24.01.08
Mau-humor no escritório: cinco possíveis causas e como combatê-las

O trabalho com mau humor deve ser realizado neste ambiente
O tema “grosseria em ambiente de trabalho” tem feito parte da minha agenda de debates nos últimos anos. Eu e Marcele chegamos a criar um blog que, se não era sobre o tema em si, pelo menos o abordava, em meio a uma série de outros correlatos – o blog se chamava RH Negativo, e era exclusivamente de histórias do mundo corporativo. Eu e Marcele já tivemos problemas com este mundo - principalmente telefonemas de telemarketing nas manhãs de sábado - e por causa disto, tal projeto foi a nossa primeira parceria. Na verdade, o blog ainda existe e estamos fazendo planos de reativá-lo, já que o tema Escritórios tende a voltar, com o sucesso da extraordinária série The Office (na foto abaixo). Mas, enfim, a primeira coisa que eu teria a dizer sobre a grosseria no ambiente de trabalho é que não faço a mais remota idéia do motivo de sua existência. Pode parecer um questionamento óbvio, mas eu gostaria muito de entender por que diabos uma pessoa acha que pode e deve ser grosseira no trato com integrantes da mesma equipe. Tal prerrogativa, na minha modesta opinião, pertence apenas a zagueiros que usem uma faixa de capitão no braço. E isto quando o time está ganhando de 1 a 0 e a estrelinha tenta um drible a mais, perde a bola, quase cedendo ao adversário o empate. Com exceção disto, vejamos que motivos podem levar alguém a ultrapassar os limites do profissionalismo e tratar o próximo com este tipo de desdém sangrento:

Acima, elenco da série The Office
Caso 1 - Porque o outro fez uma besteira e o esporrento não quer que isto se repita – Bom, é a maneira de, ocorrido um acidente ou coisa assim, combater a conseqüência, e não a causa. Algo como o governo distribuir air-bags nos fins de semana prolongados argumentando que vai diminuir o número de acidentes. A primeira coisa que um chefe ou colega tem de pensar antes de ser mal-educado é que o outro pode ter tido um bom motivo para proceder errado, e não perguntar que motivo foi esse (e analisá-lo seriamente) é o mesmo que culpar o goleiro por sofrer gol de pênalti (daqueles que foram provocados porque o Júnior Baiano colocou a mão na bola).
Caso 2 – Alguém acha que sabe mais que outrem – Este é um tipo muito comum. Alguém que sabe algo tem a mania de reagir com irritaçãozinha ao esclarecer algo para quem não sabe. Sobre isso, eu diria que o conhecimento humano é vasto e pessimamente distribuído – muito pior distribuição que a de renda em São Conrado (incluindo Rocinha). Basta olhar como os participantes dos Big Brothers são “excluídos” da distribuição de conhecimento – outro dia, me conta uma colega de trabalho, um dos participantes dizia não saber o que é “frevo”. Ocorre que, justamente por ser mal distribuído, o conhecimento tem facetas diferentes. Um sabe coisas que o outro não sabe. Tal frase, por mais que óbvia, é capaz de fazer pessoas em ambientes de trabalho ficarem completamente catatônicas. O colega de trabalho mais arrogante é incapaz de perceber que o cara da faxina para o qual ele não dá bom-dia sabe, por exemplo, a escalação completa de Flamengo x Vasco na decisão de 1977 (eu mesmo não sei, teria de consultar). E acredite: há sempre um momento em que um conhecimento pode ser útil. Um maluco ao lado pode estar teimando que o goleiro do Vasco NÃO era o Mazaropi. Aí você entra rasgando.

Caso 3 – Alguém tem mais tempo de casa ou de profissão e crê que o noviço tem de sofrer a mesma coisa – A isto chamo anacronismo. Por exemplo: todos os católicos apostólicos romanos seguem a Bíblia. Seria justo que mantivéssemos o apedrejamento como punição para mulheres que pecam? Faria sentido que sacrificássemos cordeiros no alto de morros? A mesma coisa se aplica ao trabalho. Eu, por exemplo, sofri no início de carreira com o hábito de escrever em máquinas Remington não-elétricas. Em três vias, com papel carbono entre elas. Se algo desse errado, a solução era....arrancar da máquina a folha, embolar com ódio e sofreguidão e escrever a mesma merda tudo de novo. Seria justo que eu fizesse com que algum subordinado meu (em qualquer lugar que eu trabalhasse) abandonasse o computador e a tecla Del em nome de um “sofrimento que eu julgo necessário”? Não, certamente. Por isto, não vejo por quê impingir a pessoas mais novas os esporros que eu mesmo já levei de figuras que eu hoje considero mito e antológicas. E que, de certo modo, até me ajudaram. Acho, sim, que os noviços devem ser avisados, bem, de que o mundo não é exatamente o melhor lugar para se morar e que trabalhar não é uma coisa tão prazeirosa e tranqüila quanto um lanche de fim de tarde na Confeitaria Colombo de Copacabana.

