2.02.08
A pane do Eclipse

Deu pane no Eclipse. Aliás, num período que varia de quatro a seis meses, pelo menos uma vez o Eclipse sofre pane. Na verdade, nem falo do blog, localizado aqui no mundo virtual e imprescindível, que ficará intocado no limbo da web até 1000 anos depois que eu passar pela Terra. Nada disso. Deu pane mesmo é no computador que produz o Eclipse.
Para quem não sabe –e é bom que os apreciadores de cervejas artesanais e esteiras de palha hippie o saibam – o Eclipse também é artesanal, totalmente feito em casa. Afinal, a possibilidade de eu ou a Marcele conseguirmos escrever um texto nos computadores dos nossos trabalhos é tão grande quanto a de um sujeito fritar um ovo enquanto cobra um escanteio. Eu escrevo textos, é verdade – mas jornalísticos e, mesmo assim, de memória rápida, tênue. Uma libélula costuma durar mais tempo do que o efeito de um texto que eu tenha escrito para qualquer jornal do mundo (e pasme: já escrevi sobre a Seleção Brasileira para um jornal da Costa Rica). A bem da verdade, os textos da Marcele no Eclipse costumam deixar impressão mais duradoura do que os meus textos escritos há uns seis anos atrás, em que eu analisava o poderio defensivo de uma zaga formada por Gilmar e Leonardo Valença (adianto aos senhores que é Nenhum).
Voltando à vaca fria, o computador em que produzimos o Eclipse, o de casa, pifou. E não pensem que foi aquela pifada light, em que de repente surgem avisos de Windows dizendo que a memória virtual está gasta. Nem mesmo aqueles avisos informando que é preciso reinstalar o drive (a meu ver, algo equivalente a dizer “Ligue para nosso representante em Marte”). Nada disso. Marcele estava escrevendo e de repente, puf!, o computador desligou e assim permaneceu. Assim mesmo.
Eu e Marcele somos apenas ½ nerds, isto é, da “porta” do computador para fora, sabemos bastante (ela muito mais do que eu, claro). Sabemos o que é o Facebook e seus milhares de recursos chatos e de sexualidade suspeita (acho esquisito um homem brincar que é um vampirinho e um zumbi e “morder” o outro via Facebook – com todo respeito), sabemos dos recursos do YouTube e temos contas no Orangotag, o site de relacionamentos para quem curte séries. Já aprendi a fazer podcast, embora nem sonhe em postar aqui no Eclipse.
Agora, quando o negócio é interno, me sinto tão à vontade quanto ficaria dentro de uma trincheira diante de um soldado ferido a tiros. E vejam bem, com outros defeitos, eu até já me arrisquei no mundo estranho do DOS. Ou daquele setup assustador que aparece no início, logo depois que a gente liga. “Aperte F3 se você quiser ir pro Setup”. Soa como uma ameaça, daquelas terríveis, de mãe: “Coma chocolate se você quiser ficar com espinha”.
Geralmente, o Private HelpDesk do Eclipse é o meu irmão, mas de uns tempos para cá, com os dois pequeninos Matheus e Luiza, ficou mais difícil para ele. Arrumei um técnico extraordinário, que me cobrou uma merreca depois de 10 dias com meu computador, Mas com a minha “sorte”, o cara logo teve de se mudar para uma cidade obscura do interior paulista e desapareceu.
Mas a sorte mudou e o nosso Private HelpDesk pôde pelo menos dar uma monitorada via tel. Eu sugeri:
- Pode ser aquela tal bateriazinha?
- Acho difícil, não dá um ‘crash’ como este.
- Bom, de qualquer maneira, vou comprar outra. O que eu compro?
- Compra CR- (número que esqueci)
Este é outro capítulo de quem não entende chongas do computador por dentro: o novo mundo de siglas que se abre. Depois de comprar a pilha CR, colocamos e....”parla”! O computador ficou mudo. Nada aconteceu. Veio a minha suspeita:
- Foi o processador.

No estranho mundo das siglas e números
Como ando meio quebrado de grana (eu e 99% do povo brasileiro), já temi logo pelo preço da peça que, dizem, é a mais cara do computador. E, pior, já me vi entrando numa loja de informática com a missão tenebrosa de comprar um processador – e usando apenas as informações do Private HelpDesk e a minha cara de otário mais do que evidente. Me perdoem, mas eu não consigo estar em uma loja de informática sem que o vendedor perceba que eu não sei absolutamente nada daquilo que estou falando e estou apenas repetindo siglas. Imaginem a cena, que é real:
- Meu amigo, tem HD Seagate de 80? – disse Gustavo, cheio de marra, em uma loja de Copacabana no ano passado.
- Olha, não tem Seagate mas tem do (nome que esqueci). Agora, essa marca não tem nunca de 80, fica em falta. Os caras oferecem um de 120 mas com garantia embutida no preço. A tua placa é onboard? Tem que comprar o cabo para a placa? Você já tem o cabo? Nós vendemos.

