Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
Siga-nos no Twitter Gustavo de Almeida
Marcele Fernandes









15.02.08

Bujica, o eterno caçador de Marajás

Hoje peço licença neste blog de casal para falar do mais importante de todos os assuntos menos importantes: o futebol. Na verdade, ao assistir os dois vídeos que divulgo neste post, o leitor vai ter a impressão de que não há vida além das quatro linhas.
É o futebol que muda o sentido dos ponteiros do relógio (acho que daqui a alguns anos, um garoto de 10 anos vai me perguntar, "Tio, o que é ponteiro de relógio?", mas tudo bem). O ponteiro deixa de ir para a direita e vai para dentro do tempo, do relógio, faz com que tempo, de inexorável passe a caber em uma caixinha da memória.
Em 1989, a imensa torcida do Flamengo sofreu um choque com a ida do então ídolo Bebeto para seu maior rival, o Vasco da Gama. Era a supremacia do dinheiro, a primeira grande vitória do dinheiro sobre o futebol - Bebeto não renovara contrato e seu passe estava à disposição de quem pagasse por meio da Federação Carioca de Futebol. Foi feito, e aí veio o choque, o primeiro grande choque de uma série que já não choca mais: hoje em dia é normal mesmo o cara ter passagem pelos quatro grandes e não ter identificação com nenhum.


Bujica marcando um dos dois gols fatais

A expectativa para o primeiro clássico com os dois jogadores era grande. A Sele-Vasco passou a semana menosprezando. Até que, do anonimato, o menino que viera de Marataízes foi escalado e fez dois gols de oportunismo.
Bujica depois seria vendido, teria uma carreira complicada, por times do interior brasileiro, além do Peru e da Venezuela, mas volta e meia seria lembrado pelo feito daquela tarde. Foi naquela tarde que, graças a Bujica, foi possível entender que a instituição é maior. Foi-se Bebeto, mas o Manto Sagrado pôde, por um dia pelo menos, encontrar um substituto à altura. Por um instante, naquele ano de 1989 em que o candidato a presidente vitorioso consagraria o bordão "Caçador de Marajás", Bujica daria a resposta ao poderio financeiro. O que viria depois em sua carreira não importa.



Flagrantes da infância de Bujica no Espírito Santo

Fato é que um dia, um jovem vindo do Espírito Santo passou pelo Maracanã lotado, fez História, vingou uma Nação e depois voltou a seu anonimato. E lá ficaria, se não fosse um grupo de malucos (eu incluso) que, tendo batizado como Fla-Bujica sua lista de emails, resolvesse trazê-lo, sozinho, de longe, justamente no dia de seu aniversário - 21 de janeiro - para uma festa com completos desconhecidos. Bujica ousou fazer isto, e nos deu momentos de grandiosa emoção: vibramos juntos vendo o tape do jogo, cantamos parabéns para um Bujica que pela primeira vez se viu comemorando o aniversário só com pessoas que ele nunca tinha visto e levamos o ídolo ao palco onde ele nunca mais quis voltar - a Gávea - justamente por ter sido vendido de forma apressada ( o dinheiro, o dinheiro...).

O cineasta Pedro Asbeg filma o artilheiro, na arquibancada da Gávea

Deste grande dia 21 de janeiro de 2006 nasceria o filme O CAÇADOR DE MARAJÁS, de Arthur Muhlemberg e Pedro Asbeg, uma pequena obra-prima sobre futebol e o quanto ele pode ser importante.
Mesmo entre as coisas mais importantes da vida.
Esta é a parte 1:

Esta é a parte 2:

por Gustavo de Almeida as 13:40:13

Posts similares:
A sorte de ter um amor Flamengo - Casais que torcem quase unidos permanecem unidos
Sete anos esta noite - De como o Flamengo, bem, vocês sabem
Fiat Futebol Clube


Comentários:


Seus comentários

Nome: João Carlos N. Reis
Url:
Realmente, aquele jogo marcou a história de Bujica no Flamengo, que estava muito magoado com a ida de Bebeto para o seu maior rival. A sede de vingança da nação flamenguista era imensa. Ruim pra Bebeto pois, mesmo sendo um grande jogador, será lembrado pela maior torcida do Brasil como um JUDAS. Naquele dia, Bujica foi o nosso herói... Aquele único jogo foi suficiente para marcar a sua história no Flamengo. Já Bebeto, nem o gol do título do brasileiro de 1987 e o seu desempenho no carioca de 86 vão apagar a péssima imagem deixada.
16.02.08 @ 13:02
Nome: Alexandre
Url:
Por incrível que possa parecer, sou fã do Bujica e gostaria de saber se esse documentário está à venda. E onde. Obrigado.
26.02.08 @ 12:06
Nome: eliomar junior
Url: http://www.globo.com
O nome Bugica ficou macado na minha vida quando pela 1ª vez ao maraca e logo ao chegar vi ele fazer um gol, contra o fluminense aos 44 minutos do 1º tempo .
Infelismente o Mengão não ganhou no fim do 2º tempo com um bonito gol do Wander Luiz sem chances para o golerão Zé Grandão como dizia o Garotinho .
Saudades dos seus golssssss
19.05.09 @ 21:09
Nome: altamiro pinheiro junior
Url:
naquele jogo eu tinha apenas 12 anos,e minha familia toda torce para o vasco e eu sou o caçula da familia,na hora do gol eu explodir de alegria por que meu sangue é vermelho e preto,parabens bugica,eu sou seu conterraneo aqui de cachoeiro do itapemirim.
10.07.09 @ 19:05
Nome: ROGERIO
Url:
Lembra do seu velho companheiro de quarto no sinop? Sou eu,o goleiro Rogerio.
13.11.09 @ 23:47

Seus comentários::


Tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
(Quebras de linha se tornam <br />)
(Set cookies for name, email and url)