seus leitores e sua determinação em não deixar a peteca cair. Espero um dia conseguir siguir seu exemplo.
Boa sorte na dieta, camarada.
Abraço.
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acho que o que falta para todos nós é coordenação de idéias, nossa mente é um turbilhão, pensamos mil coisas ao mesmo tempo, tendo que dar prioridade a uma, pois só podemos dar um passo de cada vez, isso nos deixa precupados com tudo.
Esse modelo de viver possívelmente é a criação do dito demonio, estamos consumidos pelas preocupações, é saúde, a família,a violencia, o financeiro..., que desencadeia toda a agonia da sociedade. Que bom se fosse possível viver como os passáros... AH! O restante depois eu escrevo.A, A, A.
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