CD de instalação: outro exemplo de terror, mas não vem muito ao caso - por sorte
Adivinhou, amigo leitor: eu não fazia a menor idéia se a placa era on-board. Me lembro de pegar o celular para ligar pro técnico e dentro da loja não ter sinal. Claro que eu ia fingir que o telefone tocou e eu estava apenas atendendo. Mas tive de sair, pedindo licença. O técnico não atendia o celular e não estava em casa. Me deu vontade de entrar na loja com os dois braços para o alto, o celular aberto, gritando:
- Ok, ok, perdi mas não esculacha! Não sei porra nenhuma dessa merda! Pode me extorquir à vontade! Me vende um cabo desnecessário!
Sei que desta vez, para nossa felicidade, não teve nada disso, nada de processador, nada de HD. É uma felicidade equivalente a – usando as palavras de Veríssimo – passe de calcanhar que dá certo. Mas meu irmão diagnosticou que era a Fonte (uso maiúscula porque é coisa nova). E lá veio outra sigla:
- Compra a fonte ATX 450. De 300 talvez desse, mas garantido é 450.

Onde o Eclipse é feito, de forma artesanal e caseira
Fui a um shopping que tem três lojas diferentes. Corrijo: fui a um shopping que tem três lojas diferentes e era SEXTA-FEIRA DE CARNAVAL. 16h30. Na primeira loja, uma vendedora olhou no fundo dos meus olhos quando perguntei se tinha fonte. Percebi que aquilo para ela seria melhor que sexo. Se ela me entregasse um amortecedor Cofap dizendo que aquilo era a fonte, eu compraria. Lambendo os lábios, ela detonou, às cinco da tarde de uma sexta-feira de Carnaval:
- Olha, não temos e adianto: não tem em nenhuma outra loja do shopping. Você vai achar isso no Shopping Avenida Central.
Para quem não é do Rio, explico: é um antigo centro comercial na Avenida Rio Branco, em frente ao Largo da Carioca, que virou referência em material para informática. Mas de onde eu estava, ir para o Avenida Central significava acompanhar milhões de pessoas que estavam indo para casa ou para a folia. E encarar engarrafamentos de DNA paulistano.
Saí desesperado para as outras lojas do shopping, com o desejo simples de achar a tal fonte e voltar na vendedora. Agarrar pelo pescoço e sacudir a fonte diante dos olhos dela:
- Você não disse que não tinha? Olha aqui, porra!
Mas a vendedora estava absolutamente certa. E os dois nerds assumidos na outra loja disseram:
- Em loja de shopping tu não acha isso não.
Aí me deram o endereço de uma loja em Copacabana. Rua Barata Ribeiro. Lá fui eu de ônibus para a loja, que pelo menos era em um endereço mais próximo. Arfando, suando em bicas, esmigalhado pela jornada matinal de trabalho, entrei na loja, minúscula. Um móbile daqueles sonoros, de chamar a atenção de quem está dentro, acionou sininhos quando movi a porta. Veio uma vendedora com um jeito meio tímido. Eu balbuciei, esperançoso e resignado:
- Tem fonte ATX?
- Tem.
- 450?
- 450 não. Só 500.
Antes de pedir a de 500 e cravar meus dentes na fonte, na esperança de dela retirar os 50 excedentes, liguei pro nosso Personal HelpDesk.
- Tem problema ser de 500?
- Não.
Paguei os 49 reais como quem compra uma carta de alforria. Voltei para casa em meio a uma Copacabana caótica, de pessoas bêbadas, prontas para o Carnaval do Rio. E eu só pensava no quanto eu estava feliz com a minha fonte ATX 500. Acho que virei mesmo um nerd.
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Seus comentários
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Conhecimento é poder! Eu teria economizado dois dias...
No próximo pane já sei pra quem mandar email, além de telefonar pro Personal (que também achou que era fonte e eu inventei esse negócio de pilha e bateria...)
abraços!
Url: http://quinzeminutos.net
Ah, eu também sempre tenho um técnico pra recorrer e também ando me sentindo meio geek ultimamente.
Url:
Url: http://www.chahim.com.br
Bom te ver (ler) nesse novo(!) endereço!
Abração
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