Caso 4 – Alguém tem problemas pessoas e/ou afetivos e acha que a pessoa ao lado não tem direito de ser feliz ou sorrir – A isto costumam simplesmente chamar de mau-humor. Eu chamo isto de socialismo do osso. O sujeito divide só o osso, só o que tem de pior. Bom, é claro que eu não peço e nem desejo que colegas de trabalho dividam suas felicidades sexuais. “Caramba, hoje comi fulana, tava uma delícia” é uma frase que costuma desconcentrar e atrasar minha ida até a cantina. Mas ao mesmo tempo, não quero perceber que há algo errado com a vida da pessoa ao lado, a não ser que esta chegue numa boa e converse num tom tranqüilo sobre os problemas que mais afligem a alma humana. “Cara, não dá, com três atacantes não dá, hoje em dia tem que jogar com dois volantes, ele não entende isso, vamos tomar gols” ou “Para que comprar tantos meias e ficar só com o Souza e o Obina para o ataque?” são desabafos e questionamentos que considero palpáveis e que justificam qualquer mau-humor ou sofrimento. Mais legal é dizer logo que algo acontece. Não deixe seu colega de trabalho fazer conjecturas. Escolha: ou trate com profissionalismo e discrição ou diz logo que está de ovo virado e explica por quê, pedindo desculpas por qualquer inconveniente.
Caso 5 – Alguém tem chefes mais acima e se sente inseguro – Caso clássico. É conhecidíssima a frase e o autor: “O bom chefe tem que ser odiado por mais da metade da equipe que comanda”. Um editor famoso e muito bem-pago tem este conceito, totalmente ultrapassado. Já passei pela gestão dele. O conceito de ser odiado como chefe é ultrapassado e, numa boa, acho que ninguém controla pelo ódio. Pelo contrário: ódio suscita disse-me-disse, rebelião, puxadas de tapete, concorrência entre pessoas de mesma equipe, medo, insegurança. O bom chefe, para mim, tem de unir comando, firmeza e liderança. Comando, porque a hierarquia tem de ser militar, senão não funciona. O soldado não pode levantar a voz para o sargento (e, no meu conceito, o contrário é proibido também). Firmeza, porque as decisões têm de ser assumidas e os prejuízos destas não podem ser impostos apenas ao subordinado, e sim a quem deu a ordem. E liderança porque, acima de tudo, os subordinados devem ter no chefe alguém de quem eles não queiram se livrar jamais. “Com este cara tem diálogo, vamos dar o melhor para ele não sair” é uma das frases que os subordinados devem ter em mente. “Finalmente um chefe que usa camisas para fora da calça” é outra constatação que pode ser benéfica para o ambiente de trabalho.
Se o mau humor no seu trabalho decorre de algum destes cinco casos, mande o link do Eclipse para os colegas. E lembre-se de jogar na Mega Sena: esperança também faz bem ao ambiente de trabalho.
PS - Aliás, falando em link, clique aqui, vote no Eclipse, e nos ajude a escapar da queda para a segunda divisão (se é que estamos mesmo na primeira...)
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Acrescente-se que se você tiver bom relacionamento com um subordinado, estará aumentando seu círculo de relacionamento. Ele pode não se tornar seu amigo ( nem é necessário ), mas pode admirar seu trabalho e sua forma de se relacionar e, quem sabe, amanhã ele estará te convidando para um cargo melhor em outra empresa.
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Já exerci cargo de chefia em empresa com grande movimentação pessoal, cometi equivocos, contudo, por formação ideológica sempre ouvi e ouço os argumentos de outrem, aceito conselhos, leio sobre estudos e resultados do tema abordado, oriênto os pares sobre procedimentos adequados, muitos aceitam uma nova postura, outros contudo são reticentes, são minoria mas causam um estrago HOMÉRICO no seio da empresa. É de grande valia divulgar obras deste tema, afim da melhoria do relacionamento humano. Convoco a todos a não fazerem disto uma luta e sim uma bandeira, perscistindo no aprimoramento das relações. Grato pela oportunidade del
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todos estes comentários me fizeram muito feliz, por perceber que não estou nem um pouco sozinho!
abraços
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Obrigado
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Adorei o assunto. Estou vendo
que sou uma pessoa maravilhosa, a minha
esposa achava que eu era o CHATO no meu
ambiente de trabalho.
Convivo com um chefe e um babão que são CARNE e UNHA. Não vejo a hora de chegar a minha aposentadoria.
Muito obrigado, voltei a elevar a minha serotonina...
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