7.12.07
A peleja do Ki-Suco contra o Q-Refresco: beber e comer nos anos 70

Juro que é só coincidência. Antes mesmo do Guindaste vir com um delicioso texto sobre milho verde comido na rua (e sobre street food em geral), eu já planejava continuar a viagem no tempo à década de 1970 para relembrar o que se comia naquela época. Uma rápida recordação já mata a charada e explica porque eu luto até hoje contra a barriga: nos anos 70, só se comia lixo – às vezes, quase literalmente. Os nossos leitores, claro, vão discordar e protestar, em nome das boas recordações. E não deixo de entendê-los: a espetacular bala Sugus, por exemplo, hoje facilmente encontrável no Cone Sur mas não no Brasil, é um exemplo de delícia a princípio inatacável. Mas, ora essa, como toda bala, Sugus é tão-somente açúcar embalado para consumo. Caloria vazia. Mas era o que comíamos.
Penso nas gerações futuras que lerem, por exemplo, o hoje clássico Feliz Ano Velho, do bom Marcelo Rubens Paiva. Uma das personagens, em determinado momento, solta a seguinte frase: “Não esquenta a cabeça. Se esquentar a cabeça, caspa vira mandiopã”. A comparação, claro, dá engulhos em quem costumava consumir esta iguaria, o Mandiopã. Se você me perguntar o que era um mandiopã, eu vou rir. Não sei. Não sei mesmo. Talvez uma espécie de pele de animal, ou mesmo uma gordura. Ou parte da matéria-prima do isopor. Fato é que nada podia ser mais “saudável” que um Mandiopã: esquentava-se a gordura pura de uma frigideira até a temperatura máxima possível, e ia-se jogando um mandiopã de cada vez.

Levava cerca de três segundos para ficar pronto – e não estou exagerando. Era esse tempo mesmo, o que dava graça ao prato (?). Com que se comia o Mandiopã? Bom, era um lanche. Algo como um baconzitos sem bacon.
Nos anos 70, a gente saía à rua e procurava uma figura que anda meio desaparecida: o sorveteiro. Não esse cara de isopor que anda pelas praias cobrindo o pé de calos, mas sim, um senhorzinho que ficava na mesma esquina com a mesma carrocinha, sabia todos os sabores de cor e numa “cantada” só (uva, coco, limão, chocolate, napolitano, tangerina e abacaxi) e ainda tinha em volta da tampa do freezer uma cacetada de doces, balas e gomas diferentes. Ali se encaixava o Sugus. E também a bala Banda, algo verdadeiramente extraordinário – quem nunca beijou boca depois de consumir bala Banda (ou o menino ou a menina)? Ou mesmo o clássico dos clássicos, o drops Dulcora?

Sardinha 88 pelo menos alimentava, mas nem isso eu comia. Bom, estou falando da sardinha
Sugus, Banda, Mandiopã....agora entendo por que eu não cresci. Para beber, em vez de sucos, Crush, Grapette, Pepsi-cola. Crush, principalmente. Não havia criança que não gostasse - e acho que era por causa da cor.

Ou Coca-Cola um litro. That´s the diference: uma família de quatro pessoas comprava uma coca um litro e se fartava. Um copo e meio para cada um e estava bom. Hoje as pessoas buscam a obesidade entornando refrigerante goela abaixo como se vodka ou cachaça fosse. Absurdo. Na década de 1970, era esperar pelas 18h de sexta-feira, hora em que minha mãe começava a fazer uma pizza quadrada (fazia tudo, inclusive a massa e o molho) e lá pelas 20h meu pai chegava e acontecia a melhor refeição da semana. Incrivelmente, uma pizza era a melhor refeição inclusive em termos nutritivos, já que passávamos a semana comendo porcarias indizíveis na rua. Sorte é que em casa o arroz-com-feijão era obrigatório, senão padeceríamos anêmicos e retardados. Bom, com certeza não sou anêmico.
Ainda havia uma alternativa ao refrigerante que era o precursor do jarrão Ki-Suco, o Q-Refresco. Depois os dois viraram concorrentes, o Ki-Suco e o Q-Refresco. Criança, eu achava que era a mesma coisa, mas que o Ki-Suco era “mais adulto” e o Q-Refresco era mais “legal” para gente da minha idade.

Incrível mesmo é que eu não lembro quais as minhas tarefas prioritárias desta sexta-feira mas lembro desta sensação – memória realmente só serve para azucrinar. O Q-Refresco existe até hoje, em algumas cidades do interior. Não sei quanto ao Ki-Suco, que se expandiu, investiu em publicidade, criou um personagem (“Ei, Jarrão!”) e quase uma expressão.
Outro ponto interessante da década de 70 eram as latas. Sim, lata naquele tempo era meio raridade. Mais caro, pasme. Cerveja em lata vinha numa lata dura de dar dó. Coca-cola em lata era coisa para colecionar. Ambas eram muito piores (como acontece até hoje) que suas versões em vidro. E para amassar era outro departamento – o malandro que amassasse uma latinha daquelas depois de esvaziar era realmente um sujeito forte e respeitável. Hoje, qualquer franguinho amassa e escarra em cima.
Enfim, ao longo da década de 1970, na minha infância – para ser mais exato e franco – fui acumulando glicoses e podreiras diversas no organismo que consolidaram esta barriga contra a qual luto incansavelmente há anos. Nada, nada a ver com as 86.455 cervejas que bebi e 704 churrascos a que compareci na década de 80. Prefiro o discurso revanchista: a culpa é toda da década de 70.
Saudade às vezes parece rancor.
P.S. - Neste link, a comunidade do blog Eclipse no Orkut. Como pretendemos fazer canequinhas e camisetas do Eclipse no ano que vem, é uma boa saber quem vai estar a fim, e para isso nada melhor que uma comunidade.
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Nhac
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abraço e obrigado pela visita
Paulo e Mano, confesso que de maconha nada entendo
abraço e obrigado pelas visitas
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Abçs, só para cooperar.
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gostei muito do seu comentário, e queria que você comentasse sobre os nossos dias no Spa. Aliás, não consegui juntar todos os links, são cinco partes, aqui coloquei três:
http://www.interney.net/blogs/eclipse/2007/10/03/dietas_emagrecimento/
http://www.interney.net/blogs/eclipse/2007/10/05/dieta_emagrecimento_spa/
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Obrigado pela visita!
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Eu sempre fui magro e comia só coisa boa: arroz, feijão, bife, tomate e alface! Pra acompanhar Ki-Suco!
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P.S. Sou gordo, portanto tenho uma bela memória degustativa!!!
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Eu não engordei muito, pois não gosto de nada doce, mas atacava quilos de Mandiopan e depois a versão com sabor (eca!): Fritopan.
Bom, as latas de refrigerante. Eu tinha quase dez anos quando fui assistir ao show dos Menudos e posso assegurar que as latinhas eram mesmo resistentes. Vi todo o show sobre duas delas (e pulando).
Beijos, adorei o post.
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xau!
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Se alguém se lembrar quem fabricava.
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