15.02.08
Bujica, o eterno caçador de Marajás

Hoje peço licença neste blog de casal para falar do mais importante de todos os assuntos menos importantes: o futebol. Na verdade, ao assistir os dois vídeos que divulgo neste post, o leitor vai ter a impressão de que não há vida além das quatro linhas.
É o futebol que muda o sentido dos ponteiros do relógio (acho que daqui a alguns anos, um garoto de 10 anos vai me perguntar, "Tio, o que é ponteiro de relógio?", mas tudo bem). O ponteiro deixa de ir para a direita e vai para dentro do tempo, do relógio, faz com que tempo, de inexorável passe a caber em uma caixinha da memória.
Em 1989, a imensa torcida do Flamengo sofreu um choque com a ida do então ídolo Bebeto para seu maior rival, o Vasco da Gama. Era a supremacia do dinheiro, a primeira grande vitória do dinheiro sobre o futebol - Bebeto não renovara contrato e seu passe estava à disposição de quem pagasse por meio da Federação Carioca de Futebol. Foi feito, e aí veio o choque, o primeiro grande choque de uma série que já não choca mais: hoje em dia é normal mesmo o cara ter passagem pelos quatro grandes e não ter identificação com nenhum.

Bujica marcando um dos dois gols fatais
A expectativa para o primeiro clássico com os dois jogadores era grande. A Sele-Vasco passou a semana menosprezando. Até que, do anonimato, o menino que viera de Marataízes foi escalado e fez dois gols de oportunismo.
Bujica depois seria vendido, teria uma carreira complicada, por times do interior brasileiro, além do Peru e da Venezuela, mas volta e meia seria lembrado pelo feito daquela tarde. Foi naquela tarde que, graças a Bujica, foi possível entender que a instituição é maior. Foi-se Bebeto, mas o Manto Sagrado pôde, por um dia pelo menos, encontrar um substituto à altura. Por um instante, naquele ano de 1989 em que o candidato a presidente vitorioso consagraria o bordão "Caçador de Marajás", Bujica daria a resposta ao poderio financeiro. O que viria depois em sua carreira não importa.


Flagrantes da infância de Bujica no Espírito Santo
Fato é que um dia, um jovem vindo do Espírito Santo passou pelo Maracanã lotado, fez História, vingou uma Nação e depois voltou a seu anonimato. E lá ficaria, se não fosse um grupo de malucos (eu incluso) que, tendo batizado como Fla-Bujica sua lista de emails, resolvesse trazê-lo, sozinho, de longe, justamente no dia de seu aniversário - 21 de janeiro - para uma festa com completos desconhecidos. Bujica ousou fazer isto, e nos deu momentos de grandiosa emoção: vibramos juntos vendo o tape do jogo, cantamos parabéns para um Bujica que pela primeira vez se viu comemorando o aniversário só com pessoas que ele nunca tinha visto e levamos o ídolo ao palco onde ele nunca mais quis voltar - a Gávea - justamente por ter sido vendido de forma apressada ( o dinheiro, o dinheiro...).

O cineasta Pedro Asbeg filma o artilheiro, na arquibancada da Gávea
Deste grande dia 21 de janeiro de 2006 nasceria o filme O CAÇADOR DE MARAJÁS, de Arthur Muhlemberg e Pedro Asbeg, uma pequena obra-prima sobre futebol e o quanto ele pode ser importante.
Mesmo entre as coisas mais importantes da vida.
Esta é a parte 1:
Esta é a parte 2:
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Infelismente o Mengão não ganhou no fim do 2º tempo com um bonito gol do Wander Luiz sem chances para o golerão Zé Grandão como dizia o Garotinho .
Saudades dos seus golssssss
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