27.01.08
Rio, o Carnaval engarrafado

Imagine a situação: eu, brincando de Deus, e você, prefeito da sua cidade. Eu ligo para você com pressa:
- Oi, meu amigo. Aqui é Deus. Quero te fazer uma proposta.
- Diga lá, ò Todo-Poderoso! Obrigado pela classificação à Libertadores ano passado, viu, a torcida do Mengão agrade...
- Esquece isso, esquece, quero falar de outro assunto. No mais, todo mundo ainda reclama do pênalti que eu perdi contra a França. Está me ouvindo bem?
- Sim, pode falar, Senhor!
- Olha, vou fazer umas mexidas aí na tua cidade, ta? Vou implantar um novo programa cultural e de lazer. Consiste nas pessoas irem descalças pisar no asfalto fervendo, andando indefinidamente em grupos, com latinhas de cerveja quente e ruim na mão, enquanto os ladrões atuam sem controle e o barulho infernal de músicas ruins entra por todas as janelas. Pode ser?
- Só isso, Mestre?
- Não. Além disto, vou colocar grupos destes por toda a sua cidade, cessando o direito de ir e vir de quem não fizer parte deles. Haverá engarrafamentos colossais e você vai dar autorização para que as ruas sejam interditadas. E não vale avisar o cidadão muito antes do trecho!
- Mais alguma coisa, mestre?
- Sim, você deve cuidar para que as viagens de carro que antes eram feitas em 10 minutos passem a durar mais de uma hora. Agora, me diga, você me diz sim ou não?
Eu pergunto, você diz sim ou não? Bom, se você diz sim, você é um cara de bom humor, jovem e não deveria estar lendo este blog escrito por um sujeito ranzinza e que reclama de tudo na vida. Pode fazer mal ao seu fígado e na sua aposentadoria certamente você vai ser síndico, se a rabugice do blog te contagiar. E uma vez síndico, vai proibir o uso da piscina à noite. Se você diz Não, Senhor, seja bem-vindo ao Eclipse. Você não gosta de Carnaval e não entende por que aquelas pessoas estão pulando e cantando em homenagem a seres míticos como Pierrô e Colombina, e acha que não vê sentido em comemorar o início de uma quaresma que você mal percebe ou pratica, bom, você tem companhia.

Para quem mora no Rio de Janeiro, é quase uma blasfêmia falar mal de Carnaval. Até porque, nos últimos cinco anos, o Carnaval do Rio voltou a ser o melhor do Brasil, graças ao surgimento de centenas de blocos novos, com os nomes mais bizarros possíveis, como Rôla Preguiçosa ou Que Merda é Essa?. Se antes o tríduo momesco no Rio de Janeiro só chamava a atenção por causa do desfile das escolas de samba, hoje ganha projeção internacional graças aos gigantescos blocos de rua. E é aí que mora o problema: a prefeitura percebeu isto e liberou geral. Está certo? Bom, deve estar. Mas acho que antes o poder público deveria ter criado um sistema de helicópteros pronto para transportar gratuitamente todo aquele que precisa se deslocar com urgência, como pessoas com graves enfermidades, acidentadas ou gente com vontade de ir ao banheiro fazer número 2. Afinal, o Carnaval é simplesmente aquele período em que o prefeito chega e diz: “Vocês querem beber, berrar e fazer zona no meio da rua, fodendo a vida dos outros? Têm minha autorização”. Não me venham dizer que não é isso. É basicamente isto. Se é divertido ou bacana, depende do gosto de cada um. Eu até tento entrar na onda, mas já tenho meu próprio ritual tribal, quase todos os domingos, que é ficar em uma espécie de arena ao lado de milhares de pessoas mandando outras milhares de pessoas TNC ou à PQP. E, acreditem, quando aqueles 11 caras de vermelho e preto conseguem algo realmente grandioso, eu fico igualzinho a essa gente toda do Carnaval: interditando ruas, bebendo cerveja quente e berrando. Só não fico descalço no asfalto quente.

Para mim, operário de indústrias de comunicação há mais de 10 anos, Carnaval significa basicamente uma coisa: aporrinhação. Não costumo ir para o Sambódromo – creio que as pessoas que fazem as escalas em todos os jornais que trabalhei já perceberam que eu não teria condições de acompanhar o espetáculo. Além do mais, as notas dadas para escolas de samba têm tanta objetividade quanto aquelas dadas para Saltos Ornamentais. Se até hoje para mim é um mistério porque um salto leva nota 8,7 e o outro leva 8,5 (e a nota é dada em segundos, veja bem), também escapa à minha compreensão porque diabos “Harmonia” é avaliado com 9,8 e não 9,9 – ou 10. E como avaliar o samba-enredo? Sim, eu sei, você avalia o samba em “bom samba” ou samba chato”. Mas dar 6,7 para um e 7,2 para outro, sinceramente, não saberia como fazer. É só transferir, por exemplo, para “Músicas dos Rolling Stones “. Vejamos: dou 10 para “Shine a Light” (uma das minhas favoritas) mas 8,6 para “Live with me” e 5,5 para “2000 light years from home”. “Satisfaction”? Ganha o Estandarte de Ouro porque encanta as arquibancadas, mas eu tiro 0,8 pontos porque o riff é muito repetido.
Será assim que se avalia? Não sei. Sei a nota que dou para o engarrafamento que peguei ontem, que atrasou minha vida por causa dos blocos: zero.
Ainda que o engarrafamento tenha tirado 6 em evolução e 9 em alegorias e adereços.
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É carnavaaaaaal!!!
Sexta Sub: É carnaval!
Ziriguidum, telecoteco, esquindô lelê?
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tirando que a cidade fica emporcalhada ne?
Aqui em São Paulo fica uma beleza, sem transito ( a não ser perto do sambodramo), sem gente, uma maravilha!
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--> Vlw galera.
Um grande abraço, para todos que visitaram este e que leram o meu "pequeno comentario" rsrsrs e para akelas pessoas que pensam como eu.
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=P BeIjoS gAlErA.
UASH...UASH!!!!
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bricadeirinha galerinha !
Sei que cada um tem seu gosto mais pó vei na moral este site tem que melhorar, tipo assim não tem nada diferente, este modelo é muito antigão.
e na minha opinião vcs pudiam colocar brilhinhos o fundo colorido...e sei lá vei colocar mais criatividade e modernidade nesse site.
Beijinhosssss!!!!
Obs: Eu gostei muito do site por isso estou dando estas dicas para melhorar cada vez mais e só mais uma dica "Não pensem pequeno" !!!
Bay!!!
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